{"id":301,"date":"2015-11-07T15:00:46","date_gmt":"2015-11-07T17:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/?p=301"},"modified":"2015-11-06T10:22:41","modified_gmt":"2015-11-06T12:22:41","slug":"ha-100-anos-um-caozinho-morria-de-tristeza-por-sua-tutora-no-cemiterio-de-sao-jose-dos-campos-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/ha-100-anos-um-caozinho-morria-de-tristeza-por-sua-tutora-no-cemiterio-de-sao-jose-dos-campos-sp\/","title":{"rendered":"H\u00e1 100 anos um c\u00e3ozinho morria de tristeza por sua tutora no cemit\u00e9rio de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Julio Ottoboni (em colabora\u00e7\u00e3o para a <a href=\"http:\/\/www.anda.jor.br\">ANDA<\/a>)<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do cachorro Akita, Hachik\u014d, que emociona o mundo desde 1925 tamb\u00e9m encontra paralelos em v\u00e1rias outras partes do planeta e aqui no Brasil. Este ano teve uma marca especial no cemit\u00e9rio central e o mais antigo de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP). H\u00e1 100 anos exatos uma jovem morreria de tuberculose e seu c\u00e3ozinho ficou sobre a sepultura at\u00e9 tamb\u00e9m morrer, de tristeza e saudades.<\/p>\n<p>O fato foi t\u00e3o marcante na \u00e9poca, que passou gera\u00e7\u00f5es e permanece ainda hoje como uma das principais hist\u00f3rias do lugar. A derradeira demonstra\u00e7\u00e3o de amor e fidelidade que tem sobrevivido ao tempo e, inclusive, ao abandono e esquecimento.<\/p>\n<p>O jazigo simples, com a est\u00e1tua de um cachorro sobre ele, ficou abandonado durante d\u00e9cadas. Ali se guarda uma bela e comovente hist\u00f3ria de amor e fidelidade, envolvendo uma jovem doente, seu c\u00e3o, o esquecimento dos familiares e uma senhora que h\u00e1 quatro d\u00e9cadas cuida do t\u00famulo.<\/p>\n<p>A sepultura tem em sua arquitetura a est\u00e1tua de um cachorro, localizada logo a frente, sobre a laje onde se v\u00ea o nome de Oscarina Cruz Guimar\u00e3es, nascida em 16\/08\/1893 e falecida em 13\/08\/1915, a poucos dias de completar 22 anos de idade, provavelmente tuberculosa em algum dos sanat\u00f3rios da cidade ou mesmo em sua casa, devido a uma crise respirat\u00f3ria.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria da mo\u00e7a e seu cachorro est\u00e1 se perdendo com o passar dos anos. Mas sabe-se que Oscarina era pianista e quando tocava, seu companheiro ficava deitado no ch\u00e3o da sala e nos momentos de repouso for\u00e7ado por conta da doen\u00e7a, ele se abrigava sob a cama. Os dois eram vistos com frequ\u00eancia caminhando juntos pela cidade, naquela \u00e9poca muito pequena e t\u00edmida.<\/p>\n<p>Com o passar dos anos, o t\u00famulo deixou de ser visitado e foi adotado por Dulce Carmem da Silva, moradora do bairro Santana, que passou a cuidar do local e a se inteirar da hist\u00f3ria da jovem e de seu c\u00e3o. E manter viva a hist\u00f3ria da mo\u00e7a e seu amigo fiel.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia de Oscarina seria origin\u00e1ria de Vit\u00f3ria (ES). Viveram no Vale do Para\u00edba na esperan\u00e7a da recupera\u00e7\u00e3o da jovem, quando ela morreu partiram para sempre. Hoje n\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o de familiar ou pessoa respons\u00e1vel pelo jazigo 5089. Dulce, ent\u00e3o, passou a cuidar do local no come\u00e7o dos anos 80.<\/p>\n<p>A sepultura estava abandonada, mas chamava aten\u00e7\u00e3o pelo fato de ter a figura do cachorrinho em m\u00e1rmore branco, sentado, como se esperasse e ao mesmo tempo guardasse o lugar. O que intrigava os mais atentos que visitavam o cemit\u00e9rio.<\/p>\n<p>E assim Dulce tomou conhecimento de maiores detalhes da trajet\u00f3ria de ambos por meio de informa\u00e7\u00f5es de moradores antigos da cidade. Eram poucas as informa\u00e7\u00f5es, mas o suficiente para identificar ali uma grande amizade, carregada por tons dram\u00e1ticos e singelos.<\/p>\n<p>\u201cEssa mo\u00e7a teria se tratado na cidade na \u00e9poca sanatorial e tinha um cachorro que sempre a acompanhava. Quando ela faleceu, o cachorro n\u00e3o quis sair de seu t\u00famulo, aonde tamb\u00e9m veio a falecer . A m\u00e3e dela teria, ent\u00e3o, mando fazer a est\u00e1tua do cachorro em cima do jazigo\u201d, conta Dulce, que se tornou a zeladora volunt\u00e1ria do t\u00famulo. O c\u00e3ozinho est\u00e1 tamb\u00e9m sepultado no local, logo abaixo de sua est\u00e1tua, numa caixa especial feita para abriga-lo e assim permanecer perto de sua tutora.<\/p>\n<p>Nestas quatro d\u00e9cadas, ela nunca teria visto qualquer familiar visitando o jazigo da jovem. Uma triste contraposi\u00e7\u00e3o ao sentimento do cachorrinho, hoje tamb\u00e9m esquecido na mem\u00f3ria da cidade, pois sequer sabem como sua tutora o chamava.<\/p>\n<p>Foi pelo amor aos animais que Dulce passou a se interessar pela arquitetura do t\u00famulo e pela hist\u00f3ria que a cercava. Essa empregada dom\u00e9stica, hoje aposentada, estava muito triste com o envenenamento de seu cachorro, que agonizava em sua casa. Ela entrou no cemit\u00e9rio na busca por aplacar sua dor, quando encontrou o t\u00famulo com a est\u00e1tua.<\/p>\n<p>Ao se deparar com o abandono do t\u00famulo, simbolicamente diferenciado pela presen\u00e7a da escultura, sentiu que se seu companheiro viesse a falecer passaria a tratar do \u2018outro\u2019 cachorrinho, o que havia falecido ali, no cemit\u00e9rio, sobre o t\u00famulo de sua protetora.<\/p>\n<p>\u201cQuando vi o t\u00famulo com a est\u00e1tua do cachorro, que estava feio e sujo, resolvi cuidar do lugar. Isso foi na d\u00e9cada de 80 e continuo at\u00e9 hoje\u201d, relembra emocionada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria do cachorro Akita, Hachik\u014d, que emociona o mundo desde 1925 tamb\u00e9m encontra paralelos em v\u00e1rias outras partes do planeta e aqui no Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":302,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[],"class_list":["post-301","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-comportamento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=301"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/301\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":304,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/301\/revisions\/304"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/302"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}