{"id":1898,"date":"2016-09-18T08:00:11","date_gmt":"2016-09-18T11:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/?p=1898"},"modified":"2016-09-16T18:29:26","modified_gmt":"2016-09-16T21:29:26","slug":"animais-cifras-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/animais-cifras-amor\/","title":{"rendered":"Animais: Cifras de amor"},"content":{"rendered":"<h2>Animais: Mesmo com a economia em crise, a ind\u00fastria pet continua a crescer. Rela\u00e7\u00f5es cada vez mais \u00edntimas com os bichinhos dom\u00e9sticos ajudam a explicar o lucro.<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando fez 1 ano, Pitoco ganhou uma festa de anivers\u00e1rio com direito a bolo, biscoitos, salgados e doces feitos especialmente para os convidados de quatro patas, al\u00e9m de guloseimas para as fam\u00edlias humanas. Quando ele teve uma crise de falta de apetite e a ra\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o era bem-vinda, a estudante Thalita Ribeiro, 22 anos, foi para a cozinha e passou a preparar uma alimenta\u00e7\u00e3o natural, \u00e0 base de arroz integral, carne, legumes e sem sal \u2014 hoje, ele j\u00e1 aceita uma mistura de ra\u00e7\u00f5es. S\u00f3 bebe \u00e1gua filtrada, passeia muitas vezes ao dia e dorme numa cama quentinha ao lado de sua tutora. &#8220;Mas a limpeza das patinhas com len\u00e7o umedecido \u00e9 essencial&#8221;, adianta-se Thalita, explicando que os h\u00e1bitos de higiene n\u00e3o s\u00e3o esquecidos \u2014 para o bem dos dois. O guarda-roupas de Pitoco tamb\u00e9m \u00e9 completo. Roupas de frio e fantasias de Papai Noel, de policial e de time. Os brinquedos s\u00e3o de \u00f3tima qualidade e, quando ela precisou viajar, o namorado foi para a casa dela para que Pitoco n\u00e3o precisasse mudar de ambiente.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1899\" aria-describedby=\"caption-attachment-1899\" style=\"width: 354px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/09\/CBPFOT140920160398.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1899\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1899\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/09\/CBPFOT140920160398-240x300.jpg\" alt=\"Animais: Imagem mostra menina com seu c\u00e3ozinho deitados em uma cama\" width=\"354\" height=\"443\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/09\/CBPFOT140920160398-240x300.jpg 240w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/09\/CBPFOT140920160398-768x959.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/09\/CBPFOT140920160398-280x350.jpg 280w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/09\/CBPFOT140920160398-550x687.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/09\/CBPFOT140920160398-230x287.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/09\/CBPFOT140920160398.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 354px) 100vw, 354px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1899\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Carlos Vieira\/@cbfotografia. Thalita Ribeiro com seu c\u00e3ozinho Pitoco.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pode-se dizer que esse &#8220;menino&#8221;, Pitoco, \u00e9 uma criaturinha de sorte. Mas Thalita nos diria que sorte tem ela. &#8220;\u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o de amor. Eu n\u00e3o tenho filhos ainda, mas sinto que a minha preocupa\u00e7\u00e3o e meu carinho por ele \u00e9 muito similar ao de uma m\u00e3e. O carinho do Pitoco por mim tamb\u00e9m \u00e9 diferente do resto da fam\u00edlia.&#8221; Relacionamentos assim, intensos, entre seres humanos e animais dom\u00e9sticos s\u00e3o cada vez mais comuns. Por vezes, descambam para o exagero, a ponto de os especialistas em comportamento dos homens e dos animais alertarem para os riscos da chamada humaniza\u00e7\u00e3o dos pets. Seja como for, essa rela\u00e7\u00e3o forte impulsiona uma ind\u00fastria poderosa, que, apesar de sofrer com uma economia em crise, se mant\u00e9m em crescimento.<\/p>\n<p>Dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Produtos para Animais de Estima\u00e7\u00e3o (Abinpet) mostram que o setor pet deve crescer 6,7% neste ano. At\u00e9 o fim de 2016, o Brasil dever\u00e1 atingir um faturamento de R$ 19,2 bilh\u00f5es no ramo, estima a institui\u00e7\u00e3o. O Centro-Oeste \u00e9 bastante ativo no mercado; a regi\u00e3o concentra 9% da popula\u00e7\u00e3o canina do pa\u00eds e 7% da felina. N\u00e3o existem dados oficiais sobre quantos pet shops existem no Distrito Federal, mas \u00e9 dif\u00edcil passar por uma quadra comercial que n\u00e3o tenha pelo menos um estabelecimento do tipo.<\/p>\n<p>O presidente executivo da Abinpet, Jos\u00e9 Edson Galv\u00e3o de Fran\u00e7a, define o movimento ascendente como &#8220;resili\u00eancia do mercado&#8221;. Ele explica que o setor tem resistido \u00e0 crise, apesar do crescimento deste ano ter sido menor do que nos dois anos anteriores. Em 2014, foi de 10%; em 2015, de 7,4%. &#8220;A maioria dos setores, principalmente os que envolvem servi\u00e7os, ficou estagnado ou caiu e teve redu\u00e7\u00e3o nas vendas. O nosso ainda est\u00e1 vendendo mais e isso \u00e9 positivo levando em considera\u00e7\u00e3o o momento pelo qual o pa\u00eds passa&#8221;, avalia Jos\u00e9 Galv\u00e3o. O saldo \u00e9 ainda mais positivo ao considerar que o com\u00e9rcio pet enfrentou o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no come\u00e7o do ano. &#8220;\u00c9 uma carga tribut\u00e1ria muito grande, principalmente porque ela incide sobre um produto essencial, que \u00e9 a alimenta\u00e7\u00e3o dos animais&#8221;, lamenta Galv\u00e3o.<\/p>\n<p>O segmento chamado de pet food \u00e9 respons\u00e1vel por 67,5% do faturamento das empresas, e os tutores n\u00e3o deixam de comprar ra\u00e7\u00e3o para seus animais. O movimento que muitos t\u00eam feito \u00e9 a migra\u00e7\u00e3o dos produtos superpremium para op\u00e7\u00f5es mais baratas. Al\u00e9m da alimenta\u00e7\u00e3o, outros dois fatores garantem o crescimento. O primeiro \u00e9 a grande quantidade de animais dom\u00e9sticos no pa\u00eds \u2014 segundo o Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), s\u00e3o 132,4 milh\u00f5es de pets, sendo 52,2 milh\u00f5es de c\u00e3es e 22,1 milh\u00f5es de gatos. Tais estat\u00edsticas fazem do Brasil o terceiro maior mercado pet mundial, atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido.<\/p>\n<p>A chamada humaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 o outro fator. O diretor de portf\u00f3lio da N\u00fcrnbergMesse Brasil, empresa organizadora da Pet South America, Diego de Carvalho, afirma que cada vez mais as pessoas tratam os animais como membros da fam\u00edlia. Dessa forma, \u00e9 natural que gastos com os bichos n\u00e3o sejam cortados do or\u00e7amento dom\u00e9stico com tanta facilidade. O banho semanal vira quinzenal; ra\u00e7\u00f5es e petiscos s\u00e3o trocados por vers\u00f5es mais baratas; os brinquedos s\u00e3o deixados um pouco de lado. Mas, pela import\u00e2ncia que o animal ocupa no n\u00facleo familiar, ele n\u00e3o \u00e9 privado de lazer ou de pequenos mimos.<\/p>\n<p>A humaniza\u00e7\u00e3o aumenta o valor agregado de mercado. Os gastos com a sa\u00fade do pet tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o economizados. Segundo Diego de Carvalho, o Brasil concentra 25% dos m\u00e9dicos veterin\u00e1rios do mundo. Al\u00e9m do valor na fam\u00edlia, os animais passam a ter mais relev\u00e2ncia na sociedade em si. &#8220;Hoje, o animal tamb\u00e9m \u00e9 uma ferramenta medicinal. \u00c9 c\u00e3o-guia, auxilia a pol\u00edcia e os bombeiros e, mais recentemente, tem sido importante em pr\u00e1ticas terap\u00eauticas&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>\u00c9 preciso ter limites<\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 10.0pt;font-family: Arial\">Apesar de vantajosa para a ind\u00fastria pet, a humaniza\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 o caminho mais saud\u00e1vel para o animal ou para os tutores. Enquanto alguns donos n\u00e3o enxergam desvantagens, especialistas demonstram algumas preocupa\u00e7\u00f5es. Bruno Leite, terapeuta de c\u00e3es e especialista em psicologia canina e adestramento, explica que grandes gestos de amor e zelo s\u00e3o relativamente inofensivos. O problema \u00e9 quando os donos atribuem certa intelig\u00eancia humana aos bichos. &#8220;Os donos acabam castigando seu c\u00e3o por \u2018errar\u2019, quando na verdade ele n\u00e3o faz a m\u00ednima ideia do que o humano considera certo e errado. Eles n\u00e3o entendem nossos princ\u00edpios e normas.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10.0pt;font-family: Arial\">O c\u00f3digo moral dos c\u00e3es, por exemplo, se resume a \u2018seguro versus inseguro\u2019 e \u2018vantajoso versus desvantajoso\u2019 e o estere\u00f3tipo do c\u00e3o que toma decis\u00f5es baseado na \u00e9tica humana como, por exemplo, a famosa Lessie dos filmes infantis, est\u00e1 longe da realidade. Isso pode causar uma sobrecarga de responsabilidade nos animais como forma de justificar o castigo que mina o relacionamento entre c\u00e3es e humanos. Apesar de serem incrivelmente inteligentes, os animais agem de forma diferente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10.0pt;font-family: Arial\">O especialista explica que o excesso de puni\u00e7\u00e3o pode gerar c\u00e3es cada vez mais destrutivos, agitados, compulsivos e ansiosos. &#8220;Primeiro, porque a ansiedade \u00e9 um efeito colateral dos castigos; segundo, porque muitos donos entendem que amar \u00e9 transformar o c\u00e3o num mini-humano; quando amar parece estar mais ligado a entender e aceitar as diferen\u00e7as&#8221;, diz Bruno. N\u00e3o h\u00e1 problema algum em dar roupinhas, deixar subir no sof\u00e1 ou preferir n\u00e3o deixar o bichinho sozinho em casa. O importante \u00e9 priorizar boas caminhadas, brincadeiras adequadas e uma educa\u00e7\u00e3o baseada em consequ\u00eancias agrad\u00e1veis, como o adestramento positivo, para que exista um ambiente agrad\u00e1vel tanto para a \u00f3tica humana, quanto canina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10.0pt;font-family: Arial\">A grande intera\u00e7\u00e3o com animais no ambiente interno dos lares tem acompanhado mudan\u00e7as nas fam\u00edlias brasileiras com o menor n\u00famero de filhos e de pessoas que vivem s\u00f3. A analista de comportamento La\u00e9rcia Vasconcelos explica que as rela\u00e7\u00f5es estabelecidas entre humanos e animais de estima\u00e7\u00e3o contribuem para a companhia, diminui\u00e7\u00e3o de estresse e estimula\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcio. &#8220;Fortes la\u00e7os afetivos s\u00e3o desenvolvidos e promovem muitas oportunidades de aprendizagem.&#8221; Por\u00e9m, ela ressalta a import\u00e2ncia de ficar atento \u00e0s consequ\u00eancias que essa rela\u00e7\u00e3o pode trazer consigo, j\u00e1 que muitas vezes, quando o indiv\u00edduo humaniza seu pet, ele busca a garantia de lealdade que acredita n\u00e3o ser poss\u00edvel encontrar em outros tipos de relacionamentos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10.0pt;font-family: Arial\">Um estudo da Universidade de Michigan-Flint analisou a rea\u00e7\u00e3o de 174 adultos que perderam seu c\u00e3o ou gato. Os resultados mostram que 85,7% dos donos apresentaram ao menos um sintoma de luto nos momentos iniciais. Ap\u00f3s seis meses, a dor ainda era sentida por 35,1% dos adultos, e, mesmo depois de um ano, 22,4% das pessoas ainda sentiam os efeitos da partida. &#8220;A expans\u00e3o da presen\u00e7a de animais de estima\u00e7\u00e3o os tem colocado cada vez mais como um integrante da fam\u00edlia e o adoecimento ou a perda desses parceiros podem fazer sofrer caso a rela\u00e7\u00e3o seja muito humanizada. \u00c9 importante buscar equil\u00edbrio na intera\u00e7\u00e3o homem-animal dom\u00e9stico para que n\u00e3o ocorram exageros&#8221;, completa La\u00e9rcia.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-size: 10.0pt;font-family: Arial\">&#8220;Muitos donos entendem que amar \u00e9 transformar o c\u00e3o num mini-humano; quando amar parece estar mais ligado a entender e aceitar as diferen\u00e7as&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10.0pt;font-family: Arial\">Bruno Leite, terapeuta de c\u00e3es e especialista em psicologia canina e adestramento<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Amamos. E da\u00ed?<\/h4>\n<figure id=\"attachment_1900\" aria-describedby=\"caption-attachment-1900\" style=\"width: 225px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/09\/CBNFOT130920160976.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1900\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1900\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/09\/CBNFOT130920160976-225x300.jpg\" alt=\"animais: imagem mostra entrevistada Simone com sua gata Julhinha\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/09\/CBNFOT130920160976-225x300.jpg 225w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/09\/CBNFOT130920160976-768x1024.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/09\/CBNFOT130920160976-263x350.jpg 263w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/09\/CBNFOT130920160976-550x733.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/09\/CBNFOT130920160976-230x306.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/09\/CBNFOT130920160976.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1900\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Arquivo Pessoal. Simone dedica toda sua aten\u00e7\u00e3o e carinho \u00e0 Julhinha, uma de suas gatas.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: 10.0pt;font-family: Arial\">O estudante Tairo Felipe, 24 anos, dono do pitbull Carmel, deixa claro que, apesar do grande carinho que sente pelo c\u00e3o, sempre estabeleceu limites. O pet dorme fora de casa, s\u00f3 brinca no quintal e tem seus pr\u00f3prios brinquedos para n\u00e3o sair devorando tudo que v\u00ea pela frente. &#8220;Animais que s\u00e3o tratados como filhos se tornam donos de tudo e dominam o local, mas eu acredito que o dono \u00e9 quem dita as regras.&#8221; Mesmo sendo teimosos e muitas vezes mand\u00f5es, Tairo acredita que os animais devem saber diferenciar quem est\u00e1 no comando e que, mesmo n\u00e3o concordando com os excessos, o essencial \u00e9 sempre dar amor e suprir as necessidades comuns dos bichinhos, como exerc\u00edcios e brincadeiras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10.0pt;font-family: Arial\">A professora Simone Alvares, 47, segue, em parte, o mesmo racioc\u00ednio de Felipe. As duas gatas, Lilica e Julhinha, s\u00e3o tratadas como deveriam ser \u2014 animais de estima\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o deixam de ser vistos como membros da fam\u00edlia por todo carinho e aten\u00e7\u00e3o dispensados a eles. Em casa, a rotina de Simone e do marido tamb\u00e9m envolve os cuidados com as gatas. Hor\u00e1rio da ra\u00e7\u00e3o, momentos de afago, mantas para inverno, unhas sempre cortadas, olhos limpos com soro, e verm\u00edfugo e vacinas sempre na data certa. &#8220;N\u00f3s quatro somos muito apegados! Sempre converso com elas e deixo dormirem com a gente na cama. Somos uma fam\u00edlia.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10.0pt;font-family: Arial\">Apesar da independ\u00eancia e higiene dos gatos, a professora faz quest\u00e3o de dar toda aten\u00e7\u00e3o \u00e0s suas pets. A caixa de areia est\u00e1 sempre limpa e a ra\u00e7\u00e3o \u00e9 servida em pequenas por\u00e7\u00f5es v\u00e1rias vezes ao dia para estar crocante a todo momento. Ela checa os olhos e os focinhos das gatinhas para ter certeza que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma sujeira e o afago na hora de comer \u00e9 obrigat\u00f3rio. &#8220;Sempre fa\u00e7o um carinho enquanto elas comem e massageio a Lilica quando ela deita na minha barriga.&#8221; Os animais podem significar muito para as pessoas e, por isso, Simone acredita que n\u00e3o deve haver tanto julgamento e preconceito. &#8220;H\u00e1 amor para todos os segmentos&#8221;, completa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10.0pt;font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>Mercado ecofriendly<\/h5>\n<p><span style=\"font-size: 10.0pt;font-family: Arial\">Ao enxergar os pets como membros da fam\u00edlia, muitas pessoas buscam estender os seus h\u00e1bitos de vida para c\u00e3es e gatos. Um exemplo desse movimento \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o de medidas sustent\u00e1veis e saud\u00e1veis. Preocupada com alimenta\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e com um consumo que agrida menos o planeta, a m\u00e9dica Aline Saliba, 30 anos, estendeu esse estilo de vida para a gata Glitter, que foi resgatada. Em vez de brinquedos caros ou elaborados, ela tem arranhador ecol\u00f3gico que ganhou da petsitter (bab\u00e1 de animais). O brinquedo feito todo de papel\u00e3o serve tanto como arranhador quanto como caminha. &#8220;Ela adora&#8221;, garante a tutora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10.0pt;font-family: Arial\">Para Aline, o grande benef\u00edcio de produtos economicamente vi\u00e1veis, socialmente justos e ambientalmente corretos \u00e9 o consumo consciente e a ideia de que pequenas atitudes sustent\u00e1veis ajudam a fazer a diferen\u00e7a no meio ambiente. \u00c9 poss\u00edvel agradar o pet e, ao mesmo tempo, contribuir para a qualidade de vida dos consumidores ecologicamente corretos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10.0pt;font-family: Arial\">A principal reclama\u00e7\u00e3o de Aline \u00e9 a dificuldade em encontrar produtos feitos com recursos renov\u00e1veis. &#8220;A oferta de coisas para pets \u00e9 muito escassa aqui no Brasil. Tem que procurar bastante! Nas lojas comuns, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil encontrar op\u00e7\u00f5es mais sustent\u00e1veis&#8221;, comenta. A queixa dela pode ser resolvida em breve. Na 15\u00aa Pet South America, feira voltada para o mercado pet, incluindo veterin\u00e1rios, empres\u00e1rios e produtores, que ocorreu no fim de agosto, foram expostos diversos produtos com preocupa\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel. Cerca de 320 marcas apresentaram produtos para mais de 20 mil profissionais do setor. Este ano, a tend\u00eancia mais vista foi a preocupa\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. Diego de Carvalho, diretor de portf\u00f3lio da N\u00fcrnbergMesse Brasil, enxerga o movimento como natural. Os produtos sustent\u00e1veis apresentaram um crescimento de 15%, considerando-se embalagens e at\u00e9 mesmo o produto final. &#8220;Somos muito cobrados em rela\u00e7\u00e3o a isso e queremos cada vez mais agregar para a natureza como um todo, n\u00e3o apenas para os animais dom\u00e9sticos&#8221;, completa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10.0pt;font-family: Arial\">O veterin\u00e1rio e dono da empresa Pet Games, Dalton Ishikawa, foi um dos que optou por uma linha de produtos sustent\u00e1veis. Com o nome Ecopet, as novas cria\u00e7\u00f5es de Dalton s\u00e3o comedouros produzidos com pol\u00edmeros obtidos a partir da mistura de polipropileno com 30% de fibra de coco ou madeira, que s\u00e3o consideradas fontes renov\u00e1veis potencialmente reutiliz\u00e1veis. Dalton explica que a motiva\u00e7\u00e3o para os novos comedouros veio de uma filosofia que faz parte da marca. &#8220;Nossos produtos n\u00e3o s\u00e3o apenas brinquedos, eles s\u00e3o chamados de ferramentas de enriquecimento ambiental, pois temos essa preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade e bem-estar dos animais, que se estende para o aspecto ecofriendly.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10.0pt;font-family: Arial\">A gerente de marketing da Pet Society, Cleiser Kurashima, afirma que o conceito sustent\u00e1vel deve se estender. Ela explica que a marca investe em embalagens recicl\u00e1veis e os produtos de banho, por exemplo, s\u00e3o de f\u00e1cil enx\u00e1gue e secagem r\u00e1pida, diminuindo o consumo de \u00e1gua e energia, levando em considera\u00e7\u00e3o que a grande maioria dos pets n\u00e3o fica quietinho na hora do banho. <\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Bons ares<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ter animais em casa exige cuidado redobrado com a limpeza. A higieniza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o faz bem para eles e para os donos. Saiba como fazer<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na hora de adotar um animal, nem todo mundo pensa nas mudan\u00e7as de rotina ao adquirir um pet. E as demandas v\u00e3o al\u00e9m de cuidar da \u00e1gua, da comida e de lev\u00e1-lo ao veterin\u00e1rio. No momento de fazer a limpeza do canto do bichinho v\u00e1rias d\u00favidas surgem: \u201cExiste algum produto que deve ser evitado? De quanto em quanto tempo eu troco a areia do meu gato?\u201d<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o piora se voc\u00ea mora em apartamento ou se o pet tem acesso \u00e0 parte interna da casa. O que n\u00e3o faltam s\u00e3o relatos de situa\u00e7\u00f5es desastrosas.<\/p>\n<p>A cozinheira Adriele Ulisses, 23, tem uma cachorrinha e conta que, \u00e0s vezes, ela urina no sof\u00e1. Para tirar o cheiro da traquinagem, ela usa alvejante, mas a mancha continua l\u00e1. Ela conta que costuma limpar o local em que os dois cachorros da ra\u00e7a shi tzu ficam todo dia com \u00e1gua sanit\u00e1ria e creolina, mas que mesmo assim quem chega costuma sentir o odor. Paloma, 20, tem duas cadelas da ra\u00e7a chow chow e tamb\u00e9m garante que a rotina de cuidados com a casa \u00e9 rigorosa: \u201cTemos que limpar tudo pelo menos quatro vezes ao dia. Lavamos com creolina para tirar o cheiro\u201d.<\/p>\n<p>Muita gente n\u00e3o sabe como conciliar uma faxina eficiente com produtos que n\u00e3o agridam a sa\u00fade do animal. Caio Fernandes, diretor de uma empresa especializada em limpeza dom\u00e9stica, revela que muitos clientes os procuram para realizar um servi\u00e7o mais pesado, principalmente se a casa possui mais de um pet ou se h\u00e1 problemas com pelos. \u201c\u00c9 muito importante realizar uma higieniza\u00e7\u00e3o mais profunda da cama e da casa dos bichos, e tamb\u00e9m de toda a resid\u00eancia, pelo menos uma vez por m\u00eas.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o m\u00e9dico veterin\u00e1rio Daniel Salgueiro, da Protovet \u2013 Cl\u00ednica Veterin\u00e1ria, limpar o local com desinfetante e depois com \u00e1lcool garante assepsia e a remo\u00e7\u00e3o dos cheiros. Al\u00e9m de n\u00e3o causar dano \u00e0 sa\u00fade animal, ele garante que o \u00e1lcool \u00e9 bactericida e germicida, o que torna o ambiente seguro para quem tem crian\u00e7a pequena, por exemplo. Para o veterin\u00e1rio, o ideal \u00e9 educar o animal para fazer as necessidades fisiol\u00f3gicas em um s\u00f3 lugar. No caso de gatos \u00e9 mais f\u00e1cil, j\u00e1 que eles fazem as necessidades na caixa de areia. Para os cachorros, o h\u00e1bito de urinar e evacuar em um espa\u00e7o espec\u00edfico \u00e9 quest\u00e3o de costume.<\/p>\n<p>Ana Teresa Fran\u00e7a, 45, \u00e9 bi\u00f3loga e mora em um apartamento com sete gatos e evita usar lysoforme \u2014 uma esp\u00e9cie de desinfetante \u2014, al\u00e9m de detergentes de aromas muito fortes. Segundo ela, o cheiro pode fazer mal aos animais, que s\u00e3o sens\u00edveis.\u00a0 \u201cUso muita \u00e1gua sanit\u00e1ria, que n\u00e3o d\u00e1 alergia neles\u201d, conta.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica veterin\u00e1ria Katiane Rocha, dona de uma cl\u00ednica que tem seu nome, confirma a preocupa\u00e7\u00e3o. Segundo ela, produtos perfumados podem causar problemas como alergias e devem ser usados com modera\u00e7\u00e3o. De acordo com ela, produtos como \u00e1gua sanit\u00e1ria, lysoforme e desinfetante podem ser usados, mas sempre com cautela. \u201cNa forma natural, os produtos qu\u00edmicos s\u00e3o extremamente corrosivos e podem lesar a pele e coxins (parte almofadada da pata), irritando inclusive olhos e trato respirat\u00f3rio doa animais\u201d, alerta. A indica\u00e7\u00e3o, assim, \u00e9 sempre diluir as f\u00f3rmulas em \u00e1gua.<\/p>\n<p><strong>Tudo nos trinques<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline\">Pelos<\/span><br \/>\nNem sempre manter a tosa em dia \u00e9 suficiente para se livrar dos pelos. Paloma, por exemplo, leva os cachorros para aparar os pelos a cada 20 dias, mas, ainda assim, precisa ser rigorosa com a limpeza da casa. Uma dica que facilita a tarefa \u00e9 usar o aspirador de p\u00f3, mas nem sempre isso \u00e9 suficiente para tirar a pelagem espalhada, principalmente de estofados. A dica \u00e9 usar uma luva de borracha, daquelas de lavar a lou\u00e7a, para limpar ch\u00e3o, m\u00f3veis e sof\u00e1s. A textura emborrachada faz com que o pelo grude, facilitando a retirada. Para evitar o excesso de queda dos pelos, a veterin\u00e1ria Katiane d\u00e1 uma dica: \u201cO mais importante \u00e9 sempre escovar os c\u00e3es e gatos diariamente, mesmo os de pelo curto, pois assim removemos aqueles fios que est\u00e3o soltos, evitando que caiam pela casa\u201d.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline\">Odores<\/span><br \/>\nManter as janelas abertas e fazer uso de desodorizantes de ambiente ajudam a renovar o ar da casa. Mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso agir diretamente no causador do odor. Solu\u00e7\u00f5es caseiras, e que n\u00e3o fazem mal para o animal, amenizam os cheiros fortes. Se ainda assim um aroma desagrad\u00e1vel persistir,\u00a0 o m\u00e9dico veterin\u00e1rio Fernandes tem uma recomenda\u00e7\u00e3o. \u201cMisture 2\/3 de \u00e1gua morna com 1\/3 de vinagre branco e borrife no local desejado. Deixe secar. Isso elimina os odores das fezes e urinas dos pets\u201d, explica. A solu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m vale para limpeza de \u00e1reas externas e deve ser usado ap\u00f3s o uso de \u00e1gua abundante e de detergente neutro.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline\">Manchas<\/span><br \/>\nA melhor maneira de retirar mancha de urina do sof\u00e1 ou da cama \u00e9 secar o local sem esfregar. Depois de remover o excesso, use \u00e1gua e detergente neutro, com um pano \u00famido ou esponja.\u00a0 Caio, diretor da Zulp, especializada em limpeza, entretanto, alerta: \u201c\u00c9 muito importante se atentar \u00e0 composi\u00e7\u00e3o dos produtos utilizados para evitar que manchem os estofados.\u201d<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline\">Acess\u00f3rios pessoais<\/span><br \/>\n\u00c9 fundamental tamb\u00e9m manter o local que o animal dorme limpo. Segundo Katiane, o ideal \u00e9 higienizar a cama e os cobertores a cada 15 dias. Para a limpeza, tanto das roupas quanto das mantas, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 usar de sab\u00e3o neutro. O amaciante tamb\u00e9m est\u00e1 liberado. O dono s\u00f3 deve dilu\u00ed-lo em \u00e1gua para n\u00e3o causar alergias e irrita\u00e7\u00f5es aos animais. As fezes nas caixas de areia devem ser descartadas todos os dias, e a limpeza completa, uma vez por m\u00eas. Os vasilhames dos pets devem ser limpos diariamente ap\u00f3s a alimenta\u00e7\u00e3o e os bebedouros, pelo menos uma vez por dia.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline\">Trabalho em grupo<\/span><br \/>\nPara acostumar o cachorro a fazer as necessidades no local correto, leve o ao lugar onde ele deve utilizar logo ap\u00f3s se alimentar.<br \/>\nNo caso de jornais, sempre deixe uma folha j\u00e1 utilizada, pois o animal identifica o local pelo cheiro.<br \/>\nUsar petiscos para premiar o bicho quando ele usa o local correto \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o educativa, que refor\u00e7a a aprendizagem de onde ele deve fazer as necessidades.<br \/>\nPara fazer a limpeza dos vasilhames, use detergente neutro. Nunca desinfetante, pois pode fazer mal ao animal.<br \/>\nCaso n\u00e3o tenha aspirador, uma op\u00e7\u00e3o \u00e9 utilizar um rodinho de pia e escova de pelos para limpeza. Nunca use vassoura, pois pode espalhar pelos pela casa.<br \/>\nCobrir a caixa de areia com uma sacola facilita na pr\u00f3xima troca. \u00c9 s\u00f3 retirar o saco e n\u00e3o ser\u00e1 preciso higienizar a caixa com tanta frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>(por Ailim Cabral, da <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Revista-do-Correio-428890500534152\" target=\"_blank\">Revista do Correio<\/a>)<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo com a economia em crise, a ind\u00fastria pet continua a crescer. 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