{"id":5492,"date":"2020-10-14T11:00:51","date_gmt":"2020-10-14T14:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/?p=5492"},"modified":"2020-10-17T00:28:58","modified_gmt":"2020-10-17T03:28:58","slug":"revolucao-futebol-feminino-peru-steff","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/revolucao-futebol-feminino-peru-steff\/","title":{"rendered":"A revolu\u00e7\u00e3o do futebol feminino no Peru que come\u00e7ou com uma comemora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">O Minas Bras\u00edlia se despede do Campeonato Brasileiro Feminino A1 2020 nesta quarta-feira (14\/10), \u00e0s 19h30, diante do Internacional no est\u00e1dio Bezerr\u00e3o (Gama), sem chances de avan\u00e7ar \u00e0s quartas de final, mas com o al\u00edvio de ter se mantido na elite. A equipe que subiu para a primeira divis\u00e3o com um elenco integralmente formado por atletas da cidade em 2018 ganhou o refor\u00e7o da primeira estrangeira do time neste ano. E foi uma jogadora que j\u00e1 fez hist\u00f3ria. A peruana Steffani Ethel Otiniano Torres, 28 anos, pisou nos gramados da capital federal ap\u00f3s ter sido o estopim de uma revolu\u00e7\u00e3o no futebol feminino do Peru em 2019.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Steff, como \u00e9 conhecida, \u00e9 uma das jogadoras da sele\u00e7\u00e3o peruana com mais rodagem por clubes de fora do pa\u00eds de origem. Jogou no Brasil de 2014 a 2018, per\u00edodo em que defendeu as equipes paulistas Portuguesa, Taubat\u00e9 e Embu das Artes. No ano passado, a atacante voltou para o Peru para jogar pelo Universitario de Deportes e viveu um dos momentos mais especiais da carreira ao ser convocada pela primeira vez para defender a sele\u00e7\u00e3o peruana nos Jogos Pan-Americanos de Lima-2019. Na primeira vez que a equipe feminina de futebol disputou a maior competi\u00e7\u00e3o das Am\u00e9ricas, Steff marcou dois gols em quatro jogos. Mas foi da arquibancada que veio a maior emo\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na estreia do Peru contra a Argentina, aproximadamente 22 mil torcedores acompanharam a partida no est\u00e1dio San Marcos, em Lima. Um reconhecimento \u00e0s jogadoras que pareciam invis\u00edveis para o pa\u00eds que recebeu pela primeira vez um grande evento esportivo da magnitude dos Jogos Pan-Americanos.\u00a0 Um m\u00eas depois, no retorno do Campeonato Nacional peruano, o sil\u00eancio voltou a preencher as arquibancadas nos jogos femininos. \u201cA gente jogou com tanto p\u00fablico no Pan-Americano e, depois, foi um choque voltar no torneio nacional com os port\u00f5es fechados para o p\u00fablico&#8221;, conta Steff.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas fora dos port\u00f5es do est\u00e1dio, o barulho era revolucion\u00e1rio. Ocorreram duas partidas em que os clubes chegaram a anunciar a venda de ingressos ao p\u00fablico, mas, em cima da hora, n\u00e3o permitiram a entrada sem dar qualquer explica\u00e7\u00e3o. Os torcedores, no entanto, n\u00e3o foram embora do est\u00e1dio. Em 29 de agosto de 2019, os novos f\u00e3s dos clubes femininos ficaram no port\u00e3o do est\u00e1dio Alejandro Villanueva enquanto o Alianza Lima vencia o San Mart\u00edn por 3 x 0. Ao fim do conflito, as jogadoras foram at\u00e9 os torcedores comemorar do lado de fora da arena (veja v\u00eddeo).\u00a0<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 480px;\" class=\"wp-video\"><video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-5492-1\" width=\"480\" height=\"848\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/10\/V\u00eddeoAlianzaComemoracao.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/10\/V\u00eddeoAlianzaComemoracao.mp4\">https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/10\/V\u00eddeoAlianzaComemoracao.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>La Revoluci\u00f3n en Peru: #QueremosSerVistas<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><br \/>\nNo dia seguinte, ocorreu o mesmo com o duelo que reuniu dois dos melhores times do campeonato. Desta vez, o an\u00fancio de que os port\u00f5es seriam fechados foi feito um dia antes do jogo, mas depois que o Universitario colocou os ingressos a venda e as jogadoras j\u00e1 haviam convocado a torcida pelas redes sociais. Tudo corria com a indiferen\u00e7a da Federa\u00e7\u00e3o Peruana de Futebol (FPF) e dos pr\u00f3prios clubes de antes at\u00e9 Steff marcar o gol da vit\u00f3ria do Universit\u00e1rio contra o Sporting Cristal, no est\u00e1dio Campo Mar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na comemora\u00e7\u00e3o, a atacante imitou o gesto feito pela brasileira <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/marta-igualdade-genero-ativismo\/\">Marta quando se tornou a maior artilheira da hist\u00f3ria da Copa do Mundo<\/a>, no mesmo ano, com os bra\u00e7os em posi\u00e7\u00e3o horizontal, que simbolizam igualdade. No est\u00e1dio n\u00e3o havia torcida, mas uma pessoa fotografou a comemora\u00e7\u00e3o, que ganhou a internet e, logo depois, as ruas. &#8220;Repercutiu muito, at\u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/B2cpHpIFz_t\/\">Go Equal<\/a> (movimento que originou o gesto feito por Marta e reproduzido por Steff) entrou em contato comigo pedindo para eu fazer um v\u00eddeo&#8221;, conta Steff, orgulhosa.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5494\" aria-describedby=\"caption-attachment-5494\" style=\"width: 580px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5494\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/10\/Steff-comemoracao.jpg\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/10\/Steff-comemoracao.jpg 580w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/10\/Steff-comemoracao-300x171.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/10\/Steff-comemoracao-550x313.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/10\/Steff-comemoracao-230x131.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5494\" class=\"wp-caption-text\">A comemora\u00e7\u00e3o de Steff no jogo com port\u00f5es fechados que motivou a campanha #QueremosSerVistas no futebol peruano<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O gesto foi al\u00e9m: motivou uma marcha pelo futebol feminino, realizada pelas jogadoras em parceria com simpatizantes e a torcida que acompanha a sele\u00e7\u00e3o peruana masculina e se uniu tamb\u00e9m \u00e0 causa feminina. &#8220;Foi uma revolu\u00e7\u00e3o&#8221;, define Steff. Com as hashtags #QueremosSerVistas e #Igualdad<\/span><b>, <\/b><span style=\"font-weight: 400\">a luta pela equipara\u00e7\u00e3o nos campos de futebol do pa\u00eds virou um movimento. Al\u00e9m da falta de incentivo para a presen\u00e7a de torcida nas partidas, nenhum jogo era transmitido por televis\u00e3o ou plataforma online at\u00e9 ent\u00e3o. Ainda entraram nas reivindica\u00e7\u00f5es melhores condi\u00e7\u00f5es dos campos em que atuam as equipes femininas. &#8220;N\u00e3o somos meninas jogando futebol, somos jogadoras&#8221;, cobram.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>Est\u00e1dio renomado e casa cheia para final feminina<\/b><\/h3>\n<figure id=\"attachment_5501\" aria-describedby=\"caption-attachment-5501\" style=\"width: 696px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5501\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/10\/Universitario-Campeon.jpeg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"464\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/10\/Universitario-Campeon.jpeg 696w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/10\/Universitario-Campeon-300x200.jpeg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/10\/Universitario-Campeon-550x367.jpeg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/10\/Universitario-Campeon-230x153.jpeg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5501\" class=\"wp-caption-text\">Universitario foi campe\u00e3o da Zona Lima do Nacional sobre o Alianza no Est\u00e1dio Nacional do Peru | Todo Sport<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com a repercuss\u00e3o, que ganhou apoio da pr\u00f3pria <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/martavsilva10\/?hl=pt-br\">Marta<\/a>, a final da Zona Lima do Campeonato Nacional foi aberta ao p\u00fablico e em um local digno de decis\u00e3o: o Est\u00e1dio Nacional do Peru, onde as sele\u00e7\u00f5es masculinas de Brasil e Peru se enfrentaram pelas Eliminat\u00f3rias da Copa do Mundo do Catar na \u00faltima ter\u00e7a-feira (13\/10). O cl\u00e1ssico feminino da capital peruana contou com 9.903 presentes para acompanhar o Universitario ser campe\u00e3o sobre o Alianza Lima, ap\u00f3s vencer por 2 x 1, em 26 de outubro. &#8220;As jogadoras at\u00e9 ficaram um pouco assustadas, porque foi a primeira vez que aconteceu isso na hist\u00f3ria do futebol feminino do Peru\u201d, relembra Steff.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s esses epis\u00f3dios, a modalidade passou a ter mais visibilidade. Os clubes tamb\u00e9m come\u00e7aram a ter p\u00e1ginas dedicadas \u00e0s equipes femininas nas redes sociais e os jogos ganharam mais espa\u00e7o na m\u00eddia, al\u00e9m de transmiss\u00f5es em plataformas digitais e r\u00e1dios. \u201cFico feliz, porque as pessoas come\u00e7aram a apoiar mais o futebol feminino. Antes, n\u00e3o conheciam nada&#8221;, diz Steff. Mas ela sabe que o caminho ainda \u00e9 extenso rumo \u00e0 uma profissionaliza\u00e7\u00e3o. No Peru, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que as jogadoras sobrevivam apenas do futebol. &#8220;O sal\u00e1rio \u00e9 de 400 pesos ou menos, ent\u00e3o tem de conciliar os treinos com trabalho e estudos. Tanto que os times treinam tr\u00eas a quatro vezes por semana s\u00f3&#8221;, lamenta Steff.\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote class=\"twitter-tweet\" data-width=\"550\" data-dnt=\"true\">\n<p lang=\"es\" dir=\"ltr\">\u00a1FINAL DEL PARTIDO! \u00a1UNIVERSITARIO DE DEPORTES ES CAMPE\u00d3N DEL CAMPEONATO DE F\u00daTBOL FEMENINO ZONA LIMA! \u26bd\ufe0f <\/p>\n<p>El equipo crema se mantuvo invicto todo el campeonato, clasific\u00f3 a la final por ser primero de la tabla y venci\u00f3 a Alianza Lima por 2-1 en el Estadio Nacional. <a href=\"https:\/\/t.co\/z6WxFK4nJk\">pic.twitter.com\/z6WxFK4nJk<\/a><\/p>\n<p>&mdash; Paqta (@PaqtaPeru) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/PaqtaPeru\/status\/1188229449998831618?ref_src=twsrc%5Etfw\">October 26, 2019<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o muda muito nos pa\u00edses vizinhos. Steff ressalta essas condi\u00e7\u00f5es para que n\u00e3o haja uma cobran\u00e7a desproporcional com as atletas, agora, que cresceu o interesse do p\u00fablico pela modalidade. Comportamento que vai se replicando em v\u00e1rias partes do mundo. Ap\u00f3s uma <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/igualdade-manifestacoes-lgbt-copa-do-mundo\/\">Copa do Mundo feminina hist\u00f3rica<\/a> na Fran\u00e7a, em 2019, os Jogos Pan-Americanos embalaram uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as na Am\u00e9rica do Sul. &#8220;A Col\u00f4mbia tamb\u00e9m estava vivendo uma revolu\u00e7\u00e3o no futebol feminino. No Chile e na Argentina, as jogadoras tamb\u00e9m est\u00e3o na luta pela profissionaliza\u00e7\u00e3o. O Pan-Americano fez hist\u00f3ria.&#8221; Em 2020, a pandemia de covid-19 paralisou as competi\u00e7\u00f5es e trouxe uma nova incerteza.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No Brasil, Steff segue com o Minas Bras\u00edlia para a disputa do Campeonato Candango, em que o time busca voltar a conquistar o t\u00edtulo que foi dono por tr\u00eas anos seguidos at\u00e9 2019, quando perdeu na final para o Real Bras\u00edlia. O Candang\u00e3o Feminino contar\u00e1 com seis clubes e est\u00e1 previsto para come\u00e7ar em 28 de outubro e terminar no fim do ano. Ap\u00f3s o encerramento da temporada, a atacante peruana adiantou que pretende buscar oportunidades em clubes da Europa. &#8220;J\u00e1 tenho bastante experi\u00eancia no Brasil e percebi que o n\u00edvel da competi\u00e7\u00e3o aumentou muito neste ano em compara\u00e7\u00e3o h\u00e1 dois anos. Mas meu desejo \u00e9 tamb\u00e9m pegar experi\u00eancia do futebol europeu&#8221;, explica.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Minas Bras\u00edlia se despede do Campeonato Brasileiro Feminino A1 2020 nesta quarta-feira (14\/10), \u00e0s 19h30, diante do Internacional no est\u00e1dio Bezerr\u00e3o (Gama), sem chances de avan\u00e7ar \u00e0s quartas de final, mas com o al\u00edvio de ter se mantido na elite. 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