{"id":5048,"date":"2020-03-07T11:49:34","date_gmt":"2020-03-07T14:49:34","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/?p=5048"},"modified":"2020-03-07T11:54:00","modified_gmt":"2020-03-07T14:54:00","slug":"maria-carolina-santiago-natacao-paralimpico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/maria-carolina-santiago-natacao-paralimpico\/","title":{"rendered":"Mulheres nas Olimp\u00edadas: Maria Carolina, a campe\u00e3 paral\u00edmpica que nadava no convencional at\u00e9 33 anos"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">A \u201cnovata veterana\u201d da delega\u00e7\u00e3o paral\u00edmpica de <strong>nata\u00e7\u00e3o<\/strong> do Brasil fala com tamanha empolga\u00e7\u00e3o do \u00faltimo ano que \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o se contagiar. Portadora de uma anomalia cong\u00eanita no nervo \u00f3ptico chamada Morning Glory, <strong>Maria Carolina Santiago<\/strong> debutou em competi\u00e7\u00f5es paral\u00edmpicas internacionais apenas aos 33 anos, em abril de 2019, na classe S12 (atletas de baixa vis\u00e3o acentuada) do Open Internacional. Em menos de uma temporada completa, tornou-se campe\u00e3 mundial e esperan\u00e7a de ouro nos <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/beth-gomes-atletismo-paralimpiadas\/\"><strong>Jogos de T\u00f3quio-2020<\/strong><\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O sotaque ao falar n\u00e3o nega a origem. Nascida em Caruaru, interior pernambucano, e criada no Recife, Maria Carolina descobriu tarde que podia se enquadrar no <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/jane-karla-paralimpico-toquio-2020\/\">esporte paral\u00edmpico<\/a>. Mas a nata\u00e7\u00e3o \u00e9 uma antiga conhecida. Al\u00e9m de ter um irm\u00e3o que foi nadador, ela n\u00e3o podia praticar esporte de impacto. Por causa da grande sensibilidade que tem na retina, qualquer pancada na cabe\u00e7a pode acarretar na perda da pouca vis\u00e3o que a pernambucana tem.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><strong>\u201cSempre nadei para manter o meu f\u00edsico, e era uma forma de me colocar \u00e0 prova. Para mim, a nata\u00e7\u00e3o sempre foi uma forma de superar o meu medo\u201d<\/strong>, conta. Aventurou-se inclusive em travessias em \u00e1guas abertas com grupo de amigos da nata\u00e7\u00e3o. Certa vez, desvencilhou-se sem querer da pessoa que a acompanhava e ficou perdida no meio do mar, sem saber para qual lado nadar. A ang\u00fastia durou at\u00e9 aparecer uma voz conhecida, que terminou o trajeto com ela.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tamb\u00e9m participou do Trof\u00e9u Brasil Maria Lenk, uma das principais competi\u00e7\u00f5es da nata\u00e7\u00e3o convencional. Apesar de ser \u00edntima das \u00e1guas, <strong>n\u00e3o conhecia o esporte paral\u00edmpico<\/strong>. \u201cAchava que era uma categoria s\u00f3, e eu n\u00e3o tinha interesse.\u201d Foi quando os colegas do clube Gr\u00eamio N\u00e1utico Uni\u00e3o, do Rio Grande do Sul, lhe sugeriram fazer os exames para saber se era apta para competir na categoria adaptada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por isso, ela se identificou tanto com o apelido. \u201cSou realmente uma novata em um grupo que estava treinando a todo vapor desde 2019. Mas, ao mesmo tempo, sou veterana, porque cheguei nadando\u201d, pontua. Maria Carolina enxerga apenas vultos com o olho esquerdo e n\u00e3o tem vis\u00e3o perif\u00e9rica no olho direito, apenas focal.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5049\" aria-describedby=\"caption-attachment-5049\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5049\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/Carol3.jpg\" alt=\"A nadadora de baixa vis\u00e3o Maria Carolina Santiago \u00e9 campe\u00e3 mundial e brigar\u00e1 pelo t\u00edtulo nas Paralimp\u00edadas de T\u00f3quio-2020\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/Carol3.jpg 750w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/Carol3-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/Carol3-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/Carol3-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5049\" class=\"wp-caption-text\">A nadadora Maria Carolina Santiago estrear\u00e1 nas Paralimp\u00edadas de T\u00f3quio-2020 j\u00e1 em busca do ouro<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Preparada para ser campe\u00e3<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEscutei que eu estava muito velha e pensava que meus tempos n\u00e3o seriam melhores do que os de quando eu era nova\u201d, lembra. Os t\u00e9cnicos da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira paral\u00edmpica discordaram. Desde quando Carol chegou no Centro de Treinamento Paral\u00edmpico de S\u00e3o Paulo, em 2018, ela foi preparada vislumbrando Jogos Parapan-Americanos, Mundial e possivelmente as Paralimp\u00edadas de T\u00f3quio. \u201cHoje eu nado muito abaixo dos tempos que eu fazia quando mais nova\u201d, comemora.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No <strong>primeiro campeonato internacional<\/strong> que disputou, quebrou dois recordes mundiais e saiu como um dos principais nomes do Open Loterias Caixa de Nata\u00e7\u00e3o, em abril de 2019, em S\u00e3o Paulo. Em agosto, conquistou quatro ouros nos Jogos Parapan-Americanos de Lima-2019 e, em setembro, dois ouros e uma prata no Mundial de Nata\u00e7\u00e3o Paral\u00edmpica de Londres-2019.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na adolesc\u00eancia, Maria Carol passou por um <strong>per\u00edodo dif\u00edcil<\/strong>. Ela teve \u00e1gua na retina e ficou completamente sem enxergar. \u201cEu n\u00e3o conseguia nadar, porque n\u00e3o confiava que n\u00e3o bateria em alguma coisa. Foi uma \u00e9poca muito ruim da minha vida, que eu nem gosto de comentar\u201d, lamenta. Ap\u00f3s 10 anos longe da piscina, resolveu voltar a nadar aos 27 anos no clube Gr\u00eamio N\u00e1utico Uni\u00e3o, do Rio Grande do Sul, onde foi apresentada ao esporte paral\u00edmpico e que defende at\u00e9 hoje.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Organismo feminino em evolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><br \/>\nOs planos para a <strong>novata veterana Maria Carolina Santiago<\/strong> eram ousados e come\u00e7avam pelos Jogos Parapan-Americanos de Lima-2019. Mas ela apresentou problemas hormonais durante a competi\u00e7\u00e3o na capital peruana. Naquele momento, percebeu a sensibilidade e o profissionalismo do <a href=\"https:\/\/www.cpb.org.br\/\">Comit\u00ea Paral\u00edmpico Brasileiro<\/a> (CPB) de enxerg\u00e1-la como um \u201corganismo feminino\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cQuando comecei a apresentar dificuldades por causa de horm\u00f4nios, a comiss\u00e3o t\u00e9cnica n\u00e3o tratou como uma besteira, uma frescura. Pelo contr\u00e1rio, procurou uma ginecologista do esporte que me avaliou, um nutricionista, porque que eu estava baixando muito de peso nos treinos. Viram-me mesmo como mulher e me possibilitaram chegar onde eu cheguei\u201d, avalia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Carol se emocionou ao ouvir pela primeira vez o hino brasileiro de cima do p\u00f3dio<\/strong> e desfrutou o momento m\u00e1gico por quatro vezes no Parapan. Foi ouro nos 50m livre, nos 100m livre, nos 100m costas e nos 400m livre. \u201cEu nunca havia vivido aquela emo\u00e7\u00e3o. Achei que n\u00e3o fosse chorar, porque sou meio seca na prepara\u00e7\u00e3o para aguentar tudo at\u00e9 o fim. Mas quando escutei o hino, percebi que n\u00e3o dava para segurar\u201d, conta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Muito choro de alegria ainda estava guardado para o Mundial de Londres-2019. Primeiro, com a prata nos 100m costas, ap\u00f3s nadar sem os \u00f3culos de nata\u00e7\u00e3o, por causa do inc\u00f4modo com a luz do teto do parque aqu\u00e1tico. Por isso, teve de competir com o tapper, treinador que auxilia o nadador cego com um bast\u00e3o para comunicar que a borda da piscina est\u00e1 pr\u00f3xima no momento da chegada. \u201cNa hora que recebi a medalha, disse que aquela era a maior emo\u00e7\u00e3o da minha vida. O meu tapper respondeu que n\u00e3o era, ainda n\u00e3o\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No dia seguinte, Maria Carolina venceu a <strong>russa Anna Krivshina<\/strong>, por apenas 1 cent\u00e9simo \u00e0 frente nos 50m livre em uma final eletrizante. \u201cRealmente, a maior emo\u00e7\u00e3o da minha vida era essa. Quando o hino brasileiro come\u00e7ou a tocar, eu s\u00f3 pensava que tinha deixado tudo na piscina, estava realmente muito satisfeita e feliz por ter feito a minha parte. At\u00e9 ent\u00e3o todos tinham feito a parte deles na prepara\u00e7\u00e3o\u201d, alegra-se. Carol ainda fechou a principal competi\u00e7\u00e3o do ano passado com outro ouro nos 100m livre. A brasileira e a russa prometem travar novamente disputas emocionantes em T\u00f3quio-2020.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/B2aPVkKA29Z\/\">https:\/\/www.instagram.com\/p\/B2aPVkKA29Z\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Entenda a modalidade\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p>A nata\u00e7\u00e3o paral\u00edmpica abrange os nados livre, costas, borboleta, peito e medley. A piscina segue os mesmos padr\u00f5es ol\u00edmpicos. As baterias s\u00e3o separadas de acordo com o grau e o tipo de defici\u00eancia. As adapta\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas nas largadas, viradas e chegadas. Os nadadores cegos recebem um aviso do tapper, por meio de um bast\u00e3o com ponta de espuma quando est\u00e3o se aproximando das bordas. As classes come\u00e7am com a letra S (swimming, que significa nata\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas). De S1 a S10, s\u00e3o atletas com limita\u00e7\u00f5es f\u00edsico-motoras. De S11 a S13, com defici\u00eancia visual. E S14, com defici\u00eancia intelectual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Quem \u00e9 ela\u00a0<\/strong><\/h3>\n<figure id=\"attachment_5053\" aria-describedby=\"caption-attachment-5053\" style=\"width: 1030px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5053\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/WhatsApp-Image-2020-03-07-at-11.39.41.jpeg\" alt=\"Estreante, a brasileira Maria Carolina Santiago \u00e9 campe\u00e3 mundial de nata\u00e7\u00e3o paral\u00edmpica\" width=\"1030\" height=\"709\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/WhatsApp-Image-2020-03-07-at-11.39.41.jpeg 1030w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/WhatsApp-Image-2020-03-07-at-11.39.41-300x207.jpeg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/WhatsApp-Image-2020-03-07-at-11.39.41-768x529.jpeg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/WhatsApp-Image-2020-03-07-at-11.39.41-1024x705.jpeg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/WhatsApp-Image-2020-03-07-at-11.39.41-550x379.jpeg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/WhatsApp-Image-2020-03-07-at-11.39.41-230x158.jpeg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1030px) 100vw, 1030px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5053\" class=\"wp-caption-text\">A nadadora Maria Carolina Santiago no Mundial de Nata\u00e7\u00e3o Paral\u00edmpica de Londres-2019: dois ouros e uma prata<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Nome:<\/strong> Maria Carolina Santiago<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Modalidade:<\/strong> nata\u00e7\u00e3o &#8211; classe S12 (baixa vis\u00e3o acentuada)<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Idade:<\/strong> 34 anos<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Naturalidade:<\/strong> Caruaru (PE)<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Principais t\u00edtulos:<\/strong> ouro nos 50m e 100m livre e prata nos 100m costas no Mundial Paral\u00edmpico de Londres-2019; ouro nos 50m e 100m livre, nos 100m costas e nos 400m livre nos Jogos Parapan-Americanos de Lima-2019<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Curiosidade Ol\u00edmpica<\/strong><\/h3>\n<p>As primeiras mulheres brasileiras a disputar os Jogos Paral\u00edmpicos foram Beatriz Siqueira, na nata\u00e7\u00e3o e no lawn bowls (uma esp\u00e9cie de bocha sobre grama), e Maria Alvares, no t\u00eanis de mesa e no atletismo. Elas competiram na edi\u00e7\u00e3o de Toronto-1976, no Canad\u00e1. O Brasil havia estreado nos Jogos em Heidelberg-1972, na Alemanha. As Paralimp\u00edadas se originaram em Stoke Mandeville, na Inglaterra, como uma forma de reabilitar militares feridos na Segunda Guerra Mundial. Oficialmente, por\u00e9m, a primeira edi\u00e7\u00e3o dos Jogos Paral\u00edmpicos ocorreu na cidade italiana de Roma, em 1960.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u201cnovata veterana\u201d da delega\u00e7\u00e3o paral\u00edmpica de nata\u00e7\u00e3o do Brasil fala com tamanha empolga\u00e7\u00e3o do \u00faltimo ano que \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o se contagiar. 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