{"id":1388,"date":"2016-06-19T06:20:17","date_gmt":"2016-06-19T09:20:17","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/?p=1388"},"modified":"2016-06-18T16:51:38","modified_gmt":"2016-06-18T19:51:38","slug":"crossfit-animal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/crossfit-animal\/","title":{"rendered":"Crossfit animal"},"content":{"rendered":"<p><strong>(por Gl\u00e1ucia Chaves, da Revista do Correio)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quem v\u00ea cachorros percorrendo um monte de obst\u00e1culos a toda velocidade logo imagina que se trata de um treino complicado demais para levar o pr\u00f3prio pet. De fato, h\u00e1 competi\u00e7\u00f5es de agility espalhadas por todo o mundo, mas a filosofia do esporte n\u00e3o \u00e9 apenas competir e ganhar pr\u00eamios. Na verdade, o exerc\u00edcio atua em muitas frentes do comportamento animal e pode ser \u00fatil para contornar diversos problemas, de agressividade excessiva a medo. A adestradora Tha\u00eds Moys\u00e9s Rodrigues explica que a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 inspirada nos circuitos de hipismo, em que o cavalo precisa cumprir um percurso em um determinado tempo. No caso da corrida canina, os bichos t\u00eam de 30 a 50 segundos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de deixar o bicho em forma, o agility serve para estreitar os la\u00e7os entre tutor e animal. \u201cO treino \u00e9 feito com muito refor\u00e7o positivo. O cachorro \u00e9 estimulado a prestar aten\u00e7\u00e3o no dono e a ser recompensado por isso\u201d, explica Tha\u00eds Rodrigues. Cada vez que acerta, ele recebe um petisco e fica mais confiante para enfrentar desafios novos. Como c\u00e3o feliz tamb\u00e9m \u00e9 sin\u00f4nimo de dono satisfeito, todo mundo ganha. \u201cQuando ele erra, nada acontece. Por isso, o treino \u00e9 motivacional \u2014 \u00e9 um momento de qualidade de vida.\u201d<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o pense que s\u00f3 o cachorro vai se mexer. Para que o animal se sinta estimulado (e saiba o que tem que fazer), o dono tamb\u00e9m precisa agitar o esqueleto. \u201cA supera\u00e7\u00e3o dos obst\u00e1culos pelo c\u00e3o depende da sintonia com o dono. O dono vira um foco de confian\u00e7a, isso fortalece a rela\u00e7\u00e3o\u201d, frisa a adestradora. Fazer algo com o bichinho que n\u00e3o seja a burocr\u00e1tica voltinha pela quadra \u00e9 extremamente ben\u00e9fico para o pet, segundo Tha\u00eds \u2014 e \u00e9 tamb\u00e9m algo pouco comum entre os tutores de hoje em dia. \u201cA maioria das pessoas trabalha o dia inteiro e o cachorro fica sozinho. Normalmente, quando o levam para passear, s\u00e3o atividades mais interessantes para o humano do que para o c\u00e3o\u201d, aponta.<\/p>\n<p>No agility, al\u00e9m de aprender coisas novas, o animal tem a chance de socializar com outros pets. Isso acontece por conta da din\u00e2mica do treino: um por um, os c\u00e3es (e seus donos) s\u00e3o chamados para a pista de obst\u00e1culos. Cada atividade dura em torno de cinco minutos para que o animal n\u00e3o se canse e perca o foco. Depois, a dupla vai para o banquinho e espera ser chamada novamente. Enquanto n\u00e3o chega a hora de \u201cmalhar\u201d de novo, os cachorros brincam, correm e interagem entre si. \u201cApesar de n\u00e3o ser um trabalho espec\u00edfico para melhorar comportamentos como medo ou agressividade, o c\u00e3o socializa e fica cansado \u2014 e todo mundo sabe que um cachorro cansado \u00e9 um cachorro feliz\u201d, completa Tha\u00eds.<\/p>\n<p>Para os humanos, o agility n\u00e3o \u00e9 passivo nem na pista nem em casa. Isso acontece porque a aula n\u00e3o acaba quando termina: depois da \u201cmaromba\u201d, os tutores precisam continuar a treinar os exerc\u00edcios, como uma esp\u00e9cie de dever de casa. \u201cO agility exige muito dos donos, porque eles t\u00eam que se tornar um pouco adestradores\u201d, completa a bi\u00f3loga e adestradora Lu\u00edza Oliveira Dias. Treinar em casa o que foi passado na aula e procurar informa\u00e7\u00f5es sobre t\u00e9cnicas de adestramento s\u00e3o provid\u00eancias interessantes para quem busca resultados consistentes.<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><\/p>\n<p>Quem pode fazer: o agility \u00e9 indicado para qualquer cachorro, de ra\u00e7a ou n\u00e3o. Se o objetivo for competir, c\u00e3es velozes (como border collie e pastor-de-shetland) s\u00e3o os mais indicados. O treino com filhotes \u00e9 um pouco diferente, j\u00e1 que ainda n\u00e3o t\u00eam a estrutura \u00f3ssea totalmente formada. Animais idosos tamb\u00e9m se exercitam de forma mais leve e sem impacto, por j\u00e1 estarem com as articula\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis.<\/p>\n<p><strong>Objetivo:<\/strong> melhorar o condicionamento f\u00edsico do animal; promover a intera\u00e7\u00e3o tutor-animal; participar de competi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Principais obst\u00e1culos:<\/strong> saltos, t\u00faneis, gangorra, passarela, rampa em \u201cA\u201d e o slalom (12 varetas enfileiradas para o c\u00e3o desviar).<\/p>\n<p><strong>Cuidados:<\/strong> procure se informar sobre conceitos b\u00e1sicos de adestramento antes de come\u00e7ar. Por inexperi\u00eancia, alguns donos podem levar o c\u00e3o a se machucar.<\/p>\n<p><strong>Um preparo intenso<\/strong><\/p>\n<p>Se a ideia \u00e9 competir profissionalmente, a prepara\u00e7\u00e3o precisa ir bem al\u00e9m do dever de casa. H\u00e1 casos de donos que precisaram entrar em forma para investir nos treinos do pet. \u201c\u00c9 um exerc\u00edcio de explos\u00e3o, com muitas curvas e mudan\u00e7as de dire\u00e7\u00e3o\u201d, enumera a adestradora Lu\u00edza Dias. \u201cPara algumas pessoas, pode ser bem cansativo, j\u00e1 que o dono de um c\u00e3o competidor faz uma m\u00e9dia de quatro percursos com o cachorro.\u201d<\/p>\n<p>A falta de costume em adestrar o animal de estima\u00e7\u00e3o \u00e9 o principal entrave para quem come\u00e7a no agility, mas Lu\u00edza explica que a falha \u00e9 cultural. Em outros pa\u00edses, o filhote sai do abrigo de animais direto para aulas de \u201cboas maneiras\u201d. \u201cAqui, ainda temos a cultura de deixar o cachorro no quintal. No exterior, as pessoas t\u00eam mais a no\u00e7\u00e3o de que o c\u00e3o \u00e9 parte da fam\u00edlia e h\u00e1 mais responsabiliza\u00e7\u00e3o do dono se o cachorro fizer algo de errado.\u201d<\/p>\n<p>Para a m\u00e9dica veterin\u00e1ria Lizi\u00e8 Pereira Bufs, 34 anos, o agility salvou sua rela\u00e7\u00e3o com Stella, uma cadela sem ra\u00e7a definida de 6 anos de idade. Lizi\u00e8 encabe\u00e7a o projeto social Bicharada da Casa 7, que d\u00e1 dicas e informa\u00e7\u00f5es para evitar maus-tratos e abandono de animais. Em 2011, Stella chegou. Anarquista, a cadela latia sem parar, comia o que aparecesse pela frente e n\u00e3o aceitava comandos. \u201cEu ficava muito frustrada. N\u00e3o conseguia ensinar nada. O comportamento animal n\u00e3o \u00e9 uma \u00eanfase da gradua\u00e7\u00e3o em veterin\u00e1ria.\u201d<\/p>\n<p>Lizi\u00e8 tentou v\u00e1rios adestradores, mas n\u00e3o estava interessada em abordagens punitivas. Mais que comandos como \u201csenta\u201d e \u201cdeita\u201d, a veterin\u00e1ria buscava um m\u00e9todo que realmente ensinasse como Stella deveria se comportar em todos os momentos, dentro ou fora de casa. Quando descobriu o agility, mergulhou em leituras sobre adestramento com refor\u00e7o positivo. \u201cO mais dif\u00edcil \u00e9 dar aten\u00e7\u00e3o aos comportamentos bons em vez de focar nos ruins. Voc\u00ea tem que se reeducar.\u201d<\/p>\n<p>Os resultados foram r\u00e1pidos: em apenas um m\u00eas, Stella j\u00e1 prestava aten\u00e7\u00e3o nos comandos e tentava se comunicar com a dona de maneira positiva. \u201cJ\u00e1 resgatei mais de 60 cachorros de rua e ela foi a \u00fanica que cheguei a me questionar se seria feliz comigo. Era um\u00a0 sentimento de derrota horr\u00edvel\u201d, reconhece Lizi\u00e8. Hoje, Stella nem parece a mesma cachorra: parou de destruir as coisas e at\u00e9 viaja com a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Composto de uma s\u00e9rie de obst\u00e1culos, o agility ajuda o c\u00e3o a superar inseguran\u00e7as e facilita a integra\u00e7\u00e3o do bichinho. De quebra, os donos ainda queimam algumas calorias<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":1389,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[45,12,13,2,44,25,27,28,11,26,31,33,32,29],"tags":[36,37,38,20,3,14,16,4,19,17,42,15,5],"class_list":["post-1388","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-adocao","category-alimentacao-pet","category-animais-perdidos","category-blogueiros","category-celebridades","category-comportamento","category-concurso-pet","category-entrevista","category-eventos-pet","category-fotografia-pet","category-maus-tratos","category-recorde","category-redes-sociais","category-saude-pet","tag-blogmaisbichos","tag-correiobraziliense","tag-saude","tag-adocao","tag-animais","tag-bichos","tag-caes","tag-cuidados","tag-feiras","tag-gatos","tag-luisa-mell","tag-maus-tratos","tag-pets"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1388","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1388"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1388\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1390,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1388\/revisions\/1390"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1389"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1388"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1388"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1388"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}