{"id":389,"date":"2017-09-18T19:49:01","date_gmt":"2017-09-18T22:49:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/?p=389"},"modified":"2017-10-16T01:13:20","modified_gmt":"2017-10-16T03:13:20","slug":"racismo-genero-esporte-posicionamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/racismo-genero-esporte-posicionamento\/","title":{"rendered":"O peso do posicionamento de esportistas por causas sociais"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lenda do boxe, Muhammad Ali foi o primeiro atleta com posicionamento aberto contra a Guerra do Vietn\u00e3. No Brasil, S\u00f3crates foi um dos esportistas mais ativos politicamente \u2014 ele foi uma das primeiras figuras p\u00fablicas a apoiar as &#8220;Diretas J\u00e1&#8221; e precursor da Democracia Corinthiana. Hoje, o brit\u00e2nico Andy Murray vem se consolidando como protagonista na luta pela igualdade de g\u00eanero no esporte.<\/p>\n<p>O ex-n\u00famero 1 do mundo chamou aten\u00e7\u00e3o quando se tornou o primeiro tenista da elite treinado por uma mulher, a francesa Amelie Mauresmo. O tanto de questionamentos sobre o assunto fez o tenista despertar para a causa \u2014 e abra\u00e7\u00e1-la.<\/p>\n<p>Andy Murray corrige jornalistas quando generalizam os tenistas sem contabilizar as tenistas mulheres, defende as premia\u00e7\u00f5es equiparadas para homens e para mulheres e levanta a bandeira por mais mulheres em cargos dentro do esporte, como o de treinadoras. Nesta segunda-feira (18\/9),<a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/news\/magazine-41082938\"> em artigo escrito a convite da BBC<\/a>, ele detalha como surgiu a necessidade de falar sobre o tema.<\/p>\n<p>No artigo, ele conta que a experi\u00eancia com a treinadora Amelie Mauresmo lhe deu uma pequena vis\u00e3o das atitudes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres no esporte.<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cTrabalhei com a Amelie por consider\u00e1-la a pessoa certa para o trabalho, e n\u00e3o por uma quest\u00e3o de g\u00eanero. No entanto ficou claro para mim que ela nem sempre foi tratada da mesma forma que os homens em empregos similares, e ent\u00e3o senti que tinha de falar sobre isso\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Andy Murray, tenista<\/p><\/blockquote>\n<p>Aos 30 anos, Andy Murray se prop\u00f4s a escrever sobre as esperan\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres no t\u00eanis. De antem\u00e3o, ressaltou que nunca se \u201cprop\u00f4s a ser um porta-voz pela igualdade das mulheres\u201d. Por conta do interesse da m\u00e3e com o esporte, o tenista diz\u00a0que parecia muito natural que meninas tivessem o mesmo grau de envolvimento com o esporte quanto meninos. Mais velho, contudo, percebeu o engano.<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cAgora sei que n\u00e3o \u00e9 esse o caso, e que muitas meninas abandonam quando se tornam adolescentes\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Andy Murray, tenista<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">\n<\/blockquote>\n<figure id=\"attachment_391\" aria-describedby=\"caption-attachment-391\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-391 size-full\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/09\/Andy_Murray1-1.jpg\" alt=\"andy-murray-amelie-mauresmo-posicionamento\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/09\/Andy_Murray1-1.jpg 750w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/09\/Andy_Murray1-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/09\/Andy_Murray1-1-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/09\/Andy_Murray1-1-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-391\" class=\"wp-caption-text\">Andy Murray com a ex-t\u00e9cnica Amelie Mauresmo \/ Foto: Andrew Cowie\/AFP\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O empenho da m\u00e3e de Andy Murray, a t\u00e9cnica Judy Murray, e a experi\u00eancia de ter sido treinado pela francesa Amelie Mauresmo fizeram\u00a0o tenista sentir necessidade de abra\u00e7ar a luta pela igualdade de g\u00eanero no esporte. Uma causa que dificilmente sai da obscuridade. As exce\u00e7\u00f5es se fazem quando figuras p\u00fablicas d\u00e3o luz \u00e0 elas.<\/p>\n<h2><strong>O desabafo de Rafaela Silva no jud\u00f4 ap\u00f3s o ouro ol\u00edmpico<\/strong><\/h2>\n<p>Recentemente, a judoca Rafaela Silva chegou no auge da carreira: conquistou o ouro ol\u00edmpico, nos Jogos do Rio-2016. Na cidade onde nasceu, diante da euforia de sagrar-se a melhor do mundo na profiss\u00e3o que escolheu, a carioca da favela Cidade de Deus desabafou: \u201cO macaco que tinha que estar na jaula nos Jogos de Londres hoje \u00e9 campe\u00e3o ol\u00edmpico dentro de casa\u201d.<\/p>\n<p>Rafaela foi v\u00edtima de ofensas racistas ap\u00f3s ser eliminada nos Jogos de Londres-2012. A judoca \u00e9 mulher, \u00e9 negra e \u00e9 homossexual. A \u00faltima caracter\u00edstica ela tornou p\u00fablica apenas ap\u00f3s o ouro ol\u00edmpico. E a repercuss\u00e3o, desta vez, foi positiva. \u201c<a href=\"http:\/\/especiais.correiobraziliense.com.br\/silencio-sobre-lgbt-mantem-atletas-com-medo\">Se fosse uma pessoa comum assumindo a sexualidade ou se fosse eu antes da medalha, n\u00e3o sei se seria todo esse carinho que as pessoas est\u00e3o me dando nas redes sociais<\/a>\u201d, alfinetou, em dezembro de 2016.<\/p>\n<p>\u201cA medalha a trouxe para outra situa\u00e7\u00e3o. Na condi\u00e7\u00e3o dela, al\u00e9m do receio por ser l\u00e9sbica, existe o medo por ser mulher\u201d, avalia Wagner Xavier Camargo, pesquisador de g\u00eanero e sexualidade no esporte da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar). \u201cE que bom que ela aproveitou essa oportunidade para dar visibilidade \u00e0 causa, porque anos depois n\u00e3o teria tido o mesmo efeito\u201d, completa o pesquisador.<\/p>\n<h2><strong>As cr\u00edticas sobre (a falta de) posicionamento do Pel\u00e9 contra o racismo<\/strong><\/h2>\n<p>A decis\u00e3o de falar sobre o tema \u00e9 muito valiosa, principalmente quando trata-se de uma figura p\u00fablica. Uma fotografia marcou as Olimp\u00edadas da Cidade do M\u00e9xico, em 1968. Em cima do p\u00f3dio, os velocistas Tommie Smith e John Carlos estendiam um dos bra\u00e7os, com punhos fechados vestidos com uma luva preta. A sauda\u00e7\u00e3o era em alus\u00e3o aos Panteras Negras, partido ativista que defendia o direito dos negros nos Estados Unidos. O ato entrou para a hist\u00f3ria da pol\u00edtica e do esporte.<\/p>\n<p>O \u201cRei do futebol\u201d tamb\u00e9m \u00e9 negro. A figura de Pel\u00e9 certamente serviu como s\u00edmbolo da causa contra o racismo. No entanto, o discurso dele foi da nega\u00e7\u00e3o na maior parte da trajet\u00f3ria de vida dele. Em 2014, quando o goleiro Aranha, ent\u00e3o no Santos, foi alvo de ofensas racistas em campo pela torcida do gr\u00eamio, Pel\u00e9 desaprovou a postura do atleta de denunciar o caso.<\/p>\n<p>Com 73 anos na \u00e9poca, Pel\u00e9 disse que se tivesse parado todo jogo em que algum torcedor o chamasse de &#8220;macaco&#8221; ou &#8220;crioulo&#8221;, teriam que ser interrompido todos os jogos de que participou. Neste momento, o principal jogador do t\u00edtulo da Copa do Mundo de 1970 n\u00e3o mais negara ter sofrido racismo, mas permaneceu optando pelo sil\u00eancio. Durante a carreira, foi apelidado por companheiros de time de \u201cGasolina\u201d \u2014 refer\u00eancia \u00e0 cor do petr\u00f3leo, que d\u00e1 origem ao combust\u00edvel \u2014 e de Alem\u00e3o \u2014 ironia \u00e0 cor de pele dele.<\/p>\n<p><strong>Ningu\u00e9m tem a obriga\u00e7\u00e3o de comprar briga alguma. <\/strong>Pel\u00e9 fez o mesmo que muitos de sua gera\u00e7\u00e3o.<strong> Ainda assim, o sil\u00eancio \u00e9 tido como uma esp\u00e9cie de desperd\u00edcio quando se trata de causas com pouca visibilidade, que est\u00e3o ou estiveram presentes na vida\u00a0de personalidades com respaldo mundial. <\/strong>Pel\u00e9 ganhou o mundo sendo negro, mas se limitou a jogar futebol.<\/p>\n<p>As cr\u00edticas por ter ignorado a luta antirracista se repetem em rela\u00e7\u00e3o ao atual \u00eddolo internacional gerado pelos gramados brasileiros. Neymar tamb\u00e9m foi alvo de preconceito e optou por n\u00e3o se pronunciar. J\u00e1 Daniel Alves, companheiro de Neymar na Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, no Barcelona e, agora, no Paris Saint-Germain (PSG), comprou a causa. Al\u00e9m de se reconhecer negro, o lateral direito deu visibilidade internacional \u00e0 luta contra o racismo ao comer uma banana atirada na dire\u00e7\u00e3o dele enquanto atuava pelo time espanhol.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Lenda do boxe, Muhammad Ali foi o primeiro atleta com posicionamento aberto contra a Guerra do Vietn\u00e3. No Brasil, S\u00f3crates foi um dos esportistas mais ativos politicamente \u2014 ele foi uma das primeiras figuras p\u00fablicas a apoiar as &#8220;Diretas J\u00e1&#8221; e precursor da Democracia Corinthiana. 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