{"id":409,"date":"2019-05-12T00:00:10","date_gmt":"2019-05-12T03:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/?p=409"},"modified":"2019-05-12T00:00:10","modified_gmt":"2019-05-12T03:00:10","slug":"celebremos-as-maes-solo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/celebremos-as-maes-solo\/","title":{"rendered":"Celebremos as M\u00e3es Solo!"},"content":{"rendered":"<h2>Neste domingo e sempre<\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-410\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2019\/05\/ama\u0303esolo-300x174.jpg\" alt=\"\" width=\"530\" height=\"307\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2019\/05\/ama\u0303esolo-300x174.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2019\/05\/ama\u0303esolo-550x319.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2019\/05\/ama\u0303esolo-230x133.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2019\/05\/ama\u0303esolo.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 530px) 100vw, 530px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste Dia especial, dedicado com carinho, amor e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s M\u00e3es, o <strong>Blog da Igualdade<\/strong> publica artigo da soci\u00f3loga <strong>Ana Li\u00e9si Thurler*<\/strong>, m\u00e3e solo, doutora e pesquisadora da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), autora do livro <strong>Em Nome da M\u00e3e<\/strong><em>\u00a0&#8211; o n\u00e3o reconhecimento paterno no Brasil<\/em> (Editora Mulheres, 2010). Atualmente, ela repensa essa pesquisa, e tem projeto para outro livro sobre o tema <em>m\u00e3es solo<\/em> e as demandas pela universaliza\u00e7\u00e3o dos Direitos Reprodutivos, redistribui\u00e7\u00e3o de poder entre mulheres-m\u00e3es e homens-pais, e pol\u00edticas p\u00fablicas para aumentar a efic\u00e1cia do Estado, suprir a car\u00eancia de creches, e debater preconceitos de toda ordem na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), de 2017, mais de 57 milh\u00f5es de lares brasileiros s\u00e3o chefiados por mulheres, o que significa algo em torno de 40%\u00a0das fam\u00edlias do pa\u00eds. Desse total, aproximadamente 57% das fam\u00edlias chefiadas por mulheres com filhos\/as vivem abaixo da linha da pobreza. Entre as mulheres negras, a propor\u00e7\u00e3o sobe para 64,4%.<\/p>\n<p>Hoje, 26,5% de brasileiras e brasileiros s\u00e3o considerados pobres, segundo a S\u00edntese de Indicadores Sociais (SIS-IBGE), que segue o par\u00e2metro adotado pelo Banco Mundial para definir a pobreza: fam\u00edlias que vivem com at\u00e9 US$ 5,5 (R$ 25) por dia, por pessoa no domic\u00edlio. Dentro desse grupo de brasileiros\/as, h\u00e1 um outro: o das mulheres que sustentam sozinhas a casa com filhos\/as de at\u00e9 14 anos. Segundo o levantamento do IBGE, 56,9% dessas mulheres est\u00e3o abaixo da linha da pobreza. E se a ra\u00e7a for levada em conta, o cen\u00e1rio piora: 64,4% das m\u00e3es negras vivem nessas condi\u00e7\u00f5es de (extrema) pobreza.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center\"><strong>Neste maio, celebremos as m\u00e3es solo<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ana Li\u00e9si Thurler*<\/strong><\/p>\n<p><em>M\u00e3es solo<\/em> traduzem modos de vida contempor\u00e2neos que mulheres \u2014 sendo m\u00e3es \u2014 podem ter. \u00c9 importante e necess\u00e1rio dar visibilidade \u00e0s m\u00e3es solo que dedicam cuidados a uma crian\u00e7a, seja filha ou filho biol\u00f3gico, seja filha ou filho adotivo. A express\u00e3o \u201cm\u00e3e solteira\u201d \u2014 at\u00e9 recentemente consagrada \u2014 associa a maternidade a um estado civil, sugere falta, car\u00eancia, n\u00e3o acolhendo a pluralidade de situa\u00e7\u00f5es que, atualmente, podem envolver a maternidade.<\/p>\n<p>Definitivamente, a maternidade n\u00e3o \u00e9 um estado civil. Essa vincula\u00e7\u00e3o interessa ao patriarcado, que pretende legitimar nascimentos havidos estritamente no interior do casamento, o que fere frontalmente nossa Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Nela, foi banida toda adjetiva\u00e7\u00e3o para filhos e filhas. At\u00e9 ent\u00e3o, falava-se em \u201cfilho ou filha leg\u00edtimo\/a\u201d, \u201cfilho\/a ileg\u00edtimo\/a\u201d&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 uma modalidade de experi\u00eancia de maternidade solo, fundada no exerc\u00edcio da liberdade. Isto \u00e9, a mulher escolhe viver essa experi\u00eancia. Pode se dar com a ado\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a; ou gerando filhos por insemina\u00e7\u00e3o artificial, sem parceiro ou parceira; ou, ainda, quando em um relacionamento ocorre a gravidez e o parceiro n\u00e3o manifesta disposi\u00e7\u00e3o de assumir a crian\u00e7a, mas a m\u00e3e opta por levar adiante a gravidez e ter a crian\u00e7a como m\u00e3e solo.<\/p>\n<p>H\u00e1 outra possibilidade em que, ao contr\u00e1rio, a condi\u00e7\u00e3o de <em>m\u00e3e solo<\/em> n\u00e3o resulta de uma escolha, n\u00e3o \u00e9 fundada na liberdade. S\u00e3o os casos mais comuns na sociedade patriarcal brasileira. Os de mulheres cujos companheiros, ao terem not\u00edcia da gravidez ou ap\u00f3s o nascimento da crian\u00e7a, abandonam ambos a mulher e o beb\u00ea. Essas m\u00e3es tornam-se s\u00f3s na cria\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Hoje h\u00e1 uma pluralidade de fam\u00edlias completas e incr\u00edveis: duas m\u00e3es, dois pais, m\u00e3e ou pai solo. Pai e m\u00e3e constituem somente uma das possibilidades. Quanto ao estado civil, m\u00e3e solo pode ser divorciada, casada ou solteira. O pai saiu de cena, deixou de participar por iniciativa pr\u00f3pria ou por circunst\u00e2ncias, como \u00e9 o caso da popula\u00e7\u00e3o encarcerada masculina.<\/p>\n<p>Segundo o IBGE, m\u00e3es s\u00e3o chefes de fam\u00edlia em mais de 40% dos lares brasileiros, significando em torno de 60 milh\u00f5es de domic\u00edlios. Entre essas, 57% vivem abaixo da linha da pobreza. Com o recorte racial, as desigualdades se agravam. Entre as m\u00e3es negras, 65% dos lares vivem abaixo da linha da pobreza. Lembremos que n\u00facleos constitu\u00eddos por um homem sem c\u00f4njuge, com filho\/a, representa apenas 3,6% de nossas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>As m\u00e3es solo s\u00e3o guerreiras. Elas nutrem, amam, cuidam, maternam, educam, protegem. N\u00e3o contam com o apoio do pai que, muitas vezes, esquiva-se mesmo do reconhecimento legal, formal do filho, na certid\u00e3o de nascimento. E a m\u00e3e solo se torna a respons\u00e1vel financeira pela crian\u00e7a.<\/p>\n<p>M\u00e3es solo encaram preconceitos, enfrentam discrimina\u00e7\u00f5es para encontrar trabalho. S\u00e3o milh\u00f5es de m\u00e3es solo no Brasil. Guerreiras, poderosas, lutam para criar brasileirinhas e brasileirinhos face \u00e0 aus\u00eancia do Estado, a raridade de creches, os preconceitos de toda ordem, em uma sociedade sexista, patriarcal, que agrava suas condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade.<\/p>\n<p>Celebremos essas hero\u00ednas! Cultivemos a empatia, desencorajemos discrimina\u00e7\u00f5es. Salve nossas m\u00e3es solo! Elas t\u00eam o maior merecimento e n\u00f3s temos o direito a crescer e a reeducar-nos permanentemente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-413 alignleft\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2019\/05\/Em-nome-da-mae-livro-208x300.jpg\" alt=\"\" width=\"208\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2019\/05\/Em-nome-da-mae-livro-208x300.jpg 208w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2019\/05\/Em-nome-da-mae-livro-230x331.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2019\/05\/Em-nome-da-mae-livro.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 208px) 100vw, 208px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-412 alignright\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2019\/05\/Capa-completa-Em-nome-da-Mae-1-300x118.jpg\" alt=\"\" width=\"442\" height=\"174\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2019\/05\/Capa-completa-Em-nome-da-Mae-1-300x118.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2019\/05\/Capa-completa-Em-nome-da-Mae-1-768x302.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2019\/05\/Capa-completa-Em-nome-da-Mae-1-1024x403.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2019\/05\/Capa-completa-Em-nome-da-Mae-1-1440x566.jpg 1440w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2019\/05\/Capa-completa-Em-nome-da-Mae-1-550x216.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2019\/05\/Capa-completa-Em-nome-da-Mae-1-230x90.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/igualdade\/wp-content\/uploads\/sites\/35\/2019\/05\/Capa-completa-Em-nome-da-Mae-1.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 442px) 100vw, 442px\" \/><\/p>\n<p>_________________<\/p>\n<p>* Doutora em Sociologia, pesquisadora da UnB, feminista, m\u00e3e solo, autora de <strong><em>Em nome da m\u00e3e<\/em><\/strong> &#8211; <em>O n\u00e3o reconhecimento paterno no Brasil<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste domingo e sempre &nbsp; Neste Dia especial, dedicado com carinho, amor e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s M\u00e3es, o Blog da Igualdade publica artigo da soci\u00f3loga Ana Li\u00e9si Thurler*, m\u00e3e solo, doutora e pesquisadora da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), autora do livro Em Nome da M\u00e3e\u00a0&#8211; o n\u00e3o reconhecimento paterno no Brasil (Editora Mulheres, 2010). 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