{"id":1690,"date":"2016-08-21T10:00:55","date_gmt":"2016-08-21T13:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/?p=1690"},"modified":"2016-08-22T15:02:52","modified_gmt":"2016-08-22T18:02:52","slug":"precisamos-de-zoologicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/precisamos-de-zoologicos\/","title":{"rendered":"Precisamos de zool\u00f3gicos?"},"content":{"rendered":"<p>(por Ana Luiza Carvalho, da Revista do Correio)<\/p>\n<p>Presos em espa\u00e7os pequenos, longe da vegeta\u00e7\u00e3o e do clima nativos, sem contato com outras esp\u00e9cies e, muitas vezes, sem qualquer companhia. Segundo ativistas, essa \u00e9 a realidade enfrentada pelos animais de zool\u00f3gico. Nesses espa\u00e7os, eles estariam ainda expostos a maus-tratos e doen\u00e7as, argumentam os cr\u00edticos. Em suma, os zoos seriam institui\u00e7\u00f5es obsoletas, ainda muito parecidas com seus equivalentes do s\u00e9culo 18, cujo objetivo era o entretenimento e a exibi\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>Uma vez organizadas, essas &#8220;cole\u00e7\u00f5es de animais&#8221; seriam dif\u00edceis de desmontar. Dificilmente, consegue-se reinserir os bichos no habitat natural, posto que eles se desconectaram da coletividade e, muitas vezes, n\u00e3o desenvolveram instintos necess\u00e1rios \u00e0 vida selvagem. Pesa ainda o fato de que as \u00e1reas de origem podem estar degradadas, com comida escassa, poucos corredores migrat\u00f3rios e proximidade de rodovias. Muitos esp\u00e9cimes s\u00e3o visados por ca\u00e7adores em busca de couro e pele. Nesse sentido, os zoos s\u00e3o um &#8220;mal menor&#8221;.<\/p>\n<p>Os cr\u00edticos, por\u00e9m, cada vez mais tendem para um outro modelo de &#8220;tutela animal&#8221;, o dos santu\u00e1rios, j\u00e1 bastante difundido na Tail\u00e2ndia e nos Estados Unidos. O principal diferencial seria a extens\u00e3o da \u00e1rea de inser\u00e7\u00e3o, abolindo em definitivo jaulas e gaiolas. O Brasil n\u00e3o tem essa tradi\u00e7\u00e3o, mas isso deve mudar em breve: est\u00e1 em fase de implanta\u00e7\u00e3o o Santu\u00e1rio de Elefantes do Brasil, no Mato Grosso. A propriedade tem 1.100 hectares (cerca de 11 km\u00b2) e capacidade para at\u00e9 50 elefantes. Como o cerrado guarda semelhan\u00e7as morfol\u00f3gicas com as savanas africanas, a adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 facilitada. A expectativa \u00e9 que o lugar receba outras esp\u00e9cies silvestres no futuro.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do ano, o Zool\u00f3gico de Buenos Aires foi fechado e deu lugar a um jardim bot\u00e2nico e centro de resgate de animais ex\u00f3ticos. Esses animais ser\u00e3o enviados para santu\u00e1rios \u2014 o Santu\u00e1rio de Elefantes do Brasil j\u00e1 se candidatou a parceiro. &#8220;No caso, s\u00e3o duas elefantas, uma africana e uma asi\u00e1tica, que, infelizmente, n\u00e3o podem ficar juntas. Elas est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o muito triste porque ficam presas a maior parte do tempo&#8221;, explica Junia Machado, presidente do Santu\u00e1rio de Elefantes do Brasil e embaixadora brasileira do ElephantVoices.<\/p>\n<p>Animais resgatados de circo tamb\u00e9m se beneficiam desse modelo. As futuras primeiras moradoras do Santu\u00e1rio de Elefante do Brasil t\u00eam esse perfil. Maia e Guida s\u00e3o asi\u00e1ticas, t\u00eam cerca de 40 anos e foram criadas num circo de Minas Gerais. Em 2010, elas foram levadas para o zoo de Salvador e, hoje, est\u00e3o em um s\u00edtio, \u00e0 espera do novo lar. Para que a viagem ocorra, o Santu\u00e1rio dos Elefantes precisa levantar R$ 140 mil at\u00e9 o fim de setembro.<\/p>\n<p>Os efeitos do cativeiro parecem ser especialmente nocivos aos elefantes. Eles t\u00eam almofadas nas patas projetadas para grandes caminhadas e bolsa de armazenamento de \u00e1gua, um sinal de que o corpo deles pede movimento. Quando ficam parados em recintos fechados, geralmente de cimento ou ch\u00e3o batido, pisam na pr\u00f3pria urina ou fezes e desenvolvem infec\u00e7\u00f5es nas patas. Essas infec\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma causa frequente de morte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"text-decoration: underline\"><strong>Uma boa causa<\/strong><\/span><\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o lan\u00e7ou uma campanha de financiamento coletivo on-line para alcan\u00e7ar o objetivo de arrecadar o valor. V\u00e1rios famosos, como as atrizes Fiorella Mattheis, Thaila Ayala e Yasmin Brunet, aderiram \u00e0 causa. O dinheiro cobrir\u00e1 as despesas com c\u00e2meras de monitoramento, pagamento da equipe e dois containers projetados especialmente para o transporte. As elefantas v\u00e3o percorrer cerca de 1.600 km, de Paragua\u00e7u at\u00e9 a Chapada dos Guimar\u00e3es. A expectativa \u00e9 que a viagem dure entre 3 e 7 dias, dependendo do cansa\u00e7o das viajantes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1691\" aria-describedby=\"caption-attachment-1691\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBNFOT210220161981.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1691\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1691\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBNFOT210220161981-300x200.jpg\" alt=\"foto: Santuario dos Elefantes\/Divulga\u00e7\u00e3o. \" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBNFOT210220161981-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBNFOT210220161981-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBNFOT210220161981-350x233.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBNFOT210220161981-550x366.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBNFOT210220161981-230x153.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBNFOT210220161981.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1691\" class=\"wp-caption-text\">foto: Santuario dos Elefantes\/Divulga\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/strong> <span style=\"text-decoration: underline\"><strong>Al\u00e9m do mero entretenimento<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Zool\u00f3gicos modernos t\u00eam o importante papel de abrigar animais em situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel. Com estrutura e grandes equipes envolvidas, essas institui\u00e7\u00f5es mudaram sua filosofia: atualmente, privilegiam o bem-estar do bicho em vez do entretenimento. O Jardim Zool\u00f3gico de Bras\u00edlia, por exemplo, alega ter feito a transi\u00e7\u00e3o. Entre outras a\u00e7\u00f5es, a equipe do zoo resgatou um tatu-bola \u2014 a fam\u00edlia o criava em cativeiro para abate (infelizmente, o bicho n\u00e3o p\u00f4de ser devolvido \u00e0 natureza, pois n\u00e3o se adaptaria). Outro ind\u00edcio dos novos tempos: quando o le\u00e3o Dengo morreu em maio deste ano, n\u00e3o se cogitou substitu\u00ed-lo. &#8220;N\u00e3o vamos retirar um animal do habitat natural para expor&#8221;, diz o diretor do zoo, o bi\u00f3logo \u00c9rico Grassi.<\/p>\n<p>Grassi diz estar ciente das cr\u00edticas e que a institui\u00e7\u00e3o candanga n\u00e3o est\u00e1 fechada ao debate. Tanto \u00e9 que o Jardim Zool\u00f3gico planeja um amplo debate sobre o tema a partir de 4 de outubro, Dia Mundial dos Animais. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 aprofundar a discuss\u00e3o, que, segundo Grassi, ainda \u00e9 muito superficial. &#8220;A pessoa v\u00ea o animal no recinto e fala: \u2018Est\u00e1 preso\u2019. Coloca-se no lugar dele, mas podemos garantir que o Zool\u00f3gico n\u00e3o \u00e9 um dep\u00f3sito de animais.&#8221; Ele reconhece que o setor passa uma reavalia\u00e7\u00e3o e que o Zoo foi fundado em um contexto diferente, em que o entretenimento dos visitantes estava em primeiro plano. &#8220;Se o zool\u00f3gico tivesse surgido em 1972, com as discuss\u00f5es de Estocolmo, talvez a situa\u00e7\u00e3o fosse outra.&#8221;<\/p>\n<p>Outro ponto positivo para os zool\u00f3gicos seria a quest\u00e3o educacional. A Superintend\u00eancia de Educa\u00e7\u00e3o do Jardim Zool\u00f3gico de Bras\u00edlia j\u00e1 teria atendido mais de 570 mil pessoas, sendo 300 mil alunos de escolas p\u00fablicas. As visitas s\u00e3o monitoradas e os animais, apresentados por nome, origem e trajet\u00f3ria individual. As visita\u00e7\u00f5es t\u00eam regras. O Zoo Noturno, por exemplo, passou por um per\u00edodo de reformula\u00e7\u00f5es. Antes o programa funcionava segundas, quartas e sextas-feiras, sem limite de visitantes. Agora, o Zoo Noturno est\u00e1 limitado a quartas e quintas, com turmas de, no m\u00e1ximo, 60 pessoas. Foi feito, inclusive, um estudo para saber o impacto sonoro da caminhada para os animais.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um ponto que, na opini\u00e3o de Grassi, deixa os santu\u00e1rios em desvantagem, j\u00e1 que a visita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 permitida. Ele questiona como seria feita a fiscaliza\u00e7\u00e3o desses locais. &#8220;O que existe na lei brasileira s\u00e3o zool\u00f3gicos e mantenedores, e alguns desses mantenedores se autodeclaram santu\u00e1rios, porque \u00e9 um nome mais suave&#8221;, critica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"text-decoration: underline\"><strong>Novos par\u00e2metros<\/strong><\/span><\/p>\n<p>A Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Meio Ambiente Humano de 1972, mais conhecida Confer\u00eancia de Estocolmo, abriu uma nova perspectiva sobre a preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. Dela resultou uma importante declara\u00e7\u00e3o, que, entre outras coisas, repudia a explora\u00e7\u00e3o dos animais pelo ser humano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"text-decoration: underline\"><strong>A morte in\u00fatil de Harambe<\/strong><\/span><\/p>\n<p>O debate sobre os zool\u00f3gicos foi reavivado ap\u00f3s o abate do gorila Harambe no zoo de Cincinnati, nos Estados Unidos. Uma crian\u00e7a entrou na jaula do animal e o procedimento do zool\u00f3gico foi abater o gorila a tiros. O caso dividiu opini\u00f5es e setores do ativismo animal, indignados com o que qualificaram de &#8220;morte desnecess\u00e1ria&#8221;. Os respons\u00e1veis pela institui\u00e7\u00e3o alegaram que o uso de dardos tranquilizantes n\u00e3o era poss\u00edvel \u2014 poderia irritar o bicho ou, ainda, ele poderia tombar sobre o menino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline\"><strong>ENTREVISTA\/\/ JADER SOARES<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do doutor em ecologia pela Unicamp e professor titular do Departamento de Zoologia da Universidade de Bras\u00edlia, \u00e9 poss\u00edvel conciliar os v\u00e1rios modelos de prote\u00e7\u00e3o animal existentes, porque os objetivos de cada um s\u00e3o diversos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a opini\u00e3o do senhor sobre o sofrimento animal em zool\u00f3gicos?<\/strong><\/p>\n<p>Do meu ponto de vista, \u00e9 uma postura bastante equivocada achar que zool\u00f3gicos devam ser extintos. Um argumento forte das associa\u00e7\u00f5es que defendem essa ideia \u00e9 que os animais sofrem no zool\u00f3gico, mas isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Existem mecanismos e linhas de pesquisa justamente sobre o bem-estar animal. Os pesquisadores trabalham e adquirem informa\u00e7\u00e3o sobre t\u00e9cnicas e meios que temos para enriquecer os ambientes em que esses animais vivem, de modo a tornar interessante a vida deles no zoo. Para que n\u00e3o seja apenas confort\u00e1vel no senso de que tem comida, cuidados m\u00e9dicos, mas um desenvolvimento neuromotor e psicol\u00f3gico satisfat\u00f3rio, com integra\u00e7\u00e3o e benef\u00edcios psicossociais. O p\u00fablico em geral v\u00ea zool\u00f3gicos como locais para ver representantes da fauna brasileira e do mundo, mas poucos conhecem de fato o que \u00e9 uma estrutura necess\u00e1ria para manter esses animais em bom estado de sa\u00fade f\u00edsica e bem-estar geral. Trata-se de uma estrutura cara, dispendiosa, mas que rende muitos frutos. Felizmente, n\u00e3o temos aquela situa\u00e7\u00e3o de animais confinados em pequenas jaulas. Num comportamento estereotipado, ainda pode existir aqui e acol\u00e1, porque mudar esse tipo de paradigma demanda conhecimento t\u00e9cnico-cient\u00edfico e massa cr\u00edtica dos profissionais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como os zoos adquirem animais?<\/strong><\/p>\n<p>Hoje em dia, nenhum zoo obt\u00e9m animais diretamente da natureza \u2014 eles v\u00eam de outros zool\u00f3gicos, por permutas. Portanto, nasceram em cativeiro e jamais poder\u00e3o ser repostos na natureza. Eles n\u00e3o t\u00eam estrutura social, pais e irm\u00e3os com quem possam aprender comportamentos importantes para a sobreviv\u00eancia \u2014 fornecer isso a eles seria absurdamente caro. H\u00e1 ainda apreens\u00f5es de animais que v\u00eam de centros de triagem e de situa\u00e7\u00f5es de resgate. Por exemplo, uma sucuri que estava sendo criada na casa de um sujeito que a capturou no mato, mas deu conta de cuidar. Nesses casos, o tutor doa ou ent\u00e3o entrega \u00e0 pol\u00edcia florestal, e esse bicho provavelmente n\u00e3o se encontra em condi\u00e7\u00f5es de voltar \u00e0 natureza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a principal fun\u00e7\u00e3o dos zool\u00f3gicos hoje em dia?<\/strong><\/p>\n<p>Eles servem para estudos e para que o p\u00fablico crie la\u00e7os e v\u00ednculos que tragam respeito \u00e0 fauna e \u00e0 natureza de um modo geral. Quem v\u00ea um urso panda em um zool\u00f3gico n\u00e3o tem como n\u00e3o se encantar com esse animal \u2014 isso cria v\u00ednculos entre as pessoas e a vida silvestre. \u00c9 uma oportunidade de apresentar a magnific\u00eancia desses organismos e traduzir isso numa atitude positiva. \u00c9 uma fun\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o. Os bons zool\u00f3gicos s\u00e3o uma grande fonte de informa\u00e7\u00e3o e, ao contr\u00e1rio do que se possa imaginar, muitos aspectos da fauna brasileira s\u00e3o pobremente conhecidos. S\u00e3o coisas como ciclo de vida, quanto dura a gesta\u00e7\u00e3o de um animal, o cuidar dos filhotes etc. Estudos na natureza raramente propiciam esse tipo de informa\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o possibilita o acompanhamento do esp\u00e9cime. Al\u00e9m disso, os zoos cumprem hoje um papel important\u00edssimo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o. Hoje, h\u00e1 v\u00e1rias esp\u00e9cies que t\u00eam popula\u00e7\u00f5es maiores em zool\u00f3gicos do que na natureza. Se um exemplar nasceu em cativeiro, podemos fazer o cruzamento com animais da natureza, de modo a recuperar genes que estavam praticamente extintos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O santu\u00e1rio teria ent\u00e3o alguma fun\u00e7\u00e3o nesse contexto?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o fun\u00e7\u00f5es complementares, eu diria. N\u00e3o d\u00e1 para ter somente esse modelo de santu\u00e1rio porque a observa\u00e7\u00e3o, o contato com os animais, ficaria muito restrito. Outro problema \u00e9 que a gente n\u00e3o tem como reproduzir integralmente a savana africana ou a Patag\u00f4nia no Brasil. Tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 pra reproduzir exatamente a floresta tropical \u00famida em uma regi\u00e3o temperada. Ent\u00e3o, nem tanto ao mar nem tanto \u00e0 terra \u2014 s\u00e3o coisas complementares. Para a conserva\u00e7\u00e3o, faz todo o sentido ter um santu\u00e1rio, mas, para a manuten\u00e7\u00e3o de algo acess\u00edvel visualmente a um grande p\u00fablico, n\u00e3o \u00e9 esse o modelo. Devemos respeitar diferentes linhas de atua\u00e7\u00e3o e pensamento, aproveitando o que elas t\u00eam de melhor e tra\u00e7ando a complementaridade de a\u00e7\u00f5es e abordagens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De um lado, ativistas alegam que essas institui\u00e7\u00f5es prejudicam a sa\u00fade e a liberdade dos bichos. De outro, bi\u00f3logos defendem o contato com o p\u00fablico e as pesquisas realizadas<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":1692,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[53,31],"tags":[37,38,20,3,14,16,23,4,19,17,15,5],"class_list":["post-1690","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bichos","category-maus-tratos","tag-correiobraziliense","tag-saude","tag-adocao","tag-animais","tag-bichos","tag-caes","tag-castracao","tag-cuidados","tag-feiras","tag-gatos","tag-maus-tratos","tag-pets"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1690","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1690"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1690\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1695,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1690\/revisions\/1695"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1692"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1690"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1690"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1690"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}