{"id":4793,"date":"2019-12-09T15:32:23","date_gmt":"2019-12-09T18:32:23","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/?p=4793"},"modified":"2019-12-09T17:29:31","modified_gmt":"2019-12-09T20:29:31","slug":"marco-queiroga-tecnico-egito-volei-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/marco-queiroga-tecnico-egito-volei-feminino\/","title":{"rendered":"Brasileiro revela desafios de comandar sele\u00e7\u00e3o feminina de v\u00f4lei no Egito"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><strong>Marco Ant\u00f4nio Queiroga<\/strong> \u00e9 daqueles nomes com muita hist\u00f3ria para contar dos bastidores do v\u00f4lei. Ele atuou na forma\u00e7\u00e3o de craques como Sheilla, Fabiana, Jaqueline e Paula Pequeno \u2013 comp\u00f4s a base de uma gera\u00e7\u00e3o campe\u00e3 ol\u00edmpica. A bagagem que o treinador carrega em 34 anos de carreira extrapolou as fronteiras brasileiras. Ele tamb\u00e9m trabalhou nas sele\u00e7\u00f5es femininas portuguesa, peruana e, desde setembro, encara o \u201cdesafio mais dif\u00edcil de todos\u201d \u00e0 frente da equipe do Egito.<\/p>\n<p>Em entrevista ao <strong>Elas no Ataque<\/strong>, o treinador fala sobre as dificuldades com o idioma e a cultura do pa\u00eds \u00e1rabe. Em uma equipe em que parte das atletas jogam com v\u00e9u isl\u00e2mico, Marco ressalta que <strong>o esporte \u00e9 percebido pelas jogadoras eg\u00edpcias como uma forma de a mulher ter mais liberdade pessoa<\/strong>l. Marco Queiroga esteve na capital federal nesse fim de semana com a sele\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia para disputar a <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/apos-rebaixamento-brasilia-volei-reencontra-torcida-em-torneio-amistoso-no-sesi-taguatinga\/\">Copa Bras\u00edlia<\/a> em prepara\u00e7\u00e3o para o Pr\u00e9-Ol\u00edmpico.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea chegou ao comando da sele\u00e7\u00e3o feminina do Egito?<\/strong><\/p>\n<p>Fui convidado para trabalhar no Egito em junho deste ano. Trabalhei dois meses e meio com a sele\u00e7\u00e3o sub-18. Disputamos o Mundial da categoria e conseguimos o melhor resultado de todos os tempos: o 10\u00ba lugar. Foram quatro vit\u00f3rias em oito jogos. Nesse projeto, existia a possibilidade de eu dar continuidade com o time adulto. Parece que querem mudar alguma coisa no sistema do pa\u00eds, ent\u00e3o me convidaram. Comecei com esse time h\u00e1 15 dias.<\/p>\n<p><strong>Qual o principal objetivo neste trabalho com a equipe eg\u00edpcia?<\/strong><\/p>\n<p>Estou tentando colocar uma mentalidade mais profissional. Muitas vezes, em um campeonato nacional, \u00a0tem-se 10 jogadoras no banco, \u00e9 meio desorganizado. Na Copa Bras\u00edlia, por exemplo, estamos vendo uniforme, arbitragem, ilumina\u00e7\u00e3o boa, presen\u00e7a da imprensa. As minhas atletas est\u00e3o vendo tudo isso, inclusive o comportamento das jogadoras brasileiras. Estamos tentando mostrar para elas o que precisa mudar, mas temos de mudar muita coisa em pouco tempo. Essa \u00e9 a minha maior dificuldade, tem muita coisa enraizada. Estou brigando para tentar mudar a mentalidade geral, do p\u00fablico, da federa\u00e7\u00e3o, dos diretores, treinadores e das jogadoras.<\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea conseguiu nesses 15 dias de trabalho?<\/strong><\/p>\n<p>Mudou completamente o sistema de treino e de cobran\u00e7a. Antes, elas n\u00e3o eram cobradas. Era tudo muito alegre, muita divers\u00e3o, mas \u00e9 preciso saber os momentos das coisas.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nComo est\u00e1 a expectativa para o Pr\u00e9-Ol\u00edmpico em janeiro?<\/strong><\/p>\n<p>Sabemos que \u00e9 uma coisa muito dif\u00edcil ir para as Olimp\u00edadas. Camar\u00f5es e Qu\u00eania est\u00e3o um pouco \u00e0 nossa frente, mas vamos lutar muito e, de repente, com tempo de treinamento, essas viagens podem fazer a diferen\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<figure id=\"attachment_4795\" aria-describedby=\"caption-attachment-4795\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4795\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/12\/CBPFOT061220190657.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/12\/CBPFOT061220190657.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/12\/CBPFOT061220190657-300x192.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/12\/CBPFOT061220190657-768x492.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/12\/CBPFOT061220190657-550x352.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/12\/CBPFOT061220190657-230x147.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4795\" class=\"wp-caption-text\">Atual t\u00e9cnico do Egito, Marco Antonio Queiroga j\u00e1 trabalhou com as sele\u00e7\u00f5es de Portugal, Peru e Brasil | Ed Alves\/CB\/D.A Press Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p><strong>Voc\u00ea j\u00e1 passou pela base da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, pelas equipes portuguesa, peruana e, agora, est\u00e1 na eg\u00edpcia. Como v\u00ea essa \u201cexporta\u00e7\u00e3o\u201d de t\u00e9cnicos brasileiros?<\/strong><\/p>\n<p>Existe um respeito muito grande ao v\u00f4lei do Brasil, porque come\u00e7amos h\u00e1 40 anos. N\u00e3o somos tricampe\u00f5es ol\u00edmpicos masculino e bicampe\u00f5es ol\u00edmpicos feminino por acaso. N\u00f3s trabalhamos muito ao longo dos anos e uma coisa importante foi a disciplina colocada nos treinamentos, o desenvolvimento de uma escola espec\u00edfica brasileira. Por causa desse trabalho, conseguimos resultados com os melhores jogadores e treinadores. O projeto em que estou faz parte da inten\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de desenvolver o v\u00f4lei na \u00c1frica. O meu sal\u00e1rio \u00e9 pago pelas federa\u00e7\u00f5es Internacional e Eg\u00edpcia.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nQuais os desafios de assumir a sele\u00e7\u00e3o do Egito?<\/strong><\/p>\n<p>Foi o desafio mais dif\u00edcil de todos. Em Portugal, a l\u00edngua era a mesma. Eu fui para l\u00e1 estudar, fiz mestrado. Comecei a trabalhar em clube e, de repente, estava na sele\u00e7\u00e3o portuguesa. Era para ficar dois anos, acabei ficando seis e quase n\u00e3o vim mais embora. Voltei para o Brasil e a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira foi tranquila. Na equipe peruana, eu tive de quebrar muito paradigma, envolvendo mais pol\u00edtica, e precisei aprender espanhol. Mas o mais dif\u00edcil de todos realmente est\u00e1 sendo agora, porque a cultura \u00e9 totalmente diferente. E eu estou sozinho.<\/p>\n<p><strong>Que pontos apresentam as maiores dificuldades?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O meu conhecimento de ingl\u00eas n\u00e3o era suficiente para falar no dia a dia, dar instru\u00e7\u00e3o. O meu ingl\u00eas era para viajar, falar que quero comer e coisas assim. Nos dois primeiros meses, fui muito determinado. Lutei sozinho e, hoje, encaro isso com mais naturalidade. As meninas do sub-18 me ajudaram muito com o ingl\u00eas, o meu staff me ajudou muito tamb\u00e9m. Mas, de alguma forma, voc\u00ea \u00e9 um estrangeiro e, quando come\u00e7a a dar ordem em outro pa\u00eds, muitas vezes tem uma corrente que n\u00e3o aceita. Mas vou trabalhando, porque a resposta \u00e9 por meio do trabalho. Hoje, eu me comunico melhor com elas. Dou at\u00e9 bronca em ingl\u00eas (risos).<\/p>\n<p><strong>A cultura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres tamb\u00e9m \u00e9 muito diferente, inclusive algumas atletas da sele\u00e7\u00e3o jogam com o v\u00e9u isl\u00e2mico. Como foi a sua adapta\u00e7\u00e3o para trabalhar com elas?<\/strong><\/p>\n<p>Eu tive de aprender o que \u00e9 isso. No Egito, o homem n\u00e3o pode tocar na mulher, enquanto, no Brasil, n\u00f3s abra\u00e7amos, damos dois beijinhos. No meu segundo dia l\u00e1, fui cumprimentar uma fisioterapeuta com dois beijinhos e ela se afastou de mim. N\u00e3o se toca na mulher. No Brasil, \u00e9 comum o toque, vem todo mundo junto no tempo t\u00e9cnico. Ent\u00e3o, tive de me educar e tentar entender. Mas o Egito \u00e9 o pa\u00eds mais aberto dos pa\u00edses \u00e1rabes. Nos pa\u00edses mais radicais, \u00e9 muito dif\u00edcil, a mulher \u00e9 como se fosse um objeto. O v\u00e9u \u00e9 usado pelas mulheres a partir da primeira menstrua\u00e7\u00e3o. Como o Egito \u00e9 um pa\u00eds mais aberto, as fam\u00edlias mais modernas est\u00e3o permitindo que a menina decida se ela quer ou n\u00e3o usar o v\u00e9u. Ent\u00e3o, tem menina que usa short, outras usam cal\u00e7a, outras usam o v\u00e9u e tem aquelas que deixam s\u00f3 os olhos \u00e0 vista.<\/p>\n<p><strong>Como as jogadoras da sele\u00e7\u00e3o se comportam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura do pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>O esporte \u00e9 uma forma de a mulher ter mais liberdade pessoal e isso \u00e9 uma vantagem para mim. Se ela n\u00e3o faz esporte, vai ficar dentro de casa o dia inteiro. Elas agora est\u00e3o no Brasil, conhecendo outro pa\u00eds. Elas gostam de treinar, porque poder\u00e3o melhorar para jogar campeonatos fora. Esse \u00e9 um dos benef\u00edcios e que est\u00e1 me ajudando para que elas queiram treinar mais. Foi um eg\u00edpcio que comentou comigo essas coisas e vem me ajudando. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Temos 15 atletas nessa viagem pelo Brasil e uma menina n\u00e3o pode ficar sozinha no quarto. Elas pediram para ficar todas no mesmo andar. S\u00e3o coisas que n\u00e3o d\u00e1 para entender \u00e0s vezes, por falta de conhecimento da cultura, da religi\u00e3o. Muitas vezes, eu as encontro e est\u00e3o rezando. Eu vou ajustando as coisas.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marco Ant\u00f4nio Queiroga \u00e9 daqueles nomes com muita hist\u00f3ria para contar dos bastidores do v\u00f4lei. Ele atuou na forma\u00e7\u00e3o de craques como Sheilla, Fabiana, Jaqueline e Paula Pequeno \u2013 comp\u00f4s a base de uma gera\u00e7\u00e3o campe\u00e3 ol\u00edmpica. 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