{"id":1700,"date":"2016-08-28T07:00:40","date_gmt":"2016-08-28T10:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/?p=1700"},"modified":"2016-08-28T21:43:18","modified_gmt":"2016-08-29T00:43:18","slug":"ate-que-morte-os-separe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/ate-que-morte-os-separe\/","title":{"rendered":"At\u00e9 que a morte os separe"},"content":{"rendered":"<p>( Por Ailim Cabral, da Revista do Correio)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre os momentos ou sentimentos mais complexos pelos quais passamos est\u00e1 o luto. Perder algu\u00e9m querido traz \u00e0 tona uma s\u00e9rie de emo\u00e7\u00f5es, independentemente das cren\u00e7as pessoais. Cada indiv\u00edduo vivencia a situa\u00e7\u00e3o de uma maneira e, mesmo tendo a capacidade de vocalizar o que experimentamos, temos dificuldade em nos fazer entender. Imagine quando n\u00e3o se pode falar? Os animais tamb\u00e9m passam por sensa\u00e7\u00f5es semelhantes quando perdem seus tutores ou amigos pets. Mudan\u00e7as de comportamento s\u00e3o os sinais que eles usam para nos mostrar que algo est\u00e1 errado.<\/p>\n<p>O lhasa apso Akiles, 10 anos, sofreu tr\u00eas grandes rupturas no ano passado e acabou deprimido. Os dois gatos com os quais conviveu grande parte da vida faleceram com meses de diferen\u00e7a, deixando o cachorrinho solit\u00e1rio. Alfredo tinha 19 anos e morreu de causas naturais, em maio. Em agosto, foi a vez de Abelardo deixar a fam\u00edlia. Com 10 anos, o felino foi v\u00edtima de uma anemia rara e de dif\u00edcil tratamento.<\/p>\n<p>Entre a morte dos dois amigos, Akiles se separou tamb\u00e9m de uma de suas donas, que mudou de cidade. A estudante Tain\u00e1 Ivo Calvo de Ara\u00fajo, 22 anos, conta que sua m\u00e3e cuidava do cachorro com ela e foi para a Para\u00edba no in\u00edcio de julho, abalando ainda mais as emo\u00e7\u00f5es do animal.<\/p>\n<p>Considerado um cachorro idoso, ele sofreu. Al\u00e9m de perder parte da vitalidade e do entusiasmo, teve o apetite diminu\u00eddo. O veterin\u00e1rio o diagnosticou com depress\u00e3o leve e fez um tratamento com florais. \u201cEstimulamos que ele passeasse mais e, como ele sempre gostou de comida junto com a ra\u00e7\u00e3o, o deixamos comer s\u00f3 o que queria para ficar mais animado\u201d, afirma Tain\u00e1.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1701\" aria-describedby=\"caption-attachment-1701\" style=\"width: 199px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBPFOT240820160111.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1701\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1701\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBPFOT240820160111-199x300.jpg\" alt=\" Tain\u00e1 com seu c\u00e3o Akiles.Foto Zuleika de Souza\/@cbfotografia\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBPFOT240820160111-199x300.jpg 199w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBPFOT240820160111-233x350.jpg 233w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBPFOT240820160111-230x346.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/CBPFOT240820160111.jpg 471w\" sizes=\"auto, (max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1701\" class=\"wp-caption-text\">Tain\u00e1 com seu c\u00e3o Akiles.Foto Zuleika de Souza\/@cbfotografia<\/figcaption><\/figure>\n<p>Dois meses depois de perder Abelardo, Akiles ganhou um novo amigo felino e, hoje, quatro gatinhos fazem companhia para a fam\u00edlia. \u201cEle se d\u00e1 bem com todos, nunca foi agressivo e, agora,\u00a0 est\u00e1 muito mais animado. Ele melhorou muito\u201d, comemora a estudante.<\/p>\n<p>As rea\u00e7\u00f5es de Akiles ao vivenciar o luto est\u00e3o dentro de um padr\u00e3o esperado quando um pet passa por esse tipo de trauma. A diminui\u00e7\u00e3o de apetite e a prostra\u00e7\u00e3o s\u00e3o comportamentos esperados, apesar de alguns animais apresentarem atitudes agitadas e ansiosas. Segundo a terapeuta canina Daniele Graziani, uivos, latidos, lambedura psicog\u00eanica e comportamento destrutivo tamb\u00e9m s\u00e3o algumas das formas pelas quais os animais manifestam o luto. Em alguns, a tristeza pela separa\u00e7\u00e3o resulta em depress\u00e3o. A doen\u00e7a pode ser menos agressiva como no caso de Akiles, mas, quando n\u00e3o \u00e9 tratada adequadamente pode evoluir rapidamente, dificultando a recupera\u00e7\u00e3o do pet.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">\n<p style=\"text-align: center\">\n<p style=\"text-align: center\">\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"text-decoration: underline\"><strong>Companheiro at\u00e9 o fim<\/strong><\/span><\/p>\n<p>O filme Sempre ao seu lado \u00e9 inspirado na hist\u00f3ria real do cachorro japon\u00eas Hachiko. O filhote de akita \u00e9 adotado pelo professor Parker Wilson, interpretado por Richard Gere, e se torna seu melhor amigo. Todos os dias, Hachiko o acompanha at\u00e9 a esta\u00e7\u00e3o de trem e o espera voltar do trabalho, sempre no mesmo lugar. Uma tarde, Hachiko se recusa a acompanhar Parker e tenta impedi-lo de sair de casa. No trabalho, o professor sofre um ataque card\u00edaco e morre. Desde ent\u00e3o, durante nove anos, o c\u00e3o nunca deixa a esta\u00e7\u00e3o, aguardando, pacientemente, pela volta de seu companheiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"text-decoration: underline\"><strong>Como eles entendem a perda?<\/strong><\/span><br \/>\nApesar das manifesta\u00e7\u00f5es n\u00edtidas de tristeza e de sofrimento, os especialistas afirmam n\u00e3o ser poss\u00edvel garantir se os animais t\u00eam consci\u00eancia da morte do dono ou do amigo, ou se apenas sofrem com a sua aus\u00eancia. \u201cAlguns parecem demonstrar maior percep\u00e7\u00e3o da morte. H\u00e1 relatos de c\u00e3es que se colocam pr\u00f3ximos ao corpo, que invadem vel\u00f3rios, cemit\u00e9rios e se recusam se afastar dos seus afetos\u201d, menciona Daniele. A percep\u00e7\u00e3o, no entanto, \u00e9 rara.<\/p>\n<p>O especialista em comportamento canino Renato Buani relata que o mais comum \u00e9 que o animal apresente um sentimento de espera. \u201cEles ficam aguardando a volta daquela pessoa, e isso pode se transformar em algo que vemos como pr\u00f3ximo da tristeza. Mas, na maioria das vezes, eles n\u00e3o entendem que o dono se foi para sempre\u201d, afirma. A terapeuta canina Daniele complementa: \u201c\u00c9 dif\u00edcil afirmar com certeza, mas os animais n\u00e3o ficam avaliando o motivo pelo qual est\u00e3o tristes. Eles apenas sentem a aus\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>Em casos assim, o animal, al\u00e9m de sentir a separa\u00e7\u00e3o de seu tutor e de n\u00e3o compreender que ela \u00e9 definitiva, sente falta da rotina com o dono. \u201cEle n\u00e3o fica esperando s\u00f3 a pessoa, mas tamb\u00e9m o que fazia quando estavam juntos. Se era um passeio ou uma brincadeira, todo dia, no mesmo hor\u00e1rio, o cachorro vai aguardar por aquele momento\u201d, explica Buani.<\/p>\n<p>Os animais est\u00e3o habituados a manter um comportamento condicionado. Se todos os dias ele se senta, aguarda pelo dono e depois sai para passear, vai ter dificuldade de entender que, no dia seguinte, quando repetir seu comportamento, n\u00e3o ter\u00e1 o mesmo resultado. De acordo com Renato, isso cria uma ruptura na rotina do pet, levando a uma baixa comportamental. A mudan\u00e7a da intensidade de comportamento \u00e9 um grande indicador da tristeza do animal. \u201cMuitos deles chegam a chorar quando come\u00e7am a perceber que o dono n\u00e3o volta\u201d, conta Renato.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"text-decoration: underline\"><strong>Cuidados<\/strong><\/span><br \/>\nPara ajudar o animal a passar pelo processo de luto \u00e9 preciso ter paci\u00eancia. Quando o bicho perde um dos tutores, o ideal \u00e9 que continue morando na mesma casa, com a mesma fam\u00edlia. Nos casos em que o pet vivia s\u00f3 com o falecido, a sugest\u00e3o \u00e9 que o leve para morar em um lar com a mesma energia. \u201cSe a fam\u00edlia anterior era muito agitada, uma casa com pessoas agitadas \u00e9 a melhor combina\u00e7\u00e3o\u201d, explica Renato.<\/p>\n<p>O especialista acrescenta ainda que estudos recentes mostram que animais que se mudam para lares com outros pets tendem a se adaptar mais rapidamente. Manter a rotina o mais normal poss\u00edvel tamb\u00e9m auxilia no processo de cura, assim como n\u00e3o validar o sofrimento do bicho. Segundo Renato, \u201cdeixar o animal no cantinho dele\u201d e ench\u00ea-lo de carinho pode n\u00e3o ser o ideal. \u201cSe ele fica triste, e prostrado e recebe carinho, pode encarar isso como recompensa e perpetuar o comportamento depressivo.\u201d O afago \u00e9 extremamente importante, mas deve ser feito nos momentos adequados para n\u00e3o atrapalhar o processo de supera\u00e7\u00e3o do luto. O especialista afirma que o ideal \u00e9 agir de forma natural, trazendo o pet para uma rotina normal, estimulando as brincadeiras com as quais ele est\u00e1 acostumado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Animais tamb\u00e9m sofrem com a morte dos tutores e dos amigos pets. Eles demonstram a dor com a mudan\u00e7a de h\u00e1bitos<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":1702,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[53],"tags":[36,37,38,20,3,14,16,23,4,19,17,15,5],"class_list":["post-1700","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bichos","tag-blogmaisbichos","tag-correiobraziliense","tag-saude","tag-adocao","tag-animais","tag-bichos","tag-caes","tag-castracao","tag-cuidados","tag-feiras","tag-gatos","tag-maus-tratos","tag-pets"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1700","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1700"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1700\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1732,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1700\/revisions\/1732"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1702"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}