{"id":32,"date":"2017-08-02T00:38:24","date_gmt":"2017-08-02T00:38:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/?p=32"},"modified":"2017-08-02T00:51:44","modified_gmt":"2017-08-02T00:51:44","slug":"fazer-genero-e-dificil-no-brasil-e-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/fazer-genero-e-dificil-no-brasil-e-guerra\/","title":{"rendered":"Fazer G\u00eanero \u00e9 dif\u00edcil. No Brasil, \u00e9 guerra"},"content":{"rendered":"<h2>O <strong>Blog da Igualdade<\/strong> est\u00e1 de volta!<\/h2>\n<figure id=\"attachment_33\" aria-describedby=\"caption-attachment-33\" style=\"width: 851px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-33 size-full\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/08\/Anistia-Intern.png\" alt=\"Anistia Intern\" width=\"851\" height=\"315\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/08\/Anistia-Intern.png 851w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/08\/Anistia-Intern-300x111.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/08\/Anistia-Intern-768x284.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/08\/Anistia-Intern-550x204.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/08\/Anistia-Intern-230x85.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 851px) 100vw, 851px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-33\" class=\"wp-caption-text\">Campanha lan\u00e7ada no dia 31 de julho pela Anistia Internacional: contra o retrocesso dos Direitos Humanos no Brasil.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e3o pouco mais de cinco anos desde o primeiro lan\u00e7amento deste espa\u00e7o, no <strong>Correio Braziliense<\/strong> (<strong>Correioweb<\/strong>), para a apresenta\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es, ativismo e pol\u00edticas p\u00fablicas, bem como ideias e pesquisas, que visam o debate (interseccional) de g\u00eanero. A igualdade de direitos e a n\u00e3o-viol\u00eancia contra as mulheres e as diversidades.<\/p>\n<p>Com a mudan\u00e7a de formato e a transfer\u00eancia dos blogs do <strong>Correioweb<\/strong> para esta plataforma multim\u00eddia, novas possibilidades s\u00e3o agregadas. Ao mesmo tempo, muitos arquivos antigos foram perdidos, o que causa tristeza. Tentaremos resgatar, aos poucos, o melhor do que foi publicado durante mais de quatro anos. Nesse tempo, o <strong>Blog da Igualdade<\/strong> realizou um belo ciclo de batalhas, com vit\u00f3rias e derrotas.<\/p>\n<p>Neste retorno, retomo pequenos passos dados, no \u00e2mbito da imprensa brasileira, pela conscientiza\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica e cultural dos graves problemas nacionais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s desigualdades e viol\u00eancias m\u00faltiplas impostas \u00e0s diversidades \u2013 ou \u00e0s chamadas \u201cminorias\u201d (qualitativas e n\u00e3o quantitativas).<\/p>\n<p>\u00c9 paradoxal que as mulheres, sendo maioria da popula\u00e7\u00e3o mundial (e brasileira), e comprovadamente capazes de exercer qualquer profiss\u00e3o com expertise, ainda em nossa contemporaneidade sejam consideradas o \u201cOutro\u201d. Ou seja, s\u00e3o inseridas no conceito de \u201csubalternidade\u201d ou de uma \u201csubalteridade\u201d, como ando a matutar em minhas pesquisas.<\/p>\n<p>No Brasil, as mulheres e toda a gama de g\u00eanero informada nas pessoas LGBTQI (l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, transg\u00eaneros\/transexuais\/travestis, <em>queer<\/em> ou \u201cquestionando\u201d, e intersexuais) s\u00e3o inclu\u00eddas em um conceito lingu\u00edstico patriarcal machista, que de forma alguma as representa.<\/p>\n<p>A t\u00edtulo de exemplo, a m\u00eddia corporativa nacional ainda hoje refere-se aos seres humanos, \u00e0s pessoas, como \u201cos homens\u201d, ou sempre com o artigo masculino, em total assujeitamento (ou oculta\u00e7\u00e3o) de ativos sujeitos sociais, como as mulheres e as pessoas LGBTQI. Tal fato traduz o tamanho do descaso, ou do machismo, que impregna esta sociedade.<\/p>\n<p>Assim como s\u00e3o destratadas as diversas ra\u00e7as\/etnias que colorem o cen\u00e1rio populacional mundial, especialmente o brasileiro, mas que n\u00e3o se enquadram no estere\u00f3tipo euroc\u00eantrico secular \u2013 formado a partir do in\u00edcio da Idade M\u00e9dia \u2013 do que seria o \u201cser uno\u201d ou transcendente: o homem branco, anglo-sax\u00f4nico\/ariano, de religi\u00e3o crist\u00e3 (protestante, no Norte europeu). O cidad\u00e3o <em>WASP<\/em>, na sigla em ingl\u00eas. Este padr\u00e3o conforma, ainda, a <a href=\"https:\/\/www.infopedia.pt\/dicionarios\/lingua-portuguesa\/heteronormatividade\">heteronormatividade<\/a> e a juventude em seu auge.<\/p>\n<p>Em poucas palavras, a imensa maioria dos seres humanos estaria condenada \u00e0 condi\u00e7\u00e3o subalterna: mulheres, orientais, afro(descendentes), latinas, LGBTI ou n\u00e3o. Jovens ou n\u00e3o. Entretanto, n\u00f3s \u201cOutros\u201d decidimos, desde sempre, que somos parte da humanidade.<\/p>\n<p>Temos essa veia filos\u00f3fica, ao menos em alguns momentos de inspirados insights em nossas vidas, que questiona, luta, esbraveja e marca posi\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o ponto que nos vejam e nos reconhe\u00e7am como seres humanos, com direitos iguais. E tamb\u00e9m deveres. O fundamental: tratarmos todos e todas com justi\u00e7a e equidade. Sobretudo, amorosamente.<\/p>\n<p>Isso para atenuar a distor\u00e7\u00e3o forjada em nossas mentes euroc\u00eantricas, e que, h\u00e1 pouco tempo, um famoso executivo da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica dos Estados Unidos bem resumiu: \u201cO que os grandes p\u00fablicos das produ\u00e7\u00f5es audiovisuais \u2013 da ind\u00fastria do entretenimento \u2013 querem ver s\u00e3o belos homens brancos, de 30 anos, bem-sucedidos e que morem em coberturas de Manhattan!\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 cinco anos, no lan\u00e7amento do <strong>Blog da Igualdade<\/strong>, escrevi um longo artigo onde ficava comprovada, por estat\u00edsticas e estudos profundos, a necessidade de a sociedade brasileira ser reeducada e rever seus conceitos arcaicos, vitorianos, sobre a escravid\u00e3o, as diversidades \u00e9tnicas, a homofobia (ou LGBTfobia), e o machismo mis\u00f3gino que fere, estupra, coage, mata, destr\u00f3i fam\u00edlias inteiras. Assassina, espanca, estupra e\/ou torna socialmente incapazes mulheres, crian\u00e7as e pessoas fora dos padr\u00f5es <em>WASP. <\/em>Ou seja, pessoas negras, ind\u00edgenas, LGBTI, idosas, mulheres&#8230;<\/p>\n<p>Hoje, o quadro est\u00e1 ainda pior. Entre 2016 e este 2017, todas as estat\u00edsticas sobre as viol\u00eancias, as fobias e os preconceitos nacionais se deterioraram. As raz\u00f5es s\u00e3o bem \u00f3bvias: acabaram, ou s\u00e3o hoje p\u00edfios, os investimentos na \u00e1rea social ou em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos que trabalham em prol das diversidades, em defesa dos direitos humanos, civis e pol\u00edticos de cidad\u00e3s e cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Foram extintas secretarias com status de minist\u00e9rios, como a da Igualdade Racial, ou a Secretaria Especial de Pol\u00edticas para as Mulheres. Foram abandonados, sem recursos, um sem n\u00famero de projetos que beneficiam e acolhem as vitimas de m\u00faltiplas viol\u00eancias.<\/p>\n<p>O pa\u00eds, que ainda dava seus primeiros passos democr\u00e1ticos, deu uma guinada perigosa \u00e0 (extrema) direita e sucumbe \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, principalmente, em seus valores e princ\u00edpios b\u00e1sicos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida e ao bem-estar cidad\u00e3o. Caminha a passos largos para a barb\u00e1rie de um crescente <em>neo-nazifascismo<\/em>. No S\u00e9culo 21, o Brasil parece retroceder ao pior do colonialismo despudorado, corrupto e, sem falsa romantiza\u00e7\u00e3o, a uma mentalidade patriarcal puritana que mata e escraviza grande parte de sua popula\u00e7\u00e3o historicamente fragilizada \u2013 afro-descendentes, ind\u00edgenas, mulheres e LGBTs.<\/p>\n<p>Isso apesar de suas leis, como a <a href=\"http:\/\/www.brasil.gov.br\/cidadania-e-justica\/2015\/10\/9-fatos-que-voce-precisa-saber-sobre-a-lei-maria-da-penha\">Maria da Penha<\/a> ou os estatutos da Crian\u00e7a e do Adolescente, dos povos tradicionais ou o das pessoas idosas. Ou das leis que tipificam como crimes o racismo, as ofensas morais e f\u00edsicas contra as diversidades \u00e9tnicas. Por que? Ora, pois. Quando as autoridades m\u00e1ximas dos Tr\u00eas Poderes d\u00e3o p\u00e9ssimos exemplos de corrup\u00e7\u00e3o moral (ou de fato), o que se pode esperar do resto da popula\u00e7\u00e3o? Quem precisa seguir as leis? Se o pr\u00f3prio Estado Democr\u00e1tico de Direito foi estilha\u00e7ado em peda\u00e7os, o que fica para a sociedade?<\/p>\n<p>A brutalidade de um patriarcado machista e mis\u00f3gino aflora ainda mais nesses tempos de sombras e malfeitos \u00e0 meia-luz. Os feminic\u00eddios explodem n\u00e3o apenas em quantidade, mas tamb\u00e9m em requintes de crueldade. De acordo com o Mapa da Viol\u00eancia de 2016, s\u00e3o 13 a 14 assassinatos di\u00e1rios de mulheres no pa\u00eds, por (ex) companheiros \u2013 a maioria, ou por um homem da fam\u00edlia. Ou seja, uma mulher \u00e9 morta a cada 1h15min, no Brasil, apenas por ser mulher.<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o com o resto do mundo, o Brasil ocupa o 5\u00aa lugar na viol\u00eancia contra as mulheres; o primeiro lugar absoluto em assassinatos e ataques contra pessoas LGBTI; e \u00e9 o que mais mata ou violenta pessoas negras (principalmente a popula\u00e7\u00e3o jovem e masculina) e as popula\u00e7\u00f5es tradicionais, como ind\u00edgenas e quilombolas. Tamb\u00e9m aumentou a viol\u00eancia contra idosas\/os e crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p>Apenas nesta \u00faltima semana, ocorreram dois casos emblem\u00e1ticos que mostram como a sociedade brasileira est\u00e1 doente: um feminic\u00eddio brutal contra Mayara Amaral, violonista p\u00f3s-graduada e professora, de apenas 27 anos, nascida em Campo Grande (MS), e a divulga\u00e7\u00e3o de estat\u00edsticas aterradoras sobre o \u00edndice de estupro de crian\u00e7as (pedofilia) nas escolas do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_34\" aria-describedby=\"caption-attachment-34\" style=\"width: 980px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-34 size-full\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/08\/Mayara-MS.jpg\" alt=\"Mayara MS\" width=\"980\" height=\"627\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/08\/Mayara-MS.jpg 980w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/08\/Mayara-MS-300x192.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/08\/Mayara-MS-768x491.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/08\/Mayara-MS-550x352.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/08\/Mayara-MS-230x147.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 980px) 100vw, 980px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-34\" class=\"wp-caption-text\">A violonista e professora Mayara Amaral, de Campo Grande (MS), v\u00edtima de cruel feminic\u00eddio. Reprodu\u00e7\u00e3o: Arquivo Familiar<\/figcaption><\/figure>\n<p>No caso de Mayara, o namorado, por quem ela estava apaixonada, marcou um encontro em um motel de Campo Grande. Ela foi. Apareceu no dia seguinte em um matagal com\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/violencia_genero\/a\">o corpo carbonizado e v\u00e1rias marteladas na cabe\u00e7a<\/a>. Dois suspeitos foram presos pelo cruel assassinato: o namorado, tamb\u00e9m m\u00fasico, de 29 anos, Luiz Alberto Barros, e Ronaldo Olmedo, de 33, com passagens por tr\u00e1fico e roubo, segundo a pol\u00edcia. Um terceiro homem, Anderson Pereira, 31, tamb\u00e9m com passagens por tr\u00e1fico e roubo, foi preso por colaborar com a oculta\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver.<\/p>\n<p>O pior de tudo \u00e9 o machismo da pr\u00f3pria pol\u00edcia local, ao classificar o crime como latroc\u00ednio (roubo seguido de morte), sendo que a v\u00edtima n\u00e3o tinha nada de valor especial. Um viol\u00e3o, um celular e um velho autom\u00f3vel Gol de 1992. H\u00e1 ind\u00edcios de que ela foi violentada pelos criminosos. Mas, seus advogados insistem na tese de que eles estavam sob efeito de drogas e que o sexo grupal foi \u201cconsentido\u201d. Isso para livrar os feminicidas, justamente, da Lei Maria da Penha, que tornaria o crime hediondo e inafian\u00e7\u00e1vel.<\/p>\n<figure id=\"attachment_35\" aria-describedby=\"caption-attachment-35\" style=\"width: 186px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-35 \" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/08\/estupro-escola-rio-1-306x1024.jpg\" alt=\"estupro-escola-rio-(1)\" width=\"186\" height=\"622\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/08\/estupro-escola-rio-1-306x1024.jpg 306w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/08\/estupro-escola-rio-1-90x300.jpg 90w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/08\/estupro-escola-rio-1-230x769.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2017\/08\/estupro-escola-rio-1.jpg 448w\" sizes=\"auto, (max-width: 186px) 100vw, 186px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-35\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Jornal Extra, RJ<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No caso da pedofilia no Rio de Janeiro, foi revelado que h\u00e1, em m\u00e9dia, um caso de estupro em escolas do Estado a cada cinco dias. Desde o in\u00edcio de 2016 a abril deste ano, 89 casos foram registrados em unidades de ensino, como mostra um levantamento feito pelo jornal carioca <strong>Extra,<\/strong> com base em microdados do Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica (ISP), obtidos via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o. Os dados do ISP n\u00e3o discriminam se o crime ocorre em escola municipal, estadual, particular ou mesmo em um estabelecimento de ensino superior.<\/p>\n<p>Das 82 v\u00edtimas com data de nascimento identificada, por\u00e9m, 74 eram menores de idade na \u00e9poca do crime, e 50 tinham 10 anos ou menos. Levando-se em considera\u00e7\u00e3o os locais onde os crimes ocorrem, casos de abusos sexuais em escolas superam os registros em estabelecimentos comerciais, em pr\u00e9dios p\u00fablicos e meios de transporte. Das v\u00edtimas de estupro em unidades de ensino, 55 tinham menos de 12 anos. Ao todo, 64 eram meninas, ou 85 %. A viol\u00eancia atinge tamb\u00e9m beb\u00eas de at\u00e9 3 anos.<\/p>\n<p>\u00c9 por tudo isso que a Anistia Internacional lan\u00e7ou, no \u00faltimo dia 31, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/anistiainternacionalbrasil\/ &lt;https:\/\/www.facebook.com\/anistiainternacionalbrasil\/&gt;\">uma campanha em defesa dos direitos humanos <\/a>no Brasil. De acordo com a organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria, h\u00e1 um pacote de mudan\u00e7as em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional que pode reduzir ainda mais a prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de grupos vulner\u00e1veis. A AI cita o exemplo de projetos que pretendem impor a proibi\u00e7\u00e3o total ao aborto, mesmo nos casos permitidos, como estupro, a elimina\u00e7\u00e3o do ensino da educa\u00e7\u00e3o sexual nas escolas e a flexibiliza\u00e7\u00e3o do porte de armas.<\/p>\n<p>A diretora executiva da Anistia, Jurema Werneck, enfatiza que a crise pol\u00edtica est\u00e1 sendo usada como \u201ccortina de fuma\u00e7a para que retrocessos ocorram, sem a mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade\u201d. A campanha, \u201cOs Direitos n\u00e3o se Liquidam\u201d, tamb\u00e9m se posiciona contra a altera\u00e7\u00e3o na Lei de Maioridade Penal e contra mudan\u00e7as nas regras de demarca\u00e7\u00e3o e titula\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas e quilombolas.<\/p>\n<p>Conversei sobre esses temas com a fil\u00f3sofa, professora e escritora M\u00e1rcia Tiburi e publico a entrevista aqui no <strong>Blog<\/strong>, em post separado. Nele, debatemos o (neo)fascismo, os feminismos, problemas de g\u00eanero, a cultura e os rumos das mulheres feministas no fazer pol\u00edtico da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Blog da Igualdade est\u00e1 de volta! &nbsp; S\u00e3o pouco mais de cinco anos desde o primeiro lan\u00e7amento deste espa\u00e7o, no Correio Braziliense (Correioweb), para a apresenta\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es, ativismo e pol\u00edticas p\u00fablicas, bem como ideias e pesquisas, que visam o debate (interseccional) de g\u00eanero. 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No Brasil, \u00e9 guerra - Blog da Igualdade<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/fazer-genero-e-dificil-no-brasil-e-guerra\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Fazer G\u00eanero \u00e9 dif\u00edcil. No Brasil, \u00e9 guerra - Blog da Igualdade\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O Blog da Igualdade est\u00e1 de volta! &nbsp; S\u00e3o pouco mais de cinco anos desde o primeiro lan\u00e7amento deste espa\u00e7o, no Correio Braziliense (Correioweb), para a apresenta\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es, ativismo e pol\u00edticas p\u00fablicas, bem como ideias e pesquisas, que visam o debate (interseccional) de g\u00eanero. 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