{"id":242,"date":"2023-06-10T14:32:11","date_gmt":"2023-06-10T17:32:11","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/jusbraziliense\/?p=242"},"modified":"2023-06-11T12:24:06","modified_gmt":"2023-06-11T15:24:06","slug":"como-apresentar-os-dispositivos-legais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/jusbraziliense\/2023\/06\/10\/como-apresentar-os-dispositivos-legais\/","title":{"rendered":"Como apresentar os dispositivos legais"},"content":{"rendered":"<h3>Por <a href=\"https:\/\/instagram.com\/professor_wandersonmelo?igshid=MzRlODBiNWFlZA==\">Wanderson Melo<\/a><\/h3>\n<h1>No texto jur\u00eddico, \u00e9 fundamental saber grafar, corretamente, os itens de atos normativos<\/h1>\n<h2>Quem elabora texto jur\u00eddico j\u00e1 se deparou com a d\u00favida de usar ou n\u00e3o a v\u00edrgula entre o algarismo e o ato normativo: <em>art. 319, do CPC <\/em>ou <em>art. 319 do CPC<\/em>? Ainda, h\u00e1 a d\u00favida quanto \u00e0 reda\u00e7\u00e3o de <em>par\u00e1grafo \u00fanico<\/em> ou quanto \u00e0 forma de apresentar os par\u00e1grafos e os incisos.<\/h2>\n<p>Primeiramente, \u00e9 importante saber que a Lei Complementar n. 95, de 1998, e o Decreto n. 9.191, de 2017, s\u00e3o as normas que tratam de elabora\u00e7\u00e3o de leis. S\u00e3o elas que nos guiam quando o assunto \u00e9 grafia de legisla\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m vale sempre a pena consultar o Manual de Reda\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara dos Deputados e o do Senado Federal.<\/p>\n<p>Para citar um ato normativo, \u00e9 preciso indicar o n\u00famero dele. Nesse sentido, deve-se usar a forma abreviada da palavra <em>n\u00famero<\/em>, que pode ser (todas corretas e respaldas por manuais): <em>n.<\/em>, <em>n\u00ba <\/em>ou <em>n.\u00ba<\/em>. A maneira como apresentei as op\u00e7\u00f5es indica a ordem de antiguidade delas (da mais recente para a mais antiga; a \u00faltima forma \u00e9 bem mais frequente em Portugal). Em meus textos, prefiro a primeira forma (<em>n.<\/em>); \u00e9 mais f\u00e1cil de ser escrita e polui menos o texto: <em>a Lei n. 8.112, de 1990<\/em>; <em>a Resolu\u00e7\u00e3o CNJ n. 376, de 2021<\/em>.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao ano da norma, pelo princ\u00edpio de clareza e considerando que, depois de 2000, se adotados apenas 2 d\u00edgitos, pode ocorrer confus\u00e3o no entendimento do ano, \u00e9 prefer\u00edvel que se citem os 4 d\u00edgitos: <em>Lei n. 14.133, de 2021<\/em>. No que se refere \u00e0 grafia do ato normativo, no contexto jur\u00eddico, consagrou-se a inicial mai\u00fascula no substantivo especificado: <em>a Portaria TSE n. 123, de 2021<\/em>; <em>a Lei n. 4.787\/1965<\/em>. Quando o substantivo est\u00e1 empregado em sentido gen\u00e9rico, usa-se inicial min\u00fascula: <em>a lei foi violada<\/em>.<\/p>\n<p>Quando for tratar de um artigo da norma, usa-se a forma abreviada da palavra, sempre que ela estiver acompanhada de algarismo. Assim, deve-se escrever: <em>art. 312 do CPP <\/em>(e n\u00e3o <em>artigo 312 do CPP<\/em>). Al\u00e9m disso, pelo exemplo, fica evidente que n\u00e3o se usa v\u00edrgula entre os termos. Esse sinal de pontua\u00e7\u00e3o ocorre quando h\u00e1 intercala\u00e7\u00e3o de al\u00ednea, de inciso ou de par\u00e1grafo: <em>art. 312, \u00a7 1\u00ba, do CPP<\/em>; <em>art. 105, II, <\/em>a<em>, da CF<\/em>. Se ocorresse a constru\u00e7\u00e3o na ordem direta (do menor item para o maior), n\u00e3o ocorreria a v\u00edrgula: <em>a al\u00ednea <\/em>a<em> do inciso II do art. 105 da CF<\/em>. \u00c9 por esse motivo (ordem direta), pois, que n\u00e3o se usa v\u00edrgula em <em>art. 312 do CPP<\/em>.<\/p>\n<p>Artigos e par\u00e1grafos s\u00e3o registradas em numera\u00e7\u00e3o ordinal at\u00e9 o nono. A partir do dez, inclusive, usa-se algarismo cardinal. Por conseguinte, diz-se <em>art. 8\u00ba e art. 10<\/em>; <em>\u00a7 3\u00ba e \u00a7 11<\/em>. Quanto ao inciso, n\u00e3o h\u00e1 uniformidade de entendimento. Para uns autores, o fato de as normas que citei no in\u00edcio do texto nada tratarem a respeito sinaliza que o legislador preferiu a forma cardinal para os incisos (<em>inciso um<\/em>). Para outros, deve-se seguir a mesma l\u00f3gica de artigos e par\u00e1grafos. Na aus\u00eancia de defini\u00e7\u00e3o pelos autores, fica o redator livre para escolher como fazer a pron\u00fancia em rela\u00e7\u00e3o a incisos.<\/p>\n<p>Outro aspecto importante: na ordem direta as palavras <em>al\u00ednea<\/em> e <em>inciso <\/em>n\u00e3o podem ser abreviadas (<em>a al\u00ednea <\/em>b<em> do inciso XXVIII<\/em> <em>do art. 5\u00ba da CF<\/em>). Por sua vez, na ordem indireta, esses termos podem ser suprimidos (<em>art. 5\u00ba, XXVIII,<\/em> b<em>, da CF<\/em>). Ressalto que, apesar de ainda n\u00e3o haver registro em manuais, a forma <em>inc. <\/em>para indicar <em>inciso<\/em> est\u00e1 consagrada.<\/p>\n<p>Para grafar par\u00e1grafos, usa-se o s\u00edmbolo \u00a7. Dessa maneira, n\u00e3o se deve escrever <em>par\u00e1grafo 3\u00ba<\/em> \u2013 o correto \u00e9 <em>\u00a7 3\u00ba<\/em>. H\u00e1 espa\u00e7o entre s\u00edmbolo e o algarismo. Para indicar o plural, deve-se duplicar o s\u00edmbolo: <em>\u00a7\u00a7 5\u00ba e 6\u00ba<\/em>. A forma <em>par\u00e1grafo \u00fanico <\/em>n\u00e3o pode ser abreviada; sempre \u00e9 escrita por extenso.<\/p>\n<p>A al\u00ednea \u00e9 sempre grafada com letra min\u00fascula e com destaque (em regra, com it\u00e1lico, j\u00e1 que as aspas poluem mais o texto). A palavra <em>caput<\/em>, por ser latina, tamb\u00e9m recebe o it\u00e1lico.<\/p>\n<p>Fico por aqui e at\u00e9 a pr\u00f3xima!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Wanderson Melo No texto jur\u00eddico, \u00e9 fundamental saber grafar, corretamente, os itens de atos normativos Quem elabora texto jur\u00eddico j\u00e1 se deparou com a d\u00favida de usar ou n\u00e3o a v\u00edrgula entre o algarismo e o ato normativo: art. 319, do CPC ou art. 319 do CPC? 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