{"id":102,"date":"2015-10-04T11:00:00","date_gmt":"2015-10-04T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/2015\/10\/04\/caes_podem_ter_alzheimer\/"},"modified":"2015-10-04T11:00:00","modified_gmt":"2015-10-04T11:00:00","slug":"caes_podem_ter_alzheimer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/caes_podem_ter_alzheimer\/","title":{"rendered":"C\u00e3es podem ter Alzheimer?"},"content":{"rendered":"<p>da Revista do Correio <\/p>\n<p>Seu pet deixou de atender comandos e parece estar sempre perdido? \u00c9 bom ficar atento, pois ele pode ter desenvolvido a S\u00edndrome da Disfun\u00e7\u00e3o Cognitiva Canina <\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/mais-bichos\/cc9d193eb4a80541f2d54f029a82f257.jpg\"> <\/p>\n<p>Durante um passeio rotineiro, Flockinho ficou desorientado. Tempos depois, foi diagnosticado com SDCC. Foto Zuleika de Souza\/CB\/DA Press <\/p>\n<\/div>\n<p>A S\u00edndrome da Disfun\u00e7\u00e3o Cognitiva Canina (SDCC) pode trazer certa confus\u00e3o mental aos c\u00e3es. A doen\u00e7a \u00e9 vulgarmente conhecida como \u201cAlzheimer canino\u201d, pois alguns sintomas s\u00e3o bem parecidos com os do Alzheimer humano. \u201cA SDCC traz altera\u00e7\u00f5es semelhantes, mas n\u00e3o \u00e9 a mesma patologia\u201d, explica o neurologista veterin\u00e1rio Marco Tibery. <\/p>\n<p> Em est\u00e1gio mais avan\u00e7ado da doen\u00e7a, as mascotes podem deixar de reconhecer os donos e de atender a chamados. Elas deixam de fazer as necessidades fisiol\u00f3gicas nos locais adequados e at\u00e9 esquecem o pr\u00f3prio nome. \u201cO animal perde a capacidade de fazer coisas rotineiras\u201d, afirma o veterin\u00e1rio Rodrigo Tesser, especialista em neurologia veterin\u00e1ria. <\/p>\n<p> De acordo com Tibery, o mais importante \u00e9 o diagn\u00f3stico correto. \u201cO ponto de partida \u00e9 o que o tutor conta para o veterin\u00e1rio. N\u00f3s aplicamos um question\u00e1rio para saber dos h\u00e1bitos dos cachorros\u201d, explica. A avalia\u00e7\u00e3o deve ser minuciosa e criteriosa. \u201cTemos que excluir outras doen\u00e7as semelhantes\u201d, detalha. \u201cQuando n\u00e3o existe nenhum sinal f\u00edsico, j\u00e1 consideramos que pode haver comprometimento mental do cachorro\u201d, complementa o veterin\u00e1rio Rafael Souza. <\/p>\n<p> Qualquer doen\u00e7a relacionada ao enc\u00e9falo, dependendo da \u00e1rea afetada, pode comprometer a mem\u00f3ria do animal. \u201cUm AVC (acidente vascular cerebral), ou tumores, por exemplo. A gente faz uma s\u00e9rie de exames para identificar e descartar outras altera\u00e7\u00f5es\u201d, explica Tesser. \u201cPara fechar o diagn\u00f3stico, \u00e9 preciso uma s\u00e9rie de exames de sangue, bioqu\u00edmicos, tomografia computadorizada, resson\u00e2ncia magn\u00e9tica e, a partir da\u00ed, vamos afunilando\u201d, conta Marco Tibery. Por fim, \u00e9 feita uma bi\u00f3psia do c\u00e9rebro ou um exame histopatol\u00f3gico. <\/p>\n<p> Quanto mais idoso, mais predisposto o animal fica. Todas as ra\u00e7as s\u00e3o suscet\u00edveis. \u201c\u00c9 uma degenera\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios. Os c\u00e3es a partir dos 8 anos de idade podem ter essa doen\u00e7a, que, geralmente, vem acompanhada de outras\u201d, diz Rodrigo Tesser. Flock (ou Flockinho, para os \u00edntimos) \u00e9 um mesti\u00e7o de bichon fris\u00e9 e tem 13 anos. Apesar de superssaud\u00e1vel, h\u00e1 pouco mais de 1 ano, o cachorro come\u00e7ou a apresentar comportamentos anormais. Os h\u00e1bitos estranhos se manifestaram durante um passeio de rotina. O pet \u201cesqueceu\u201d o caminho que fazia todos os dias com os donos. Flock come\u00e7ou a andar pelo sentido contr\u00e1rio, a ter dificuldade de passar por grades, e parecia estar perdido. <\/p>\n<p> Outros sinais preocuparam a fam\u00edlia. Flock passou a dormir em lugares diferentes do habitual e deixou de fazer as necessidades nos locais de costume. Assim, o pet foi encaminhando para exames de sangue e radiografias. Ap\u00f3s um longo processo de observa\u00e7\u00e3o e checagens, os veterin\u00e1rios atestaram: o c\u00e3ozinho tem S\u00edndrome da Disfun\u00e7\u00e3o Cognitiva Canina (SDCC). <\/p>\n<p> De acordo com a advogada Ana L\u00facia Souza, 59 anos, propriet\u00e1ria do animal, os h\u00e1bitos estranhos continuam, mas de forma controlada. \u201cEle ainda late muito e tem dias que n\u00e3o quer passear. Sei que ele est\u00e1 fazendo coisas que tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o certas. Faz as necessidades nos locais errados, chora sem motivo, fica debaixo das coisas\u201d, relata. <\/p>\n<p> Al\u00e9m do \u201cAlzheimer canino\u201d, Flock tem s\u00edndrome de Cushing. Uma doen\u00e7a provocada pela alta concentra\u00e7\u00e3o no corpo de horm\u00f4nio cortisol, conhecido tamb\u00e9m como o horm\u00f4nio do estresse. O cachorro toma cerca de 3 rem\u00e9dios por dia. \u201cUm antioxidante para a SDCC, outro para a s\u00edndrome de Cushing e mais um rem\u00e9dio para aumentar a imunidade\u201d, relata Ana L\u00facia, empenhada no bem-estar do bichinho. <\/p>\n<p> \u201cPara mim \u00e9 como se ele fosse um beb\u00ea. O Flockinho fez parte de um per\u00edodo bem dif\u00edcil da minha vida. Eu estava vivendo um momento de mudan\u00e7as, as pessoas achavam que eu poderia ficar doente e ele foi a parte mais especial de tudo o que aconteceu naquela \u00e9poca. Ele \u00e9 muito apegado e muito ciumento tamb\u00e9m\u201d, derrete-se a tutora. Com a fam\u00edlia ainda mora outro pet: Chiquita, uma mesti\u00e7a de pinscher de aproximadamente 7 anos. Ela e Flock se d\u00e3o muito bem. <\/p>\n<p> <b>Depois da confirma\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p> <\/b> <\/p>\n<p> Assim como o Alzheimer humano, a Disfun\u00e7\u00e3o Cognitiva Canina n\u00e3o tem cura e o tratamento consiste em controlar os efeitos. \u201cOs rem\u00e9dios t\u00eam o objetivo de evitar a progress\u00e3o da doen\u00e7a de forma acelerada. Os medicamentos devem repor os neurotransmissores, mas n\u00e3o podem recuperar os neur\u00f4nios j\u00e1 destru\u00eddos\u201d, explica o neurologista veterin\u00e1rio Marco Tibery. <\/p>\n<p> Os rem\u00e9dios s\u00e3o \u00e0 base de antioxidantes. O animal tamb\u00e9m pode ser tratado com alguns exerc\u00edcios. Essas atividades devem trabalhar a quest\u00e3o da cogni\u00e7\u00e3o. A mente do c\u00e3o funciona com associa\u00e7\u00f5es. Quando ele deixa de fazer essas associa\u00e7\u00f5es, \u00e9 sinal de que a capacidade cognitiva est\u00e1 comprometida. <\/p>\n<p> Uma abordagem preventiva seria o ideal. Mas ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel antecipar esse tipo de problema no pet. Por isso, os tutores devem estar atentos \u00e0s menores mudan\u00e7as de comportamento e tentar iniciar precocemente o tratamento. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a s\u00fabita. \u00c9 sempre gradativa e progressiva. O animal vai perdendo a parte mental aos poucos\u201d, explica o veterin\u00e1rio Rafael Souza. <\/p>\n<p><b>Sinais leves<\/b> <\/p>\n<p> Trocar o dia pela noite <\/p>\n<p> Dificuldade em atender chamados <\/p>\n<p> Urinar e defecar em locais n\u00e3o habituais <\/p>\n<p> N\u00e3o interagir com as pessoas ou outros animais <\/p>\n<p> Andar sem dire\u00e7\u00e3o certa, mesmo dentro da pr\u00f3pria casa <\/p>\n<p> Choro frequente <\/p>\n<p> Latidos sem motivo <\/p>\n<p> Apatia <\/p>\n<p> Olhar perdido <\/p>\n<p><b>Sinais severos<\/b> <\/p>\n<p> N\u00e3o reconhecer o pr\u00f3prio nome <\/p>\n<p> N\u00e3o reconhecer os propriet\u00e1rios <\/p>\n<p> N\u00e3o identificar a pr\u00f3pria casa <\/p>\n<p> N\u00e3o achar a sa\u00edda de alguns locais (atr\u00e1s do sof\u00e1, por exemplo) <\/p>\n<p> N\u00e3o responder aos comandos b\u00e1sicos <\/p>\n<p> Ficar encostado na parede <\/p>\n<p> Esquecer de beber \u00e1gua <\/p>\n<p> N\u00e3o conseguir achar a ra\u00e7\u00e3o dentro do pote de comida   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>da Revista do Correio Seu pet deixou de atender comandos e parece estar sempre perdido? \u00c9 bom ficar atento, pois ele pode ter desenvolvido a S\u00edndrome da Disfun\u00e7\u00e3o Cognitiva Canina Durante um passeio rotineiro, Flockinho ficou desorientado. 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