{"id":890,"date":"2017-12-14T16:08:53","date_gmt":"2017-12-14T18:08:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/?p=890"},"modified":"2018-02-20T12:24:46","modified_gmt":"2018-02-20T15:24:46","slug":"paralimpiadas-de-inverno-brasil-pyeongchang","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/paralimpiadas-de-inverno-brasil-pyeongchang\/","title":{"rendered":"Como Aline se tornou a 1\u00aa brasileira nas Paralimp\u00edadas de Inverno treinando no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Aos 26 anos, a\u00a0paranaense Aline Rocha concretizou o sonho de disputar as Paralimp\u00edadas do Rio, em 2016. No mesmo ano,\u00a0ela optou por escrever um novo cap\u00edtulo: foi do atletismo em cadeira de rodas ao esqui cross-country. O sonho das Paralimp\u00edadas do Rio se transformaram no das Paralimp\u00edadas\u00a0de Inverno de PyeongChang-2018, que ocorrer\u00e1 de 9 a 18 de mar\u00e7o na Coreia do Sul. Duas metas que fizeram Aline\u00a0entrar para a hist\u00f3ria do esporte nacional\u00a0como a primeira mulher brasileira a disputar uma Paralimp\u00edada de Inverno \u2014 <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/olimpiadas-de-inverno-patinacao-brasil\/\" target=\"_blank\">a norte-americana de cora\u00e7\u00e3o brasileiro Isadora Williams j\u00e1 havia garantido vaga para o Brasil nas Olimp\u00edadas de Inverno 2018<\/a>.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201c\u00c9 muito gratificante fazer hist\u00f3ria, ser a primeira mulher. Mas espero ser a primeira de muitas\u201d, almeja Aline. A vaga para PyeongChang foi conquistada na etapa da Copa do Mundo de Ski Cross Country de Canmore, no Canad\u00e1, nesta semana. Para conquistar o \u00edndice,\u00a0Aline tinha de fazer abaixo de 180 pontos.\u00a0\u00a0Na primeira prova, ela conseguiu 173 pontos; na segunda, 168; e 99 na \u00faltima. \u201cMinha meta era fazer uma prova abaixo de 100 pontos at\u00e9 a \u00faltima Copa do Mundo, em fevereiro, mas\u00a0j\u00e1 alcancei todos os objetivos aqui (no Canad\u00e1)\u201d, orgulha-se, ao ter conseguido\u00a0\u00edndices em tr\u00eas provas: o sprint (1 km), a trilha de m\u00e9dia dist\u00e2ncia (2 km) e o equivalente \u00e0 maratona (12 km).<br \/>\n<\/span><\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cEu tinha medo do frio, mas superei; tinha medo das descidas e superei; e sei que ainda tenho muito a evoluir. Se a mulherada quiser esquiar, estarei aqui para ajudar\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A ideia de enveredar para o esqui cross-country n\u00e3o surgiu de Aline. Ela mesma s\u00f3 foi ver neve pela primeira vez h\u00e1 exato um ano, quando j\u00e1 foi para a Su\u00e9cia para aprender o novo esporte, treinar e, no m\u00eas seguinte, competir na Copa do Mundo de Para Cross Country, em Western Center, na Ucr\u00e2nia. Na competi\u00e7\u00e3o, Aline se aproximou do \u00edndice t\u00e9cnico para a classifica\u00e7\u00e3o paral\u00edmpica, quando marcou 198,71 pontos. \u201c\u00c9 tudo muito r\u00e1pido, mas \u00e9 incr\u00edvel. Assim como foi na corrida, eu amei esquiar. L\u00f3gico que tive medo do frio, pegamos -28 graus celsius na Ucr\u00e2nia. Foi para testar meus limites\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para adaptar os treinamentos no asfalto, Aline usa o que chama de Rollerski ou um skate de tamanho maior do que o usual, chamado Mountainboard. \u201cN\u00e3o \u00e9 exatamente igual estar na neve, mas ajuda bastante na nossa prepara\u00e7\u00e3o\u201d, avalia Aline. Em setembro, ela passou 15 dias na Alemanha, onde p\u00f4de desfrutar de um t\u00fanel de neve indoor. \u201cDe todos os atletas em competi\u00e7\u00f5es internacionais, somos os que menos t\u00eam contato com a neve, ent\u00e3o o nosso desempenho est\u00e1 muito bom\u201d, alegra-se.<\/span><\/p>\n<p>https:\/\/www.facebook.com\/alinerochaoficial\/videos\/2011500439131557\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>O apoio do &#8220;t\u00e9cnico\u00a0marido&#8221; rumo a\u00a0Paralimp\u00edadas\u00a0de Inverno\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p>Aline Rocha encontrou no esporte um caminho para se reinventar quatro anos ap\u00f3s ter sofrido um acidente de carro que lhe causou uma les\u00e3o medular e a perda dos movimentos das pernas. Na corrida em cadeira de rodas (classe T54), ela compete desde provas de 100 metros a maratonas, e j\u00e1 venceu as maratonas do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo e \u00e9 pentacampe\u00e3 da S\u00e3o Silvestre.<\/p>\n<p>O esporte paral\u00edmpico rendeu outras surpresas \u00e0 Aline. Uma delas foi o primeiro incentivador a ela experimentar a corrida em cadeiras de rodas, h\u00e1 oito anos, que depois virou treinador, namorado e, hoje, assume papel triplo: o de t\u00e9cnico de corrida em cadeira de rodas, o de treinador tamb\u00e9m de esqui cross-country e o de marido.<\/p>\n<p>Trata-se de Fernando Orso, t\u00e9cnico da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de esqui. Os dois s\u00e3o de Santa Catarina \u2014 ela de Campos Novos e ele de Joa\u00e7aba. Eles se conheceram em um centro de treinamento esportivo paral\u00edmpico. Fernando j\u00e1 era t\u00e9cnico de atletismo e de basquete quando Aline chegou para conhecer o local. Foi dele a ideia de Aline experimentar o esporte de\u00a0neve. \u201cPercebemos que v\u00e1rias atletas de corrida de R\u00fassia, Estados Unidos, Jap\u00e3o migram do esporte de ver\u00e3o para o esporte de inverno\u201d, pontua Aline.<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cN\u00e3o \u00e9 uma modalidade f\u00e1cil, leva tempo para perder o medo das descidas, das curvas. Mas estou muito mais confiante aqui\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>O outro empurr\u00e3ozinho n\u00e3o podia vir de refer\u00eancia melhor. O amigo Fernando Aranha, nada menos que o primeiro atleta brasileiro a disputar o esqui nas Paralimp\u00edadas\u00a0de Inverno, incentivou Aline a conhecer a modalidade na neve. Al\u00e9m disso, ele \u00e9 um exemplo vivo do que ela est\u00e1 passando, j\u00e1 que tamb\u00e9m \u00e9 atleta da corrida em cadeira de rodas e passou\u00a0pela mesma transi\u00e7\u00e3o de Aline. \u201cT\u00ea-lo treinando comigo ajudou muito na minha evolu\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o temos mais mulheres na modalidade\u201d, avalia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_897\" aria-describedby=\"caption-attachment-897\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-897\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/12\/Aline2.jpg\" alt=\"Aline Rocha Paralimp\u00edadas\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/12\/Aline2.jpg 750w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/12\/Aline2-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/12\/Aline2-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/elasnoataque\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/12\/Aline2-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-897\" class=\"wp-caption-text\">Aline Rocha nas Paralimp\u00edadas do Rio-2016: nono lugar nos 1.500m e em d\u00e9cimo na maratona<\/figcaption><\/figure>\n<p>Aline mudou-se para S\u00e3o Caetano por causa dos treinamentos de atletismo. Com a perspectiva\u00a0de enveredar para um esporte de inverno, Aline e Fernando apresentaram um projeto para a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Desportos na Neve (CBDN). Logo a confedera\u00e7\u00e3o aprovou a ideia e marcou a ida de Aline para a Su\u00e9cia, com objetivo de come\u00e7ar a colocar o projeto em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Passando as Paralimp\u00edadas\u00a0de Inverno de PyeongChang-2018, o foco de Aline volta a ser a corrida e as Paralimp\u00edadas\u00a0de Inverno de T\u00f3quio-2020. \u201cO esqui n\u00e3o me atrapalha na corrida, nem a corrida no esqui. Muito pelo contr\u00e1rio. O complemento das duas atividades tem me ajudado muito\u201d, observa. Nos Jogos Paral\u00edmpicos do Rio, Aline terminou na nona coloca\u00e7\u00e3o nos 1.500m e na d\u00e9cima na maratona.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 26 anos, a\u00a0paranaense Aline Rocha concretizou o sonho de disputar as Paralimp\u00edadas do Rio, em 2016. 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