{"id":341,"date":"2018-06-30T23:51:55","date_gmt":"2018-07-01T02:51:55","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/?p=341"},"modified":"2018-07-01T03:07:27","modified_gmt":"2018-07-01T06:07:27","slug":"o-conto-da-aia-ja-e-quase-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/o-conto-da-aia-ja-e-quase-historia\/","title":{"rendered":"O Conto da Aia j\u00e1 \u00e9 (quase) Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<h2>A Distopia rasteja debaixo das nossas portas<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify\">O <strong><em><a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?client=firefox-b&amp;ei=4h04W__rAcPAwASQ85xI&amp;q=the+handmaid%27s+tale&amp;oq=the+handmai&amp;gs_l=psy-ab.1.0.0i131k1j0l9.182660.187780.0.193906.28.15.0.3.3.0.259.1235.2-5.5.0....0...1c.1.64.psy-ab..21.7.1010...0i131i67k1j0i67k1.0.hYrw4uqU7f8\">Conto da Aia \u2013 The Handmaid\u2019s Tale<\/a><\/em><\/strong>, livro da premiada escritora canadense Margaret Atwood, escrito em 1985 e transformado, em 2017, na s\u00e9rie hom\u00f4nima de sucesso mundial pelo canal de <em>streaming Hulu<\/em> (j\u00e1 na 2\u00aa temporada este ano), \u00e9 uma distopia angustiante e, hoje, j\u00e1 n\u00e3o t\u00e3o distante quanto desejar\u00edamos. N\u00f3s mulheres feministas, ou qualquer pessoa que perten\u00e7a \u00e0s chamadas diversidades, temos que estar antenadas para este fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 quest\u00e3o de abrir um pouco mais os olhos e os ouvidos. Os sinais est\u00e3o em toda parte. Em quase todo o mundo contempor\u00e2neo. Em muitas sociedades, especialmente nas mais atrasadas e conservadoras, como \u00e9 o caso da brasileira, h\u00e1 uma acintosa contrarrevolu\u00e7\u00e3o aos movimentos feministas e aos ativismos pelos direitos civis, pol\u00edticos e humanos das pessoas LGBT, negras, ind\u00edgenas (povos tradicionais e\/ou nativos), imigrantes, ou mesmo contra os direitos rec\u00e9m-conquistados pelas pessoas portadoras de defici\u00eancia e pelas crian\u00e7as, adolescentes ou as idosas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_344\" aria-describedby=\"caption-attachment-344\" style=\"width: 417px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-344 size-full\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/06\/Elizabeth-Moss.png\" alt=\"Elizabeth Moss: produtora e personagem principal no Conto da Aia. O futuro \u00e9 um pesadelo.\" width=\"417\" height=\"634\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/06\/Elizabeth-Moss.png 417w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/06\/Elizabeth-Moss-197x300.png 197w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/06\/Elizabeth-Moss-230x350.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 417px) 100vw, 417px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-344\" class=\"wp-caption-text\">Elizabeth Moss \u00e9 produtora executiva da s\u00e9rie e personagem principal no <em>Conto da Aia: <\/em>O futuro \u00e9 um pesadelo f&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao refletir sobre a Semana do Orgulho Gay (LGBTQI &#8211; l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, transg\u00eaneros, intersexuais e os que \u201cquestionam\u201d o g\u00eanero), celebrado mundialmente no dia 28 de junho, n\u00e3o se pode deixar de pensar em todas as diversidades, em especial, na situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica das mulheres, estando ou n\u00e3o em contexto interseccional (sobreposi\u00e7\u00e3o ou intersec\u00e7\u00e3o de identidades sociais e sistemas relacionados de opress\u00e3o, domina\u00e7\u00e3o ou discrimina\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<figure id=\"attachment_345\" aria-describedby=\"caption-attachment-345\" style=\"width: 173px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-345\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/06\/blogueiras-negras.jpg\" alt=\"Mulher, negra, LGBT e idosa: exemplo de opress\u00e3o interseccional\" width=\"173\" height=\"208\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-345\" class=\"wp-caption-text\"><em>Mulher, negra, LGBT e idosa: exemplo de opress\u00e3o interseccional <strong>Fonte: Blogueiras Negras<\/strong><br \/><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Ou seja, em na\u00e7\u00f5es ainda dominadas pelas tradi\u00e7\u00f5es patriarcais do machismo mis\u00f3gino, brutal e dominador, e suas consequentes fobias \u00e0s diversidades humanas, est\u00e3o sendo reavivados, ou voltam a grassar, as viol\u00eancias e os assassinatos contra as mulheres e contra as chamadas \u201cminorias\u201d \u2013 que n\u00e3o o s\u00e3o nem quantitativamente nem qualitativamente no Brasil -, caso das mulheres ou pessoas negras ou ind\u00edgenas, l\u00e9sbicas, bissexuais, trans, imigrantes, refugiados\/as, deficientes, idosas ou jovens e crian\u00e7as. \u00c9 massacrante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As estat\u00edsticas est\u00e3o claras e mostram que, a partir do momento que a na\u00e7\u00e3o passa a ser governada (e legislada) por conservadores (em sua maioria homens brancos, &#8220;religiosos&#8221;, das classes mais altas) que desclassificam os esfor\u00e7os e ativismos pelos direitos humanos e civis, a viol\u00eancia aumenta de forma assustadora. O Brasil \u00e9 hoje o 5\u00ba pa\u00eds que mais mata as mulheres (feminic\u00eddios) e o que mais registra casos de estupros contra elas, majoritariamente se forem jovens (crian\u00e7as e adolescentes) e negras (pretas e pardas), pobres ou perif\u00e9ricas. Registre-se que os estupros tamb\u00e9m ocorrem contra os meninos, mesmo que em menor escala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ocorrem entre 12 e 15 assassinatos de mulheres por dia, no pa\u00eds. E os estupros e abusos sexuais podem chegar a mais de 500 mil por ano, de acordo com <strong><a href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\/atlasviolencia\/artigo\/21\/estupro-no-brasil-uma-radiografia-segundo-os-dados-da-saude-\">estudos do IPEA<\/a><\/strong> \u2013 Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica e Aplicada. O mapeamento e as proje\u00e7\u00f5es desses casos s\u00e3o feitos com base nos dados do DATASUS (banco de dados do SUS), nos registros de ocorr\u00eancias nas delegacias policiais, ou nos dados de outros sistemas de sa\u00fade e assist\u00eancia social. Como a imensa maioria dos casos n\u00e3o \u00e9 notificada, ou \u00e9 subnotificada, o Instituto faz as proje\u00e7\u00f5es baseadas em cruzamentos dos dados dispon\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo o <a href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=30253\">Atlas da Viol\u00eancia 2017 do IPEA<\/a>, os homens jovens continuam sendo as principais v\u00edtimas: mais de 92% dos homic\u00eddios acometem essa parcela da popula\u00e7\u00e3o. Entretanto, a cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 s\u00e3o negras. De acordo com informa\u00e7\u00f5es do Atlas, os negros t\u00eam chances 23,5% maiores de serem assassinados em rela\u00e7\u00e3o a brasileiros brancos (n\u00e3o negros), j\u00e1 descontado o efeito da idade, escolaridade, do sexo, estado civil e bairro de resid\u00eancia. Um agravante \u00e9 que o racismo e o classismo institucionais entre as for\u00e7as de seguran\u00e7a t\u00eam matado ou executado jovens negros\/as tanto quanto durante os s\u00e9culos de regime escravocrata no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/sociedade\/assassinatos-de-lgbt-crescem-30-entre-2016-2017-segundo-relatorio-22295785\"><strong>cresceram em 30%, entre 2016 e 2017<\/strong><\/a>, os assassinatos e outras formas de viol\u00eancia contra as pessoas LGBT. Hoje, uma delas \u00e9 morta a cada 19 horas no Brasil. S\u00e3o casos de terror, que mostram o mais irracional \u00f3dio, pois a viol\u00eancia dos assassinatos \u00e9 chocante. Via de regra, espancamentos e apedrejamentos at\u00e9 a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 que se ter uma vis\u00e3o interseccional dessas viol\u00eancias e das perdas de direitos ora em curso nas sociedades globais, em especial nas menos desenvolvidas. Nestas, as desigualdades s\u00e3o ainda mais extremas. Os feminismos e os movimentos ativistas LGBT e pelos direitos dos povos tradicionais em na\u00e7\u00f5es latino-americanas ainda nem superaram pechas e fantasmas j\u00e1 um tanto obsoletos nas sociedades mais \u201ccivilizadas\u201d, como as da Europa Ocidental, do Canad\u00e1 ou mesmo nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vide as velhas maneiras, em grande parte coibidas nos pa\u00edses mais desenvolvidos, mas que ainda hoje s\u00e3o marteladas como estere\u00f3tipos sociais no Brasil, como desqualificar mulheres ativistas como sendo mal amadas, incompetentes ou hist\u00e9ricas. Ou as formas de racismo e machismo que permeiam o mercado de trabalho, tanto em n\u00edveis de ass\u00e9dio (sexual, moral e psicol\u00f3gico), de contrata\u00e7\u00e3o e ascens\u00e3o, como em termos salariais. N\u00e3o que as estereotipias e desigualdades estejam resolvidas no chamado primeiro mundo, mas os abismos s\u00e3o bem menores. E o respeito social e a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica s\u00e3o bem maiores. Sem contar o mais importante: os \u00edndices de viol\u00eancia s\u00e3o muito inferiores. N\u00e3o se compara a taxa de mortalidade (homic\u00eddios raciais, f\u00f3bicos e\/ou feminic\u00eddios) de pa\u00edses da Europa ocidental com as do Brasil, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De qualquer forma, para se evitar um futuro nada promissor, ou ainda pior (que j\u00e1 bate \u00e0s nossas portas), como o que \u00e9 representado em <em>The Handmaid&#8217;s Tale<\/em>, precisamos &#8211; n\u00f3s, mulheres feministas e dentre as diversidades interseccionais de g\u00eanero, ra\u00e7a e etnia, LGBT &#8211; sintonizar e manter-nos antenadas aos mais sutis dos assobios de c\u00e3es raivosos, manipuladores, e na mais tenra e sebosa das campanhas que advogam por disciplinar e dominar a todas n\u00f3s.<\/p>\n<figure id=\"attachment_346\" aria-describedby=\"caption-attachment-346\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-346 size-full\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/06\/Manterrupting.jpg\" alt=\"Defini\u00e7\u00f5es de como as vozes e a\u00e7\u00f5es das mulheres s\u00e3o cassadas, roubadas e expropriadas\" width=\"1080\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/06\/Manterrupting.jpg 1080w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/06\/Manterrupting-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/06\/Manterrupting-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/06\/Manterrupting-768x768.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/06\/Manterrupting-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/06\/Manterrupting-550x550.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/06\/Manterrupting-230x230.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-346\" class=\"wp-caption-text\"><em>Defini\u00e7\u00f5es com humor sobre como as vozes e as a\u00e7\u00f5es das mulheres s\u00e3o cassadas, interrompidas, roubadas e expropriadas<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Estamos deixando passar v\u00e1rios discursos, atos e a\u00e7\u00f5es pessoais e pol\u00edticas, por debaixo de nossas portas. Bem nos nossos narizes. J\u00e1 d\u00e1 para sentir a podrid\u00e3o e a repress\u00e3o de um futuro dist\u00f3pico, neste pa\u00eds e em muitos outros. Quem acompanha a s\u00e9rie do canal Hulu, que no Brasil passa no canal pago Paramount, ou j\u00e1 leu o livro vision\u00e1rio de Margaret Atwood, sabe que as coisas n\u00e3o acontecem de um dia para o outro. N\u00e3o se acorda, do nada, de uma noite de sono, em um inferno chamado <em>Rep\u00fablica de Gilead &#8211; <\/em>um Estados Unidos repaginado por fundamentalistas religiosos, ap\u00f3s uma guerra &#8220;santa&#8221;<em>.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_347\" aria-describedby=\"caption-attachment-347\" style=\"width: 299px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-347\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/06\/Margareth-Atwood.jpg\" alt=\"A autora canadense Margaret Atwood\" width=\"299\" height=\"168\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/06\/Margareth-Atwood.jpg 299w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/06\/Margareth-Atwood-230x129.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 299px) 100vw, 299px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-347\" class=\"wp-caption-text\"><em>A autora canadense Margaret Atwood<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">As pol\u00edticas, p\u00fablicas e pessoais, v\u00e3o mudando passo a passo, em cada decis\u00e3o, em cada nova lei aprovada em um parlamento de tradicionalistas retr\u00f3grados, ou nas rodas de conversas que invocam os &#8220;tempos bons de nossos av\u00f3s&#8221; (que eram infernais para todas as diversidades, diga-se). Os h\u00e1bitos, os desleixos e as resigna\u00e7\u00f5es com as viol\u00eancias recorrentes de agentes p\u00fablicos ou de companheiros, maridos, namorados v\u00e3o se instalando. Inclusive, aquelas que remontam \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es, do &#8220;sempre foi assim&#8221;. &#8220;\u00c9 papel da mulher&#8221;. &#8220;\u00c9 da ra\u00e7a deles&#8221;. &#8220;Homossexualidade n\u00e3o \u00e9 de Deus&#8221;. Por a\u00ed vai. At\u00e9 que a bomba explode. At\u00e9 que uma mulher negra que est\u00e1 na pol\u00edtica, uma m\u00e3e, um travesti do Cear\u00e1, um jovem estudante perif\u00e9rico do Complexo da Mar\u00e9 no Rio de Janeiro, um ind\u00edgena ou um pequeno agricultor do Mato Grosso, ou milhares, milh\u00f5es de negros, ind\u00edgenas, refugiados, sejam exterminados. J\u00e1 n\u00e3o acontece isso por aqui? Veja as estat\u00edsticas. \u00c9 s\u00f3 buscar no Google.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outro dia, li um <a href=\"https:\/\/www.huffingtonpost.com\/entry\/mona-charen-sex-matters_us_5b339967e4b0b5e692f34a08?ncid=fcbklnkushpmg00000046&amp;utm_medium=facebook&amp;utm_campaign=hp_fb_pages&amp;utm_source=women_fb\">artigo no <em>Huffington Post<\/em> <\/a>sobre o livro escrito por uma norte-americana conservadora travestida de mulher &#8220;feminista&#8221;, Mona Charen, intitulado <em>Sex Matters:\u00a0How Modern Feminism Lost Touch with Science, Love, and Common Sense<\/em> (em tradu\u00e7\u00e3o livre, <em>Sexo Importa: Como o Feminismo Moderno Perdeu a M\u00e3o com a Ci\u00eancia, o Amor, e o Senso Comum<\/em>), rec\u00e9m-lan\u00e7ado nos Estados Unidos. A entrevista dela para uma rede de televis\u00e3o \u00e9 uma aula de manipula\u00e7\u00e3o sobre auto proclamar-se uma mulher contempor\u00e2nea, engajada, mas n\u00e3o, p\u00e9ra! &#8220;Estamos indo longe demais e perdemos a no\u00e7\u00e3o, o senso&#8230;&#8221; bl\u00e1 bl\u00e1 bl\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na verdade, \u00e9 uma inteligente figura conservadora que, como muitas mulheres criadas e submissas ao sistema patriarcal dos brancos, (neo)pentecostais, racistas, homof\u00f3bicos e mis\u00f3ginos, deseja ardentemente a regress\u00e3o social e pol\u00edtica \u00e0 Era Vitoriana (referente \u00e0 rainha Vit\u00f3ria, do Reino Unido), no s\u00e9culo 19. Em suma, quando apesar de certo grau de moderniza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e na din\u00e2mica econ\u00f4mica, a \u00e9poca foi marcada por r\u00edgidos <a title=\"Costume\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Costume\">costumes<\/a>, <a class=\"mw-redirect\" title=\"Moralismo\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Moralismo\">moralismo<\/a> social, proibi\u00e7\u00f5es machistas comportamentais e sexuais, <a title=\"Fundamentalismo religioso\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fundamentalismo_religioso\">fundamentalismo religioso<\/a> e <a title=\"Explora\u00e7\u00e3o (socioeconomia)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Explora%C3%A7%C3%A3o_%28socioeconomia%29\">explora\u00e7\u00e3o capitalista<\/a>. Ou seja, ela repete em seu livro e nos repert\u00f3rios, sucintamente, os mesmos discursos e projetos que hoje vemos em parlamentares, religiosos, e atores midi\u00e1ticos brasileiros fundamentalistas das bancadas da B\u00edblia, da Bala (Seguran\u00e7a) e do Boi (ruralistas). O pior dos mundos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Concordar com que tais discursos, a\u00e7\u00f5es, projetos ou programas continuem a dominar nossas sociedades, de forma crescente e sem cr\u00edtica consistente, ser\u00e1 caminharmos para algo como um matadouro, ou uma pris\u00e3o, sem nenhum freio. Fa\u00e7o coro \u00e0 an\u00e1lise do livro e do discurso de Charen feita por Noah Michelson, diretor editorial do <em>Huffpost Personal<\/em>, no citado artigo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;padding-left: 90px\">\u201cPrecisamos invocar pensamentos t\u00f3xicos como os de Charen sempre que nos deparamos com eles \u2013 em nossas TVs, em nossos smartphones, em nossas livrarias, em nossas igrejas ou quando ouvimos tais coisas na boca de familiares, amigos, vizinhos ou colegas de trabalho. N\u00e3o faz\u00ea-lo permite que criem ra\u00edzes, cres\u00e7am e eventualmente flores\u00e7am. O que pode parecer impens\u00e1vel um dia \u2013 como o aborto se tornar ilegal na Am\u00e9rica \u2013 pode acontecer rapidamente no dia seguinte, se \u201cpessoas boas\u201d se sentarem \u00e0 toa, relaxarem, e permitirem que seu sil\u00eancio co-assine ideias perigosas, que logo se tornam leis perigosas, e t\u00eam consequ\u00eancias perigosas. As mulheres ainda n\u00e3o s\u00e3o tratadas totalmente iguais neste pa\u00eds. As mulheres ainda n\u00e3o est\u00e3o totalmente liberadas neste pa\u00eds. As mulheres ainda n\u00e3o est\u00e3o, em grande parte, seguras neste pa\u00eds. E n\u00e3o \u00e9 porque eles passaram d\u00e9cadas lutando por seus direitos ou porque se recusam a ser modestas ou a se contorcer em uma ideia desatualizada de como deve ser um casamento ou uma fam\u00edlia. Em \u00faltima an\u00e1lise, n\u00e3o \u00e9 o feminismo que nos falhou \u2013 somos n\u00f3s que falhamos com o feminismo. Mas, ainda n\u00e3o acabou. Podemos n\u00e3o ser capazes de convencer pessoas como Charen a se unirem \u00e0 nossa luta, mas, no m\u00ednimo, cabe a n\u00f3s garantir que n\u00e3o deixemos que elas nos levem, num sonambulismo, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Rep\u00fablica de Gilead.\u201d <em>There\u2019s A Chilling New Call For Women To Reject Feminism. We Must Fight It At All Costs,\u00a0<\/em>publicado em 28\/06\/2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Cabe a n\u00f3s, hoje, agora, botarmos a boca no trombone. Temos que refutar cada viol\u00eancia e invas\u00e3o, moral ou f\u00edsica, e refletir sobre cada pedacinho de nossas vidas. Os e as <em>haters<\/em> (pessoas cheias de \u00f3dio e preconceitos) est\u00e3o fazendo de tudo para que o <em>Conto da Aia<\/em> torne-se Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_348\" aria-describedby=\"caption-attachment-348\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-348 size-large\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/06\/offred-and-olglen-study-the-dead-in-the-handmaids-tale-1024x494.png\" alt=\"As Aias observam os mortos. 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