{"id":713,"date":"2021-06-25T17:23:55","date_gmt":"2021-06-25T20:23:55","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/?p=713"},"modified":"2021-06-25T17:24:45","modified_gmt":"2021-06-25T20:24:45","slug":"literatura-zoologia-maria-esther-maciel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/literatura-zoologia-maria-esther-maciel\/","title":{"rendered":"Quando a literatura encontra a zoologia"},"content":{"rendered":"<h2>Constru\u00eddo com viuvinhas, jo\u00f5es e marias, o pequeno universo enciclop\u00e9dico de Maria Esther Maciel \u00e9 um mundo muito delicado. Come\u00e7ou com uma pesquisa acad\u00eamica sobre animais na literatura, iniciada h\u00e1 alguns anos. Dezenas de comp\u00eandios zool\u00f3gicos de todas as \u00e9pocas, incluindo os besti\u00e1rios medievais, livros de hist\u00f3ria natural e manuais de zoologia fant\u00e1stica passaram sob os olhos da pesquisadora. Depois de listar um sem n\u00famero de animais e plantas de diferentes esp\u00e9cies, ela sentou para escrever a <em>pequena enciclop\u00e9dia de seres comuns<\/em>. E, numa associa\u00e7\u00e3o profundamente po\u00e9tica entre zoologia e literatura, construiu um brevi\u00e1rio de sutilezas povoado por seres que n\u00e3o s\u00e3o nem monstruosos nem fant\u00e1sticos, mas ganham certa magia na narrativa da escritora mineira e nas ilustra\u00e7\u00f5es de Julia Panad\u00e9s.<\/h2>\n<p>Maria Esther d\u00e1 vida, cara, comportamento e personalidade a esses seres. \u00c9 um exerc\u00edcio de alteridade, segundo ela. Todos os seres v\u00eam acompanhados de seus nomes cient\u00edficos e quatro foram inventados, incluindo um guloso peixe-banana que surgiu na literatura gra\u00e7as a um conto de J.D. Salinger.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/MEM-jan2020-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-720\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/MEM-jan2020-3-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/MEM-jan2020-3-200x300.jpg 200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/MEM-jan2020-3-768x1152.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/MEM-jan2020-3-683x1024.jpg 683w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/MEM-jan2020-3-1440x2160.jpg 1440w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/MEM-jan2020-3-800x1200.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/MEM-jan2020-3-550x825.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/MEM-jan2020-3-230x345.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A autora come\u00e7a com as Marias, que sempre v\u00eam com um sobrenome a partir do qual o verbete se desenvolve. Da Maria-barulhenta \u00e0 Maria-vai-com-as-outras, s\u00e3o muitas as personalidades antes de o leitor chegar aos Jo\u00f5es, que podem ser baiano, bobo, de barro, cacha\u00e7a e at\u00e9 torresmo. \u201cOs nomes Maria e Jo\u00e3o sempre foram usados para designar animais e plantas. Isso adv\u00e9m do imagin\u00e1rio popular e tem um car\u00e1ter meio l\u00fadico\u201d, conta a autora. \u201cQuando comecei a pesquisar esses nomes nos livros de zoologia e bot\u00e2nica, fiquei surpresa com a quantidade de marias e jo\u00f5es. Eu me diverti muito, pois v\u00e1rios nomes s\u00e3o engra\u00e7ad\u00edssimos. Adorei encontrar as justificativas para essas designa\u00e7\u00f5es e descobrir como uma mesma esp\u00e9cie pode ter v\u00e1rios nomes populares, dependendo da regi\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>As vi\u00favas e viuvinhas formam um cap\u00edtulo \u00e0 parte e s\u00e3o muito diversas. Entre elas est\u00e1 a Vi\u00fava-humana. \u201cEla est\u00e1 triste, mas n\u00e3o \u00e9 triste\u201d, avisa a autora. E est\u00e1 de luto, um luto justo para um momento ca\u00f3tico. Maria Esther conta que come\u00e7ou a prestar mais aten\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio jardim durante a pandemia, talvez em busca de um respiro em meio \u00e0 asfixia causada pelo <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/diversao-e-arte\/2021\/06\/4933041-realidade-brasileira-afeta-a-producao-literaria-contemporanea.html\">descontrole da situa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria<\/a>. Por fim, entram os h\u00edbridos, talvez os mais divertidos da cole\u00e7\u00e3o, certamente os mais incomuns.<\/p>\n<p>O mundo natural, a autora revela, foi e est\u00e1 sendo de grande valia durante a pandemia. \u201cEle me ajudou a me sentir viva, a ter um respiro, um alento nestes tempos de peste, mortes evit\u00e1veis, \u00f3dio, ignor\u00e2ncia, arrog\u00e2ncia, destrui\u00e7\u00e3o\u201d, conta. Abaixo, Maria Esther Maciel fala sobre literatura, zoologia e a confec\u00e7\u00e3o do livro.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/livro-maio_sem-fundo2-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-718\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/livro-maio_sem-fundo2-1-150x150.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/livro-maio_sem-fundo2-1-150x150.png 150w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/livro-maio_sem-fundo2-1-300x300.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/livro-maio_sem-fundo2-1-768x768.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/livro-maio_sem-fundo2-1-1024x1024.png 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/livro-maio_sem-fundo2-1-800x800.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/livro-maio_sem-fundo2-1-550x550.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/livro-maio_sem-fundo2-1-230x230.png 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2021\/06\/livro-maio_sem-fundo2-1.png 1067w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>pequena enciclop\u00e9dia de seres comuns<\/strong><br \/>\nDe Maria Esther Maciel. Todavia, 110 p\u00e1ginas. R$ 56,90<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que met\u00e1foras podemos construir entre os seres enciclop\u00e9dicos e o mundo habitado por n\u00f3s?<\/strong><br \/>\nAs met\u00e1foras animais para designar o mundo humano s\u00e3o abundantes em nossa cultura. Mas no caso dos seres do meu livro, evitei transform\u00e1-los em meros s\u00edmbolos, met\u00e1foras ou alegorias da vida humana. Se, em v\u00e1rios verbetes, eles apresentam alguns tra\u00e7os que poderiam ser caracterizados como humanos \u00e9 porque para n\u00f3s \u00e9 imposs\u00edvel entrar na esfera subjetiva dessas alteridades radicais para descrever de forma precisa o que sentem e como veem a vida ao redor. Cabe a quem escreve exercitar a imagina\u00e7\u00e3o e a empatia para sondar as individualidades n\u00e3o humanas. Assim, para descrever meus seres, n\u00e3o apenas busquei informa\u00e7\u00f5es em livros e sites cient\u00edficos de zoologia e bot\u00e2nica, como tamb\u00e9m me pus a imaginar o que se passa na esfera \u00edntima deles e as rela\u00e7\u00f5es que mant\u00eam com as demais esp\u00e9cies. Eu quis trat\u00e1-los como sujeitos que possuem, cada um \u00e0 sua maneira, saberes pr\u00f3prios sobre o mundo que habitam.<\/p>\n<p><strong>O que plantas e insetos t\u00eam a nos dizer sobre o mundo?<\/strong><br \/>\nMuita coisa. Sobretudo nos dizem que a natureza \u00e9 imprescind\u00edvel para a sobreviv\u00eancia do planeta e da pr\u00f3pria esp\u00e9cie humana. Sem plantas, \u00e1rvores, insetos, mam\u00edferos, aves, r\u00e9pteis, peixes e tudo o que vive, o mundo n\u00e3o existiria, e tampouco a humanidade. Por isso me preocupam tanto a destrui\u00e7\u00e3o generalizada da natureza, os inc\u00eandios criminosos de florestas, a matan\u00e7a e a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies animais e vegetais, a polui\u00e7\u00e3o dos rios, o avan\u00e7o das usinas e mineradoras que, em nome do \u201cdesenvolvimento\u201d, v\u00eam transformando o mundo numa terra devastada. Epidemias como esta que estamos enfrentando t\u00eam a ver tamb\u00e9m com a maneira como os humanos t\u00eam lidado com a natureza e outros viventes que compartilham conosco a experi\u00eancia do mundo.<\/p>\n<p><strong>Por que criar os seres h\u00edbridos? Eles fazem parte de uma po\u00e9tica particular?<\/strong><br \/>\nA se\u00e7\u00e3o de seres h\u00edbridos da Pequena Enciclop\u00e9dia foi organizada de acordo com os nomes comuns de animais e plantas j\u00e1 conhecidos e catalogados. Ou seja, o hibridismo incide, primeiramente, nos seus nomes populares. Os seres t\u00eam sempre caracter\u00edsticas de outros, seja do reino animal ou do vegetal, o que justifica seus nomes h\u00edbridos. Incr\u00edvel como a natureza tamb\u00e9m \u00e9 cheia de viventes incomuns, que muita gente poderia achar fabulosos ou at\u00e9 absurdos. Apenas um ser h\u00edbrido do conjunto foi inventado: a \u201clagarta-dama-do-mato\u201d, que, entretanto, n\u00e3o deixa de ser plaus\u00edvel. Claro que me inspirei nos manuais de zoologia fant\u00e1stica, em especial o de Jorge Luis Borges, mas procurei me valer da \u201czoologia\/bot\u00e2nica da realidade\u201d e n\u00e3o a das mitologias e dos sonhos.<\/p>\n<p><strong>Sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo natural se estreitou durante a pandemia? Pode contar um pouco o porqu\u00ea e como?<\/strong><br \/>\nBastante. Moro num apartamento com terra\u00e7o, onde fica um pequeno jardim. Da minha sala de trabalho d\u00e1 para ver alguns canteiros e vasos. Nos c\u00f4modos internos tamb\u00e9m h\u00e1 diversos vasos de plantas. Impressionante como, nesses dias de confinamento, passei a observar com mais cuidado os pequenos r\u00e9pteis e insetos, as peculiaridades dos seres vegetais (em especial as ervas de cheiro que d\u00e3o flores), os p\u00e1ssaros que sempre chegam, pousando sobre galhos e sobre os m\u00f3veis que ficam ao redor. Os bem-te-vis s\u00e3o os mais ass\u00edduos. At\u00e9 morceguinhos j\u00e1 apareceram por aqui. Para n\u00e3o mencionar os pombos, as lagartixas e lagartas. O p\u00e9 de manjeric\u00e3o, sempre florido, atrai muitas abelhas. Todo esse meu mundinho natural se tornou, para mim, um alento nestes dias de reclus\u00e3o. Digo que, se a natureza j\u00e1 fazia parte de minha hist\u00f3ria, ela ganhou uma nova intensidade em meus dias de isolamento.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea \u00e9 fascinada por bichos e plantas? Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nSempre tive um grande fasc\u00ednio pelos seres n\u00e3o humanos, desde a inf\u00e2ncia. Isso, gra\u00e7as ao enorme quintal de minha casa em Patos de Minas, onde nasci, e nas temporadas passadas na ro\u00e7a com meu pai e minha av\u00f3. Cheguei a ter um porco de estima\u00e7\u00e3o, muito afetuoso e inteligente, que andava o tempo todo atr\u00e1s de mim. Minha vida, quando crian\u00e7a e adolescente, foi cercada de bichos de todo tipo: c\u00e3es, gatos, coelhos, patos, galinhas, bois, porcos, grilos, joaninhas, papagaios, entre outros. Al\u00e9m disso, eu adorava ficar empoleirada nas \u00e1rvores, percorrer os milharais, cultivar jardins. Mesmo depois de me mudar para Belo Horizonte, n\u00e3o deixei de ter plantas em casa, frequentar os parques, conviver com animais de estima\u00e7\u00e3o. Digo que aprendo muito com os seres n\u00e3o humanos. Eles me fazem encontrar a animalidade que me habita e me levam a reinventar minha pr\u00f3pria dimens\u00e3o humana.<\/p>\n<p><strong>Onde entra a poesia na composi\u00e7\u00e3o desse livro?<\/strong><br \/>\nEu me ative muito \u00e0 sensorialidade da escrita e busquei imprimir um ritmo \u00e0s frases. No caso dos verbetes sobre aves, por exemplo, pesquisei sites com grava\u00e7\u00f5es de cantos de p\u00e1ssaros, de forma a tentar incorporar, textualmente, alguns sons. Creio que esse exerc\u00edcio de imaginar o que se passa na esfera \u00edntima de v\u00e1rios desses seres tamb\u00e9m tem a ver com a poesia. Ela atravessa o conjunto em meio a v\u00e1rios outros registros, como a linguagem t\u00e9cnica, descri\u00e7\u00f5es, pequenas remiss\u00f5es a obras liter\u00e1rias. Ou seja, os meus escritos s\u00e3o h\u00edbridos, assim como v\u00e1rios dos seres neles presentes.<\/p>\n<p><strong>Como come\u00e7a o teu processo criativo? Como voc\u00ea chega nos bichos? Por suas caracter\u00edsticas? Pelos nomes?<\/strong><br \/>\nCome\u00e7a pelos nomes. Quando iniciei esse trabalho, listei in\u00fameros animais e plantas, de acordo com o crit\u00e9rio onom\u00e1stico. Depois, fui investigando sobre eles em livros de biologia, herb\u00e1rios, enciclop\u00e9dias, volumes de hist\u00f3ria natural, sites especializados em aves e insetos, dicion\u00e1rios. At\u00e9 mesmo trabalhos acad\u00eamicos nas \u00e1reas de zoologia e bot\u00e2nica eu consultei, gra\u00e7as aos bancos de teses dispon\u00edveis nos sites das universidades. Assim que eu reunia um conjunto de verbetes, eu os enviava \u00e0 ilustradora, Julia Panad\u00e9s, que conseguiu imprimir nas imagens o mesmo enlace entre os registros cient\u00edfico e ficcional.<\/p>\n<p><strong>Para voc\u00ea, qual a m\u00e1gica da interface entre a literatura e a biologia?<\/strong><br \/>\nA interface entre literatura e biologia nos possibilita, ao mesmo tempo, entrar na esfera do que \u00e9 vivo, do que existe enquanto for\u00e7a vital no mundo real, e transformar essa experi\u00eancia em palavras tamb\u00e9m vivas. Se a biologia investiga a natureza pelas lentes da ci\u00eancia, a literatura \u00e9 capaz de transfigurar \u2013 pela fic\u00e7\u00e3o e os recursos da linguagem po\u00e9tica \u2013 os saberes biol\u00f3gicos em hist\u00f3rias, imagens, reflex\u00f5es cr\u00edtico-criativas e sensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Constru\u00eddo com viuvinhas, jo\u00f5es e marias, o pequeno universo enciclop\u00e9dico de Maria Esther Maciel \u00e9 um mundo muito delicado. Come\u00e7ou com uma pesquisa acad\u00eamica sobre animais na literatura, iniciada h\u00e1 alguns anos. Dezenas de comp\u00eandios zool\u00f3gicos de todas as \u00e9pocas, incluindo os besti\u00e1rios medievais, livros de hist\u00f3ria natural e manuais de zoologia fant\u00e1stica passaram sob os olhos da pesquisadora. Depois de listar um sem n\u00famero de animais e plantas de diferentes esp\u00e9cies, ela sentou para escrever a pequena enciclop\u00e9dia de seres comuns. 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