{"id":367,"date":"2018-08-07T23:45:56","date_gmt":"2018-08-08T02:45:56","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/?p=367"},"modified":"2018-08-08T17:13:31","modified_gmt":"2018-08-08T20:13:31","slug":"parem-de-matar-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/parem-de-matar-as-mulheres\/","title":{"rendered":"Parem de Matar as Mulheres"},"content":{"rendered":"<h2>O Brasil do S\u00e9culo 21 \u00e9 Machopata<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Somente nestas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, o machismo doentio no Brasil, perpassado e perpetuado por todas as suas gera\u00e7\u00f5es, assassinou um total de mulheres equivalente ao dobro do n\u00famero de soldados norte-americanos mortos em toda a Guerra do Vietn\u00e3. A viol\u00eancia mis\u00f3gina, de quem n\u00e3o ama nem gosta das mulheres, resultado de uma sociedade patriarcal conservadora, causou a morte de mais de 106 mil mulheres brasileiras, entre 1980 e 2013. Se calculado o aumento dos registros nesta d\u00e9cada, com quase cinco mil casos anuais, os n\u00fameros batem mais de 132 mil feminic\u00eddios, no pa\u00eds, em menos de 40 anos. Sem contar os casos n\u00e3o inseridos nas estat\u00edsticas como crimes de \u00f3dio de g\u00eanero, porque parte da na\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 capaz de culpar as v\u00edtimas pelas atrocidades cometidas pelos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste 7 de Agosto, a <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Lei_Maria_da_Penha\"><strong>Lei Maria da Penha<\/strong><\/a> completa 12 anos. Apesar dessa lei, considerada pelas organiza\u00e7\u00f5es internacionais e pela ONU entre as melhores do mundo para o combate \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres e meninas, os dados brasileiros s\u00e3o desanimadores. Os registros das m\u00faltiplas viol\u00eancias contra as mulheres crescem exponencialmente, ao longo desses anos, tamb\u00e9m devido ao maior acesso aos meios de den\u00fancias, como o servi\u00e7o <strong>Ligue 180<\/strong>, mas principalmente desde a cria\u00e7\u00e3o e regulamenta\u00e7\u00e3o de leis e das primeiras delegacias especiais de atendimento \u00e0 mulher (Deam), em meados dos anos 1980.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-370\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/Agosto-Lilas.jpg\" alt=\"Agosto Lilas\" width=\"510\" height=\"564\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/Agosto-Lilas.jpg 868w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/Agosto-Lilas-271x300.jpg 271w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/Agosto-Lilas-768x849.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/Agosto-Lilas-550x608.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/Agosto-Lilas-230x254.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 510px) 100vw, 510px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Mapa da Viol\u00eancia de 2015 mostra que, entre 1980 e 2013, 106.093 mulheres morreram por sua condi\u00e7\u00e3o de ser mulher. As negras s\u00e3o as maiores v\u00edtimas: na d\u00e9cada entre 2003 e 2013, houve aumento de 54% no registro de mortes. Na maioria, s\u00e3o os pr\u00f3prios familiares (50,3%) ou parceiros\/ex-parceiros (33,2%) os que cometem os assassinatos. Dado alarmante que reflete a realidade do Brasil, pa\u00eds com a quinta maior taxa de feminic\u00eddio do mundo. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o n\u00famero de assassinatos chega a 4,8 para cada grupo de 100 mil mulheres brasileiras. S\u00e3o entre 12 e 13 mulheres assassinadas por dia, sendo uma a cada 1h45 min.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em todo o pa\u00eds, o <strong>Ligue 180 <\/strong>(Central de Atendimento \u00e0 Mulher) recebe um relato de viol\u00eancia contra as mulheres a cada 3 minutos e 50 segundos. Nos primeiros sete meses deste 2018, j\u00e1 foram enviadas quase 80 mil queixas de v\u00e1rias formas de agress\u00f5es do machismo mis\u00f3gino brasileiro. A Central de Atendimento \u00e0 Mulher em Situa\u00e7\u00e3o de Viol\u00eancia recebe den\u00fancias com relatos de abuso sexual, feminic\u00eddio, c\u00e1rcere privado e outros tipos de viol\u00eancia, como:<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Crimes<\/td>\n<td>N\u00ba de casos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Viol\u00eancia f\u00edsica<\/td>\n<td>37.396<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Viol\u00eancia psicol\u00f3gica<\/td>\n<td>26.527<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Viol\u00eancia sexual<\/td>\n<td>6.471<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Viol\u00eancia moral<\/td>\n<td>3.710<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>C\u00e1rcere privado<\/td>\n<td>2.828<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Viol\u00eancia patrimonial<\/td>\n<td>1.580<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Homic\u00eddio<\/td>\n<td>994<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Tr\u00e1fico de pessoas<\/td>\n<td>109<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Viol\u00eancia obst\u00e9trica<\/td>\n<td>43<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Esporte\u00a0 ass\u00e9dio<\/td>\n<td>3<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><em>Fonte: Central de Atendimento \u00e0 Mulher (2018)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Apenas no Distrito Federal, ocorreram tr\u00eas feminic\u00eddios brutais em menos de 48 horas. Um deles, nesta manh\u00e3, o policial militar Epaminondas Silva Santos, de 51 anos, assassinou a tiros a mulher Adriana Castro Rosa Santos, de 40 anos, m\u00e3e de duas crian\u00e7as de 7 e 11 anos. Nos outros dois crimes, um <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/df\/distrito-federal\/noticia\/2018\/08\/07\/morador-da-asa-sul-e-preso-por-suspeita-de-matar-mulher-jogando-do-3o-andar.ghtml\">morador da Asa Sul foi preso por suspeita de ter jogado a mulher da janela<\/a> do apartamento, na segunda-feira. No domingo, um <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/df\/distrito-federal\/noticia\/2018\/08\/06\/taxista-mata-mulher-a-tiros-dentro-de-casa-no-df-e-foge-com-carro.ghtml\">taxista matou a mulher na garagem de casa<\/a>, no Recanto das Emas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-371 alignleft\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/Meia-Hora-177x300.jpg\" alt=\"Meia Hora\" width=\"232\" height=\"393\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/Meia-Hora-177x300.jpg 177w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/Meia-Hora-550x931.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/Meia-Hora-230x389.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/Meia-Hora.jpg 567w\" sizes=\"auto, (max-width: 232px) 100vw, 232px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em outros estados, houve registros de casos absolutamente estarrecedores. O que mais circulou nas redes sociais e na imprensa foi a brutal sess\u00e3o de espancamento e consequente feminic\u00eddio contra a advogada Tatiane Spitzner, em Guarapuava, no Paran\u00e1, perpetrados pelo marido, o bi\u00f3logo Lu\u00eds Felipe Mainvailer. <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pr\/campos-gerais-sul\/noticia\/2018\/08\/03\/imagens-mostram-agressoes-de-marido-a-advogada-que-morreu-depois-de-cair-do-4o-andar.ghtml\">As c\u00e2meras de seguran\u00e7a do pr\u00e9dio onde ela morava registraram a maior parte das agress\u00f5es<\/a>. \u00c9 de dar n\u00e1useas e uma ang\u00fastia horr\u00edvel assistir. \u00c9 desumano e de \u00f3dio que beira mesmo a psicopatia.<\/p>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \">\n<p class=\"content-text__container \" style=\"text-align: justify\">As imagens de c\u00e2meras de seguran\u00e7a mostram que <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pr\/campos-gerais-sul\/noticia\/2018\/08\/03\/imagens-mostram-agressoes-de-marido-a-advogada-que-morreu-depois-de-cair-do-4o-andar.ghtml\">Lu\u00eds Felipe agrediu Tatiane por mais de 20 minutos<\/a> antes da morte dela e que a impediu de sair do local. Ele foi preso tentando fugir para o Paraguai. A per\u00edcia feita no local da morte constatou que <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pr\/campos-gerais-sul\/noticia\/2018\/08\/06\/laudo-da-pericia-constata-que-advogada-que-caiu-do-4o-andar-em-guarapuava-teve-fratura-no-pescoco.ghtml\">Tatiane teve uma fratura no pesco\u00e7o<\/a>, caracter\u00edstica de quem sofreu asfixiamento.<\/p>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles active-capital-letter\">\n<p style=\"text-align: justify\">A jovem Andrea Ara\u00fajo, de 28 anos, gr\u00e1vida de tr\u00eas meses, foi encontrada morta no domingo, em uma pequena cidade de Santa Catarina. Ela estava enrolada em um cobertor dentro do carro do marido, Marcelo Kroin, de 39 anos. Ele confessou o crime \u00e0 Pol\u00edcia Militar e foi preso. Kroin tem passagens criminais por viol\u00eancia dom\u00e9stica e agress\u00e3o. Segundo a fam\u00edlia de Andrea, o casal morava junto h\u00e1 tr\u00eas anos e ela estava gr\u00e1vida, no terceiro m\u00eas, do companheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o n\u00fameros e casos estarrecedores, que v\u00eam crescendo, ao inv\u00e9s de diminu\u00edrem, o que seria a l\u00f3gica, ap\u00f3s a lei n\u00ba 11.340. O nome popular da Lei \u00e9 refer\u00eancia ao caso emblem\u00e1tico da farmac\u00eautica Maria da Penha Fernandes, que ficou parapl\u00e9gica, tendo sobrevivido aos tiros e \u00e0s agress\u00f5es do marido, nos anos 1980. Sua hist\u00f3ria foi contada no filme <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/caderno-g\/cinema\/historia-de-maria-da-penha-inspira-o-filme-vidas-partidas-0rsr07x9bsdcti426hp27umhv\">Vidas Partidas (2016)<\/a>, produzido e protagonizado pela atriz Naura Schneider, e Domingos Montagner interpreta o marido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde 2012, registro aqui no <strong>Blog da Igualdade<\/strong> (em sua primeira vers\u00e3o, reformulada em 2017) a viol\u00eancia machista, com altas doses de misoginia, e os absurdos \u00edndices de assassinatos, estupros, espancamentos, e demais formas de agress\u00f5es morais e psicol\u00f3gicas, contra as mulheres. O Brasil figura h\u00e1 anos entre o 4\u00ba e o 5\u00ba lugar em feminic\u00eddios no mundo. \u00c9 tamb\u00e9m o pa\u00eds &#8220;campe\u00e3o&#8221; em estupros e outros abusos f\u00edsicos, principalmente, contra jovens mulheres e meninas. O machismo daqui tamb\u00e9m carrega a anomalia ped\u00f3fila.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 machopatia. N\u00e3o h\u00e1 outra forma de definir. \u00c9 mesmo uma mistura de absurdo machismo, fruto de gera\u00e7\u00f5es de cultura patriarcal escravocrata, racista e machista, com outras doen\u00e7as psicol\u00f3gicas ou psiqui\u00e1tricas. Psicopatas machistas e mis\u00f3ginos. Quando uma pessoa normal, sadia, v\u00ea as cenas dos v\u00eddeos gravados com o assassinato de Tatiane Spitzner, \u00e9 dif\u00edcil mesmo n\u00e3o desmoronar, pois sabemos que n\u00e3o \u00e9 um filme de fic\u00e7\u00e3o e que ela vai morrer no final. E que morre de forma b\u00e1rbara, jogada do 4\u00ba andar, ap\u00f3s ser arrastada, estapeada, espancada repetidamente. N\u00e3o d\u00e1 para acreditar que um ser humano possa ser t\u00e3o violento. Isso n\u00e3o \u00e9 normal. N\u00e3o \u00e9 normal. N\u00e3o naturalizem a viol\u00eancia. Parem de naturalizar a viol\u00eancia, em qualquer de suas formas, contra as mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-379 size-full\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/Meta-a-Colher-e1533759134869.jpg\" alt=\"Meta a Colher\" width=\"450\" height=\"553\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A velha desculpa de &#8220;n\u00e3o se meter em briga de marido e mulher&#8230; ningu\u00e9m mete a colher&#8221; \u00e9 tamb\u00e9m machopatia. \u00c9 \u00f3dio \u00e0s mulheres. Pois interviriam caso ouvissem gritos de socorro de um homem, n\u00e3o? N\u00e3o h\u00e1 interven\u00e7\u00e3o porque sabem que quem est\u00e1 sendo v\u00edtima \u00e9 a mulher. Deixam que as matem. Que apanhem, como &#8220;corretivo&#8221;. A advogada Tatiane apanhou, foi espancada, arrastada pela garagem, pelo estacionamento, pelo elevador, pelos corredores, tudo sendo filmado, com gente vendo e ouvindo os gritos, por 20 minutos! Ningu\u00e9m fez nada. S\u00e3o c\u00famplices de assassinato. N\u00e3o s\u00e3o apenas testemunhas. Tamb\u00e9m participaram da atrocidade.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<p>Quando a pol\u00edcia foi chamada, j\u00e1 era tarde. <a href=\"https:\/\/universa.uol.com.br\/noticias\/bbc\/2018\/08\/06\/intervir-em-briga-de-casal-pode-salvar-vida-diz-juiza.htm\">Mat\u00e9ria que saiu na <em>BBC News Brasil<\/em><\/a> ouviu a ju\u00edza Teresa Cristina Cabral Santana, integrante da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situa\u00e7\u00e3o de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar, do Poder Judici\u00e1rio de S\u00e3o Paulo, para saber qual \u00e9 o papel de vizinhos e do condom\u00ednio em casos desse tipo. Ela diz que \u00e9 comum que n\u00e3o haja qualquer interven\u00e7\u00e3o, mas que, quando h\u00e1, ela d\u00e1 resultados. \u201cInterven\u00e7\u00e3o pode salvar uma vida\u201d, afirma a ju\u00edza.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-372 alignright\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/Basta-251x300.jpg\" alt=\"Basta!\" width=\"251\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/Basta-251x300.jpg 251w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/Basta-230x275.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/Basta.jpg 351w\" sizes=\"auto, (max-width: 251px) 100vw, 251px\" \/><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<p>A sociedade brasileira, t\u00e3o apegada \u00e0s suas piores, mais nefastas, tradi\u00e7\u00f5es socioculturais e religiosas, aprendeu e passou adiante, desde sua coloniza\u00e7\u00e3o, a convic\u00e7\u00e3o de que as mulheres s\u00e3o posse e propriedade. Assim como os animais, podem \u201caprender\u201d no la\u00e7o, no cabresto ou nos troncos de a\u00e7oite, relho ou chicote. Palavras que hoje voltam \u00e0 \u201cmoda\u201d, com os e as ruralistas e afins que assim afirmam dever ser tratadas\/os os \u201cservi\u00e7ais\u201d. Assim foi feito com as mulheres ind\u00edgenas, estupradas, vilipendiadas, usadas como m\u00e3o de obra escrava. Assim foi feito com as mulheres negras, traficadas das na\u00e7\u00f5es africanas para estas terras latino-americanas, tornadas escravas laborais e sexuais.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim, ensina-se por gera\u00e7\u00f5es a toda a gente, homens e mulheres, suposto pouco ou nenhum valor delas, do que seria uma &#8220;natureza fraca, servil e submissa do g\u00eanero feminino&#8221;. Seres que seriam apenas for\u00e7a de trabalho de segunda classe (nos \u00e2mbitos p\u00fablico e privado) e \u00fatero reprodutor de m\u00e3o de obra barata ou escrava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Brasil \u00e9 fruto da cultura do estupro, da explora\u00e7\u00e3o sexual e laboral das mulheres. Principalmente, das mulheres negras e das ind\u00edgenas. As dos povos origin\u00e1rios. As brancas tiveram a vida laboral (dom\u00e9stica) um pouco amenizada pela (semi) escravid\u00e3o das outras ra\u00e7as\/etnias, mas sempre sofreram as viol\u00eancias m\u00faltiplas dos homens que as cercam. Viol\u00eancias que englobam tamb\u00e9m as desigualdades salariais, o desequil\u00edbrio nas oportunidades de emprego, de educa\u00e7\u00e3o, ou mesmo a apropria\u00e7\u00e3o de ideias e realiza\u00e7\u00f5es delas pelos homens. Isso ocorre em todas as \u00e1reas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O pior de todas as representa\u00e7\u00f5es e estereotipias femininas que sobrevivem nesta sociedade \u00e9 mesmo o fato de que as mulheres foram estimuladas \u00e0 autodeprecia\u00e7\u00e3o. Aprenderam a se culpar e a depreciar suas pares. E a competir e a menosprezar os la\u00e7os entre elas. Isso \u00e9 algo que j\u00e1 h\u00e1 algumas d\u00e9cadas, mundo afora, tem sido mudado a duras batalhas pelos movimentos feministas, pelos coletivos ou ONGs das mulheres, e pelos centros de pesquisa e estudos interdisciplinares sobre e pelas mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando ainda hoje escutamos algumas delas negarem os feminismos, ao dizer que n\u00e3o precisam ser feministas, que isso e aquilo n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, n\u00e3o d\u00e1 pra deixar de revirar os olhos e o est\u00f4mago. Criaturas: em todo o mundo, nas \u00faltimas tr\u00eas, quatro ou cinco d\u00e9cadas, foram os movimentos feministas que garantiram \u00e0s mulheres o direito a ingressarem nas escolas e nas universidades, nos mercados de trabalho, ou nos concursos p\u00fablicos. Garantiram as promo\u00e7\u00f5es e as oportunidades em profiss\u00f5es competitivas e tradicionalmente &#8220;masculinas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Foram (e s\u00e3o) as feministas que conseguiram e conseguem tantas e tantas leis aprovadas pelos seus direitos pol\u00edticos e civis &#8211; ao voto, a concorrer em elei\u00e7\u00f5es para cargos p\u00fablicos, a <em>participar de atos p\u00fablicos<\/em>. Sem contar a vida cotidiana, mais b\u00e1sica, como o direito de dirigir autom\u00f3veis, de viajar, de sair do pa\u00eds &#8211; o elementar direito constitucional \u00e0 liberdade de ir e vir, sem ter que pedir autoriza\u00e7\u00e3o ao marido, ao pai, ou a qualquer macho &#8220;respons\u00e1vel&#8221; pela mulher. No Brasil do s\u00e9culo 20, acreditem, as mulheres ainda tinham que ter autoriza\u00e7\u00e3o para isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">At\u00e9 a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 e al\u00e9m, com leis regulamentadas ap\u00f3s 1990, ainda havia direitos absurdos outorgados aos maridos e outros homens da fam\u00edlia, como o de poder internar as mulheres em sanat\u00f3rios\/hosp\u00edcios, caso houvesse suspeita de &#8220;histeria&#8221; ou &#8220;anormalidades&#8221; comportamentais. At\u00e9 fins do s\u00e9culo passado, os homens sofriam pouca ou nenhuma puni\u00e7\u00e3o por seus crimes contra as mulheres, que eram internadas ou mortas por qualquer coisa. Por engravidarem fora do casamento, por supostas trai\u00e7\u00f5es ao marido, por serem &#8220;inadaptadas&#8221;. Ou seja, porque pensam que elas s\u00e3o propriedades ou posses. Que n\u00e3o t\u00eam livre-arb\u00edtrio. Que n\u00e3o podem escolher suas vidas, seus rumos, seu destino. Hoje, como vemos, a sociedade segue com seu \u00f3dio mis\u00f3gino, mas h\u00e1 leis. Todas batalhadas pelas feministas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As mulheres feministas s\u00e3o tudo. S\u00e3o todas n\u00f3s. S\u00e3o a for\u00e7a e a esperan\u00e7a para um futuro melhor, principalmente, em uma na\u00e7\u00e3o como esta, que ainda flerta com a era vitoriana, do s\u00e9culo 19, t\u00e3o ruim ou pior que a Idade M\u00e9dia nas quest\u00f5es de g\u00eanero, de classe e de ra\u00e7a\/etnia. Basta. N\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-373\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/1530668232_mapadoacolhipng_marca.png\" alt=\"1530668232_mapadoacolhipng_marca\" width=\"233\" height=\"182\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/1530668232_mapadoacolhipng_marca.png 233w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2018\/08\/1530668232_mapadoacolhipng_marca-230x180.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 233px) 100vw, 233px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">PS: <a href=\"https:\/\/www.mapadoacolhimento.org\/\">Veja aqui o Mapa do Acolhimento<\/a>, &#8220;Nenhuma Mulher Deve Sofrer Sozinha&#8221;, uma plataforma que conecta mulheres que sofrem viol\u00eancia a uma rede de terapeutas e advogadas dispostas a ajud\u00e1-las de forma volunt\u00e1ria. 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