{"id":5037,"date":"2020-03-06T13:12:28","date_gmt":"2020-03-06T16:12:28","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/?p=5037"},"modified":"2020-03-06T13:14:27","modified_gmt":"2020-03-06T16:14:27","slug":"ana-satila-canoagem-toquio-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/ana-satila-canoagem-toquio-2020\/","title":{"rendered":"Mulheres nas Olimp\u00edadas: Ana S\u00e1tila fala do in\u00edcio dif\u00edcil como uma das raras mulheres na canoagem brasileira"},"content":{"rendered":"<p>Ana S\u00e1tila, 23 anos, \u00e9 personagem de destaque no desenvolvimento da canoagem slalom no Brasil. Ca\u00e7ula da delega\u00e7\u00e3o brasileira nos Jogos de Londres-2012, aos 16 anos, a cano\u00edsta confirmou o potencial no <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/ana-satila-mundial-canoagem-slalom\/\">Campeonato Mundial de 2017<\/a>, disputado em Pau, na Fran\u00e7a: conquistou as medalhas de prata, no caiaque extremo (k1), e de bronze, na canoa (C1). Classificada para as Olimp\u00edadas de T\u00f3quio-2020, ela visa \u201cinspirar as novas gera\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 meu principal objetivo no esporte e da canoagem brasileira. Quero deixar um legado e, para isso acontecer, s\u00f3 inspirando as novas gera\u00e7\u00f5es\u201d, almeja a atleta da cidade mineira de Iturama, que teve de se aventurar como uma das poucas mulheres em meio a um esporte radical. \u201cEu tive um come\u00e7o muito dif\u00edcil porque era uma das \u00fanicas atletas femininas na canoagem brasileira, a \u00fanica a viajar com toda a equipe masculina\u201d, conta.<\/p>\n<p>Aos 15 anos, Ana S\u00e1tila ganhou um \u201csegundo pai\u201d e o esporte brasileiro, um t\u00e9cnico que revolucionaria a canoagem slalom no pa\u00eds. Em 2011, o italiano Ettore Vivaldi foi contratado pela <a href=\"https:\/\/www.cob.org.br\/pt\/cob\/confederacoes\/cbca\/\">Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Canoagem<\/a> (CBCa) para comandar a modalidade e ficou no cargo at\u00e9 2016, ap\u00f3s as Olimp\u00edadas do Rio. \u201cEle era como um pai para mim e, com certeza, tamb\u00e9m foi um diferencial para a canoagem brasileira\u201d, avalia a cano\u00edsta.<\/p>\n<p>Ettore deixou o comando da modalidade ap\u00f3s cinco anos de trabalho, porque a confedera\u00e7\u00e3o precisou se adequar a uma nova realidade econ\u00f4mica e estrutural. Ana S\u00e1tila cogitou pagar do pr\u00f3prio bolso para seguir treinando na Europa. \u201cEle mudou totalmente nosso modo de viver, como enxerg\u00e1vamos o esporte, dentro e fora da \u00e1gua. Ele se preocupava com os atletas em geral de uma maneira muito bonita, n\u00e3o s\u00f3 na parte esportiva, mas tamb\u00e9m na parte pessoal e nos ensinou muito\u201d, explica.<\/p>\n<p>Mas o destino reservou \u00e0 cano\u00edsta brasileira outro estrangeiro para estabelecer uma nova parceria vencedora. O namorado e um dos t\u00e9cnicos dela \u00e9 o franc\u00eas Mathieu Desnos, que mora no Brasil desde o in\u00edcio de 2018. \u201cSou uma pessoa que preciso confiar no meu t\u00e9cnico e preciso ter esse sentimento de confian\u00e7a. Depois do Ettore, s\u00f3 consegui encontrar isso de novo com o Mathieu\u201d, explica a brasileira.<\/p>\n<p>Especialista no K1 e bronze no Mundial Sub-23 em 2017, ele abriu m\u00e3o de disputar as Olimp\u00edadas de T\u00f3quio como atleta franc\u00eas para defender o pa\u00eds verde-amarelo na condi\u00e7\u00e3o de treinador. \u201cN\u00e3o foi nada pensado que ele viesse para o Brasil e que come\u00e7asse a me treinar. Realmente, as coisas aconteceram\u201d, conta Ana S\u00e1tila. Apaixonados, os dois entram na \u00e1gua todos os dias juntos e t\u00eam uma parceria que costuma ser compartilhada nas redes sociais.<\/p>\n<h3><strong>Frustra\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p>Ana S\u00e1tila foi campe\u00e3 mundial j\u00fanior em 2014 e vice-campe\u00e3 sub-23 em 2015. Aos 20 anos, chegou \u00e0s Olimp\u00edadas do Rio-2016 como heptacampe\u00e3 brasileira no K1 (caiaque individual). A participa\u00e7\u00e3o nos Jogos no Brasil, no entanto, foi frustrante. A mineira sofreu uma penalidade na prova e foi eliminada ainda na primeira fase, terminando na 17\u00aa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Da Rio-2016, a canoagem herdou o Parque Radical de Deodoro como legado. \u201cEle est\u00e1 funcionando brilhantemente. Treinar nesta pista, que \u00e9 uma das melhores do mundo inteiro, nos proporcionou bom desenvolvimento. Nossa prepara\u00e7\u00e3o foi para outro patamar\u201d, avalia Ana S\u00e1tila. O circuito \u00e9 parecido com o das Olimp\u00edadas de T\u00f3quio. \u201cO Brasil tem muito o que mostrar ainda, mas \u00e9 um passo importante\u201d, completa a cano\u00edsta.<\/p>\n<h3><strong>Incentivo paterno e intimidade com a \u00e1gua<\/strong><\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/B8BTZ6nFwzI\/\">https:\/\/www.instagram.com\/p\/B8BTZ6nFwzI\/<\/a><\/p>\n<p>Ana S\u00e1tila praticamente cresceu dentro da \u00e1gua. Aprendeu com o pai a ter disciplina nos treinamentos. Aos cinco anos, come\u00e7ou na nata\u00e7\u00e3o, modalidade que o pai sonhava v\u00ea-la competir. Aos nove, no entanto, a filha recebeu o convite de um professor de canoagem para conhecer outra modalidade. \u201cDesde o in\u00edcio, eu me apaixonei de verdade, n\u00e3o conseguia mais faltar a nenhuma aula, treinava todos os dias e gostava. Meu pai vendo aquilo come\u00e7ou a me apoiar bastante tamb\u00e9m\u201d, diz Ana S\u00e1tila.<\/p>\n<p>Aos poucos, a mineira foi participando de campeonatos municipais, estaduais e Copa Brasil de canoagem, mostrando potencial. A paix\u00e3o, por\u00e9m, esbarrou no desafio de se inserir em um esporte que era predominantemente masculino. \u201cEu procurava me encaixar muito no grupo dos meninos at\u00e9 que entendi a necessidade de ser eu mesma e continuar lutando do meu jeito\u201d, lembra Ana S\u00e1tila. Apesar do estranhamento inicial, ela diz que o time masculino sempre a acolheu bem e teve papel fundamental na carreira dela.<\/p>\n<p>Ainda assim, Ana S\u00e1tila tem consci\u00eancia da import\u00e2ncia da representatividade que \u00e9 competir na canoagem slalom. \u201cO papel da mulher no esporte deu um salto nos \u00faltimos anos. Temos conquistado nosso espa\u00e7o e mostrado do que somos capazes\u201d, analisa. Ela cita os Jogos Pan-Americanos de Lima-2019 como exemplo de maior equil\u00edbrio entre os dois g\u00eaneros.<\/p>\n<p>Entre todas as modalidades, dos 484 atletas brasileiros, 249 eram homens e 236 mulheres, o equivalente a 48,7% do total. \u201c\u00c9 uma esperan\u00e7a para todas as meninas da nova gera\u00e7\u00e3o que est\u00e3o iniciando no esporte e podem se espelhar nas nossas conquistas. Isso acaba sendo uma influ\u00eancia grande para essa nova gera\u00e7\u00e3o\u201d, diz a atleta, que sonha em \u201ccontinuar buscando igualdade e o espa\u00e7o das mulheres na sociedade, dentro ou fora do esporte\u201d.<\/p>\n<h3><strong>Quem \u00e9 ela<\/strong><\/h3>\n<figure id=\"attachment_5039\" aria-describedby=\"caption-attachment-5039\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5039\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/ana-satila-2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/ana-satila-2.jpg 750w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/ana-satila-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/ana-satila-2-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/ana-satila-2-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5039\" class=\"wp-caption-text\">Ana S\u00e1tila foi a atleta mais jovem do Brasil em Londres-2012 | Foto: Rob Van Bommel\/Sportscene<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Nome:\u00a0<\/strong>Ana S\u00e1tila Vargas<br \/>\n<strong>Modalidade:<\/strong>\u00a0canoagem slalom<br \/>\n<strong>Idade:<\/strong>\u00a023 anos<br \/>\n<strong>Naturalidade:\u00a0<\/strong>Iturama (MG)<br \/>\n<strong>Participa\u00e7\u00f5es ol\u00edmpicas:<\/strong>\u00a0Londres-2012 e Rio-2016<br \/>\n<strong>Principais t\u00edtulos:<\/strong>\u00a0dois ouros (K1 e C1) no Pan-Americano de Lima-2019; ouro na canoagem slalom extremo no Mundial Rio-2017; pratas no K1 da etapa de Praga da Copa do Mundo de 2019 e de 2016; bronze no C1 da etapa de Praga da Copa do Mundo de 2015; ouro no C1 e prata no K1 dos Jogos Pan-Americanos de Toronto-2015.<\/p>\n<h3><strong>Entenda a modalidade<\/strong><\/h3>\n<p>Na canoagem slalom, o competidor percorre um percurso de 250m a 400m que conta com 18 a 25 obst\u00e1culos, chamados de porta. As portas de cor verde indicam que o atleta deve descer o rio (a favor da corredeira), enquanto, nas de cores vermelhas, \u00e9 preciso subir (contra a corredeira). O objetivo \u00e9 passar errando o m\u00ednimo poss\u00edvel no menor tempo.<\/p>\n<h3><strong>Curiosidades ol\u00edmpicas\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p>A Am\u00e9rica do Sul teve a primeira representante feminina nos Jogos Ol\u00edmpicos de Los Angeles- 1932, quando as mulheres ainda n\u00e3o eram consideradas atletas oficiais. A nadadora Maria Lenk, na \u00e9poca com 17 anos, e outros 68 atletas da delega\u00e7\u00e3o brasileira venderam o caf\u00e9 que levaram no por\u00e3o do navio para custear a viagem at\u00e9 a competi\u00e7\u00e3o. A paulistana foi a primeira nadadora brasileira a estabelecer um recorde mundial. Ela tamb\u00e9m foi pioneira da nata\u00e7\u00e3o moderna por ter introduzido o nado borboleta em competi\u00e7\u00f5es, quando o executou nas Olimp\u00edadas de Berlim-1936 em uma prova de peito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana S\u00e1tila, 23 anos, \u00e9 personagem de destaque no desenvolvimento da canoagem slalom no Brasil. Ca\u00e7ula da delega\u00e7\u00e3o brasileira nos Jogos de Londres-2012, aos 16 anos, a cano\u00edsta confirmou o potencial no Campeonato Mundial de 2017, disputado em Pau, na Fran\u00e7a: conquistou as medalhas de prata, no caiaque extremo (k1), e de bronze, na canoa (C1). 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