{"id":35,"date":"2015-05-04T18:30:00","date_gmt":"2015-05-04T18:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/2015\/05\/04\/quase_um_filho\/"},"modified":"2015-05-04T18:30:00","modified_gmt":"2015-05-04T18:30:00","slug":"quase_um_filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/quase_um_filho\/","title":{"rendered":"Quase um filho"},"content":{"rendered":"<p>da Revista do Correio  <\/p>\n<p>  O sentimento de ter um animal pode ser traduzido como amor incondicional. Para alguns, os pets s\u00e3o membros da fam\u00edlia, quase uma crian\u00e7a, e precisam ser tratados como tal  <\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/mais-bichos\/07b77db924b1a2397948b993303f3b89.jpg\">  <\/p>\n<p>Giselle se apaixonou por Nino e enfrentou muitos desafios para cuidar do c\u00e3ozinho <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; Foto: Zuleika de Souza\/CB\/D.A Press<\/p><\/div>\n<p>O amor fica ainda mais bonito quando \u00e9 demonstrado diariamente. \u00c9 imposs\u00edvel ser indiferente ao carinho e \u00e0 fidelidade que um pet oferece. Giselle Lacerda, 20 anos, tem um romance antigo com os animais. \u00c9 volunt\u00e1ria em projetos de resgates e ado\u00e7\u00f5es dos pequenos indefesos. Em 2013, viu sua vida inteira colocada de cabe\u00e7a para baixo por causa do Nino, um filhote mesti\u00e7o da ra\u00e7a border collie. O momento tamb\u00e9m foi essencial para confirmar a sua voca\u00e7\u00e3o profissional: a de ser veterin\u00e1ria.   Ao ler a publica\u00e7\u00e3o no Facebook, compartilhada por uma protetora, sobre um pequeno cachorro sem pelo, magro e doente, que seria sacrificado se n\u00e3o fosse adotado, sentiu seu cora\u00e7\u00e3o clamar. Aceitou o desafio mesmo que j\u00e1 tivesse sob seus cuidados a Pequena. Buscou o animal, levou para casa escondido dos pais.   Os pais descobriram. Brigaram. Mas entenderam a import\u00e2ncia do animal para a filha. O amor dela por aquele ser mobilizou todos ao seu redor: namorado, sogra, tios, av\u00f3, amigos. Um mutir\u00e3o ajudava Giselle a dar mais qualidade de vida ao Nino. Quando tudo parecia ter abrandado, outro obst\u00e1culo surgiu. A casa em que o pet estava, de sua av\u00f3 e tia, foi colocada para alugar devido ao falecimento das duas. Pela segunda vez, o animal ficou sem endere\u00e7o. N\u00e3o podia ir para o mesmo lar que a dona porque o pai dela tem alergia aguda. De novo, ela chorou, mas continuou firme em seu prop\u00f3sito. A separa\u00e7\u00e3o de Nino n\u00e3o era uma op\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s grande esfor\u00e7o, a fam\u00edlia conseguiu uma nova casa para o c\u00e3o, dessa vez na mesma rua em que residem.  H\u00e1 cerca de um ano, Nino concedeu a maior felicidade para sua dona: voltou a andar. Por causa de um atropelamento, o animal teve a coluna fraturada e ficou sem os movimentos das patas traseiras. Hoje, Giselle consegue passear todos os dias com o pet. Como ainda n\u00e3o se recuperou totalmente, ele tem o aux\u00edlio de uma cadeirinha, esp\u00e9cide de pr\u00f3tese. \u201cReligiosamente \u00e0s 17h, ele fica me esperando no port\u00e3o ansioso\u201d, diverte-se.  O carinho da estudante pelos peludos transp\u00f4s a barreira que o namorado Marcellus Lopes, 22 anos, criou quando viu seu cachorro ser acidentado. Ao comparecer em um caf\u00e9 da manh\u00e3 na cl\u00ednica de fisioterapia, local onde o Nino faz tratamento, conheceram a Nina. A jovem aconchegou a filhote nos bra\u00e7os do amado. \u201cNo mesmo momento, ela dormiu. Tenho certeza de que o cora\u00e7\u00e3o dele se derreteu\u201d, lembra a mo\u00e7a. Decidiram adot\u00e1-la e foi assim que come\u00e7ou uma esp\u00e9cie de guarda compartilhada.   Assim como Giselle e Marcellus, outros casais tomam a decis\u00e3o de criar cachorros juntos. Andressa Nirvana e Salah Eddin, 22 e 29 anos, respectivamente, decidiram, h\u00e1 um ano e quatro meses, encarar o desafio. A ideia tomou forma quando o rapaz foi morar sozinho. Ele sempre quis ter um c\u00e3o e achou que o momento era perfeito. Come\u00e7ou a estudar, aprendeu mais sobre adestramento, se dedicou \u00e0 psicologia canina para entender a ra\u00e7a que mais se adaptava ao seu estilo de vida. Identificou-se com o border collie. Por meio de um an\u00fancio na internet chegou ao Jazz, \u201co seu companheiro de quarto\u201d.  A namorada foi surpreendida com o novo morador e se apaixonou na hora. Em suas palavras, o cachorro parece uma crian\u00e7a. \u201cEle sabe a hora de brincar, de ficar quieto\u201d, descreve. Salah observava o comportamento da mo\u00e7a e a incentivou a ter o seu pr\u00f3prio pet. Foram \u00e0 feira de ado\u00e7\u00e3o e escolheram a Pizza. Deram tratamento m\u00e9dico, boa alimenta\u00e7\u00e3o, a companhia do Jazz, mas ela ficou doente. A partir da\u00ed, o sofrimento come\u00e7ou. A cinomose, virose que afeta carn\u00edvoros e tem alta taxa de mortalidade, estava avan\u00e7ada. O inevit\u00e1vel aconteceu, tiveram que decidir pela vida do animal. \u201cOptamos pelo sacrif\u00edcio\u201d, recorda Salah.O processo de luto durou um bom tempo.   Ap\u00f3s uns meses, Salah decidiu insistir na ideia de sua companheira ter um outro cachorro. Presenteou-a com uma filhote de beagle, a Serena. \u201cOs dois animais interagem entre si. A rela\u00e7\u00e3o que temos com eles \u00e9 muito boa. N\u00e3o o tratamos como humanos, mas me considero m\u00e3ezona e o Salah um pai firme\u201d, conta Andressa. Em quatro anos de namoro, Salah avalia que a presen\u00e7a dos animais fez a rela\u00e7\u00e3o evoluir. \u201cAcredito que a Pizza fez a Andressa amadurecer emocionalmente, pois ela teve que tomar decis\u00f5es muito duras\u201d, explica.  Sentimento id\u00eantico ao que a aposentada Maria Beatriz Rosa nutria pela sua primeira cadela. Ap\u00f3s tentativas frustradas de ser m\u00e3e, decidiu ter um pet. Ganhou uma poodle filhote de presente, batizada Jade.   De repente, a filhote passou a tossir compulsivamente. Iniciou-se um tratamento para o cora\u00e7\u00e3o, mas o diagn\u00f3stico correto foi c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, em estado avan\u00e7ado. Na opera\u00e7\u00e3o, ela n\u00e3o resistiu. O luto foi intenso. A cena da Jade perdendo os sinais vitais em seus bra\u00e7os a assombrava. Trov\u00e3o, o filhote da cadela, procurava pela m\u00e3e. Tudo isso exacerbava o sentimento de perda.   \u201cNunca tinha visto um ser morrer. Foi diferente de uma pessoa, mas n\u00e3o menos dolorido\u201d, rememora. O epis\u00f3dio aconteceu h\u00e1 cinco anos. Desde ent\u00e3o, Beatriz continuou a criar Trov\u00e3o. Se apegaram muito, pois no in\u00edcio da separa\u00e7\u00e3o achou que o cachorro n\u00e3o iria superar a aus\u00eancia da m\u00e3e. \u201cHumanizamos muito a rela\u00e7\u00e3o. Como n\u00e3o tenho filhos, acabo canalizando o cuidado, isso foi sempre bem escancarado. Mas \u00e9 um envolvimento muito gostoso\u201d, relata a aposentada.    <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>da Revista do Correio O sentimento de ter um animal pode ser traduzido como amor incondicional. 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