{"id":5394,"date":"2020-09-13T13:59:03","date_gmt":"2020-09-13T16:59:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/?p=5394"},"modified":"2020-09-13T13:59:03","modified_gmt":"2020-09-13T16:59:03","slug":"rodrigo-campos-tecnico-minas-brasilia-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/rodrigo-campos-tecnico-minas-brasilia-futebol\/","title":{"rendered":"T\u00e9cnico do Minas Bras\u00edlia conta do seu papel no clube conduzido por mulheres"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Rodrigo Campos tinha como objetivo ser t\u00e9cnico de futebol. Formado em educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e com outros cursos na \u00e1rea, sonhou trilhar a carreira na modalidade masculina. A primeira experi\u00eancia foi por meio de um interc\u00e2mbio em um clube da terceira divis\u00e3o da Ar\u00e1bia Saudita, onde foi auxiliar t\u00e9cnico do time profissional e treinador da categoria sub-15. De volta ao Brasil, ele passou por Ceilandense, Legi\u00e3o, Capital e teve uma experi\u00eancia fora do Distrito Federal no time sub-17 masculino da Ferrovi\u00e1ria (SP). O convite mais importante da trajet\u00f3ria profissional, por\u00e9m, foi do futebol feminino.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">T\u00e9cnico do Minas Bras\u00edlia desde mar\u00e7o, Rodrigo tem a miss\u00e3o de fazer com que o time da capital federal permane\u00e7a na elite da modalidade nacional pelo segundo ano consecutivo. Em quatro jogos no Brasileiro feminino, o treinador registra uma vit\u00f3ria contra a Ponte Preta, por 7 x 0; uma derrota para o S\u00e3o Paulo, 2 x 0; e dois empates, diante do Audax, 0 x 0, e do Palmeiras, 1 x 1. O pr\u00f3ximo compromisso \u00e9 contra o l\u00edder Santos, neste domingo (13\/9), \u00e0s 19h, na Arena Barueri, em S\u00e3o Paulo. O time est\u00e1 no zona de rebaixamento, em 13\u00ba lugar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">O primeiro teste de fogo de Rodrigo Campos n\u00e3o foi dentro de campo. Aos 29 anos, ele assumiu o Minas Bras\u00edlia dias antes da paralisa\u00e7\u00e3o do torneio nacional por causa da pandemia de covid-19. Ao <strong>Elas no Ataque<\/strong>, o t\u00e9cnico conta como recebeu a not\u00edcia de ter 10 jogadoras que testaram positivo para o coronav\u00edrus antes de um mesmo jogo, comenta sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho no futebol feminino e como enxerga o papel dele em um clube conduzido por duas presidentes mulheres, as irm\u00e3s Nayeri e Nayara Albuquerque. Leia abaixo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><strong><span class=\"s1\">Na volta do Brasileir\u00e3o, o Minas teve 10 jogadoras que testaram positivo para covid-19 e, depois, mais tr\u00eas. Como lidam com isso?\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Quando retornamos ap\u00f3s a quarentena, sab\u00edamos que essa situa\u00e7\u00e3o podia acontecer, n\u00e3o apenas conosco, mas com todos os clubes.\u00a0<\/span><span class=\"s1\">Temos que trabalhar alternativas, at\u00e9 por quest\u00e3o de les\u00f5es. Desde que cheguei ao Minas Bras\u00edlia, a principal for\u00e7a que percebi foi o coletivo. Temos atletas preparadas para substituir as outras. O resultado (positivo para covid-19) pr\u00f3ximo da partida prejudica o planejamento, mas as jogadoras sabem as ideias de jogo, aspectos f\u00edsicos, t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><strong><span class=\"s1\">Como est\u00e1 sendo trabalhar em meio a protocolos sanit\u00e1rios para evitar o cont\u00e1gio?\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">N\u00f3s trabalhamos em um ambiente aberto. Dentro do campo, tem garrafinhas individuais para cada atleta. As jogadoras higinizam-se antes de entrar no campo, s\u00e3o testadas semanalmente, mant\u00eam-se isoladas fora do clube para termos contato s\u00f3 entre n\u00f3s. Sabemos que estamos em um ambiente que deve ser mais seguro do que em \u00f4nibus, metr\u00f4, mercado ou lugares em que as pessoas frequentam e n\u00e3o s\u00e3o testadas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><strong><span class=\"s1\"><br \/>\nQual \u00e9 a sua avalia\u00e7\u00e3o sobre o retorno do futebol no Brasil?\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">N\u00f3s sabemos que, enquanto n\u00e3o sair a vacina, o risco permanece, mas n\u00e3o sabemos quando sair\u00e1 a vacina. Dentro do clube, tudo o que ele poderia proporcionar para a nossa seguran\u00e7a e para nos tranquilizar foi feito. E nos jogos tamb\u00e9m h\u00e1 uma estrutura gigantesca para que as coisas deem certo. Sinto-me muito seguro.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><strong><span class=\"s1\">A quarentena ajudou o Minas de alguma forma, j\u00e1 que voc\u00ea tinha acabado de assumir o time?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Assumi o MinasBras\u00edlia ap\u00f3s a quarta rodada. Tivemos 10 dias de treino e foi o meu primeiro jogo. Depois disso, teve a paralisa\u00e7\u00e3o da competi\u00e7\u00e3o e come\u00e7amos o isolamento. Em condi\u00e7\u00f5es normais, n\u00e3o seria poss\u00edvel ter tanto tempo para conhecer as atletas e para que elas pudessem me conhecer melhor, tamb\u00e9m. No aspecto competitivo, foi fundamental. Ap\u00f3s o retorno, n\u00f3s tivemos seis semanas de treino para desenvolver conte\u00fados que s\u00f3 seriam poss\u00edveis em uma pr\u00e9-temporada, porque, quando eu assumi o time, a previs\u00e3o era de ter partidas no meio de semana e no fim de semana. Com o adiamento, tive muito mais tempo para desenvolver conte\u00fados.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><strong><span class=\"s1\">O quanto a pandemia tem afetado o futebol feminino, principalmente times independentes do masculino, como \u00e9 o caso do Minas Bras\u00edlia? \u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Entrei na modalidade, em mar\u00e7o, no melhor cen\u00e1rio poss\u00edvel, de ascens\u00e3o da modalidade, mais patrocinadores, televis\u00e3o transmitindo os jogos, internet passando, tamb\u00e9m. Isso tudo potencializa o esporte. Falando do Minas, continuamos caminhando para a frente. \u00c9 um time totalmente feminino, ou seja, n\u00e3o tem uma equipe masculina tamb\u00e9m. Isso nos ajuda a n\u00e3o ter de dividir o foco ou o recurso. O futebol feminino continua em ascens\u00e3o, considero caminho sem volta.No ano passado,aCopa do Mundo Feminina teve visibilidade gigante. Neste ano, tivemos um novo patrocinador m\u00e1ster no Campeonato Brasileiro: o Guaran\u00e1 Ant\u00e1rtica. Tudo isso faz com que a modalidade caminhe para a frente. O cen\u00e1rio segue positivo.<\/span><\/p>\n<blockquote><p>\n<strong>\u201cO clube abrir espa\u00e7o para profissionais mulheres as fortalece para estarem em condi\u00e7\u00f5es iguais \u00e0s dos homens no desenvolvimento do trabalho. Daqui para frente, considero que teremos mulheres no futebol masculino\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p class=\"p1\"><strong><span class=\"s1\">As conquistas recentes do futebol feminino colaboraram para enfrentar a pandemia?\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">A manuten\u00e7\u00e3o do Campeonato Brasileiro A1 e A2 reafirma isso. Talvez, em um outro momento, cancelassem a competi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o dessem continuidade. Por isso, considero importante esse retorno do futebol. E o protocolo \u00e9 realizado da mesma forma que no masculino, em rela\u00e7\u00e3o a teste e a seguran\u00e7a dos campos, o que \u00e9 muito importante. Essa estrutura\u00e7\u00e3o que foi desenvolvida ao longo desses anos permanecer\u00e1 e evoluir\u00e1.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><strong><span class=\"s1\">H\u00e1 poucos anos, era dif\u00edcil conseguir informa\u00e7\u00f5es sobre equipes e jogadoras advers\u00e1rias nas competi\u00e7\u00f5es nacionais do futebol feminino. Como est\u00e1 hoje?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Eu tenho tr\u00eas formas de acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es. Uma \u00e9 assistindo aos jogos. Outra \u00e9 por meio de um aplicativo, que a competi\u00e7\u00e3o disponibiliza para os clubes e que eu tenho todo acesso, tanto em rela\u00e7\u00e3o a dados individuais das atletas quanto a dados coletivos de qualquer equipe. E a terceira forma \u00e9 a an\u00e1lise dos nossos pr\u00f3prios analistas. N\u00f3s temos dois analistas de desempenho. Na prele\u00e7\u00e3o pr\u00f3ximo aos jogos, as atletas assistem a conte\u00fados coletivos da outra equipe, como informa\u00e7\u00f5es ofensivas, defensivas, jogadas de bola parada e recortes individuais. Temos tudo o que precisamos. \u00c9 muito importante que a gente tenha uma forma de jogo, independentemente do advers\u00e1rio. Temos consolidado isso.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5396\" aria-describedby=\"caption-attachment-5396\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5396\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/09\/RodrigoMinasBrasilia-e1600016236482.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"506\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5396\" class=\"wp-caption-text\">O t\u00e9cnico Rodrigo Campos, ao lado da auxiliar Nadima Skeff | Patricy Albuquerque\/ Minas Bras\u00edlia<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"p1\"><strong><span class=\"s1\">Minas \u00e9 quem tem mais mulheres somando o time e a comiss\u00e3o t\u00e9cnica. Qual \u00e9 a import\u00e2ncia dessa representatividade?\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u00c9 fundamental que tenhamos bons profissionais, independentemente do g\u00eanero. Hoje, o clube consegue fazer a integra\u00e7\u00e3o de profissionais homens e mulheres \u2014 eu sou o treinador e tenho muitas mulheres na comiss\u00e3o t\u00e9cnica \u2014, mas, o essencial \u00e9 que todos tenham potencial de trabalhar em um clube de primeira divis\u00e3o, e \u00e9 o que acontece. Fico muito feliz de ter mulheres no nosso ambiente de trabalho, mas n\u00e3o s\u00f3 no futebol feminino. Elas s\u00e3o capazes de trabalhar no futebol masculino, tamb\u00e9m. S\u00e3o profissionais do futebol e est\u00e3o l\u00e1 pela qualidade e potencial que t\u00eam, n\u00e3o somente por serem mulheres. Mas, o clube abrir espa\u00e7o para profissionais mulheres as fortalece para estarem em condi\u00e7\u00f5es iguais \u00e0s dos homens no desenvolvimento do trabalho. Daqui para frente, considero que teremos mulheres no futebol masculino com espa\u00e7o para desenvolver trabalhos.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cO Minas Bras\u00edlia ter duas presidentes mulheres que buscam o desenvolvimento da modalidade. \u00c9 fundamental e tem uma representatividade gigantesca para o nosso clube e todos do futebol feminino\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p class=\"p1\"><strong><span class=\"s1\">Qual a sua trajet\u00f3ria como treinador?\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Comecei como atleta. Joguei em Bras\u00edlia desde crian\u00e7a at\u00e9 o sub-20, mas n\u00e3o via tanta proje\u00e7\u00e3o na minha carreira como atleta. Ent\u00e3o, fiz faculdade de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica para ser treinador de futebol. Iniciei em escolas de futebol, fiz est\u00e1gios em clubes at\u00e9 ter a oportunidade de ser treinador em uma equipe competitiva. A minha primeira oportunidade foi na Ar\u00e1bia Saudita, em um clube da terceira divis\u00e3o chamado Al Kholood. Fui como auxiliar na categoria profissional e como treinador no sub-15. De volta ao Brasil, trabalhei no Ceilandense, no Legi\u00e3o,noCapital e na Ferrovi\u00e1ria (SP). Neste ano, trabalhei como auxiliar-t\u00e9cnico do Ceilandense nas duas primeiras rodadas do Candang\u00e3o at\u00e9 comandar o Minas Bras\u00edlia. Fiz as licen\u00e7as da CBF: tenho a licen\u00e7a A, mas pretendo integrar a turma da licen\u00e7a pr\u00f3, em dezembro. Tenho 29 anos. Trabalho, h\u00e1 10, com futebol.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><strong><span class=\"s1\">Voc\u00ea teve uma passagem pela Ferrovi\u00e1ria, onde conheceu a Tatiele. Como essa experi\u00eancia o impactou?\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Participei de um processo seletivo para trabalhar na base da Ferrovi\u00e1ria. Passei e integrei a comiss\u00e3o t\u00e9cnica da categoria sub-17. \u00c9 um ambiente diferente do que eu tinha vivenciado at\u00e9 o momento, porque \u00e9 um clube formador pela CBF. Tem uma estrutura muito boa na categoria de base, profissionais extremamente capacitados, o que potencializava a troca, n\u00e3o apenas com a Tatiele. Eu tive pouco contato com ela, mas foi de muito aprendizado e de troca de informa\u00e7\u00f5es. L\u00e1, \u00e9 tudo integrado: profissional do feminino, do masculino, da categoria de base do masculino, da base do feminino. Facilita a troca de informa\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><strong><span class=\"s1\">De que forma analisa o trabalho realizado pela atual campe\u00e3?\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">N\u00e3o somente a Ferrovi\u00e1ria, mas acredito que todos os clubes de S\u00e3o Paulo, seja no masculino ou no feminino, s\u00e3o exemplos para o restante do pa\u00eds. A Ferrovi\u00e1ria \u00e9 um ambiente muito s\u00e9rio, em que investem e valorizam muito os profissionais. \u00c9 uma das principais refer\u00eancia da modalidade no Brasil. Fazendo um comparativo com o Minas, vejo como estamos trilhando um bom caminho e como somos grandes no futebol feminino no Brasil. Tudo o que eu via na Ferrovi\u00e1ria tamb\u00e9m vejo no Minas Bras\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><strong><span class=\"s1\">Voc\u00ea n\u00e3o deslumbrava carreira no futebol feminino antes do Minas. O que conhecia desse ambiente e o que teve de aprender de novo?\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">No primeiro momento, busquei conquistar espa\u00e7o no masculino, mas quando recebi a proposta do Minas, por conhecer o clube e estar disputando competi\u00e7\u00e3o de alto n\u00edvel, considerei um grande desafio na minha carreira e n\u00e3o poderia negar essa oportunidade. A \u00fanica diferen\u00e7a \u00e9 biol\u00f3gica, a velocidade do jogo e a for\u00e7a das atletas mudam em rela\u00e7\u00e3o ao masculino, mas nada que atrapalhe o desenvolvimento do trabalho. N\u00e3o tive dificuldade. As atletas s\u00e3o recept\u00edveis e inteligentes. Foi leve e tranquilo. A adapta\u00e7\u00e3o depende mais das caracter\u00edsticas das atletas. Tamb\u00e9m vivenciei isso no masculino.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rodrigo Campos tinha como objetivo ser t\u00e9cnico de futebol. Formado em educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e com outros cursos na \u00e1rea, sonhou trilhar a carreira na modalidade masculina. A primeira experi\u00eancia foi por meio de um interc\u00e2mbio em um clube da terceira divis\u00e3o da Ar\u00e1bia Saudita, onde foi auxiliar t\u00e9cnico do time profissional e treinador da categoria sub-15. 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