{"id":24,"date":"2015-03-22T10:00:00","date_gmt":"2015-03-22T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/2015\/03\/22\/em_nome_da_seguranca\/"},"modified":"2015-03-22T10:00:00","modified_gmt":"2015-03-22T10:00:00","slug":"em_nome_da_seguranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/em_nome_da_seguranca\/","title":{"rendered":"Em nome da seguran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>  Todo cuidado \u00e9 pouco quando os bichinhos precisam de cirurgia. Observar com cuidado o local da opera\u00e7\u00e3o \u00e9 crucial para que tudo d\u00ea certo. <\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/mais-bichos\/7f6a272f8d0c2fc4522cc1387d7f54bf.jpg\"><\/div>\n<p>K\u00e9ssia e Leandro pesquisam muito antes de levar seus bichinhos, Bill e Virg\u00ednia, ao&nbsp; veterin\u00e1rio (foto Zuleika de Souza\/CB\/DA Press) <\/p>\n<p>Por Gl\u00e1ucia Chaves, da Revista do Correio <\/p>\n<p>Submeter o animal de estima\u00e7\u00e3o a uma cirurgia \u00e9 sempre um estresse, tanto para os tutores quanto para os bichos. Mesmo procedimentos cir\u00fargicos simples, como a remo\u00e7\u00e3o de t\u00e1rtaro dent\u00e1rio, envolvem riscos. Al\u00e9m de poss\u00edveis complica\u00e7\u00f5es inerentes aos procedimentos, os donos devem estar preparados para dar toda a assist\u00eancia necess\u00e1ria ao animal no p\u00f3s-operat\u00f3rio. Para evitar dores de cabe\u00e7a e consequ\u00eancias negativas para seu pet, os profissionais alertam: \u00e9 importante pesquisar sobre o veterin\u00e1rio e sobre o local em que a cirurgia ser\u00e1 feita.  <\/p>\n<p> Jos\u00e9 Carlos Maranh\u00e3o, m\u00e9dico veterin\u00e1rio do Hospital Veterin\u00e1rio Dr. Ant\u00f4nio Clemenceau, explica que a primeira provid\u00eancia \u00e9 verificar (de prefer\u00eancia, pessoalmente) as condi\u00e7\u00f5es de assepsia. Limpeza, o uso de materiais descart\u00e1veis e a exist\u00eancia de aparelhos espec\u00edficos para a esteriliza\u00e7\u00e3o dos materiais cir\u00fargicos que ser\u00e3o usados s\u00e3o alguns pontos importantes a observar.  <\/p>\n<p> Aprovado o ambiente cir\u00fargico, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 tirar todas as d\u00favidas. Vale perguntar o que vier \u00e0 cabe\u00e7a: quanto tempo demorar\u00e1 a cirurgia, como ela ser\u00e1 feita, quais devem ser os cuidados com o bichinho ap\u00f3s o procedimento, enfim, tudo que deixe o dono tranquilo. \u201c\u00c9 important\u00edssimo saber quais ser\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es de tratamento no p\u00f3s-operat\u00f3rio\u201d, frisa Maranh\u00e3o. \u201cOs donos devem perguntar se o local fornecer\u00e1 curativos, medicamentos, antibi\u00f3ticos, anti-inflamat\u00f3rios ou o que mais for preciso para que a cirurgia corra bem. \u00c9 obriga\u00e7\u00e3o do local dar assist\u00eancia antes, durante e depois do procedimento.\u201d  <\/p>\n<p> Outro aspecto primordial antes de escolher o local em que seu animal ser\u00e1 operado, de acordo com o veterin\u00e1rio, \u00e9 saber que tipo de anestesia ser\u00e1 adotado no procedimento. \u201cRecomendo fortemente que seja a inalat\u00f3ria. Com a intravenosa, o animal corre mais riscos, como ter problemas respirat\u00f3rios ou cardiol\u00f3gicos\u201d, justifica. <\/p>\n<p> A m\u00e9dica veterin\u00e1ria Cl\u00e1udia Godoi de Oliveira, propriet\u00e1ria do Hospital Veterin\u00e1rio S\u00e3o Francisco, ressalta ainda a import\u00e2ncia de levar em considera\u00e7\u00e3o o protocolo adotado pelo veterin\u00e1rio antes de confiar o bichinho a ele. \u201cO ideal \u00e9 que o animal passe por uma consulta pr\u00e9-operat\u00f3ria, em que o veterin\u00e1rio ir\u00e1 fazer o exame de sangue para verificar o risco cir\u00fargico do paciente\u201d, detalha. Nesse primeiro hemograma completo, os m\u00e9dicos avaliar\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es gerais de sa\u00fade do pet: se ele est\u00e1 com anemia, infec\u00e7\u00e3o, como est\u00e3o as plaquetas (c\u00e9lulas respons\u00e1veis pela coagula\u00e7\u00e3o do sangue) etc.  <\/p>\n<p> Exames para verificar a sa\u00fade dos rins e do f\u00edgado tamb\u00e9m s\u00e3o altamente recomendados, uma vez que a anestesia ser\u00e1 metabolizada nesses \u00f3rg\u00e3os. Os exames s\u00e3o simples e, geralmente, ficam prontos no mesmo dia. \u201cSe o animal tem 4 anos ou mais, pedimos tamb\u00e9m um eletrocardiograma\u201d, completa a veterin\u00e1ria. Caso o bicho j\u00e1 tenha problemas card\u00edacos, tamb\u00e9m \u00e9 feito um ecocardiograma. Lembrando: esse \u00e9 o protocolo geral para cirurgias consideradas simples. Se o caso do animal for mais s\u00e9rio (como uma cirurgia para a retirada de tumores, por exemplo), o ideal \u00e9 que o profissional avalie em que p\u00e9 est\u00e1 o c\u00e2ncer. Nesses casos, \u00e9 pedida uma radiografia de t\u00f3rax e\/ou abdominal para que o profissional avalie se h\u00e1 met\u00e1stase. <\/p>\n<p> As medidas s\u00e3o essenciais para que o pet se recupere totalmente. Somente a partir dos resultados apresentados os veterin\u00e1rios (e os donos) podem sentir-se realmente tranquilos para realizar a opera\u00e7\u00e3o. Escolhido o local e autorizada a cirurgia, vem a parte dos donos: Cl\u00e1udia Godoi relembra que, por menor que seja a interven\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um protocolo que deve ser seguido para que a opera\u00e7\u00e3o seja bem-sucedida. \u201cDeixar o animal em jejum \u00e9 extremamente importante, porque o animal n\u00e3o vai levantar o bra\u00e7o para avisar que quer vomitar\u201d, completa a m\u00e9dica. \u201cSe ele vomitar anestesiado, pode sufocar com o pr\u00f3prio v\u00f4mito. O animal pode tamb\u00e9m aspirar o l\u00edquido, que ir\u00e1 para o pulm\u00e3o, podendo ocasionar edema pulmonar.\u201d <\/p>\n<p> Antes de levar o bicho \u00e0 mesa de opera\u00e7\u00f5es, a veterin\u00e1ria recomenda ainda que o animal v\u00e1 de banho tomado e tosado, para minimizar os riscos de infec\u00e7\u00e3o. Providenciar a roupinha cir\u00fargica ou o colar elizabetano antes da opera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ajuda, j\u00e1 que o animal precisar\u00e1 deles assim que o procedimento acabar. O propriet\u00e1rio dever\u00e1, ainda, ter condi\u00e7\u00f5es de trocar os curativos e dar os medicamentos necess\u00e1rios para completar a recupera\u00e7\u00e3o da mascote. \u201cSe n\u00e3o for poss\u00edvel fazer isso, talvez seja melhor optar por um hospital veterin\u00e1rio, em que o animal geralmente fica internado por 48 horas ap\u00f3s a cirurgia.\u201d  <\/p>\n<p> O casal Leandro Scapellato Cruz e K\u00e9ssia Fernandes (32 e 26 anos, respectivamente), fez bem o dever de casa antes de escolher o local mais apropriado para Bill ser castrado. Bill \u00e9 um pug e, como todos os c\u00e3es dessa ra\u00e7a, tem focinho curto. A caracter\u00edstica faz com que o animal n\u00e3o tenha resist\u00eancia para aguentar a anestesia intravenosa \u2014 informa\u00e7\u00e3o que o funcion\u00e1rio p\u00fablico j\u00e1 havia pesquisado previamente. Ao levar o animal no pet shop para or\u00e7ar a opera\u00e7\u00e3o, Leandro e a fot\u00f3grafa estranharam n\u00e3o haver a op\u00e7\u00e3o de o procedimento ser feito com anestesia inalat\u00f3ria. \u201cO veterin\u00e1rio disse que \u2018achava\u2019 que Bill aguentaria sem essa anestesia\u201d, relembra K\u00e9ssia.  <\/p>\n<p> Insatisfeito e inseguro com rela\u00e7\u00e3o ao primeiro profissional consultado, Leandro escolheu outra cl\u00ednica, mais equipada. \u201cV\u00e1rios veterin\u00e1rios recomendaram a anestesia inalat\u00f3ria, que \u00e9 a mais segura para os animais.\u201d O h\u00e1bito de buscar informa\u00e7\u00f5es foi, para Leandro, a atitude que garantiu que tudo corresse bem. \u201cPerder um animal que \u00e9 parte da fam\u00edlia por uma bobeira, por falta de informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma possibilidade\u201d, completa K\u00e9ssia. <\/p>\n<p> Virg\u00ednia, a vira-lata do casal, quase passou por um perrengue no veterin\u00e1rio. Por j\u00e1 ter sido adotada com certa idade, a cadela tinha severos problemas dent\u00e1rios. K\u00e9ssia e Leandro procuraram, ent\u00e3o, um veterin\u00e1rio para fazer a limpeza de t\u00e1rtaro da pet. A recomenda\u00e7\u00e3o era que o animal deveria ser levado em jejum, pela manh\u00e3, e que o procedimento teria acabado \u00e0 tarde. \u00c0s 13h, hor\u00e1rio marcado para os tutores buscarem Virg\u00ednia, nada tinha sido feito ainda: os profissionais nem mesmo sabiam o que a cadela estava fazendo ali. \u201cNos deram uma desculpa t\u00e9cnica a respeito da castra\u00e7\u00e3o que ela faria\u201d, relembra Leandro. \u201cAvisei que o procedimento n\u00e3o era esse, mas acabou que fizeram a limpeza de qualquer jeito. E se eu tivesse demorado a busc\u00e1-la?\u201d, questiona.  <\/p>\n<p> Das experi\u00eancias, ficou a li\u00e7\u00e3o: hoje, Leandro e K\u00e9ssia n\u00e3o abrem m\u00e3o de pesquisar cada detalhe sobre o local, o veterin\u00e1rio e sobre seus pr\u00f3prios animais. \u201c\u00c9 importante saber, por exemplo, se o bicho tem alguma alergia\u201d, completa K\u00e9ssia. \u201cDescobrimos que o Bill tem alergia a alguns medicamentos e temos tudo anotado, para emerg\u00eancias.\u201d Para Leandro, al\u00e9m das pesquisas, a visita ao local tamb\u00e9m ajuda a dar tranquilidade. \u201cO ideal \u00e9 nunca optar apenas pela economia. Sempre ter\u00e1 quem fa\u00e7a mais barato, mas a que pre\u00e7o?\u201d <\/p>\n<p> <b>Fique de olho <\/b> <\/p>\n<p> Mesmo com todos os cuidados, \u00e0s vezes a cirurgia pode n\u00e3o dar certo. Nesses casos, o corpo do animal fala:  <\/p>\n<p> Observe a temperatura corporal do bichinho. Hipotermia (corpo gelado) pode ser um sinal de hemorragia interna. <\/p>\n<p> Mucosas hipocloradas (mais brancas que o normal) tamb\u00e9m podem ser um ind\u00edcio de hemorragia, pois podem indicar que o animal est\u00e1 perdendo sangue. <\/p>\n<p> Outro sintoma de hemorragia interna pode ser o aumento do abd\u00f4men ap\u00f3s o procedimento. <\/p>\n<p> Temperatura corporal muito alta e secre\u00e7\u00e3o excessiva dos pontos podem significar infec\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p> Caso ap\u00f3s a cirurgia n\u00e3o seja feito um controle de soro para eliminar o anest\u00e9sico do corpo do animal, \u00e9 poss\u00edvel que o bichinho desenvolva insufici\u00eancia renal e crises de hipertens\u00e3o (mais comum em animais que passaram por anestesia intravenosa). <\/p>\n<p> Fontes:  <\/p>\n<p>Jos\u00e9 Carlos Maranh\u00e3o, m\u00e9dico veterin\u00e1rio do Hospital Veterin\u00e1rio Dr. Ant\u00f4nio Clemenceau;  <\/p>\n<p>Cl\u00e1udia Godoi de Oliveira, m\u00e9dica veterin\u00e1ria do Hospital Veterin\u00e1rio S\u00e3o Francisco     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo cuidado \u00e9 pouco quando os bichinhos precisam de cirurgia. 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