{"id":4507,"date":"2019-09-12T13:09:21","date_gmt":"2019-09-12T16:09:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/?p=4507"},"modified":"2019-09-12T16:05:01","modified_gmt":"2019-09-12T19:05:01","slug":"edenica-garcia-natacao-feminista-gay","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/edenica-garcia-natacao-feminista-gay\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s 11 anos, Ed\u00eania volta ao Mundial de Nata\u00e7\u00e3o como favorita, feminista e ativista LGBT"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Ed\u00eania Garcia foi a primeira mulher brasileira a ser tricampe\u00e3 mundial paral\u00edmpica. O feito da nadadora foi na prova em que \u00e9 especialista: 50m costas, em 2002, 2006 e 2010. Desde o \u00faltimo t\u00edtulo, por\u00e9m, ela n\u00e3o chegava ao Mundial de Nata\u00e7\u00e3o Paral\u00edmpica como favorita. Apesar de ter conquistado a terceira medalha paral\u00edmpica da carreira nos Jogos de Londres-2012, na mesma piscina que <a href=\"https:\/\/www.paralympic.org\/london-2019\/schedule-results\/info-live-results\/swlo19\/eng\/sw\/engsw_swimming-results-sww403-1-01.htm\">retorna nesta quinta-feira (12\/9) para os 50m costas<\/a>, Ed\u00eania ficou apenas em s\u00e9timo lugar nos Jogos do Rio-2016 enquanto percebia a doen\u00e7a cong\u00eanita conhecida como atrofia fibular muscular se agravar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;Estamos voltando para Londres para o meu s\u00e9timo Mundial e, agora, como favorita de novo, precisamos ter calma, foi tudo muito r\u00e1pido&#8221;, comemora a nadadora de 32 anos. Ed\u00eania nasceu na cidade de Crato, interior cearense, com essa doen\u00e7a que afetou os movimentos dos membros inferiores. Cadeirante, ela come\u00e7ou a praticar nata\u00e7\u00e3o bem nova por indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e logo despontou como uma promessa da nata\u00e7\u00e3o brasileira. &#8220;Comecei muito cedo e j\u00e1 era favorita numa prova de Campeonato Mundial aos 16 anos. Ser favorita hoje, para mim, tem um peso diferente.&#8221;\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2017, Ed\u00eania foi reclassificada em uma classe com menos mobilidade. No dia em que recebeu a not\u00edcia de que havia baixado da classe S4 para a S3, a nadadora recebeu muitos parab\u00e9ns. Na classe em que estava, ela se distanciou do p\u00f3dio, figurava entre a s\u00e9tima e a oitava nadadora do mundo. &#8220;Quando eu desci para a S3, fui para a terceira melhor do mundo e, em dois anos, eu subi para a primeira&#8221;, lembra. &#8220;Para o esporte, \u00e9 legal baixar de classe por ficar uma atleta mais competitiva. Mas, para quem tem uma s\u00edndrome degenerativa, implica na qualidade de vida, ou seja, minha s\u00edndrome est\u00e1 piorando e isso n\u00e3o \u00e9 bom&#8221;, pondera.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_4511\" aria-describedby=\"caption-attachment-4511\" style=\"width: 2047px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4511\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/Edenia2.jpg\" alt=\"\" width=\"2047\" height=\"1367\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/Edenia2.jpg 2047w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/Edenia2-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/Edenia2-768x513.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/Edenia2-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/Edenia2-1440x962.jpg 1440w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/Edenia2-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/Edenia2-230x154.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 2047px) 100vw, 2047px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4511\" class=\"wp-caption-text\">Edenia Garcia nadando a prova que diz ser o xod\u00f3 dela: 50m costas | Douglas Magno\/ EXEMPLUS\/CPB<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">H\u00e1 dois anos, um m\u00e9dico especialista na s\u00edndrome de Ed\u00eania a orientou para que diminu\u00edsse a carga dos treinamentos. O objetivo era que ela n\u00e3o chegasse nem pr\u00f3ximo do overtraining, como aconteceu em 2015 e 2016, segundo ela. &#8220;Isso me deixou algumas sequelas, como a perda do movimento do polegar da m\u00e3o esquerda, muita fadiga muscular durante os treinos, uma piora no diafragma&#8221;, enumera. A diminui\u00e7\u00e3o dos treinos tem como meta priorizar a qualidade de vida. O trabalho psicol\u00f3gico e emocional se tornou algo central para Ed\u00eania, que pratica medita\u00e7\u00e3o duas vezes por dia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, al\u00e9m das sequelas f\u00edsicas e da queda do gostinho amargo pela frustra\u00e7\u00e3o com o rendimento nas Paralimp\u00edadas do Rio-2016, Ed\u00eania perdeu o pai e acabou desenvolvendo um quadro de ansiedade. Nos Jogos Parapan-Americanos de Lima-2019, uma semana antes do Mundial, ela contou ter sofrido uma crise de p\u00e2nico no dia em que nadou os 50m livre. O desabafo sobre o luto que n\u00e3o p\u00f4de viver pela perda do pai e sobre os desafios com o quadro de ansiedade ocorreram dias depois do epis\u00f3dio de p\u00e2nico, ap\u00f3s a conquista do pentacampeonato nos 50m costas em Lima, pela primeira vez, na classe S3. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Ativista pelas mulheres, pelos nordestinos, LGBTs e cadeirantes<\/strong><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ed\u00eania \u00e9 do tipo de atleta articulada, que fala bem e n\u00e3o foge das perguntas mais delicadas. N\u00e3o \u00e9 de hoje, por\u00e9m, que se posiciona como mulher, nordestina, cadeirante e, nos \u00faltimos dias, como LGBT. Como refer\u00eancia do esporte paral\u00edmpico brasileiro, com mais de 300 medalhas na carreira, ela sabe a import\u00e2ncia de falar quem \u00e9: &#8220;A Ed\u00eania \u00e9 mulher, \u00e9 tia, \u00e9 irm\u00e3, \u00e9 nordestina, \u00e9 gay e \u00e9 pentacampe\u00e3 das Am\u00e9ricas tamb\u00e9m. \u00c9 tudo isso e muito mais&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para ela, que tornou p\u00fablica a orienta\u00e7\u00e3o sexual durante os Jogos Parapan-Americanos de Lima, o posicionamento \u00e9 importante para se identificar enquanto indiv\u00edduo nos grupos. &#8220;A partir do momento que voc\u00ea se identifica e sabe a qual grupo pertence, sabe as dificuldades dele de existir. \u00c9 inevit\u00e1vel n\u00e3o abra\u00e7ar a causa, voc\u00ea \u00e9 a causa, faz parte dela&#8221;, defende Ed\u00eania.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-K2DXpYpzbs&#038;feature=youtu.be\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-K2DXpYpzbs&amp;feature=youtu.be<\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A nadadora ainda refor\u00e7a a import\u00e2ncia de aumentar o n\u00famero de atletas de classes baixas, com defici\u00eancias severas, que j\u00e1 vem sendo difundido como objetivo do Comit\u00ea Paral\u00edmpico Brasileiro (CPB). &#8220;Quando eu falo para investir, \u00e9 tratar da mesma forma que se trata os atletas de classe alta, que \u00e9 praticamente o convencional. \u00c9 dar o mesmo suporte, o mesmo treinamento, o mesmo investimento, que o resultado sai. Conseguimos responder isso em cada campeonato&#8221;, argumenta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outra bandeira \u00e9 o aumento da quantidade de mulheres no esporte paral\u00edmpico. No Mundial de nata\u00e7\u00e3o, o Brasil conta com doze nadadoras, o dobro de mulheres que representaram o pa\u00eds na edi\u00e7\u00e3o da Cidade do M\u00e9xico, em 2017 &#8211; s\u00e3o 25 atletas ao todo na delega\u00e7\u00e3o brasileira. O <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/mulheres-parapan-americano-lima-2019\/\">Parapan de Lima tamb\u00e9m registrou a maior quantidade de atletas mulheres representando o Brasil<\/a>, 128 entre os 337 atletas.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ed\u00eania Garcia foi a primeira mulher brasileira a ser tricampe\u00e3 mundial paral\u00edmpica. O feito da nadadora foi na prova em que \u00e9 especialista: 50m costas, em 2002, 2006 e 2010. Desde o \u00faltimo t\u00edtulo, por\u00e9m, ela n\u00e3o chegava ao Mundial de Nata\u00e7\u00e3o Paral\u00edmpica como favorita. Apesar de ter conquistado a terceira medalha paral\u00edmpica da carreira nos Jogos de Londres-2012, na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":79,"featured_media":4508,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[767,151,751],"tags":[769,768,331,755],"class_list":["post-4507","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-natacao","category-paralimpiadas","category-parapan-americano","tag-edenia","tag-mundial-natacao-paralimpica","tag-natacao","tag-paralimpico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4507","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-json\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4507"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4507\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4513,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4507\/revisions\/4513"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4508"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}