{"id":82,"date":"2017-09-05T18:52:26","date_gmt":"2017-09-05T18:52:26","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/?p=82"},"modified":"2017-09-05T19:45:34","modified_gmt":"2017-09-05T19:45:34","slug":"cinco-livros-sobre-o-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/cinco-livros-sobre-o-amor\/","title":{"rendered":"Cinco livros sobre o amor: autores homens destrincham o tema"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">O amor de Alain de Botton ajuda a sobreviver \u00e0 banalidade do cotidiano enquanto o de Francisco Azevedo une fam\u00edlias nem sempre amig\u00e1veis. Na vers\u00e3o de P\u00e9ter G\u00e1rdos, o amor \u00a0afasta a morte e na de Louis Begley, esse sentimento pode ser bem destrutivo. O italiano Domenico Starnone \u00e9 duro e coloca o amor como um dep\u00f3sito no qual se soca praticamente de tudo. O Leio de tudo selecionou cinco livros sobre o tema mais antigo e explorado da literatura. Todos s\u00e3o lan\u00e7amentos recentes e foram escritos por autores contempor\u00e2neos do sexo masculino. Trazem, portanto, uma \u00a0perspectiva masculina para um dos temas mais antigos da literatura.<\/span><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>La\u00e7os<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De Domenico Starnone<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-89 alignleft\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/15046338928b1e01b37a1e247596430f346deea4fe-300x224.jpg\" alt=\"15046338928b1e01b37a1e247596430f346deea4fe\" width=\"300\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/15046338928b1e01b37a1e247596430f346deea4fe-300x224.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/15046338928b1e01b37a1e247596430f346deea4fe-550x411.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/15046338928b1e01b37a1e247596430f346deea4fe-230x172.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/15046338928b1e01b37a1e247596430f346deea4fe.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Starnone movimentou a cena liter\u00e1ria recentemente com seu <em>La\u00e7os<\/em>, um livro curtinho mas desconcertante sob o adult\u00e9rio narrado da perspectiva masculina. No romance, Aldo \u00e9 um professor universit\u00e1rio que deixa a mulher para viver com uma aluna de 20 anos. \u00c9 com as cartas escritas pela esposa, Vanda, na tentativa de recuperar o marido e faz\u00ea-lo entender a dor causada pela trai\u00e7\u00e3o, que o romance tem in\u00edcio. As cartas, revisitadas anos depois, s\u00e3o uma introdu\u00e7\u00e3o rasgante para o primeiro cap\u00edtulo, quando Aldo entra em cena e conta, em primeira pessoa, a sua vers\u00e3o do ocorrido. A frivolidade ao narrar o adult\u00e9rio \u00e9 um contraste poderoso para a densidade visceral da perspectiva de Vanda. Aldo sabia, desde o in\u00edcio, que voltaria para a mulher. Fez de L\u00eddia, a estudante, um par\u00eantese para experimentar uma liberdade revigorante e rejuvenescedora. Casados desde muito jovens, \u00e0quela altura com dois filhos e ainda na casa dos 30, o casal j\u00e1 se via tomado pela rotina. Surpreendido pelo clima de liberaliza\u00e7\u00e3o dos anos 1970, per\u00edodo da separa\u00e7\u00e3o, Aldo se d\u00e1 conta, de repente, de que est\u00e1 institucionalizado pelo casamento e decide quebrar aquele la\u00e7o. Deixar a vida pequeno-burguesa para viver livremente o outro relacionamento \u00e9 uma justificativa que parece banal demais ao longo do romance. <em>La\u00e7os<\/em> causou frisson n\u00e3o apenas por ser muito bem escrito e fisgar o leitor de um s\u00f3 f\u00f4lego, mas porque foi imediatamente associado \u00e0 escrita de Elena Ferrante, pseud\u00f4nimo que assina tetralogia com mais de 30 milh\u00f5es de c\u00f3pias vendidas. A m\u00eddia, inclusive, especulou que Starnone poderia ser a pr\u00f3pria Elena, ou ent\u00e3o, estaria casado com ela. A mulher do autor \u00e9 tradutora e negou as duas vers\u00f5es. Resta o fato de que <em>La\u00e7os<\/em> \u00e9 t\u00e3o absorvente quanto a<em> S\u00e9rie napolitana<\/em>. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;Ser casado, ter uma fam\u00edlia em idade muito jovem se tornara um sinal n\u00e3o de autonomia, mas de atraso. Antes dos trinta anos j\u00e1 me sentia velho e &#8211; a contragosto &#8211; parte de um mundo, de um estilo, que no ambiente pol\u00edtico e cultural a que pertencia era considerado terminal. De modo que em pouco tempo, embora eu tivesse uma forte rela\u00e7\u00e3o com minha mulher e as duas crian\u00e7as, sofri o fasc\u00ednio de modos de vida que rompiam programaticamente todos os la\u00e7os tradicionais. Uma vez, com a desculpa de que meu anular tinha engrossado, mandei serrar minha alian\u00e7a.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O curso do amor<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De Alain de Botton<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_83\" aria-describedby=\"caption-attachment-83\" style=\"width: 163px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-83 size-medium\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Alain-de-Botton-c-Charlotte-de-Botton_uso-liberado-para-divulga\u00e7\u00e3o-163x300.jpg\" alt=\"Alain de Botton (c) Charlotte de Botton_uso liberado para divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"163\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Alain-de-Botton-c-Charlotte-de-Botton_uso-liberado-para-divulga\u00e7\u00e3o-163x300.jpg 163w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Alain-de-Botton-c-Charlotte-de-Botton_uso-liberado-para-divulga\u00e7\u00e3o-555x1024.jpg 555w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Alain-de-Botton-c-Charlotte-de-Botton_uso-liberado-para-divulga\u00e7\u00e3o-550x1015.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Alain-de-Botton-c-Charlotte-de-Botton_uso-liberado-para-divulga\u00e7\u00e3o-230x425.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Alain-de-Botton-c-Charlotte-de-Botton_uso-liberado-para-divulga\u00e7\u00e3o.jpg 650w\" sizes=\"auto, (max-width: 163px) 100vw, 163px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-83\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Charlotte de Botton<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em que momento come\u00e7a uma verdadeira hist\u00f3ria de amor? Bem longe daquele no qual o casal se apaixona, sente frio na barriga e se entrega a pensamentos rom\u00e2nticos. \u00c9 depois do casamento, quando a rotina se instala, o frio na barriga se vai, as crian\u00e7as chegam e os momentos de \u00f3dio e t\u00e9dio se alternam que come\u00e7am as verdadeiras hist\u00f3rias de amor para o escritor su\u00ed\u00e7o Alain de Botton. \u00c9 sobre isso seu novo romance, <em>O curso do amor<\/em>. Ao acompanhar o encontro de Rabih e Kirsten, o narrador mostra \u00a0como \u00e9 preciso lutar, todos os dias, para manter o relacionamento em um trilho sem deix\u00e1-lo descarrilhar em excesso. Ou seja: de maneira que todo mundo a bordo chegue vivo a um destino que ningu\u00e9m sabe exatamente qual \u00e9. Kirsten e Rabih se apaixonam, se casam, t\u00eam filhos, eventualmente um deles tem um caso, se odeiam, se amam, se reencontram e seguem. Botton divide o livro em partes. Come\u00e7a com \u00a0o Romantismo, passa pelo Para sempre, naturalmente seguido de Filhos, para trope\u00e7ar em Adult\u00e9rio e finalizar com Al\u00e9m do romantismo. A capacidade de investigar os sentimentos dos personagens \u00e9 uma habilidade not\u00e1vel no romance do su\u00ed\u00e7o, assim como a facilidade com que ele cria personagens cheios de empatia: \u00e9 f\u00e1cil para qualquer leitor se identificar com Rabih e Kirsten. Botton intercala pequenos textos, reflex\u00f5es que parecem externas ao livro, an\u00e1lises dos comportamentos dos personagens, pequenas verdades e \u00e0s vezes, moralismos irritantes, embora sempre pertinentes.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400\">Sobre o amor:\u00a0<\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">\u201cNossa compreens\u00e3o do amor foi sequestrada e iludida por esses primeiros momentos de confusa emotividade do sentimento. Permitimos que as hist\u00f3rias de amor que vivemos acabem cedo demais. Aparentamos saber muito sobre como come\u00e7a o amor e quase nada acerca de como ele pode durar.\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sobre sexo: <em>\u201cA princ\u00edpio, a sensualidade poderia parecer apenas um fen\u00f4meno fisiol\u00f3gico, resultado do despertar hormonal e da estimula\u00e7\u00e3o de termina\u00e7\u00f5es nervosas. Mas na verdade n\u00e3o se trata mais de sensa\u00e7\u00f5es do que de ideias &#8211; destacando-se entre elas a ideia de aceita\u00e7\u00e3o e a promessa do fim da solid\u00e3o e da vergonha\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sobre o casamento: <em>\u201cPor mais vergonhoso que pare\u00e7a, o encontro do casamento resume-se, em grande medida, em qu\u00e3o desagrad\u00e1vel \u00e9 estar sozinho, o que n\u00e3o \u00e9 necessariamente culpa nossa como indiv\u00edduos. A sociedade como um todo parece decidida a tornar a condi\u00e7\u00e3o de solteiro t\u00e3o inc\u00f4moda e depressiva quanto poss\u00edvel\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sobre o adult\u00e9rio: <em>\u201cPara nos tornarmos pessoas autenticamente mais leais, precisamos sofrer em epis\u00f3dios que sirvam para nos inocular, nos quais nos sintamos por algum tempo em grande p\u00e2nico, violados e \u00e0 beira de um colapso. S\u00f3 ent\u00e3o a ordem de n\u00e3o trair nossos c\u00f4njuges deixar\u00e1 de ser um clich\u00ea banal para se tornar um imperativo moral para sempre v\u00edvido.\u201d<\/em><\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os novos moradores<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De Francisco Azevedo<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_80\" aria-describedby=\"caption-attachment-80\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-80\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/chico-azevedo-c-MARCELO-TARANTO-200x300.jpg\" alt=\"Cr\u00e9dito: Marcelo Taranto\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/chico-azevedo-c-MARCELO-TARANTO-200x300.jpg 200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/chico-azevedo-c-MARCELO-TARANTO-550x825.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/chico-azevedo-c-MARCELO-TARANTO-230x345.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/chico-azevedo-c-MARCELO-TARANTO.jpg 591w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-80\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Marcelo Taranto<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Francisco Azevedo ficou conhecido como romancista por <em>O arroz de palma<\/em>, lan\u00e7ado em 2008, traduzido em 13 idiomas e que atingiu os surpreendentes 60 mil exemplares vendidos, um n\u00famero consider\u00e1vel para o mercado brasileiro. Afeto \u00e9 sempre um ingrediente fundamental na escrita de Azevedo e n\u00e3o \u00e9 diferente em <em>Os novos moradores<\/em>, o segundo romance do autor. Duas casas geminadas, duas fam\u00edlia e suas rela\u00e7\u00f5es amorosas pontuam a narrativa. Cosme \u00e9 o adolescente que vive o primeiro amor gra\u00e7as \u00e0 generosidade da vizinha Vicenza, uma ruiva 30 anos mais velha. Carlota e Zen\u00f3bio s\u00e3o seus pais, casados \u201ccomo manda o figurino\u201d desde 1963 e para os quais o tempo \u201clogo come\u00e7ou a fazer caretas\u201d. \u00a0Cosme vai crescer, se tornar adulto e descobrir que as \u201ccaretas\u201d do tempo s\u00e3o inevit\u00e1veis. Na casa ao lado, In\u00eas e Pedro, novos inquilinos, pais de dois adolescentes, vivem outro tipo de rela\u00e7\u00e3o, pautada pelo \u201cdesmesurado desejo carnal\u201d, o que, em suas pr\u00f3prias concep\u00e7\u00f5es, ajuda um pouco. Mas n\u00e3o h\u00e1 verdades simples e matem\u00e1ticas em <em>Os novos moradores<\/em> e os relacionamentos n\u00e3o s\u00e3o o que parecem para sempre. <\/span><\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;Ponho-me na pele de cada um deles &#8211; pais e filhos &#8211; e n\u00e3o atiro pedra, que meu telhado sempre foi de vidro. Milim\u00e9trico vidro. Sei que em qualquer idade somos capazes de vilanias e gestos admir\u00e1veis, pondera\u00e7\u00f5es e arrebatamentos. N\u00e3o temos a menor ideia de como reagiremos a determinada situa\u00e7\u00e3o at\u00e9 passarmos por ela. (&#8230;) Somos feitos de carne, ossos e sentimentos contradit\u00f3rios. Quebramos \u00e0 toa, s\u00f3 que n\u00e3o temos coragem de exibir o aviso que sempre ajuda a evitar acidentes: &#8220;Cuidado, fr\u00e1gil&#8221;. Preferimos correr o risco de nos espatifarmos em m\u00e3os alheias e manter as apar\u00eancias. Fingir que o material \u00e9 resistente e est\u00e1 bem embalado.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A febre do amanhecer<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De P\u00e9ter G\u00e1rdos<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_86\" aria-describedby=\"caption-attachment-86\" style=\"width: 163px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-86 size-medium\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Peter-Gardos-cr\u00e9dito-S\u00e1rk\u00f6zy-Marianna-163x300.jpg\" alt=\"Cr\u00e9dito S\u00e1rk\u00f6zy Marianna\" width=\"163\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Peter-Gardos-cr\u00e9dito-S\u00e1rk\u00f6zy-Marianna-163x300.jpg 163w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Peter-Gardos-cr\u00e9dito-S\u00e1rk\u00f6zy-Marianna-555x1024.jpg 555w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Peter-Gardos-cr\u00e9dito-S\u00e1rk\u00f6zy-Marianna-550x1015.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Peter-Gardos-cr\u00e9dito-S\u00e1rk\u00f6zy-Marianna-230x425.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Peter-Gardos-cr\u00e9dito-S\u00e1rk\u00f6zy-Marianna.jpg 650w\" sizes=\"auto, (max-width: 163px) 100vw, 163px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-86\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Marianna S\u00e1rk\u00f6zy<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quando o pai morreu, em 1998, o diretor h\u00fangaro P\u00e9ter G\u00e1rdos mal sabia que ele e a m\u00e3e haviam se conhecido, primeiro, por meio de cartas trocadas enquanto os dois convalesciam em um hospital na Su\u00e9cia, logo ap\u00f3s o fim da Segunda Guerra. Mikl\u00f3s, que era judeu, viera bastante debilitado do campo de concentra\u00e7\u00e3o de Bergen-Belsen e recebera um diagn\u00f3stico que o condenara a seis meses de vida por conta de problemas respirat\u00f3rios. Decidido a n\u00e3o morrer sem encontrar um grande amor, disparou 117 cartas para mo\u00e7as h\u00fangaras que tamb\u00e9m convalesciam na regi\u00e3o. Assim, encontrou Lili, que correspondeu. O conjunto de cartas foi entregue a G\u00e1rdos pela m\u00e3e, logo ap\u00f3s a morte do pai. E o cineasta, al\u00e9m de escrever <em>A febre do amanhecer<\/em>, fez tamb\u00e9m um filme com mesmo nome, lan\u00e7ado em 2015. Narrativas de amor e \u00a0guerra s\u00e3o sempre comoventes, embora neste romance a guerra j\u00e1 tenha acabado. Mikl\u00f3s e Lili se casaram ap\u00f3s seis meses de correspond\u00eancia. A escrita envolvente e direta de G\u00e1rdos, h\u00e1bil roteirista, mergulha na constru\u00e7\u00e3o desses personagens marcados pelo desastre, mas nem por isso suscet\u00edveis \u00e0 desilus\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mem\u00f3rias de um casamento<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De Louis Begley<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-87 alignleft\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Louis-Begley-cr\u00e9dito-Bettina-Strauss-163x300.jpg\" alt=\"Louis Begley in New York City, February 2012\" width=\"163\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Louis-Begley-cr\u00e9dito-Bettina-Strauss-163x300.jpg 163w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Louis-Begley-cr\u00e9dito-Bettina-Strauss-555x1024.jpg 555w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Louis-Begley-cr\u00e9dito-Bettina-Strauss-550x1015.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Louis-Begley-cr\u00e9dito-Bettina-Strauss-230x425.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/09\/Louis-Begley-cr\u00e9dito-Bettina-Strauss.jpg 650w\" sizes=\"auto, (max-width: 163px) 100vw, 163px\" \/>S<span style=\"font-weight: 400\">e voc\u00ea ainda n\u00e3o leu nada de Louis Begley, pode come\u00e7ar por <em>Mem\u00f3rias de um casamento<\/em>. Se voc\u00ea gosta de personagens terr\u00edveis que acabamos por amar, n\u00e3o vai conseguir largar <em>Mem\u00f3rias de um casamento<\/em> quando Lucy aparecer na frente de Philip no intervalo de um bel\u00edssimo bal\u00e9 de Balanchine encenado pelo New York City Ballet. A sinopse pode parecer banal, mas como Begley \u00e9 o dono da narrativa, pode ter certeza que a banalidade tem uma fun\u00e7\u00e3o. Philip \u00e9 um octogen\u00e1rio ainda em luto pela morte da mulher quando reencontra Lucy, amiga de juventude cuja personalidade selvagem e impetuosa costuma causar repulsa na mesma propor\u00e7\u00e3o em que atrai. Lucy \u00e9 detest\u00e1vel, mas inevit\u00e1vel. Begley \u00e9 um dos maiores cr\u00edticos de certos valores da sociedade americana e \u00e9 bom saber disso quando ele apresenta a personagem aos leitores. Herdeira de fam\u00edlia rica e tradicional, ela se casa com Thomas Snow, um investidor de Wall Street que fez muito dinheiro, estudou em Harvard, mas carrega o terr\u00edvel defeito de n\u00e3o ser herdeiro de fam\u00edlia tradicional e sim o filho de uma contadora e de um mec\u00e2nico. Snow est\u00e1 morto quando o livro come\u00e7a. Durante o reencontro, Philip fica surpreso com a maneira como Lucy desqualifica o pr\u00f3prio marido. E come\u00e7a a desconfiar que os amigos que o cercam n\u00e3o s\u00e3o exatamente as pessoas que pensava serem. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O amor de Alain de Botton ajuda a sobreviver \u00e0 banalidade do cotidiano enquanto o de Francisco Azevedo une fam\u00edlias nem sempre amig\u00e1veis. Na vers\u00e3o de P\u00e9ter G\u00e1rdos, o amor  afasta a morte e na de Louis Begley, esse sentimento pode ser bem destrutivo. O italiano Domenico Starnone \u00e9 duro e coloca o amor como um dep\u00f3sito no qual se soca praticamente de tudo. O Leio de tudo selecionou cinco livros sobre o tema mais antigo e explorado da literatura. Todos s\u00e3o lan\u00e7amentos recentes e foram escritos por autores contempor\u00e2neos do sexo masculino. Trazem, portanto, uma  perspectiva masculina para um dos temas mais antigos da literatura.<\/p>\n","protected":false},"author":82,"featured_media":81,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-82","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.9 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>cinco livros amor homens | Leio de tudo<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"O Leio de tudo selecionou cinco livros sobre o amor escritos por homens. 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