{"id":1657,"date":"2016-08-14T08:00:30","date_gmt":"2016-08-14T11:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/?p=1657"},"modified":"2016-08-12T15:59:44","modified_gmt":"2016-08-12T18:59:44","slug":"dor-e-delicia-de-ser-o-que-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/dor-e-delicia-de-ser-o-que-e\/","title":{"rendered":"A dor e a del\u00edcia de ser o que \u00e9"},"content":{"rendered":"<p>(por Ailim Cabral, da Revista do Correio) (fotos Zuleika de Souza\/@cbfotografia)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O excesso de dobras; a apar\u00eancia, at\u00e9 meio emburrada, do focinho encolhido; o andar cheio de rebolado e as tentativas de correr com as pernas curtas s\u00e3o caracter\u00edsticas que conferem ao buldogue um imenso carisma. No entanto, os tra\u00e7os que atraem muitos compradores e adotantes podem indicar s\u00e9rios problemas gen\u00e9ticos, que afetam a sa\u00fade da ra\u00e7a. Um grupo de pesquisadores do Centro de Companheiros da Sa\u00fade Animal da Universidade da Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos, acaba de concluir que, justamente a busca pela reprodu\u00e7\u00e3o do buldogue ingl\u00eas somente entre os representantes mais puros da ra\u00e7a tem perpetuado certas especificidades gen\u00e9ticas que podem comprometer a qualidade de vida desses cachorros.<\/p>\n<p>Segundo a tese, a sele\u00e7\u00e3o artificial feita ao longo dos anos e a partir de poucos indiv\u00edduos da ra\u00e7a \u2014 a reprodu\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em 1835, com 68 buldogues ingleses \u2014 contribuiu para que os problemas gen\u00e9ticos, como a displasia de quadril, dificuldades respirat\u00f3rias pelo formato do cr\u00e2nio, c\u00e2ncer e cherry eye (condi\u00e7\u00e3o na qual o c\u00e3o tem um pequeno cisto na p\u00e1lpebra interna do olho), se estabelecessem com muita frequ\u00eancia nos animais considerados de ra\u00e7a pura.<\/p>\n<p>A partir do estudo realizado com 102 buldogues, sendo 87 deles dos Estados Unidos e 15 de outros pa\u00edses, os pesquisadores conclu\u00edram que a aus\u00eancia de diversidade gen\u00e9tica na ra\u00e7a pode ter chegado a um n\u00edvel cr\u00edtico e que a sa\u00fade apresentada pelos c\u00e3es atuais n\u00e3o tem perspectiva de melhora. Significa dizer que os genes problem\u00e1ticos que esses animais t\u00eam hoje ser\u00e3o mantidos e transmitidos aos filhotes. Assim, o resultado do estudo americano levanta a reflex\u00e3o quanto ao verdadeiro valor de ra\u00e7as puras e se manter um certo padr\u00e3o f\u00edsico \u00e9 realmente saud\u00e1vel para os animais.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBPFOT100820160132.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1658\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1658 alignleft\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBPFOT100820160132-199x300.jpg\" alt=\"CBPFOT100820160132\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBPFOT100820160132-199x300.jpg 199w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBPFOT100820160132-232x350.jpg 232w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBPFOT100820160132-230x347.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBPFOT100820160132.jpg 531w\" sizes=\"auto, (max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A m\u00e9dica veterin\u00e1ria Lorena Andrade Nichel tem muitos buldogues ingleses como pacientes. Apesar de ser apaixonada pela ra\u00e7a e de duvidar que eles possam ser extintos, ela concorda com o alerta do centro americano. \u201cCom a popularidade da ra\u00e7a, houve muita cruza sem estudos e os problemas foram sendo propagados. Acredito que n\u00e3o temos mais para onde ir no melhoramento gen\u00e9tico do buldogue ingl\u00eas\u201d, explica.\u00a0 Lorena acrescenta ainda que a incid\u00eancia de falhas gen\u00e9ticas aumenta as despesas e leva ao abandono de muitos filhotes. \u201cAs pessoas os compram de sites n\u00e3o confi\u00e1veis e de criadores que n\u00e3o t\u00eam responsabilidade para buscar um pre\u00e7o menor. Com isso, acabam abandonando o c\u00e3o com problemas, que traz uma s\u00e9rie de despesas\u201d, lamenta a veterin\u00e1ria.<\/p>\n<p>Dona de dois buldogues ingleses, Margot e Rover, a servidora p\u00fablica Karla Cristina Rocha Bot\u00e3o, 40 anos, se compadece do sofrimento de seus c\u00e3es: os dois apresentam problemas gen\u00e9ticos. Margot tem 2 anos e sofre com displasia de quadril e deslocamento de patela, ambas doen\u00e7as ortop\u00e9dicas gen\u00e9ticas muito comuns na ra\u00e7a. A cadelinha tinha apenas 6 meses quando come\u00e7ou a fazer fisioterapia e acupuntura para se preparar para uma cirurgia. Gra\u00e7as aos cuidados da dona com a sa\u00fade dela, a opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi necess\u00e1ria, mas Margot nunca poder\u00e1 abandonar a acupuntura.<\/p>\n<p>Apesar de ser saud\u00e1vel ortopedicamente, Rover, de 1 ano e 11 meses, tem cherry eye e doen\u00e7as de pele com caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas. \u201cEscolhemos a ra\u00e7a pelo temperamento, e sab\u00edamos das chances de eles terem essas doen\u00e7as, mas sempre achamos que n\u00e3o vai acontecer\u201d, conta Karla. Ela tamb\u00e9m acredita que a busca pela pureza gen\u00e9tica, da forma como tem sido feita, \u00e9 prejudicial para a sa\u00fade dos c\u00e3es, mas defende que, se houver uma mistura de buldogues com outras ra\u00e7as, muitos donos n\u00e3o v\u00e3o querer os c\u00e3es mesti\u00e7os. Apesar das patologias, ela afirma que seus c\u00e3es s\u00e3o felizes. \u201cIsso nunca os impediu de correr, brincar, levar uma vida relativamente normal porque cuidamos muito da sa\u00fade deles e ficamos sempre atentos.\u201d<\/p>\n<p>Criador de buldogue ingl\u00eas h\u00e1 15 anos, o advogado Gilberto Pires Medeiros Filho discorda da conclus\u00e3o dos pesquisadores americanos. \u201cAcredito que a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 metade verdadeira. \u00c9 baseada em pessoas que reproduzem e vendem sem cuidado ou sele\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, propagam os problemas e denigrem a imagem da ra\u00e7a\u201d, explica.<\/p>\n<p>Gilberto considera que o buldogue ingl\u00eas nunca ser\u00e1 um c\u00e3o esportista, por exemplo, pois tem limita\u00e7\u00f5es naturais, mas que, quando reproduzido com responsabilidade e sele\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, leva uma vida normal e saud\u00e1vel. \u201cHoje, existe uma preocupa\u00e7\u00e3o dos criadores s\u00e9rios. Cruzamos c\u00e3es que tenham as narinas maiores para diminuir a dificuldade respirat\u00f3ria, buscamos um palato mole mais alongado, fazemos v\u00e1rios exames para evitar a displasia e temos o cuidado de castrar animais que apresentem muitas altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas\u201d, defende Gilberto.<\/p>\n<p>O criador acrescenta ainda que os concursos atuais da ra\u00e7a n\u00e3o consideram apenas o padr\u00e3o da ra\u00e7a, mas sim a sa\u00fade. Gilberto explica que os ju\u00edzes respons\u00e1veis observam as rugas ao redor dos olhos, o tamanho das narinas e diversos aspectos do f\u00edsico do animal. \u201cOs concursos t\u00eam colocado esse aspecto em pauta e a sa\u00fade do buldogue ingl\u00eas \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o dos criadores s\u00e9rios\u201d, completa.<\/p>\n<p>&#8220;Com a popularidade da ra\u00e7a, houve muita cruza sem estudos e os problemas foram sendo propagados. Acredito que n\u00e3o temos mais para onde ir no melhoramento gen\u00e9tico do buldogue ingl\u00eas\u201d<br \/>\nLorena Andrade Nichel, m\u00e9dica veterin\u00e1ria<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reprodu\u00e7\u00e3o para manter a pureza da ra\u00e7a buldogue perpetua alguns defeitos gen\u00e9ticos que colocam em risco a sa\u00fade do animal. O alerta \u00e9 de um estudo americano<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":1659,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[53],"tags":[36,37,60,38,20,3,14,56,55,54,16,23,4,19,17,15,5],"class_list":["post-1657","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bichos","tag-blogmaisbichos","tag-correiobraziliense","tag-lorenanichel","tag-saude","tag-adocao","tag-animais","tag-bichos","tag-bono-blue","tag-buldogs","tag-buldogues","tag-caes","tag-castracao","tag-cuidados","tag-feiras","tag-gatos","tag-maus-tratos","tag-pets"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1657","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1657"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1657\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1660,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1657\/revisions\/1660"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1659"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1657"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1657"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1657"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}