{"id":1742,"date":"2016-08-31T07:00:03","date_gmt":"2016-08-31T10:00:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/?p=1742"},"modified":"2016-08-31T18:38:16","modified_gmt":"2016-08-31T21:38:16","slug":"animais-inteligentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/animais-inteligentes\/","title":{"rendered":"Amizade que n\u00e3o sai do tom"},"content":{"rendered":"<h2><span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\"><span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\">Vida dos animais: Antes de falar com o cachorro, \u00e9 melhor medir as palavras. <\/span><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\"><span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\">Um estudo da Universidade de Eotvos Lorand, na Hungria, mostrou que os c\u00e3es compreendem o que as pessoas dizem \u2014 e como elas dizem. Ao escanear o c\u00e9rebro dos animais no exame de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional, os cientistas descobriram que o processamento do discurso nos hemisf\u00e9rios direito e esquerdo do \u00f3rg\u00e3o acontece da mesma forma que nos humanos. Isso significa que o melhor amigo \u00e9 capaz de interpretar o di\u00e1logo e a forma como ele \u00e9 entonado. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\">Este \u00e9 o primeiro estudo de imagem a demonstrar que um animal n\u00e3o primata tamb\u00e9m processa as palavras. Diferentemente do que se imaginava, o trabalho, publicado na <a href=\"https:\/\/www.sciencenews.org\/article\/dog-brains-divide-language-tasks-much-humans-do?tgt=nr\" target=\"_blank\">revista <i>Science<\/i><\/a>, indicou que os c\u00e3es n\u00e3o apenas associam determinados sons a objetos. Eles conseguem entender o significado do voc\u00e1bulo. Tanto que s\u00f3 se sentir\u00e3o felizes se o di\u00e1logo estiver bem casado com a entona\u00e7\u00e3o. N\u00e3o adianta dizer \u201cbom garoto\u201d ou \u201cvamos passear\u201d com a cara amarrada. Pode at\u00e9 ser que ele abane o rabinho \u2014 mas nem tanto quanto faria caso a conversa fizesse sentido. \u201cO incentivo funciona como uma recompensa. Mas isso funciona melhor se tanto a palavra quanto a entona\u00e7\u00e3o estiverem em sintonia\u201d, diz o neurocientista Attila Andics, principal autor do estudo. <\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1744\" aria-describedby=\"caption-attachment-1744\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/animais-1.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1744\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1744\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/animais-1-300x300.jpg\" alt=\"c\u00e3o em um aparelho de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/animais-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/animais-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/animais-1-350x350.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/animais-1-230x230.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/08\/animais-1.jpg 445w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1744\" class=\"wp-caption-text\">C\u00e3o usado nos testes com uma das pesquisadoras: resson\u00e2ncia mostrou que os hemisf\u00e9rios do c\u00e9rebro desses animais processam palavras e entona\u00e7\u00f5es.Foto Reprodu\u00e7\u00e3o Revista Science<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\">Para fazer os testes, os pesquisadores treinaram 13 c\u00e3es de diferentes ra\u00e7as (incluindo sem ra\u00e7a definida), de forma que ficassem im\u00f3veis dentro da m\u00e1quina de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, um exame n\u00e3o invasivo e que n\u00e3o provoca danos \u00e0 sa\u00fade. Ent\u00e3o, eles monitoraram a atividade cerebral dos animais \u00e0 medida que ouviam o que seus treinadores diziam. As palavras de incentivo (\u201cMuito bem\u201d, \u201cBom menino\u201d e \u201cEsperto\u201d) eram ditas em um tom de voz negativo, positivo ou neutro. Enquanto isso, os cientistas investigavam o comportamento das regi\u00f5es cerebrais que diferenciam voc\u00e1bulos com e sem significado e entona\u00e7\u00f5es positivas das desagrad\u00e1veis. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\">As imagens mostraram que o hemisf\u00e9rio esquerdo do c\u00e9rebro desses animais processa as palavras com significado, enquanto que o direito identifica entona\u00e7\u00f5es de incentivo daquelas neutras e negativas. Estudos anteriores mostraram que humanos e cachorros usam essa mesma regi\u00e3o auditiva para processar sons emocionais n\u00e3o verbais, sugerindo que o mecanismo de processamento das entona\u00e7\u00f5es acontece independentemente do discurso. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\">De acordo com Andics, quando os animais ouviam entona\u00e7\u00f5es positivas, a regi\u00e3o do c\u00e9rebro associada \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de recompensa e que, tamb\u00e9m em humanos, se ativa em resposta a est\u00edmulos agrad\u00e1veis, como comida e carinhos, entrava em a\u00e7\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s palavras, por\u00e9m, n\u00e3o adiantava dizer algo positivo de forma negativa ou neutra. O centro de recompensa cerebral s\u00f3 se manifestava quando os voc\u00e1bulos eram ditos com uma entona\u00e7\u00e3o interpretada como incentivadora \u201cEnt\u00e3o, os c\u00e3es n\u00e3o s\u00f3 diferenciam o que dizemos e como dizemos, mas tamb\u00e9m conseguem combinar os dois para interpr<\/span><span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\">etar corretamente o que as palavras realmente querem dizer. Isso \u00e9 muito parecido com o que os humanos fazem\u201d, observa Andics. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\">O neurocientista destaca, por\u00e9m, que o trabalho n\u00e3o investigou a intelig\u00eancia animal: \u201cN\u00e3o \u00e9 que tenhamos mostrado o qu\u00e3o inteligentes s\u00e3o. O que fizemos foi demonstrar a semelhan\u00e7a na forma em que processam o dis<\/span><span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\">so\u201d, explica.De acordo com ele, acredita-se que os cachorros compreendem cerca de mil palavras. A habilidade de compreens\u00e3o independe de ra\u00e7a, diz.\u201cN\u00e3o achamos que exista uma grande diferen\u00e7a entre ra\u00e7as; na verdade, acreditamos que os padr\u00f5es devam ser similares em outros mam\u00edferos tamb\u00e9m.\u201d <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Evolu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p><span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\">Andics afirma que o trabalho tem duas importantes implica\u00e7\u00f5es. A primeira diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre humanos e seus melhores amigos. \u201cOs resultados podem ajudar a fazer com que a comunica\u00e7\u00e3o e a coopera\u00e7\u00e3o entre c\u00e3es e humanos fique ainda mais eficientes\u201d, diz. A outra \u00e9 que, para ele, a descoberta poder\u00e1 levar a uma compreens\u00e3o melhor sobre a evolu\u00e7\u00e3o da linguagem no homem. \u201cO que faz o l\u00e9xico unicamente humano n\u00e3o \u00e9 a capacidade neural de process\u00e1-lo, mas a nossa inven\u00e7\u00e3o de seu uso\u201d, escreveu, no artigo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\">A veterin\u00e1ria Ceres Berger Faraco, especialista em comportamento animal e integrante da Comiss\u00e3o de \u00c9tica, Bio\u00e9tica e Bem-Estar Animal (Cebea), do Conselho Federal de Medicina Veterin\u00e1ria (CFMV), recebeu com entusiasmo o resultado do estudo h\u00fangaro. \u201cEssa era uma quest\u00e3o ainda desconhecida. Se pensava que a possibilidade de compreens\u00e3o oral fosse exclusiva dos humanos, e o que se v\u00ea \u00e9 que isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Os pesquisadores identificaram claramente que existe uma mem\u00f3ria dos blocos comunicativos no c\u00e9rebro dos c\u00e3es, similar ao nosso processo de comunica\u00e7\u00e3o. O estudo coloca os c\u00e3es em um patamar comunicativo igual ao nosso\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\">De acordo com a m\u00e9dica veterin\u00e1ria, o trabalho demonstra que a estrutura do sistema nervoso central dos c\u00e3es, independentemente do contato com humanos, \u00e9 estruturada para a comunica\u00e7\u00e3o vocal. \u201cAli, existe uma base fisiol\u00f3gica de comunica\u00e7\u00e3o vocal, ele j\u00e1 tem o aparato neurofisiol\u00f3gico\u201d, diz, lembrando que a comunica\u00e7\u00e3o vocal n\u00e3o se limita \u00e0 linguagem humana. \u201cOs c\u00e3es realmente percebem e interpretam o que estamos falando. Isso demonstra uma cogni\u00e7\u00e3o muito mais sofisticada do que o imaginado\u201d, afirma. <\/span><\/p>\n<blockquote><p>\u201c<span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\">Os <\/span><span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\">c\u00e3es n\u00e3o s\u00f3 diferenciam o que dizemos e como dizemos, mas tamb\u00e9m conseguem combinar os dois para interpretar corretamente o que as palavras realmente querem dizer. Isso \u00e9 muito parecido com o que os humanos fazem\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\">Attila Andics, principal autor do estudo.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>(por <span style=\"font-family: Utopia,sans-serif;\">Paloma Oliveto<\/span> do Correio Braziliense)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de falar com o cachorro, \u00e9 melhor medir as palavras. 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