{"id":547,"date":"2026-06-10T19:09:59","date_gmt":"2026-06-10T22:09:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/jusbraziliense\/?p=547"},"modified":"2026-05-20T19:19:08","modified_gmt":"2026-05-20T22:19:08","slug":"regime-facil-os-cinco-riscos-juridicos-que-ninguem-comenta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/jusbraziliense\/2026\/06\/10\/regime-facil-os-cinco-riscos-juridicos-que-ninguem-comenta\/","title":{"rendered":"Regime F\u00c1CIL: os cinco riscos jur\u00eddicos que ningu\u00e9m comenta"},"content":{"rendered":"<p><strong>O regime da CVM em vigor desde mar\u00e7o de 2026 simplifica o ingresso no mercado de capitais. Por outro lado, n\u00e3o simplifica a responsabilidade jur\u00eddica subjacente. Mapeamos cinco pontos de fric\u00e7\u00e3o contenciosa.<\/strong><\/p>\n<p><em>Por <\/em><a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/daniel-de-miranda-220a56ba\/\"><em>Daniel de Miranda<\/em><\/a><\/p>\n<p>Encerramos aqui a s\u00e9rie de tr\u00eas posts sobre o Regime F\u00c1CIL da CVM. Os primeiros dois trataram de quem cabe no regime e das oportunidades estrat\u00e9gicas. Neste, mudamos o \u00e2ngulo. Em outras palavras, analisamos onde o conflito vai aparecer. Por isso, o foco \u00e9 o risco jur\u00eddico que costuma ficar fora dos materiais comerciais e das apresenta\u00e7\u00f5es de bancas de mercado de capitais.<\/p>\n<p>A premissa \u00e9 simples.<\/p>\n<p><strong> Em primeiro lugar<\/strong>, o F\u00c1CIL simplifica o ingresso.<\/p>\n<p><strong> Em segundo lugar<\/strong>, simplifica a divulga\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica.<\/p>\n<p><strong>Em terceiro lugar<\/strong>, simplifica o cancelamento de registro. Por outro lado, n\u00e3o simplifica a Lei das S.A. Tamb\u00e9m n\u00e3o simplifica o C\u00f3digo Civil, a Lei do Mercado de Capitais (Lei 6.385\/76), a Lei do Insider Trading (Lei 13.506\/2017) ou a responsabilidade civil dos administradores. Por isso, h\u00e1 um descompasso entre o que o regime alivia e o que ele preserva. \u00c9 nesse espa\u00e7o que o lit\u00edgio nasce.<\/p>\n<h2>Antes dos riscos jur\u00eddicos: a fal\u00e1cia do custo reduzido<\/h2>\n<p>Inicialmente, \u00e9 necess\u00e1rio um esclarecimento que precede toda a an\u00e1lise jur\u00eddica.<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/cvm\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2025\/cvm-cria-regime-facil-para-facilitar-acesso-de-companhias-de-menor-porte-ao-mercado-de-capitais\"> A CVM estima economia\u00a0 nos custos de manuten\u00e7\u00e3o da companhia aberta sob o Regime F\u00c1CIL<\/a>. Em outras palavras, o discurso oficial vende a equa\u00e7\u00e3o como ganho l\u00edquido para o empresariado de menor porte. Por outro lado, a equa\u00e7\u00e3o s\u00f3 fecha se o ponto de partida fizer sentido. Cinquenta por cento de desconto sobre um valor absurdamente alto continua sendo um valor alto.<\/p>\n<p>Vejamos a composi\u00e7\u00e3o real do custo fixo de uma empresa listada sob o regime, ainda que como CMP. Em primeiro lugar, auditoria independente continua obrigat\u00f3ria. As Big Four (Deloitte, EY, KPMG, PwC) e firmas Tier 2 cobram em patamares de mercado de capitais. Por exemplo, honor\u00e1rios anuais que podem facilmente ultrapassar R$ 500 mil para empresas de m\u00e9dio porte. Em segundo lugar, advogados societ\u00e1rios e tribut\u00e1rios especializados cobram por hora ou por projeto em valores compat\u00edveis com o ambiente regulado. Em terceiro lugar, estrutura m\u00ednima de Rela\u00e7\u00f5es com Investidores (RI), ainda que enxuta, exige profissional dedicado ou contrata\u00e7\u00e3o externa.<\/p>\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, fa\u00e7a-se a conta. Uma empresa no piso do regime, com receita anual de R$ 80 milh\u00f5es ou R$ 100 milh\u00f5es, opera tipicamente com margem l\u00edquida entre 5% e 15%. Ou seja, lucro l\u00edquido entre R$ 4 milh\u00f5es e R$ 15 milh\u00f5es. Por isso, custo fixo de R$ 1 milh\u00e3o a R$ 2 milh\u00f5es por ano apenas para manter o status de CMP devora parcela significativa, e por vezes proibitiva, dessa margem.<\/p>\n<p>Isso porque <strong>o regime simplifica o que \u00e9 regulat\u00f3rio, mas n\u00e3o simplifica o que \u00e9 estrutural<\/strong>. Por exemplo, a auditoria continua sendo das mesmas firmas, com o mesmo n\u00edvel de exig\u00eancia t\u00e9cnica. Em outras palavras, o auditor n\u00e3o cobra menos porque a empresa \u00e9 CMP. O advogado societ\u00e1rio n\u00e3o cobra menos porque o regime \u00e9 simplificado. O contador especializado em IFRS, mesmo com divulga\u00e7\u00e3o semestral em vez de trimestral, continua sendo o mesmo profissional.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, h\u00e1 uma distor\u00e7\u00e3o comunicacional importante a desfazer. O Regime F\u00c1CIL reduz o custo regulat\u00f3rio direto: taxas de registro, custo de elabora\u00e7\u00e3o de formul\u00e1rios menos complexos, dispensa de relat\u00f3rios espec\u00edficos. Por outro lado, n\u00e3o reduz o custo estrutural da governan\u00e7a da companhia aberta. Por isso, a economia de 40% a 60% incide sobre uma parcela do custo total, n\u00e3o sobre o todo.<\/p>\n<p>Por outro lado, <strong>h\u00e1 sinais consistentes de que essa equa\u00e7\u00e3o tende a melhorar nos pr\u00f3ximos anos<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Em primeiro luga<\/strong>r, surgem no mercado pacotes de auditoria, assessoria jur\u00eddica e consultoria de listagem calibrados ao porte das CMPs. Por exemplo, a figura do consultor de listagem, inspirada no <em>nominated advisor<\/em> da London Stock Exchange e tropicalizada pela BEE4. Esse profissional opera em patamares de honor\u00e1rios distintos dos da estrutura tradicional de IPO. Al\u00e9m disso, escrit\u00f3rios m\u00e9dios e firmas de auditoria Tier 3 come\u00e7am a montar ofertas espec\u00edficas para o segmento.<\/p>\n<p><strong>Em segundo lugar<\/strong>, o programa Rota F\u00c1CIL da BEE4 est\u00e1 subsidiando os custos de listagem das dez primeiras companhias do regime, num esfor\u00e7o de criar massa cr\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>Em terceiro lugar<\/strong>, a entrada da IFC (bra\u00e7o do Banco Mundial) como investidora estrat\u00e9gica da BEE4, anunciada em abril de 2026, sinaliza est\u00edmulo internacional ao desenvolvimento do ecossistema.<\/p>\n<p><strong>Em outras palavras, o custo absoluto hoje \u00e9 alto, mas a tend\u00eancia observada \u00e9 de adequa\u00e7\u00e3o progressiva \u00e0 realidade da PME brasileir<\/strong>a.<\/p>\n<p>Em definitivo, recomenda-se que toda decis\u00e3o de ades\u00e3o ao F\u00c1CIL parta de <strong>modelagem financeira realista<\/strong>. A pergunta correta n\u00e3o \u00e9 &#8220;quanto vou economizar em rela\u00e7\u00e3o ao regime tradicional&#8221;. A pergunta correta \u00e9 &#8220;qual o custo fixo total da listagem e ele \u00e9 absorv\u00edvel pela margem operacional da empresa&#8221;. Para muitas empresas no piso do regime hoje, a resposta honesta ainda \u00e9 negativa. Por isso, antes dos cinco riscos jur\u00eddicos que veremos a seguir, h\u00e1 um risco econ\u00f4mico que os antecede. Esse risco, contudo, tende a diminuir conforme o ecossistema de prestadores adequados ao regime se consolidar.<\/p>\n<h2>Risco 1: responsabilidade do administrador na divulga\u00e7\u00e3o semestral<\/h2>\n<p>O Regime F\u00c1CIL permite que a CMP divulgue suas informa\u00e7\u00f5es financeiras de forma semestral (ISEM), em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0s informa\u00e7\u00f5es trimestrais (ITR) da companhia aberta tradicional. Por outro lado, a Lei das S.A., no art. 157, mant\u00e9m intacto o dever de informar do administrador. Por exemplo, sempre que houver fato capaz de influenciar a decis\u00e3o dos investidores, a divulga\u00e7\u00e3o tem que ser tempestiva, e n\u00e3o semestral.<\/p>\n<p>Isso porque o dever de informar n\u00e3o \u00e9 fun\u00e7\u00e3o do ritmo do disclosure regulat\u00f3rio. Em s\u00edntese, \u00e9 fun\u00e7\u00e3o do impacto do fato. Por isso, o administrador da CMP que aguarda o ISEM para divulgar fato relevante ocorrido em fevereiro corre risco duplo. Em primeiro lugar, processo administrativo sancionador na CVM. Em segundo lugar, a\u00e7\u00e3o de responsabilidade civil pelos investidores que negociaram com base na omiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, a divulga\u00e7\u00e3o semestral do F\u00c1CIL diminui o custo regulat\u00f3rio, mas n\u00e3o diminui o dever fiduci\u00e1rio. Por outro lado, aumenta o risco pr\u00e1tico de o administrador, acostumado ao ritmo simplificado, errar na separa\u00e7\u00e3o entre o que pode esperar e o que n\u00e3o pode. Em definitivo, a primeira frente de lit\u00edgio ser\u00e1 aqui.<\/p>\n<h2>Risco 2: o qu\u00f3rum reduzido de cancelamento e o ativismo do minorit\u00e1rio<\/h2>\n<p>O Regime F\u00c1CIL reduziu o qu\u00f3rum de cancelamento de registro de 2\/3 para 50% das a\u00e7\u00f5es em circula\u00e7\u00e3o. Em primeiro lugar, essa mudan\u00e7a barateia a sa\u00edda da empresa do mercado, caso a ades\u00e3o n\u00e3o funcione. Por outro lado, abre uma nova frente de lit\u00edgio societ\u00e1rio, ignorada pela maioria das an\u00e1lises.<\/p>\n<p>Isso porque o investidor minorit\u00e1rio que comprou a\u00e7\u00f5es de uma CMP confia na perman\u00eancia do papel no mercado. Em outras palavras, a liquidez te\u00f3rica, ainda que escassa, depende da continuidade do registro. Por isso, o controlador que sai do regime com 50% das a\u00e7\u00f5es em circula\u00e7\u00e3o fecha o capital com metade do mercado decidindo. A outra metade pode contestar.<\/p>\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, espera-se um aumento das a\u00e7\u00f5es de responsabilidade movidas por minorit\u00e1rios contra o controlador e os administradores da CMP. Por exemplo, sob o argumento de abuso de poder de controle (Lei 6.404\/76, art. 117), de quebra do dever de lealdade (art. 155) ou de viola\u00e7\u00e3o ao art. 116 da Lei das S.A. Atualmente, o STJ j\u00e1 tem jurisprud\u00eancia consolidada sobre o tema em companhias do regime tradicional. Em s\u00edntese, esse acervo ser\u00e1 aplicado \u00e0s CMPs.<\/p>\n<h2>Risco 3:<em> insider trading<\/em> no ambiente de informa\u00e7\u00e3o simplificada<\/h2>\n<p>A Lei 13.506\/2017, que tipifica o uso indevido de informa\u00e7\u00e3o privilegiada, aplica-se integralmente \u00e0s CMPs. Por outro lado, o ambiente informacional do F\u00c1CIL \u00e9, por design, mais sint\u00e9tico. Em primeiro lugar, formul\u00e1rio consolidado. Em segundo lugar, divulga\u00e7\u00e3o semestral. Em terceiro lugar, dispensa de pol\u00edtica formal de divulga\u00e7\u00e3o em alguns casos. Em s\u00edntese, a empresa divulga menos. Os administradores e pessoas vinculadas sabem mais do que o mercado por mais tempo.<\/p>\n<p>Isso porque a janela entre o fato gerado internamente e a divulga\u00e7\u00e3o ao mercado tende a ser maior. Por isso, o risco de opera\u00e7\u00f5es de administradores e de pessoas pr\u00f3ximas em janela proibida cresce. Em outras palavras, a estrutura do regime amplia o gap informacional, mas n\u00e3o amplia a margem de toler\u00e2ncia da norma penal.<\/p>\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, a CMP precisa estruturar pol\u00edticas internas de bloqueio de negocia\u00e7\u00e3o, veda\u00e7\u00e3o a janelas pr\u00f3ximas a divulga\u00e7\u00f5es relevantes e treinamento de administradores. Por exemplo, o que era pr\u00e1tica consolidada na companhia aberta tradicional vira agora obriga\u00e7\u00e3o para uma estrutura administrativa menor, que muitas vezes n\u00e3o est\u00e1 preparada. Em s\u00edntese, o risco de uma CMP virar caso de insider trading nos primeiros anos do regime \u00e9 estatisticamente alto.<\/p>\n<h2>Risco 4: a oferta direta sem coordenador e a responsabilidade pelo prospecto<\/h2>\n<p>A inova\u00e7\u00e3o mais sens\u00edvel do Regime F\u00c1CIL \u00e9 a oferta direta. Trata-se da modalidade em que a CMP pode realizar oferta p\u00fablica diretamente nos sistemas da entidade administradora de mercado organizado, sem necessidade de contratar coordenador l\u00edder. Em primeiro lugar, a oferta direta reduz drasticamente o custo de capta\u00e7\u00e3o. Por outro lado, redistribui a responsabilidade pelo conte\u00fado dos documentos da oferta.<\/p>\n<p>Isso porque, no modelo tradicional, o coordenador l\u00edder responde, ao lado do emissor, pela higidez das informa\u00e7\u00f5es prestadas no prospecto. Em outras palavras, h\u00e1 uma cadeia de responsabilidade compartilhada. Por outro lado, na oferta direta, essa cadeia se concentra. Ou seja, a responsabilidade fica majoritariamente com o pr\u00f3prio emissor e seus administradores.<\/p>\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, o administrador da CMP que opta pela oferta direta assume risco que antes era dilu\u00eddo. Por exemplo, qualquer omiss\u00e3o ou imprecis\u00e3o no Formul\u00e1rio F\u00c1CIL pode gerar a\u00e7\u00e3o de responsabilidade civil dos investidores adquirentes. Em s\u00edntese, a economia regulat\u00f3ria da oferta direta tem pre\u00e7o jur\u00eddico. Em definitivo, \u00e9 o tipo de risco que precisa ser quantificado e contratualmente alocado antes da decis\u00e3o.<\/p>\n<h2>Risco 5: o custo tribut\u00e1rio oculto da migra\u00e7\u00e3o para CMP<\/h2>\n<p>Por fim, o risco menos discutido, mas que produz consequ\u00eancias pr\u00e1ticas imediatas. A ades\u00e3o ao Regime F\u00c1CIL frequentemente envolve opera\u00e7\u00f5es societ\u00e1rias pr\u00e9vias. Em primeiro lugar, transforma\u00e7\u00e3o de sociedade limitada em sociedade an\u00f4nima. Em segundo lugar, integraliza\u00e7\u00e3o de capital com bens. Em terceiro lugar, confer\u00eancia de quotas ou bens \u00e0 holding familiar.<\/p>\n<p>Isso porque o F\u00c1CIL exige a forma de S.A. e a listagem em mercado organizado. Por outro lado, cada uma dessas opera\u00e7\u00f5es preparat\u00f3rias tem consequ\u00eancia tribut\u00e1ria. Por exemplo, ganho de capital de s\u00f3cios pessoa f\u00edsica, ITBI em confer\u00eancia de im\u00f3veis, ITCMD em reorganiza\u00e7\u00f5es que envolvem sucess\u00e3o, poss\u00edveis questionamentos fiscais sobre o aproveitamento de preju\u00edzos fiscais.<\/p>\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, h\u00e1 jurisprud\u00eancia do STJ e do CARF restringindo o uso de planejamentos tribut\u00e1rios considerados abusivos em reorganiza\u00e7\u00f5es pr\u00e9-listagem. Em outras palavras, o custo tribut\u00e1rio da prepara\u00e7\u00e3o para o F\u00c1CIL pode superar o benef\u00edcio regulat\u00f3rio do regime. Por isso, recomenda-se an\u00e1lise tribut\u00e1ria antes da defini\u00e7\u00e3o do roadmap de ades\u00e3o.<\/p>\n<h2>Quadro s\u00edntese dos cinco riscos<\/h2>\n<p>A t\u00edtulo de fechamento, vejamos a sistematiza\u00e7\u00e3o dos riscos analisados.<\/p>\n<table width=\"602\">\n<thead>\n<tr>\n<td width=\"150\"><strong>Risco<\/strong><\/td>\n<td width=\"226\"><strong>Fonte normativa<\/strong><\/td>\n<td width=\"226\"><strong>Tipo de lit\u00edgio esperado<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"150\">Divulga\u00e7\u00e3o semestral<\/td>\n<td width=\"226\">Art. 157 da Lei das S.A.<\/td>\n<td width=\"226\">PAS na CVM; a\u00e7\u00e3o de responsabilidade civil de investidores.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"150\">Qu\u00f3rum reduzido de cancelamento<\/td>\n<td width=\"226\">Resolu\u00e7\u00e3o CVM 232; arts. 116 e 117 da Lei das S.A.<\/td>\n<td width=\"226\">A\u00e7\u00e3o de minorit\u00e1rio por abuso de controle.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"150\">Insider trading<\/td>\n<td width=\"226\">Lei 13.506\/2017; Lei 6.385\/76.<\/td>\n<td width=\"226\">Processo penal e PAS na CVM contra administradores.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"150\">Oferta direta sem coordenador<\/td>\n<td width=\"226\">Resolu\u00e7\u00e3o CVM 232; Resolu\u00e7\u00e3o CVM 160.<\/td>\n<td width=\"226\">A\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica de investidores por v\u00edcios no Formul\u00e1rio F\u00c1CIL.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"150\">Custo tribut\u00e1rio oculto<\/td>\n<td width=\"226\">C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional; jurisprud\u00eancia do CARF e do STJ.<\/td>\n<td width=\"226\">Autua\u00e7\u00f5es fiscais; questionamentos sobre planejamento abusivo.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Conclus\u00e3o<\/h2>\n<p>Em s\u00edntese, fechamos aqui a s\u00e9rie de tr\u00eas posts sobre o Regime F\u00c1CIL. No primeiro, separamos cabimento t\u00e9cnico de cabimento estrat\u00e9gico. No segundo, mapeamos as tr\u00eas janelas que o regime abre e as duas que ele fecha. Neste terceiro, enfrentamos o custo real da ades\u00e3o e os cinco principais pontos de fric\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n<p>Por isso, fica claro que o Regime F\u00c1CIL n\u00e3o \u00e9 nem a panaceia anunciada nos materiais comerciais, nem o instrumento desnecess\u00e1rio criticado por parte do mercado. Em outras palavras, \u00e9 uma ferramenta regulat\u00f3ria nova, com benef\u00edcios reais, custos estruturais altos e implica\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas pouco discutidas. Em definitivo, a decis\u00e3o informada de ades\u00e3o exige confrontar os tr\u00eas lados: oportunidade, custo absoluto e risco jur\u00eddico.<\/p>\n<p>Por exemplo, esse debate ter\u00e1 uma s\u00e9rie de desdobramentos pr\u00e1ticos nos pr\u00f3ximos anos. \u00c0 medida que surgirem os primeiros casos concretos de divulga\u00e7\u00e3o inadequada, de cancelamentos contestados e de ofertas diretas questionadas, o cen\u00e1rio se tornar\u00e1 mais n\u00edtido. Como sempre, continuaremos acompanhando o tema por aqui.<\/p>\n<p><strong>Regula\u00e7\u00e3o simplificada n\u00e3o significa custo reduzido nem responsabilidade jur\u00eddica simplificada. O empresariado que entrar no F\u00c1CIL precisa entrar com essa equa\u00e7\u00e3o tripla resolvida.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O regime da CVM em vigor desde mar\u00e7o de 2026 simplifica o ingresso no mercado de capitais. Por outro lado, n\u00e3o simplifica a responsabilidade jur\u00eddica subjacente. 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