{"id":5076,"date":"2020-03-11T12:44:25","date_gmt":"2020-03-11T15:44:25","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/?p=5076"},"modified":"2020-03-11T13:24:05","modified_gmt":"2020-03-11T16:24:05","slug":"entrevista-maria-carol-santiago-natacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/entrevista-maria-carol-santiago-natacao\/","title":{"rendered":"Entrevista Maria Carolina Santiago, fen\u00f4meno da nata\u00e7\u00e3o paral\u00edmpica do Brasil"},"content":{"rendered":"<h2>A nadadora Maria Carolina Santiago \u00e9 daquelas pernambucanas arretadas que d\u00e1 vontade de n\u00e3o parar mais de conversar depois que o papo come\u00e7a.<\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/maria-carolina-santiago-natacao-paralimpico\/\">Carol<\/a> nasceu com S\u00edndrome de Morning Glory, altera\u00e7\u00e3o cong\u00eanita na retina que reduz seu campo de vis\u00e3o. Foi criada na piscina pelo esporte ser uma\u00a0forma de encarar os medos. Fez inclusive travessias em \u00e1guas abertas.\u00a0Migrou da nata\u00e7\u00e3o convencional para a paral\u00edmpica apenas aos 33 anos. Um ano depois,\u00a0j\u00e1 tornou-se campe\u00e3 mundial e \u00e9 favorita nas Paralimp\u00edadas de T\u00f3quio-2020. Passou por perrengues e superou qualquer intimida\u00e7\u00e3o com conquistas que ela conta com detalhes emocionantes na entrevista abaixo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Porque entrou para o esporte paral\u00edmpico apenas aos 33 anos, no fim de 2018?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eu n\u00e3o conhecia o esporte paral\u00edmpico. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Eu sou de Caruaru (interior de Pernambuco) e achava que existia uma categoria s\u00f3, eu n\u00e3o tinha interesse. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Quando comecei a nadar no clube Gr\u00eamio N\u00e1utico Uni\u00e3o, do Rio Grande do Sul, e o pessoal de l\u00e1 me sugeriu fazer alguns exames para saber se eu estaria apta para nadar no paral\u00edmpico. Eu me animei muito depois que conheci a estrutura do esporte paral\u00edmpico brasileiro. Digo que sou a pernambucana mais do Rio Grande do Sul que tem. Tenho um carinho grande e muita gratid\u00e3o pelo clube, pois foi ele que me colocou no esporte paral\u00edmpico. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea j\u00e1 praticava nata\u00e7\u00e3o convencional desde nova.\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Meu irm\u00e3o foi nadador e eu nadava porque era o \u00fanico esporte que eu podia fazer que n\u00e3o tinha impacto, j\u00e1 que qualquer pancada que eu leve na cabe\u00e7a eu posso perder um pouquinho de vis\u00e3o que tenho. Tenho uma sensibilidade muito grande na retina. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Eu sempre nadei at\u00e9 para manter o meu f\u00edsico e era uma forma de eu me colocar \u00e0 prova. Para mim, a nata\u00e7\u00e3o sempre foi uma forma de superar os meus medos. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o sempre me mantive nadando, mas a excel\u00eancia mesmo eu tive quando cheguei no Centro de Treinamento da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, em S\u00e3o Paulo. Eu nadava para 1:04, 1:05 no 100m livre quando cheguei. Hoje, estou nadando para 0:59, melhorou muito o meu jeito de nadar. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Na sua trajet\u00f3ria, voc\u00ea parou de nadar por 10 anos por causa de um problema s\u00e9rio na retina. Como foi?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eu n\u00e3o gosto de falar sobre isso. Eu tive \u00e1gua na retina e fiquei completamente sem enxergar nada. Eu n\u00e3o conseguia nadar, porque eu n\u00e3o confiava que n\u00e3o iria bater em alguma coisa. Foi uma \u00e9poca muito ruim da minha vida, que eu nem gosto de comentar muito. Em outras situa\u00e7\u00f5es, eu tive \u00e1gua na retina novamente. Na segunda vez, nunca voltou ao normal. \u00c9 uma coisa que me atrapalha bastante, mas que eu consegui lidar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b><br \/>\nE decidiu voltar a nadar, aos 27 anos, j\u00e1 na maratona aqu\u00e1tica? E<\/b><b>m 2014 voc\u00ea inclusive venceu a categoria Challenge, de 24 a 29 anos, do Desafio Rei e Rainha do Mar.\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Voltei a nadar porque eu precisava fazer algum exerc\u00edcio, estava com medo de ganhar muito peso. E voltei nadando em competi\u00e7\u00e3o estadual. Foi assim que me mantive em um n\u00edvel competitivo que pudesse trabalhar. Mas quando\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">voltei a nadar na piscina, j\u00e1 foi no grupo que fazia travessias.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Conheci o clube Gr\u00eamio N\u00e1utico Uni\u00e3o por ser uma pot\u00eancia em \u00e1guas abertas e fazia travessias na Para\u00edba, porque Recife n\u00e3o pode nadar no mar por causa de tubar\u00e3o. O pessoal treinava na piscina, mas me chamava para ir nadar nas travessias. Era uma forma de eu sair e fazer algo diferente. Eu ficava muito em casa, ent\u00e3o resolvi viajar para acompanhar a turma. Eu tinha muitos amigos. Era muito bom quando eu terminava a prova para mostrar que eu conseguia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>E j\u00e1 aconteceu algum imprevisto durante uma dessas travessias?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eu tenho muitas hist\u00f3rias legais. Uma das vezes que eu fui nadar nessas travessias, eu me perdi da pessoa que eu estava acompanhando e ela, de mim. Eu fiquei no mar sem saber nem para que lado era para nadar. Eu levantava a m\u00e3o e n\u00e3o sentia nenhum toque, nada. Eu j\u00e1 estava pensando, meu Deus, quando uma outra pessoa que era da mesma equipe que eu e me chamou para ir com ela. Eu me juntei com esse rapaz e terminamos a prova. Foi bem emocionante.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/gnuniao\/posts\/3373796162645483\/\">https:\/\/www.facebook.com\/gnuniao\/posts\/3373796162645483\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea acabou ficando conhecida como a novata veterana. O que acha desse apelido?<\/b><b><br \/>\n<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eu acho o m\u00e1ximo, porque de fato eu entrei fora do tempo. E tudo estava conspirando contra. Cheguei tarde no esporte, em uma classe que \u00e9 muito competitiva, peguei um processo de treinamento que j\u00e1 estava na metade, que j\u00e1 estava a todo vapor desde 2016. Tudo ia contra. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Sou realmente uma novata em um grupo que j\u00e1 est\u00e1 em andamento. Mas, ao mesmo tempo, sou veterana porque j\u00e1 cheguei nadando. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Percebo que o sistema \u00e9 t\u00e3o bom que me absorveu. Toda a equipe fant\u00e1stica que conseguiram montar, com uma estrutura mais fant\u00e1stica ainda, com parte de recupera\u00e7\u00e3o, desenvolvimento para se preparar fisicamente, parte de fisioterapia. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Conseguiram pegar uma pessoa mais velha, que j\u00e1 nadou, mas que \u00e9 cheia de v\u00edcios, e conseguir mudar quando ela j\u00e1 tem 34 anos. Acho que novata veterana \u00e9 o melhor nome que podiam me dar.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Sempre sonhou em ser nadadora profissional. Em 2019, conquistou quatro ouros nos Jogos Parapan-Americanos Lima 2019. No Mundial, foram mais dois ouros e uma prata. Qual a sensa\u00e7\u00e3o dessas conquistas defendendo o seu pa\u00eds?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O meu in\u00edcio no paral\u00edmpico j\u00e1 foi treinando profissionalmente, tentando buscar melhorias de biomec\u00e2nica, tentando melhorar ao m\u00e1ximo o meu nado, visando o nado de uma campe\u00e3, de uma atleta que pudesse disputar uma medalha no mundial. Todo esse sentimento foi dia ap\u00f3s dia sendo constru\u00eddo e me deu uma vontade cada vez maior. Eles trabalharam muito comigo. Cheguei com um problema s\u00e9rio no ombro, achava que nem iria mais nadar. Eu debutei no Open de Nata\u00e7\u00e3o, que foi a minha primeira competi\u00e7\u00e3o e, de cara, j\u00e1 batemos o recorde mundial duas vezes (manh\u00e3 e tarde) e conquistamos o \u00edndice para ir para os Jogos Parapan-Americanos de Lima.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Depois veio o Parapan de Lima.<\/b><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No Parapan de Lima, eu estava com muitos problemas hormonais. E o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ocpboficial\/?hl=pt-br\">CPB (Comit\u00ea Paral\u00edmpico Brasileiro)<\/a> realmente d\u00e1 a possibilidade de voc\u00ea, como mulher, poder praticar o esporte em p\u00e9 de igualdade de possibilidades. Eu digo isso porque eles conseguiram me olhar como um organismo feminino. Quando eu comecei a apresentar dificuldades por causa de horm\u00f4nios, eles n\u00e3o trataram como uma besteira, uma frescura. Pelo contr\u00e1rio, procuraram uma ginecologista do esporte que me avaliou, me passou um nutricionista porque viram que eu estava baixando muito de peso nos treinos. Eles me viram mesmo como mulher e me possibilitaram chegar onde eu cheguei. Mesmo assim ainda nadei bem no Parapan, conquistei quatro medalhas de ouro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea ficou emocionada no p\u00f3dio da sua primeira medalha parapanamericana. Como viver isso?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">L\u00e1 eu escutei pela primeira vez o hino brasileiro de cima do p\u00f3dio, nunca tinha vivido aquela emo\u00e7\u00e3o na minha vida. Achei que n\u00e3o fosse chorar, porque sou meio seca na hora da prepara\u00e7\u00e3o para poder aguentar tudo at\u00e9 o fim. Mas quando eu escutei o hino brasileiro, vi que n\u00e3o dava para segurar. Fiquei muito emocionada, aquilo mexeu bastante comigo. Vou levar para a minha vida.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5077\" aria-describedby=\"caption-attachment-5077\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5077 size-full\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/Parapan-Maria-Carolina-Certo.jpg\" alt=\"Mulheres nas Olimp\u00edadas: a nadadora paral\u00edmpica Maria Carolina Santiago vai \u00e0s Paralimp\u00edadas de T\u00f3quio 2020 como campe\u00e3 mundial\" width=\"639\" height=\"460\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/Parapan-Maria-Carolina-Certo.jpg 639w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/Parapan-Maria-Carolina-Certo-300x216.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/Parapan-Maria-Carolina-Certo-550x396.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/Parapan-Maria-Carolina-Certo-230x166.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 639px) 100vw, 639px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5077\" class=\"wp-caption-text\">Maria Carolina Santiago recebe a medalha de ouro nos 400m livres dos Jogos Paranamericanos Lima 2019 | Alexandre Schneider\/EXEMPLUS\/CPB<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>E como foi a sensa\u00e7\u00e3o de estrear no Mundial Paral\u00edmpico de Nata\u00e7\u00e3o, no m\u00eas seguinte, em Londres?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Achei que tinha vivido o maior momento da minha vida quando cheguei no Mundial. Mas percebi que n\u00e3o. Porque \u00e9 uma outra competi\u00e7\u00e3o, outro jeito de abordar as disputas, as eliminat\u00f3rias. No Parapan-Americano, eu ia direto para as finais. No Mundial, n\u00e3o. L\u00e1 tinham oita meninas, contando comigo, que classificaram para T\u00f3quio com praticamente o mesmo tempo, tanto que eu venci por 1 cent\u00e9simo uma prova. Foi uma coisa que eu nunca tinha passado. Teve a experi\u00eancia de passar por toda a press\u00e3o da prova, de esperar\u00a0 prova, de ser classificada, de chegar na final e estar todas as bancas de controle. Isso tudo eu nunca tinha passado. Foi tudo novo para mim.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>E no Mundial voc\u00ea voltou a subir no p\u00f3dio. Primeiro, no segundo lugar nos 100m costas.\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A minha primeira prova no mundial foi nos 100m costas. Eu fiquei em segundo lugar. Na verdade, eu cheguei l\u00e1 com tempo para disputar um terceiro, quarto lugar, porque n\u00e3o era a minha prova de especialidade e tinham competidoras muito boas. A\u00ed um amigo meu foi campe\u00e3o mundial, mas eu n\u00e3o esperava que ele fosse ganhar, ele baixou muito o tempo e foi bem na hora que eu estava indo para a prova. Ele passou por mim e a gente se abra\u00e7ou, dei os parab\u00e9ns a ele e disse que agora iria para a prova muito mais forte. Dito e feito.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>E logo no Mundial voc\u00ea competiu pela primeira vez com o tapper (pessoa que auxilia o nadador cego com um bast\u00e3o para comunicar que a borda da piscina est\u00e1 pr\u00f3xima no momento da chegada). O que aconteceu?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eu tive problemas porque a luz do teto, que estava me incomodando muito. Tive de nadar sem \u00f3culos, que foi algo diferente para mim. Ent\u00e3o tive de confiar totalmente na pessoa que foi o meu tapper, porque \u00e9 como se fosse uma extens\u00e3o minha. Eu nunca tinha precisado dele. Mas para nadar do jeito que eles querem &#8211; sem sair da posi\u00e7\u00e3o, sem levantar a cabe\u00e7a, sem chegar um pouquinho mais devagar na dobra &#8211; eu preciso do tapper e preciso confiar 100% na pessoa. E eu realmente melhorei o meu tempo, ficamos em segundo lugar. Isso foi uma anima\u00e7\u00e3o no momento. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Na hora que recebi a medalha, disse que aquela era a maior emo\u00e7\u00e3o da minha vida. A\u00ed o tapper olhou para mim e falou: &#8216;N\u00e3o \u00e9, escuta o que estou te falando. Ainda n\u00e3o \u00e9&#8217;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ent\u00e3o veio a sua conquista da medalha de ouro nos 50m livre<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No dia seguinte, quando cheguei no parque aqu\u00e1tico para nadar os 50m livre e fiquei em primeiro por 1 cent\u00e9simo, o tapper me perguntou qual era a maior emo\u00e7\u00e3o da minha vida. Realmente, a maior emo\u00e7\u00e3o da minha vida era aquela conquista do ouro. Quando o hino brasileiro come\u00e7ou a tocar, eu s\u00f3 pensava que tinha deixado tudo na piscina, estava realmente muito satisfeita e feliz por ter feito a minha parte. At\u00e9 ent\u00e3o todos tinham feito a parte deles na prepara\u00e7\u00e3o, me treinando, mas no bloco era eu quem tinha de resolver.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como foi come\u00e7ar na nata\u00e7\u00e3o paral\u00edmpica em t\u00e3o alto n\u00edvel aos 33 anos?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eu escutei muito que eu j\u00e1 estava muito velha e pensava que meus tempos n\u00e3o seriam melhores do que os de quando eu era nova. E hoje eu nado muito abaixo dos tempos que eu fazia antes. Foi uma satisfa\u00e7\u00e3o grande por poder provar que eu consegui, mas principalmente por viver aquele momento com os meus t\u00e9cnicos. Isso para tentar explicar um pouco da minha emo\u00e7\u00e3o em cima daquele p\u00f3dio. E quando me disseram que a medalha de ouro do Mundial me daria o passaporte para disputar as Paralimp\u00edadas de T\u00f3quio, nossa, eu lembro que ca\u00ed pro lado, a ficha n\u00e3o ca\u00eda. Aquilo s\u00f3 me deu mais vontade de voltar a treinar. Fiquei morrendo de raiva porque recebemos f\u00e9rias, eu queria treinar mais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><\/b><b>Voc\u00ea e a russa Anna Krivshina travam uma disputa \u00e0 parte na classe S12 da nata\u00e7\u00e3o paral\u00edmpica. Nos 100m costas, ela ficou com o ouro e voc\u00ea com a prata. Nos 100m livre e nos 50m, foi o inverso. A torcida pode se preparar para fortes emo\u00e7\u00f5es em tamb\u00e9m em T\u00f3quio?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sim, porque ela \u00e9 uma atleta muito boa tamb\u00e9m. Ela tem o tempo exatamente igual ao meu. Quando eu competi de manh\u00e3 na final dos 50m livre, eu sabia que vinha uma prova muito dif\u00edcil para a final. E aquilo mexeu muito comigo, porque at\u00e9 ent\u00e3o eu n\u00e3o tinha tido uma rivalidade desse n\u00edvel. Sempre foi pelo menos 1 segundo de diferen\u00e7a, em que eu tinha a possibilidade de cometer um erro. Fiquei com pico de ansiedade durante o dia toda vez que eu lembrava que subiria no bloco. Ent\u00e3o parei e valorizei todo o meu processo de treinamento e decidi que iria vencer a melhor performance naquele momento e que eu iria dar o meu m\u00e1ximo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>E novamente voc\u00ea precisou do tapper.\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Conversei com o tapper na hora e falei que eu podia quebrar a minha m\u00e3o na chegada, mas pedi para ele me dar uma chegada perfeita. Ent\u00e3o ele falou para treinarmos. Fizemos uma vez no aquecimento e eu disse: &#8216;Pronto, est\u00e1 bom, \u00e9 desse jeito a\u00ed&#8217;. S\u00f3 depois, o tapper me contou que ficou muito nervoso. \u00c9 que o Marc\u00e3o n\u00e3o era o meu t\u00e9cnico mesmo. Mas no treino da manh\u00e3 a minha \u00faltima bra\u00e7ada encaixou t\u00e3o certo com ele de tapper que o meu t\u00e9cnico falou para o Marc\u00e3o fazer de novo na final. Em nenhum momento o Marc\u00e3o passou inseguran\u00e7a para mim. Quando terminamos a prova, eu n\u00e3o sabia quem tinha vencido. A\u00ed escutei gritarem em portugu\u00eas e soube que eu tinha ganhado. Quando eu sa\u00ed da piscina que o Marc\u00e3o me disse que foi por 1 cent\u00e9simo de segundo, eu dei um abra\u00e7o nele. Tem uma foto nossa desse momento, que eu estava sem acreditar.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/B2THM2bgKgR\/\">https:\/\/www.instagram.com\/p\/B2THM2bgKgR\/<\/a><\/p>\n<p><b>Para fechar, qual a import\u00e2ncia social que voc\u00ea acredita ter por ser uma atleta paral\u00edmpica no Brasil?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Meus resultados foram muito importantes tanto para a divulga\u00e7\u00e3o do esporte paral\u00edmpico, at\u00e9 para as minhas bandas no Nordeste, e prova que temos condi\u00e7\u00e3o. Se quisermos, o sistema est\u00e1 aqui para nos dar condi\u00e7\u00e3o para atingirmos o nosso melhor resultado. Al\u00e9m da import\u00e2ncia de ter refer\u00eancias tanto masculinas quanto femininas de medalhistas mundiais e isso motiva muito. Antes come\u00e7avam mais tarde. Hoje, vemos quantas crian\u00e7as est\u00e3o sendo incentivadas a entrar cedo no esporte paral\u00edmpico. Os resultados e as formas de como eles est\u00e3o sendo divulgados est\u00e3o levando crian\u00e7as e adolescentes a praticarem, que s\u00e3o o futuro do esporte paral\u00edmpico no Brasil e que traz tantos valores para a gente como pessoas e como cidad\u00e3os.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nadadora Maria Carolina Santiago \u00e9 daquelas pernambucanas arretadas que d\u00e1 vontade de n\u00e3o parar mais de conversar depois que o papo come\u00e7a. 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