Maus tratos: imagem mostra Cavalos da Polícia Militar do Distrito Federal que iam ser leiloados.
IMG_1742 Foto: Hugo Gonçalves/@cbfotografia-Cavalos da Polícia Militar do Distrito Federal que iam ser leiloados.

Protetores evitam leilão de cavalos da PM

Publicado em maus tratos

Maus tratos: Em idade avançada, os equinos que serviram à corporação por até 17 anos seriam vendidos por valores entre R$ 200 e R$ 500. Agora, a ideia é que sejam adotados. Governo estuda o destino deles

 

(por ISA STACCIARINI, da editoria de Cidades do Correio Braziliense)

Em meio a 105.234 itens, como armários, mesas, divisórias, computadores, carros, ventiladores e outros bens, 23 cavalos mestiços e crioulos da Polícia Militar foram incluídos no patrimônio considerado sem serventia para o governo do Distrito Federal. Por pouco, não foram leiloados na última segunda-feira. Depois de servir à corporação por até 17 anos, os animais seriam vendidos por lances iniciais que variavam de R$ 200 a R$ 500. Três dias antes da venda, atendendo a um apelo dos protetores dos animais, a Secretaria do Meio Ambiente enviou um ofício à Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag), que retirou os equinos do processo de venda. O medo era de que os animais fossem destinados a carroceiros e corressem o risco de maus tratos.

Os cavalos são do Regimento de Polícia Montada (RPMon) e têm entre 16 e 29 anos. Normalmente, um equino chega a 26 anos, mas o animal mais velho da Polícia Militar morreu com 32. Entre 2013 e 2014, a corporação declarou a indisponibilidade de parte deles por motivos de idade e problemas no aparelho locomotor. O comandante do batalhão, tenente coronel Fábio Augusto Vieira, está no quartel desde 1996. Ele contou que eram 30 animais declarados indisponíveis, mas sete morreram há cerca de quatro meses.

Segundo o oficial, durante os 20 anos em que trabalha no RPMon, essa é a primeira vez que os equinos seriam levados a leilão. “Geralmente acontece uma doação às instituições públicas. São cavalos usados para manifestação, policiamento ordinário de ruas e de grande ostensividade. Quando abrimos uma licitação para a aquisição pegamos em média de idade de 4 a 6 anos”, explicou. Ao todo, existem 264 cavalos no RPMon para um total de 270 militares.

A chefe da unidade estratégica de direitos animais da Secretaria do Meio Ambiente, Mara Moscoso, explicou que a chamada do leilão oferecia bens “inservíveis”. Ela contou que a oferta dos cavalos surpreendeu a pasta, porque, depois de aposentados, geralmente os animais são doados. “Consideramos animais seres sencientes, porque eles têm muito sentimento como os seres humanos. Sentem dor, frio, alguns sentem saudade e não devem ser tratados como coisa ou algo que se usou durante anos e agora pode descartar”, observou.

A sugestão da Secretaria é que os cavalos sejam adotados. Ela explicou que, em razão da idade, alguns estão lesionados e outros não podem ser montados. “Gostaríamos que eles fossem tratados com muito respeito e fossem encaminhados à adoção responsável por pessoas que não vão explorá-los. Esses cavalos têm temperamento forte e jamais serviriam para puxar charrete em uma chácara ou um hotel fazenda, por exemplo, alertou.

Para a diretora-geral da Proanima — associação protetora dos animais do DF —, Valeria Sokael, a atitude de anunciar os equinos a leilão representou tratar os animais como objetos que a Polícia Militar não usava mais. Na visão dela, os cavalos precisam ser encaminhados para um local adequado. “O leilão vende mercadorias e o comprador dá o destino que quiser. Para nós é importante que esses cavalos não fiquem nas mãos de qualquer pessoa. São animais já velhos e de um temperamento específico e que receberam treinamento”, destacou.

Valeria ressaltou que é necessário encaminhá-los a um local adequado para pessoas que possam cuidar dos animais e tratá-los adequadamente. “É importante que eles saiam para o devido encaminhamento. São animais muito velhos que não podem ser montados, por exemplo. A nossa preocupação é que eles fossem comparados por carroceiros e parassem nas ruas”, alertou.

Segundo ela, esse tipo de animal não tem perfil de ser usado para puxar carroça. “Não ia dar certo, porque eles não fazem esse serviço de jeito nenhum. Os carroceiros iam tentar fazê-los puxarem carroça e iriam bater nos animais. Eles acabariam sendo maltratados e até mortos”, alertou.

Por meio de nota, a Seplag explicou que recebeu da PM o pedido para “desincorporar 23 equinos que não estavam mais em condições de prestar serviços à corporação”. Após receber o aviso, eles foram incluídos na lista do leilão. “Contudo, os animais foram retirados prontamente — antes da realização do evento — após questionamento da Secretaria do Meio Ambiente do DF e recomendação da Assessoria Jurídico-Legislativa da Seplag para a exclusão dos lotes de equinos do leilão”, informou.

Por enquanto, os animais continuam no batalhão da PM e, segundo a Seplag, a pasta “aguarda manifestação da Procuradoria-Geral do DF sobre o destino deles, que deverá se aplicar para outros os demais animais como os cavalos da PM.” A Procuradoria Geral do DF informou que o caso está em análise para a elaboração do parecer.

 

Como adotar

Os interessados em adotar os cavalos devem encaminhar um e-mail para pangare@proanima.org.br. Receberão de volta um questionário com diversas questões, como o tipo de propriedade onde o cavalo ficará, a localização e o declive do terreno, além da disponibilidade de água, comida e tratamento veterinário. A partir daí, é feita uma seleção e uma equipe da Proanima visita a propriedade. Ao atestar as condições do lugar, os animais são entregues por meio de transporte específico. A ProAnima fiscaliza as condições, inclusive depois da adoção.

6 thoughts on “Protetores evitam leilão de cavalos da PM

  1. Acho que os cavalos são heróis. Sua juventude e sua saúde foram todos entregues ao trabalho. Passaram por grandes feitos juntamente com os policiais, perseguiram criminosos, enfrentaram de peito aberto uma multidão em protesto, foram heróis, aliás são heróis. Hoje os velhos veteranos não podem ser entregues a qualquer um. Não apenas pelo fato de possíveis maus tratos. Os cavalos assim como em um regimento de policiais, foram unidos por hierarquia, por respeito, assim como os colegas de fardas, também estavam sempre de serviços, juntos, passando por batalhas juntos, trabalharam juntos, talvez saibam quem estava a direita, ou à esquerda, ou quem puxava a fila, talvez hajam entre eles, respeito e admiração. São um time, quantos anos não serviram juntos? Quantas missões? Porque agora em tempo de descanso os heróis têm que se separar? É tempo de contar os feitos, recordar as lembranças de tempos em que eram fortes guerreiros. Não separem essa família. Acho que o Estado tem grane possibilidade de manter uma fazenda especialmente para abrigar essa família de heróis, Acho que precisam de um lugar onde quem for tratar dos cavalos saberão que estão cuidando de um seleto grupo de animais, treinados, inteligentes, e que seguiram sempre juntos. Que descansem em pastos juntos. Que as autoridades competentes não separem os heróis. Façam um lugar de descanso para os heróis. Danielposvar@gmail.com

    1. Esse é o tratamento que recebe quem prestou serviço por muitos anos à sociedade. Aqui, aposentados são um “problema” para o governo, são desrespeitados nas filas dos hospitais, nos órgãos públicos, no trânsito e só não são chamados de inservíveis diretamente, mas indiretamente são vistos como tal. A culpa da crise é do “aposentado” e não da má gestão ou da corrupção. A mesma coisa com os equinos. Esses animais trabalharam muito, ajudaram na manutenção da ordem pública a e agora são “inservíveis”. O governo e a PM deveriam usar uma verba para manter esses animais “aposentados” em um local digno até terem uma morte digna. Garanto que o custo disso seria muito menor que o que já se gastou na PM com coisas fúteis, superfaturadas ou com licitação fraudada, como há notícias por aí.

  2. Ora ora! veja a preocupação que ficaram com CAVALOS! quem dera tivessem a mesma preocupação com os SERES HUMANOS POLICIAIS MILITARES que arriscam suas vidas diuturnamente combatendo o crime, arriscando suas vidas.

  3. Sendo cavalos tão bem tratados e saudáveis, vende pro açougue fazer linguiça, ué. É cada bobajada…

  4. Meu Deus !!!!!!! Como pode um senhor fazer um comentário repugnante desses !!! Pessoas e BICHOS merecem RESPEITO !!!! Aposto minha vida que o outro senhor fala da ” boca para fora ” sobre se preocupar somente com os policiais militares !!!! Me desculpe…todos os seres vivos no planeta terra merecem cuidados e respeito, principalmente estes animais maravilhosos que serviram inclusive na proteção destes dois senhores e suas respectivas famílias !! Parabéns aos outros dois senhores que defenderam e falaram exatamente como as coisas deveriam funcionar !!!

  5. SÃO UMA PACHORRA ALGUNS DESSES COMENTÁRIOS QUE LI AQUI EM BAIXO!! Não é a toa que foi possível que colocassem a venda seres que deram sua vida útil ao serviço para e pelo outro, tem MUITA gente ruim nesse mundo. São pessoas como estas nos comentários que contribuem para esse mundo ser a b*sta que é, fingem ser cumpridores da lei e da boa moral, mas são monstros que não têm a mínima empatia pela vida alheia, insensíveis, fingem preocupação até com outro ser humano para serem bem aceitos. Quer conhecer um ser humano egoísta, interesseiro e covarde? Observe se ele não gosta de animais e destrata-os ou até os maltratam, pois estes não têm como se defender e a violência contra animais no Brasil ainda é BASTANTE tolerada, logo permanece impune na maioria dos casos. É fácil demais se aproveitar de um ser que não tem consciência do que o outro quer dele, até um enorme ser como o cavalo é como uma criança em mentalidade e raciocínio, são seres sencientes, merecem respeito e são dignos de direitos só por estarem vivos, dentre estes a uma vida digna, sem sofrimento e dor. Não importa se você é Médico, Juiz, Advogado, Engenheiro, Empresário de sucesso, se você não tem empatia pela vida de um indefeso animal, nem ao menos compaixão, você é uma ESCÓRIA REPUDIÁVEL, uma espécie de PSICOPATA que não mata pessoas, talvez por ainda ter em seu íntimo um limite tênue entre valor da vida humana e de um outro ser qualquer, ou até mesmo por apenas temer a represália por matar um ser humano.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *