{"id":34,"date":"2017-08-03T18:27:36","date_gmt":"2017-08-03T21:27:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/?p=34"},"modified":"2018-03-12T16:14:24","modified_gmt":"2018-03-12T19:14:24","slug":"mulheres-sao-mais-cobradas-em-erros-de-arbitragem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/mulheres-sao-mais-cobradas-em-erros-de-arbitragem\/","title":{"rendered":"Mulheres s\u00e3o mais cobradas em erros de arbitragem"},"content":{"rendered":"<p>A Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de futebol teve a primeira t\u00e9cnica mulher apenas em 2016, e olha que foi no comando da equipe feminina. Entre os clubes masculinos, cogitar a contrata\u00e7\u00e3o de uma treinadora ainda soa como algo espantoso. Se nos bancos de reservas ou em cargos de gest\u00e3o as mulheres s\u00e3o quase invis\u00edveis, na arbitragem elas ganham um pouco mais de espa\u00e7o. Ent\u00e3o, o preconceito passa para a fase seguinte: resistir ao tratamento desigual no exerc\u00edcio da profiss\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left\">\u201cTodas as vezes em que a gente entra em campo, as pessoas acham que n\u00e3o vamos conseguir apitar as partidas. E isso parte de todos os envolvidos: torcida, jogador, comiss\u00e3o t\u00e9cnica\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Simone Silva, ex-\u00e1rbitra<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: left\">A ex-ju\u00edza Simone Silva, 42 anos, que atuou no quadro nacional de arbitragem da CBF de 2007 at\u00e9 2016. \u201cQuando uma mulher estreia, causa mais d\u00favida do que um homem, e tudo gera suspeita de capacita\u00e7\u00e3o.\u201d Ela exp\u00f5e que sempre sofreu preconceito na carreira. Nos 17 anos de arbitragem, apitou o Campeonato Carioca feminino e masculino e a S\u00e9rie D do Campeonato Brasileiro masculino.<\/p>\n<p>Para a carioca, o peso do erro de um homem \u00e9 bem diferente da falha de uma mulher. \u201cN\u00f3s somos muito mais sacrificadas. Tenho certeza porque vivenciei isso\u201d, desabafa ao lembrar que as desconfian\u00e7as ocorrem at\u00e9 em situa\u00e7\u00f5es de acertos. \u201cO futebol \u00e9 muito masculino, e a gente ainda escuta que lugar de mulher n\u00e3o \u00e9 no futebol.\u201d Para lidar com a press\u00e3o que sofria nas partidas, Simone se lembra que se concentrava bastante para n\u00e3o cometer erros \u201cinfantis\u201d no come\u00e7o do jogo e ganhar credibilidade. \u201cDepois, passei a driblar a press\u00e3o com sorrisos, gracinhas e brincadeiras.\u201d<\/p>\n<p>Nem sempre, por\u00e9m, a estrat\u00e9gia \u00e9 suficiente. A agora ex-bandeirinha <a href=\"https:\/\/saltoalto.blogosfera.uol.com.br\/2012\/11\/27\/ex-bandeirinha-ana-paula-de-oliveira-diz-que-ainda-sofre-preconceito-e-festeja-legado-deixado-as-mulheres\/\" target=\"_blank\">Ana Paula Oliveira<\/a>\u00a0\u2014 um dos nomes de maior destaque da arbitragem feminina \u2014 foi v\u00edtima, em 2007, da f\u00faria preconceituosa do ent\u00e3o vice-presidente do Botafogo, Carlos Augusto Montenegro. Ele protestou contra dois gols anulados incorretamente pela assistente, com a consequente elimina\u00e7\u00e3o do alvinegro da semifinal da Copa do Brasil, em duelo contra o Figueirense. \u201cEla \u00e9 totalmente despreparada. Errou dois lances seguidos. N\u00e3o vejo mulher em Copa do Mundo, n\u00e3o vi mulher na final da Liga dos Campe\u00f5es nem nas decis\u00f5es mais importantes do mundo, mas colocaram uma mulher hoje, justo contra o Botafogo\u201d, vociferou, na ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>Fernanda Colombo foi outra bandeirinha atacada por dirigentes de clubes importantes com \u201cargumentos\u201d que fogem ao desempenho profissional. \u201cA gente pega essa bandeira bonitinha. Se ela \u00e9 bonitinha, que v\u00e1 posar na Playboy\u201d, disse o diretor de Futebol do Cruzeiro, em 2014, Alexandre Mattos. \u00c0 \u00e9poca, Fernanda impediu uma jogada que poderia resultar num gol: marcou impedimento inexistente do cruzeirense Alisson, aos 41 minutos do segundo tempo, no cl\u00e1ssico que terminou com a derrota do time celeste para o Atl\u00e9tico-MG no Brasileir\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Errou, est\u00e1 fora<\/strong><\/h2>\n<figure id=\"attachment_39\" aria-describedby=\"caption-attachment-39\" style=\"width: 375px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-39 size-full\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/08\/Rejane-1.jpg\" alt=\"2017. Cr\u00e9dito: Marcos Farias\/Divulga\u00e7\u00e3o. Mulheres dentro da arbitragem no futebol. A \u00e1rbitra Rejane Caetano na sua estreia na s\u00e9ria A do Campeonato Carioca.\" width=\"375\" height=\"460\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/08\/Rejane-1.jpg 375w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/08\/Rejane-1-245x300.jpg 245w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/08\/Rejane-1-230x282.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 375px) 100vw, 375px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-39\" class=\"wp-caption-text\">A \u00e1rbitra Rejane na estreia da S\u00e9rie A do Carioca &#8211; Cr\u00e9dito: Marcos Farias\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ambos os casos envolveram falhas graves, \u00e9 verdade. Como consequ\u00eancia, al\u00e9m de sofrerem o afastamento, as duas sucumbiram aos ataques preconceituosos e acabaram n\u00e3o conseguindo retomar a carreira. Na ocasi\u00e3o, Ana Paula foi suspensa por 15 dias. Nos treinos para retornar \u00e0 arbitragem, ela lesionou a t\u00edbia e acabou reprovada no teste f\u00edsico da Fifa, com direito a pol\u00eamica pelo fato de a entidade n\u00e3o a ter isentado do exame f\u00edsico, j\u00e1 que a bandeirinha era assistente Fifa e estava contundida.<\/p>\n<p>O curr\u00edculo de Ana Paula, com atua\u00e7\u00f5es em finais de estaduais, como S\u00e3o Paulo x Corinthians, em 2003 \u2014 foi a primeira mulher a atuar \u2014; e em oitavas de final da Copa Libertadores, em 2005; e com o pr\u00eamio de \u00e1rbitra revela\u00e7\u00e3o dos Jogos Ol\u00edmpicos de Atenas-2004, n\u00e3o foi suficiente diante dos erros no jogo do Botafogo. Naquele mesmo ano, ela fez ensaio fotogr\u00e1fico nua para a revista Playboy, e as cr\u00edticas \u00e0 profissional aumentaram. A aposentadoria era quest\u00e3o de tempo e foi anunciada oficialmente em 2012, aos 34 anos.<\/p>\n<p>Fernanda, aos 25 anos, tamb\u00e9m se diz aposentada da fun\u00e7\u00e3o. Ela ficou conhecida como musa, apelido que ganhou pela beleza, embora tenha trabalhado em mais de 50 jogos profissionais e chegado a ser aspirante Fifa. A carreira ia bem at\u00e9 o fat\u00eddico impedimento equivocado no cl\u00e1ssico mineiro. Ap\u00f3s o afastamento, foram quase dois meses para voltar a exercer a fun\u00e7\u00e3o, mas na S\u00e9rie C do Brasileiro.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2><strong>Ap\u00f3s uma d\u00e9cada, novamente uma mulher na arbitragem de uma final<\/strong><\/h2>\n<p>Antes da pol\u00eamica com o Botafogo, Ana Paula Oliveira atuou na final da Copa Brasil de 2006, entre Flamengo e Vasco. &#8220;Fui muito bem, mas foi uma loucura a repercuss\u00e3o&#8221;, recorda. S\u00f3 ap\u00f3s 10 anos, Nadine Silva comp\u00f4s novamente um trio de arbitragem em uma final, desta vez entre Atl\u00e9tico-MG e Gr\u00eamio, pela Copa do Brasil 2016. Desta vez, o fato n\u00e3o foi t\u00e3o noticiado. &#8220;Meu lamento foi que levou tanto tempo para termos uma mulher novamente na arbitragem de uma final, mas a forma como foi tratado, com naturalidade, \u00e9 uma conquista&#8221;, comemora Ana Paula<\/p>\n<p>&#8220;Meu \u00fanico medo era se a Nadine tivesse cometido um equ\u00edvoco na final. As mulheres ainda s\u00e3o muito mais cobradas. Se uma mulher errar hoje em uma situa\u00e7\u00e3o crucial, acho que a repercuss\u00e3o ainda vai ser maior&#8221; pressup\u00f5e Ana Paula, agora instrutora e diretora-secret\u00e1ria da escola nacional de arbitragem de futebol da CBF. No entanto, ela acredita que seria menor do que foi nos tempo em que ela atuava.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left\">&#8220;Na minha \u00e9poca, era diferente. Hoje, n\u00e3o d\u00e1 para aceitar mais isso. \u00c9 inadmiss\u00edvel tratar homens e mulheres diferentes com erros iguais&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Ana Paula Oliveira, ex-bandeirinha<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ainda que seja inadmiss\u00edvel, at\u00e9 mesmo alguns jogadores reparam na exig\u00eancia excessiva com a arbitragem feminina. Ot\u00e1vio Henrique Santos, meia do Atl\u00e9tico Paranaense, reconhece o tratamento diferenciado. \u201cVoc\u00ea v\u00ea bastante erro na arbitragem em geral, mas como n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o comum ver mulheres na fun\u00e7\u00e3o, as pessoas analisam mais e ficam mais atentas em cada lance.\u201d Para ele, a presen\u00e7a feminina dentro de campo n\u00e3o muda quase nada em um jogo. O \u00fanico ponto diferente \u00e9 o tom de voz na hora de reclamar. \u201cA gente fica meio constrangido para reclamar e quando \u00e9 uma mulher temos um cuidado maior na hora de falar\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong><em>Por Ma\u00edra Nunes e Maria Eduarda Cardim<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de futebol teve a primeira t\u00e9cnica mulher apenas em 2016, e olha que foi no comando da equipe feminina. Entre os clubes masculinos, cogitar a contrata\u00e7\u00e3o de uma treinadora ainda soa como algo espantoso. 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