{"id":106,"date":"2017-09-18T16:17:34","date_gmt":"2017-09-18T16:17:34","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/?p=106"},"modified":"2017-09-18T16:25:09","modified_gmt":"2017-09-18T16:25:09","slug":"estilhacar-os-estereotipos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/estilhacar-os-estereotipos\/","title":{"rendered":"Morte aos estere\u00f3tipos!"},"content":{"rendered":"<h2>O cinema das mulheres arrebenta velhos discursos<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_107\" aria-describedby=\"caption-attachment-107\" style=\"width: 591px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-107 size-full\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/Atomic-Blonde.jpg\" alt=\"(R)Evolu\u00e7\u00e3o feminista nos cinemas - De loura gelada \u00e0 loura kickass de nervos de a\u00e7o.\" width=\"591\" height=\"886\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/Atomic-Blonde.jpg 591w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/Atomic-Blonde-200x300.jpg 200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/Atomic-Blonde-550x825.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/Atomic-Blonde-230x345.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 591px) 100vw, 591px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-107\" class=\"wp-caption-text\">(R)Evolu\u00e7\u00e3o feminista nos cinemas globais &#8211; De loura gelada \u00e0 loura <em>kickass<\/em> de nervos de a\u00e7o.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Estamos chegando l\u00e1, mulherada. A(s) Hist\u00f3ria(s) das Mulheres, cara e necess\u00e1ria em escala global, vem sendo resgatada. H\u00e1 d\u00e9cadas, apesar de a passos pequenos. Como formiguinhas historiadoras e arque\u00f3logas, ao mesmo tempo, escavam pistas aqui e ali, juntam peda\u00e7os de documentos, artefatos, livros, pe\u00e7as de quebra-cabe\u00e7as que emergem acol\u00e1, nos quatro cantos do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aprendemos hoje que algumas civiliza\u00e7\u00f5es pr\u00e9-colombianas (<strong><a href=\"https:\/\/www.saraiva.com.br\/por-uma-historia-do-possivel-7037091.html\">como a Inca<\/a><\/strong>) eram matriarcais e chefiadas por mulheres. Ou que existiram (muitas) guerreiras respeitad\u00edssimas e l\u00edderes em civiliza\u00e7\u00f5es tidas como \u201cm\u00e1sculas\u201d e supostamente patriarcais, como os povos <strong><a href=\"http:\/\/www.hypeness.com.br\/2017\/09\/dna-mostra-que-lider-guerreiro-do-alto-escalao-viking-era-uma-mulher\/\">Vikings<\/a><\/strong> ou os <strong><a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books?id=mlWYDgAAQBAJ&amp;pg=PT21&amp;lpg=PT21&amp;dq=princesa+Boudicca&amp;source=bl&amp;ots=dQtF4ug37i&amp;sig=FGlq1fONpOjv3KU1hI4x6ITLhT0&amp;hl=pt-BR&amp;sa=X&amp;ved=0ahUKEwivh-D7_anWAhUQl5AKHWR5BAEQ6AEIVjAL#v=onepage&amp;q=princesa%20Boudicca&amp;f=false\">Celtas (Bretanha)<\/a><\/strong>. Ou mesmo que na<a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/2009\/08\/america-latina\/mulheres-america-latina-bicentenario-e-as-heroinas-da-independencia\/%20http:\/\/jornalorebate.com.br\/site\/canais\/internacional\/4235-america-latina-bicentenario-e-as-heroinas-da-independencia\"> <strong>Guerra Civil norte-americana<\/strong><\/a>, no S\u00e9culo 19, umas 600 mulheres disfar\u00e7aram-se de homens para lutar contra os escravocratas do Sul dos Estados Unidos. E tamb\u00e9m sobre as hero\u00ednas das guerras pelas independ\u00eancias dos pa\u00edses latino-americanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o muitas hist\u00f3rias que foram silenciadas, apagadas e omitidas, principalmente a partir do S\u00e9culo 19, por retr\u00f3grados historiadores vitorianos, que transformaram feitos, pesquisas cient\u00edficas, descobertas ou hero\u00edsmos femininos em meros \u201cdetalhes\u201d, ao sobrepor os homens a elas. Ou ajudaram na apropria\u00e7\u00e3o pelos homens do que na verdade seria fruto do trabalho e do esfor\u00e7o de mulheres. Tal \u00e9 o caso de Albert Einstein, reconhecido como f\u00edsico mas um matem\u00e1tico med\u00edocre, e sua primeira esposa, Mileva Mari\u0107 (Mitza), matem\u00e1tica s\u00e9rvia classificada por ele como genial. S\u00e3o dela os c\u00e1lculos por tr\u00e1s da famosa Teoria da Relatividade. Ele teve que repassar para ela o dinheiro recebido pelo Pr\u00eamio Nobel. Algu\u00e9m sabia disso? Somente neste novo mil\u00eanio, <a href=\"https:\/\/blogs.scientificamerican.com\/guest-blog\/the-forgotten-life-of-einsteins-first-wife\/\">as cartas entre Mitza e uma amiga <\/a>de universidade foram divulgadas em livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Isso tudo tem sido revelado, pesquisado e comprovado, em nossa contemporaneidade, por historiadoras, antrop\u00f3logas, arque\u00f3logas, soci\u00f3logas, enfim, mulheres das diversidades e de v\u00e1rias \u00e1reas do conhecimento. Fazem um trabalho important\u00edssimo de resgate da Hist\u00f3ria das Mulheres, um campo que se abre dentro dos estudos das civiliza\u00e7\u00f5es, que hoje algumas pesquisadoras, daqui e mundo afora, denominam a Hist\u00f3ria do Poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em contrapartida, na \u00e1rea de Comunica\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um <em>boom <\/em>de produ\u00e7\u00f5es audiovisuais \u2013 nos cinemas e nas s\u00e9ries para a TV ou para as plataformas digitais, como <em>Netflix <\/em>e<em> Hulu<\/em> \u2013 que contam tais hist\u00f3rias, em filmes de fic\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o, mas visivelmente baseadas em personagens reais ou mitol\u00f3gicas, que foram \u201cesquecidas\u201d nas narrativas historiogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o produ\u00e7\u00f5es com mulheres \u201c<em>kickasses<\/em>\u201d &#8211; que arrebentam, que \u201cchutam bundas\u201d, que s\u00e3o inteligentes, cientistas, fortes, valentes e destemidas \u2013 em pap\u00e9is principais, com suas pr\u00f3prias falas, ideologias e pensamentos. Independem de homens e, em muitos casos, nem mesmo h\u00e1 personagens masculinos significativos. S\u00e3o filmes que passariam no <a href=\"http:\/\/mulhernocinema.com\/noticias\/brasil-adota-selo-para-marcar-filmes-aprovados-no-teste-de-bechdel-wallace\/\">Teste de Bechdel<\/a>!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Bons exemplos est\u00e3o em cartaz, ou podem ser vistos nas plataformas de filmes e s\u00e9ries na internet. S\u00e3o produ\u00e7\u00f5es estreladas, dirigidas, editadas e\/ou produzidas por mulheres (de todas as diversidades interseccionais), como \u00e9 o caso de <em>At\u00f4mica<\/em> (<em>Atomic Blonde &#8211; EUA, 2017<\/em>), de <em>Mulher-Maravilha (Wonder Woman \u2013 EUA, 2017)<\/em>, de <em>Estrelas Al\u00e9m do Tempo (Hidden Figures \u2013 EUA, 2016)<\/em>, ou de <em>Girls Trip<\/em> (EUA, 2017), este ainda in\u00e9dito no Brasil. E h\u00e1 as anima\u00e7\u00f5es e as s\u00e9ries que fazem ou j\u00e1 fizeram sucesso ao longo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o refer\u00eancias porque rompem com o que vinha sendo estereotipado e mal representado, no audiovisual dos \u00faltimos 120 anos desde a cria\u00e7\u00e3o do cinema, em rela\u00e7\u00e3o aos pap\u00e9is modelo femininos. N\u00e3o que essas m\u00e1s representa\u00e7\u00f5es tenham desaparecido. As tr\u00e1gicas, infelizes mesmo, novelas brasileiras, ou a maioria dos filmes da ind\u00fastria cultural transnacional, est\u00e3o a\u00ed para lembrar-nos que o sexismo, o idadismo, o racismo, a LGBTfobia, e o machismo mis\u00f3gino seguem bem vivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entretanto, tais padr\u00f5es s\u00e3o ou come\u00e7aram a ser desafiados em filmes rec\u00e9m-lan\u00e7ados como os mencionados acima, ou no passado recente, com anima\u00e7\u00f5es e s\u00e9ries de TV, como <em><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Brave_(filme)\">Valente (Brave &#8211; EUA, 2012)<\/a><\/em>, vencedora do Oscar de Melhor Anima\u00e7\u00e3o, <em>Frozen<\/em> (EUA, 2013), ou a s\u00e9rie de TV neo-zelandesa <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Xena\"><em>Xena \u2013 Princesa Guerreira<\/em> (<em>Xena \u2013 Warrior Princess<\/em>, exibida entre 1995 e 2001)<\/a>. H\u00e1 tamb\u00e9m belos exemplos brasileiros e de outros pa\u00edses perif\u00e9ricos ao Eurocentrismo, que s\u00e3o menos badalados, ou menos difundidos e distribu\u00eddos, mas emblem\u00e1ticos. (<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/10-desenhos-infantis-inteligentes-e-que-promovem-a-igualdade\/\">ver aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A princesa M\u00e9rida, de <em>Valente<\/em>, \u00e9 claramente inspirada na hist\u00f3ria real da princesa Boudicca, guerreira bret\u00e3 que liderou homens e mulheres e venceu batalhas importantes contra o Imp\u00e9rio Romano, tornando-se hero\u00edna da Gr\u00e3-Bretanha. H\u00e1 uma imponente est\u00e1tua dela perto do castelo de Windsor, em uma das pontes do rio Tamisa, em Londres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">J\u00e1 <em>Xena<\/em> e outras guerreiras representadas em s\u00e9ries como <em>Vikings<\/em> (j\u00e1 na 5\u00aa temporada do <a href=\"http:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/historia\/2017\/09\/dna-revela-que-famoso-guerreiro-viking-era-na-verdade-uma-guerreira\">History Channel<\/a>) s\u00e3o espelhadas em guerreiras e oficiais daqueles ex\u00e9rcitos considerados \u201cb\u00e1rbaros\u201d \u2013 na verdade, pag\u00e3os que possu\u00edam alta tecnologia de navega\u00e7\u00e3o e de arquitetura para a \u00e9poca \u2013 entre os s\u00e9culos VIII e X DC. E dados resgatados pelas pesquisas mais recentes mostram que havia um equil\u00edbrio entre a quantidade de mulheres e homens que lutavam nas batalhas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_108\" aria-describedby=\"caption-attachment-108\" style=\"width: 345px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-108\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/Vikings-Katheryn-Winnick-Lagertha-Images-300x188.jpg\" alt=\"Mulheres Vikings eram guerreiras escudeiras. Elas n\u00e3o s\u00e3o um mito. Descoberta arqueol\u00f3gica recente revelou que as vikings atravessavam os mares e lutavam ao lado dos homens. Pesquisas da University of Western Australia sobre ossadas de aldeia Viking concluem que a quantidade de guerreiras mulheres era equivalente ao n\u00famero de homens.\" width=\"345\" height=\"216\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/Vikings-Katheryn-Winnick-Lagertha-Images-300x188.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/Vikings-Katheryn-Winnick-Lagertha-Images-550x344.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/Vikings-Katheryn-Winnick-Lagertha-Images-230x144.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/Vikings-Katheryn-Winnick-Lagertha-Images.jpg 670w\" sizes=\"auto, (max-width: 345px) 100vw, 345px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-108\" class=\"wp-caption-text\">Mulheres Vikings eram guerreiras escudeiras. Elas n\u00e3o s\u00e3o um mito. Descoberta arqueol\u00f3gica recente revelou que as vikings atravessavam os mares e lutavam ao lado dos homens. Pesquisas da University of Western Australia sobre ossadas de aldeia Viking concluem que a quantidade de guerreiras era equivalente ao n\u00famero de homens.<\/figcaption><\/figure>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-109 alignleft\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/05_Porunn-684x1024-200x300.jpg\" alt=\"05_Porunn-684x1024\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/05_Porunn-684x1024-200x300.jpg 200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/05_Porunn-684x1024.jpg 684w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/05_Porunn-684x1024-550x823.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/05_Porunn-684x1024-230x344.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o mudan\u00e7as necess\u00e1rias para o desenvolvimento das novas gera\u00e7\u00f5es, em especial, claro, das meninas, das adolescentes e jovens mulheres. S\u00e3o muitas as pesquisas atuais, acad\u00eamicas e de organiza\u00e7\u00f5es (n\u00e3o) governamentais, que revelam a urg\u00eancia por pap\u00e9is modelos que representem as mulheres, e as diversidades, de forma positiva e afirmativa. Que estimulem suas autoestima e autodetermina\u00e7\u00e3o. Em resumo, o presente e o futuro das novas gera\u00e7\u00f5es, em suas mir\u00edades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como exemplo, <em>Atomic Blonde<\/em> traz a ganhadora do Oscar, Charlize Theron (<em>Monster e Mad Max \u2013 Fury Road<\/em>), no papel de uma espi\u00e3 brit\u00e2nica <em>top<\/em> que esbanja habilidades em lutas marciais, for\u00e7a e intelig\u00eancia, contra os marmanjos russos, alem\u00e3es e ingleses. \u00c9 um thriller de a\u00e7\u00e3o global que ocorre em Berlim, durante a semana do <a href=\"http:\/\/www.infoescola.com\/historia\/queda-do-muro-de-berlim\/\">colapso do Muro (fins de 1989)<\/a>, j\u00e1 promovendo o deslocamento das for\u00e7as e das alian\u00e7as entre as superpot\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E brinda as audi\u00eancias com um outro papel-modelo para a \u201cloura gelada\u201d: a da mulher determinada e focada. Bem diferente das sexistas campanhas publicit\u00e1rias de cerveja, que fazem das mulheres louras, brancas, as \u201cburras\u201d, fr\u00edgidas\/geladas, para o consumo de machos b\u00eabados em dias de festa. O filme n\u00e3o deixa de ter alguns clich\u00eas ran\u00e7osos da reifica\u00e7\u00e3o (objetifica\u00e7\u00e3o) feminina, como os sapatos vermelhos de saltos agulha, usados pela personagem principal mesmo nas cenas de luta mais ferozes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como pode ela lutar artes marciais de salto alto? Pois \u00e9. Ainda h\u00e1 que se suprimir nos filmes esses desejos freudianos de satisfazer a ansiedade masculina pela falta f\u00e1lica das mulheres. E o vermelho \u00e9 mais uma obviedade desse desejo sexual no fitar masculino. At\u00e9 que se pode dar um refresco neste caso, pois a ambienta\u00e7\u00e3o \u00e9 na Berlim dos anos 1980. Aquela era a capital europeia de v\u00e1rios movimentos musicais e tend\u00eancias como o punk (rock) e a <a href=\"http:\/\/www.dw.com\/pt-br\/os-anos-80-e-a-nova-onda-alem%C3%A3\/a-3241939\">Neue Deutsche Welle (a nova onda alem\u00e3)<\/a>. A moda era de extravag\u00e2ncias nos acess\u00f3rios. E algo minimalista, mas um tanto ex\u00f3tico nas roupas. Ou s\u00f3brias (dark) demais ou o oposto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O filme \u00e9 baseado na <em>graphic novel<\/em> de 2012, <a href=\"http:\/\/screenrant.com\/atomic-blonde-movie-changes-dfferences-comic-coldest-city\/\"><em>The Coldest City<\/em><strong><em> (<\/em><\/strong><\/a><em><a href=\"http:\/\/screenrant.com\/atomic-blonde-movie-changes-dfferences-comic-coldest-city\/\">da Oni Press<strong>)<\/strong><\/a>,<\/em> escrita por Antony Johnston, com arte de Sam Hart. O t\u00edtulo \u00e9 refer\u00eancia \u00e0 Guerra Fria entre os Estados Unidos e a ent\u00e3o j\u00e1 estilha\u00e7ada URSS, cuja representa\u00e7\u00e3o f\u00edsica (urbana) emblem\u00e1tica da divis\u00e3o entre o Ocidente e o Oriente era justamente a cidade de Berlim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como produtora-executiva e estrela do filme, Charlize Theron fez quest\u00e3o de mudar v\u00e1rios enfoques dos quadrinhos originais. O principal \u00e9 que os homens da trama ter\u00e3o bem menos import\u00e2ncia, e o relacionamento de <em>r\u00e9sistance <\/em>da sua personagem, tanto em termos de confian\u00e7a como de intimidade e sexo, ser\u00e1 com a espi\u00e3 francesa Delphine (interpretada pela atriz\/modelo\/bailarina franco-argelina Sofia Boutella).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 uma declara\u00e7\u00e3o bem assertiva essa. Embora n\u00e3o tenha dito com todas as letras, Theron quis propor algo do tipo \u201cmulheres n\u00e3o precisam de homens para salvarem a si mesmas ou o mundo\u201d. A vingan\u00e7a contra as injusti\u00e7as cabe a elas. E toda a a\u00e7\u00e3o alta-voltagem \u00e9 acompanhada meticulosamente pela trilha sonora lancinante, de arrepiar quem viveu a adolesc\u00eancia ou juventude nos anos 1980 e 90. Ou \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es que curtem a nova onda alem\u00e3 ou o punk rock daqueles anos. Ver a loura at\u00f4mica <em>kicking asses<\/em> ao som do <em>hit<\/em> <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=La4Dcd1aUcE\">99 Luftballons (Nena \u2013 Alemanha, 1983)<\/a> \u00e9 um prazer imenso ao empoderamento feminino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 com isso que as mulheres, desde as mais novas \u2013 crian\u00e7as e adolescentes \u2013 at\u00e9 as mais maduras, t\u00eam imediata identifica\u00e7\u00e3o e sororidade \u2013 os la\u00e7os de amizade\/irmandade positivos entre as mulheres. Ao longo dos s\u00e9culos, a hist\u00f3ria de estereotipias e m\u00e1s-representa\u00e7\u00f5es se repetiu em todos os rinc\u00f5es globais, nas literaturas, nas m\u00fasicas, ou nos teatros dos homens. O atraso, os retardos, os abusos morais, psicol\u00f3gicos e f\u00edsicos contra elas. A apropria\u00e7\u00e3o indevida dos feitos e das aspira\u00e7\u00f5es delas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">At\u00e9 no <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?time_continue=13&amp;v=nI7HVnZlleo\">trailer de Atomic Blonde<\/a> j\u00e1 se nota a medida desse poder da mulher atomizada. O filme arrecadou mais de US$ 50 milh\u00f5es nos primeiros dias ap\u00f3s a estreia, nos EUA. Alcan\u00e7ou nota de aprova\u00e7\u00e3o alta por 75% da cr\u00edtica especializada no <a href=\"https:\/\/www.rottentomatoes.com\/m\/atomic_blonde_2017\/\">site <em>Rotten Tomatoes<\/em><\/a>, apesar de ter concorrido com outros lan\u00e7amentos de peso, na mesma semana, como <em>Dunkirk<\/em>, <em>The Emoji Movie<\/em> e <em>Girls Trip<\/em>, todos sucessos que se mant\u00eam ao longo de mais de seis semanas em cartaz nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O sucesso desses filmes de 2017 \u2013 <em>Atomic Blonde, Mulher-Maravilha, Hidden Figures e Girls Trip<\/em>, ali\u00e1s, mostra como as sociedades globais, em especial, as mulheres e meninas, est\u00e3o carentes em rela\u00e7\u00e3o a melhores representa\u00e7\u00f5es para suas (auto) imagens e estima. Grande parte das bilheterias de tais produ\u00e7\u00f5es \u00e9 o retorno delas, que foram em massa aos cinemas e \u201cpuxaram\u201d os homens. N\u00e3o \u00e9 preciso lembrar que as mulheres somam mais de 51% da popula\u00e7\u00e3o mundial, na m\u00e9dia dos pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Girls Trip<\/em> \u00e9 outra produ\u00e7\u00e3o que merece destaque. Ainda sem data para o lan\u00e7amento no Brasil, a viagem de garotas\/mulheres, em tradu\u00e7\u00e3o livre, comprova que quando h\u00e1 mulheres e\/ou diversidades no \u201cquarto de roteiristas\u201d, os pap\u00e9is modelo (interseccionais) de g\u00eanero tamb\u00e9m mudam de car\u00e1ter e caracter\u00edsticas. O filme escrito por um homem e uma mulher negros, Kenya Barris e Tracy Oliver, arrecadou US$ 100 milh\u00f5es nas primeiras semanas, e conquistou as audi\u00eancias e a cr\u00edtica mais exigente, desde seu lan\u00e7amento nos EUA, em 21 de julho. Com destaque para a \u00f3tima classifica\u00e7\u00e3o na <em>Rotten Tomatoes<\/em>, empresa agregadora das opini\u00f5es de espectadores\/as e da cr\u00edtica especializada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estrelada por quatro mulheres negras \u2013 Regina Hall, Tiffany Haddish, Jada Pinkett Smith e Queen Latifah \u2013, a com\u00e9dia\u00a0mostra f\u00f4lego. No fim de semana de estreia, faturou US$ 30 milh\u00f5es apenas nos Estados Unidos, e ficou em segundo lugar no ranking, atr\u00e1s apenas de <em>Dunkirk<\/em>. O filme custou US$ 19 milh\u00f5es e ganhou uma rara nota A+ do p\u00fablico\u00a0no dia da estreia, de acordo com o servi\u00e7o <em>CinemaScore<\/em>. As mulheres representaram 79% da audi\u00eancia de <em>Girls Trip.<\/em> E o site <em>Hollywood Reporter <\/em>confirma que a bilheteria de estreia \u00e9 a melhor entre as com\u00e9dias lan\u00e7adas em 2017,\u00a0e a melhor de um filme com classifica\u00e7\u00e3o indicativa R (menores de 17 anos s\u00f3 acompanhados), em dois anos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_110\" aria-describedby=\"caption-attachment-110\" style=\"width: 801px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-110 size-full\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/girlstrip.jpg\" alt=\"Os la\u00e7os de sororidade s\u00e3o ressaltados em Girls Trip (EUA, 2017) com cenas que reafirmam a seguran\u00e7a e a alegria da amizade entre as protagonistas. Fonte: Divulga\u00e7\u00e3o Universal Pictures\" width=\"801\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/girlstrip.jpg 801w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/girlstrip-300x243.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/girlstrip-768x623.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/girlstrip-550x446.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/girlstrip-230x187.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 801px) 100vw, 801px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-110\" class=\"wp-caption-text\">Os la\u00e7os de sororidade s\u00e3o ressaltados em <em>Girls Trip<\/em> (EUA, 2017) com cenas que reafirmam a seguran\u00e7a e a alegria da amizade entre as protagonistas. Fonte: <em>Divulga\u00e7\u00e3o Universal Pictures<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">O enredo \u00e9 a aventura de quatro amigas que decidem viajar a\u00a0Nova Orleans, para o festival anual <em>Essence<\/em>, e promover uma \u201creconex\u00e3o\u201d dos la\u00e7os de amizade, de sororidade, de longa data. E o que era para ser uma \u201ccom\u00e9dia de ver\u00e3o\u201d nos Estados Unidos, reafirma o empoderamento das mulheres negras, ao coloc\u00e1-las como personagens principais do que parece ser uma produ\u00e7\u00e3o inovadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quem ainda n\u00e3o viu os outros dois <em>top movies<\/em> deste ano com mulheres fant\u00e1sticas, reais e mitol\u00f3gicas, <em>Estrelas Al\u00e9m do Tempo e Mulher-Maravilha<\/em>, vale a pena buscar nos sites online ou pagar nos canais por assinatura. As mulheres-maravilhas da id\u00edlica <em>Ilha de Themyscira<\/em>, devido ao estrondoso sucesso das bilheterias e de cr\u00edticas globais, voltar\u00e3o em 2019, em nova produ\u00e7\u00e3o da <em>Warner Bros<\/em>. A diretora Patty Jenkins assinar\u00e1 tamb\u00e9m a sequ\u00eancia, dada a sua compet\u00eancia mais do que comprovada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De acordo com o site <em>Hollywood Reporter<\/em>, o novo contrato far\u00e1 de Jenkins a diretora mais bem paga de todos os tempos, com valores estimados entre US$ 7 milh\u00f5es e US$ 9 milh\u00f5es, al\u00e9m de participa\u00e7\u00e3o nos lucros do filme. Na produ\u00e7\u00e3o deste ano, a diretora teria embolsado \u201capenas\u201d US$ 1 milh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A atriz israelense Gal Gadot tamb\u00e9m est\u00e1 confirmada para continuar a <em>persona<\/em> da super-hero\u00edna. A renova\u00e7\u00e3o dos contratos das duas principais respons\u00e1veis pela aclama\u00e7\u00e3o mundial de <em>Mulher-Maravilha<\/em> j\u00e1 era aguardada, considerando os n\u00fameros expressivos alcan\u00e7ados pelo filme, que arrecadou mais de US$ 800 milh\u00f5es nas salas onde foi exibido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Gal Gadot trabalhou duro, por meses e horas a fio, para fazer as cenas de batalha de sua Mulher-Maravilha, assim como Charlize Theron o fez para as sequ\u00eancias incr\u00edveis de lutas marciais de sua At\u00f4mica. Em ambos casos, s\u00e3o v\u00e1rias cenas filmadas sem interrup\u00e7\u00e3o. O por\u00e9m de Gal Gadot \u00e9 que ela postou declara\u00e7\u00f5es consideradas ofensivas aos \u00e1rabes e a favor das a\u00e7\u00f5es militares de Israel na Faixa de Gaza. Sendo ex-militar do ex\u00e9rcito israelense, Gadot tamb\u00e9m apoiou a guerra contra o L\u00edbano, em 2015, em seus perfis nas redes sociais. Por isso, <em>Mulher-Maravilha<\/em> foi banido no L\u00edbano e sofreu boicotes de menor dimens\u00e3o em outras na\u00e7\u00f5es do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da atriz certamente ofuscou parte do brilho mundial da produ\u00e7\u00e3o. E pode ter atrapalhado o caminho para tornar-se ainda mais bem-sucedido nas bilheterias mundiais, pois nesse quesito fica atr\u00e1s de <em>Frozen<\/em>, anima\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m \u00e9 dirigida e protagonizada por mulheres, que arrecadou US$ 1,2 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-111 size-full\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/Hidden-Figures.jpg\" alt=\"Hidden Figures\" width=\"750\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/Hidden-Figures.jpg 750w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/Hidden-Figures-225x300.jpg 225w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/Hidden-Figures-550x733.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/09\/Hidden-Figures-230x307.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Hidden Figures<\/em>, que em tradu\u00e7\u00e3o literal significa <em>figuras escondidas<\/em>, mostra a realidade das mulheres cientistas\/pesquisadoras ainda na contemporaneidade: s\u00e3o silenciadas, omitidas, desprezadas pelas hist\u00f3rias oficiais e por seus pares homens, em grande parte dos ambientes de trabalho e nos centros de pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A reencena\u00e7\u00e3o de fatos reais, caso de <em>Hidden Figures (Estrelas Al\u00e9m do Tempo),<\/em> mostra o quanto a hist\u00f3ria dos homens brancos barrou, e ainda hoje busca silenciar, as hist\u00f3rias das mulheres. Em especial, as das cientistas das chamadas ci\u00eancias \u201cduras\u201d, exatas. E se essas mulheres pertencem \u00e0s diversidades raciais, a\u00ed \u00e9 que a apropria\u00e7\u00e3o indevida acontece a c\u00e9u aberto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O roteiro narra a hist\u00f3ria das tr\u00eas cientistas negras (Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson) que fizeram diferen\u00e7a na ag\u00eancia NASA <em>(National Aeronautics and Space Administration),<\/em> durante a corrida espacial dos EUA x URSS (atual R\u00fassia), permitindo que o astronauta John Glenn fosse o primeiro norte-americano a orbitar ao redor da Terra, em 1962.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Apesar do enorme sucesso de p\u00fablico e cr\u00edtica, o filme n\u00e3o teve premia\u00e7\u00e3o no <em>Oscar 2017,<\/em> mas recebeu tr\u00eas indica\u00e7\u00f5es como melhor filme, melhor roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante para Octavia Spencer. Ela interpreta a cientista Dorothy Vaughan, programadora que implementou o sistema de linguagem Fortran na NASA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O foco maior da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 em Katherine Johnson (com bela atua\u00e7\u00e3o da atriz Taraji P. Hansen), respons\u00e1vel por calcular a trajet\u00f3ria de Alan Shepard (o segundo homem no espa\u00e7o) e que revisou os c\u00e1lculos realizados pelos ainda pioneiros computadores eletr\u00f4nicos, a pedido pessoal de John Glenn, antes de sua viagem pela \u00f3rbita terrestre, devido \u00e0 expertise dela como f\u00edsica e matem\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desnecess\u00e1rio dizer o quanto essa produ\u00e7\u00e3o, realizada no cora\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica euroc\u00eantrica, surpreende e chega a ser taxada como \u201cinacredit\u00e1vel\u201d pelo imagin\u00e1rio colonizado de parte da cr\u00edtica patriarcal ocidental. Primeiro, pela revela\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria \u201cdesconhecida\u201d sobre serem das mulheres boa parte dos cr\u00e9ditos para o sucesso do programa espacial dos EUA, desde seus prim\u00f3rdios. Segundo, a maior parte dessa equipe pioneira foi formada por <em>mulheres negras<\/em>, em plena \u00e9poca de forte rea\u00e7\u00e3o do conservadorismo segregacionista contra os movimentos pelos direitos civis da popula\u00e7\u00e3o negra norte-americana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 um filme para l\u00e1 de contempor\u00e2neo, nesta segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, marcada por retrocessos imensos, em pa\u00edses ocidentais. Perigo para os direitos \u00e0 liberdade de express\u00e3o e os direitos humanos, pol\u00edticos e civis das mulheres e das diversidades. Que o digam os Estados Unidos dos seguidores neonazistas do presidente Donald Trump. Ou o Brasil dos fundamentalistas de centro e extrema direita, que apoiam censuras absurdas \u00e0s artes, aos livros, e a favor dos golpes contra o Estado Democr\u00e1tico de Direito e das barb\u00e1ries como estupros e demais viol\u00eancias contra as mulheres e as diversidades humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A diretora brasileira La\u00eds Bodansky resumiu isso em seu discurso na premia\u00e7\u00e3o deste ano no Festival de Cinema de Gramado (RS). Seu longa-metragem <em>Como Nossos Pais<\/em> recebeu seis pr\u00eamios, dentre eles o de Melhor Filme, Melhor Dire\u00e7\u00e3o e o de Melhor Atriz, para Maria Ribeiro. La\u00eds enalteceu as a\u00e7\u00f5es das mulheres no cinema nacional e pontuou a necessidade urgente de se fazer mais filmes sob o ponto de vista feminino. \u201cSer\u00e1 que n\u00f3s, mulheres, n\u00e3o queremos dirigir nem roteirizar? Somos apenas 15% na ind\u00fastria do audiovisual. Por qu\u00ea? \u00c9 importante refletir, porque n\u00e3o \u00e9 que a gente n\u00e3o queira contar nossas hist\u00f3rias, mas h\u00e1 um filtro. \u00c9 preciso romper com isso e conquistar o espa\u00e7o do discurso\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Veja o trailer de Girls Trip, in\u00e9dito no Brasil:<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"1440\" height=\"810\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RMvBJPgTcDA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cinema das mulheres arrebenta velhos discursos &nbsp; Estamos chegando l\u00e1, mulherada. A(s) Hist\u00f3ria(s) das Mulheres, cara e necess\u00e1ria em escala global, vem sendo resgatada. H\u00e1 d\u00e9cadas, apesar de a passos pequenos. 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