{"id":3695,"date":"2019-11-15T12:25:44","date_gmt":"2019-11-15T15:25:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/lianasabo\/?p=3695"},"modified":"2019-11-15T12:25:44","modified_gmt":"2019-11-15T15:25:44","slug":"a-uva-que-so-santa-catarina-tem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/lianasabo\/a-uva-que-so-santa-catarina-tem\/","title":{"rendered":"A uva que s\u00f3 Santa Catarina tem"},"content":{"rendered":"<p>Por muito tempo, a maior atra\u00e7\u00e3o da Serra Catarinense foi o frio. Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, al\u00e9m das baixas temperaturas que atraem turistas do Brasil inteiro, as terras de Santa Catarina produzem uvas vin\u00edferas que se transformam nos melhores vinhos de altitude do pa\u00eds. S\u00e3o castas francesas e italianas que chegaram ao estado trazendo um novo panorama para a viticultura.<\/p>\n<p>Mas o que domina a produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o mesmo as uvas americanas, al\u00e9m de uma h\u00edbrida (cruzamento entre uva vin\u00edfera e uva americana) que \u00e9 a branca Goethe, natural da regi\u00e3o de Urussanga e Pedras Grandes. Em 2012, os vinhos dessa uva tiveram o reconhecimento oficial de sua qualidade, tipicidade e identidade com a conquista para os Vales da Uva Goethe da \u00fanica Indica\u00e7\u00e3o de Proced\u00eancia do setor vitivinicultura fora do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>A fruta, que recebeu o nome em homenagem ao escritor e poeta alem\u00e3o Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), foi originada nos Estados Unidos e resulta do cruzamento de 97% de vin\u00edferas europeias e 13% de uvas americanas. Foi trazida por um imigrante italiano para S\u00e3o Paulo no final do s\u00e9culo 19 e no come\u00e7o do s\u00e9culo 20 chegou \u00e0 Santa Catarina pelas m\u00e3os de outro italiano Giuseppe Caruso MacDonald, que d\u00e1 nome \u00e0 primeira vitivinicultura de Urussanga, fundada em 1913, cujos barris de tijolo maci\u00e7o com quase 4 metros de altura se tornaram ponto tur\u00edstico da cidade, que tem apenas 20 mil habitantes.<\/p>\n<h2>No Catete, de Get\u00falio<\/h2>\n<p>Extremamente arom\u00e1tico e frutado, o vinho \u00e9 leve e tem boa acidez. Sua cor amarelo-palha chega \u00e0s vezes \u00e0 tonalidade dourada. N\u00e3o demorou a ganhar fama rompendo a fronteira catarinense at\u00e9 chegar em 1930 ao Pal\u00e1cio do Catete, sede do governo Get\u00falio Vargas, no Rio de Janeiro, onde o vinho branco catarinense era servido ainda no Copacabana Palace e no J\u00f3quei Clube. No final do s\u00e9culo 20, o cultivo da uva Goethe foi quase extinto em fun\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o. Muitas fam\u00edlias abandonaram os vinhedos e foram trabalhar nas minas.<\/p>\n<p>S\u00f3 recentemente se deu uma retomada no cultivo da uva quando produtores locais se reuniram e fundaram a associa\u00e7\u00e3o ProGoethe, que congrega diversas vin\u00edcolas, como a Casa Del Nonno, Vigna Mazon, Vin\u00edcola De Noni, Trevisol e Quarezemin. O vinho harmoniza bem com frutos do mar.<\/p>\n<h2>Ao p\u00f4r do sol<\/h2>\n<figure id=\"attachment_3697\" aria-describedby=\"caption-attachment-3697\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/lianasabo\/wp-content\/uploads\/sites\/25\/2019\/11\/CBNFOT121120190042.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3697\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/lianasabo\/wp-content\/uploads\/sites\/25\/2019\/11\/CBNFOT121120190042.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"529\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/lianasabo\/wp-content\/uploads\/sites\/25\/2019\/11\/CBNFOT121120190042.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/lianasabo\/wp-content\/uploads\/sites\/25\/2019\/11\/CBNFOT121120190042-300x198.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/lianasabo\/wp-content\/uploads\/sites\/25\/2019\/11\/CBNFOT121120190042-768x508.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/lianasabo\/wp-content\/uploads\/sites\/25\/2019\/11\/CBNFOT121120190042-550x364.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/lianasabo\/wp-content\/uploads\/sites\/25\/2019\/11\/CBNFOT121120190042-230x152.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3697\" class=\"wp-caption-text\">Credito: Tatiana Cavagnolli\/Divulga\u00e7ao . Favas Contadas. Vinicola Casa Del Nonno.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es de amor pelo vinho formam a Casa Del Nonno, cuja tradu\u00e7\u00e3o significa a casa do av\u00f4. Atualmente, Renato Mariot Damian e Matheus Damian, pai e filho, tocam a vin\u00edcola que fica no cora\u00e7\u00e3o da cidade. Foi l\u00e1 que se deu a elabora\u00e7\u00e3o do primeiro espumante da uva Goethe. Se tiver chance n\u00e3o perca a degusta\u00e7\u00e3o do bom frisante durante um animado sunset \u2014 evento que acontece uma vez por m\u00eas. O destaque \u00e9 o espumante brut 100% Goethe. As visitas podem ser feitas de segunda a sexta (das 8h \u00e0s 12h e das 13h30 \u00e0s 18h) e s\u00e1bado, das 8h \u00e0s 12h, \u00e0 rua Olivio Gealdini Mariot 79, em Urussanga.<\/p>\n<p>Na comunidade de S\u00e3o Pedro, interior de Urussanga, a fam\u00edlia Mazon, imigrante de Treviso, na It\u00e1lia, iniciou a produ\u00e7\u00e3o de uva e vinhos na d\u00e9cada de 1970 e, 30 anos mais tarde, abra\u00e7ou o enoturismo, oferecendo um lugar ideal para confraternizar, relaxar e degustar a boa comida e o bom copo. O card\u00e1pio n\u00e3o poderia ser mais saboroso: frango ensopado, feito no fog\u00e3o \u00e0 lenha; fortaia, que s\u00e3o ovos batidos \u00e0 moda italiana misturados com queijo e galinha frita na banha com cebola alho, molho de tomate. Antes, por\u00e9m, voc\u00ea degusta salada de folhas de radicchio estalando de frescas com molho pesto feito com nozes pecan.<\/p>\n<p>Gizelda Mazon lembra que a propriedade j\u00e1 foi \u201cponto de parada para descanso dos que \u00edam em busca das \u00e1guas termais de Gravatal, que fica a apenas 60 quil\u00f4metros\u201d. Considerada a express\u00e3o m\u00e1xima do terroir s\u00e3o os espumantes produzidos pelo m\u00e9todo champenoise (ou tradicional) brut e demi sec Terrarra, al\u00e9m dos vinhos seco e demi sec Augusta, em homenagem \u00e0 Augusta Debiasi, m\u00e3e dos fundadores da Vigna Mazon. Com diversos sal\u00f5es, no meio do parreiral, l\u00e1 costumam ser realizadas festas de casamento, formatura, anivers\u00e1rios, congressos e cursos de degusta\u00e7\u00e3o de vinhos e cozinha gourmet. Acesse <a href=\"http:\/\/www.mazon.com.br\">www.mazon.com.br<\/a> ou ligue (48) 3465-1227.<\/p>\n<h2>Casa de pedra<\/h2>\n<p>Natural de Nova Veneza, cidade pr\u00f3xima, o arquiteto N\u00e9vton Vicente Rech Bortolotto \u00e9 diretor de Cultura e Turismo de Urussanga, mas voc\u00ea poder\u00e1 encontr\u00e1-lo no hor\u00e1rio de refei\u00e7\u00f5es no restaurante Pirago, tocado por ele e pela mulher, no bairro do mesmo nome. Trata-se da primeira casa t\u00edpica colonial edificada em pedra a partir de 1885 por imigrantes italianos provenientes de Pirago, regi\u00e3o italiana de Longarone. O pr\u00e9dio, que conserva a beleza e a originalidade, guarda ambiente acolhedor gra\u00e7as \u00e0 madeira de demoli\u00e7\u00e3o usada no interior.<\/p>\n<p>L\u00e1 se pode comer muito bem e barato. Por apenas R$ 60 s\u00e3o servidos cinco pratos entre as seguintes op\u00e7\u00f5es: risoto de alho-por\u00f3 com palmito e lingui\u00e7a; nhoque recheado de mu\u00e7arela ao molho de 4 queijos; espaguete \u00e0 matriciana; fil\u00e9 de frango com molho de aspargo; fil\u00e9-mignon ao funghi e outras. Fica na Estrada Giovanni Baldessa, telefone (48) 3465-2907.<\/p>\n<h2>S\u00e3o Joaquim<\/h2>\n<p>O caminho mais bonito para Urussanga \u2014 cidade que cultiva a tradi\u00e7\u00e3o italiana e todos os anos realiza a festa Ritorno Alle Origini, este ano foi de 24 a 26 de maio \u2014 \u00e9 pela SC 114 atravessando a Serra do Rio do Rastro, conjunto de c\u00e2nions de excepcional beleza localizados no munic\u00edpio de Bom Jardim da Serra. \u00c9 necess\u00e1rio, contudo, que o tempo esteja bom, com c\u00e9u limpo, caso contr\u00e1rio cai a neblina e pouco se enxerga da paisagem.<\/p>\n<p>S\u00e3o Joaquim, a regi\u00e3o mais fria de Santa Catarina, a metros a n\u00edvel do mar, \u00e9 um terroir excelente para uvas francesas como Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir e Sauvignon Blanc. Ancorados nas lembran\u00e7as do av\u00f4 que produzia vinhos na regi\u00e3o metropolitana de Curitiba, os irm\u00e3os Bassetti liderados por Jos\u00e9 Eduardo, engenheiro qu\u00edmico e editor, em 2008 deram in\u00edcio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da Villagio Basseti. \u201cVamos fazer vinhos e beb\u00ea-los lendo livro\u201d, brincava o editor, que f\u00eaz parceria com o turism\u00f3logo Eduardo Sob\u00e2nia, da ag\u00eancia Na Trilha Certa, e oferece visita \u00e0 vin\u00edcola\u2026 de bicicleta.<\/p>\n<p>Ainda limitada a uma vin\u00edcola boutique, a empresa tem planos de construir nova cantina e um bistr\u00f4. Destaque para o Donna Enny, Sauvignon Blanc varietal que homenageia a m\u00e3e dos fundadores de 92 anos. Fica \u00e0 margem da rodovia SC 114, km 295, a 11 quil\u00f4metros do centro de S\u00e3o Joaquim, tamb\u00e9m considerada a capital nacional da ma\u00e7\u00e3. Al\u00e9m da fruta, \u00e9 t\u00edpica de l\u00e1 Frescal, que \u00e9 uma carne salgada desidratada naturalmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por muito tempo, a maior atra\u00e7\u00e3o da Serra Catarinense foi o frio. Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, al\u00e9m das baixas temperaturas que atraem turistas do Brasil inteiro, as terras de Santa Catarina produzem uvas vin\u00edferas que se transformam nos melhores vinhos de altitude do pa\u00eds. S\u00e3o castas francesas e italianas que chegaram ao estado trazendo um novo panorama para a viticultura. 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