{"id":3997,"date":"2017-12-20T08:00:55","date_gmt":"2017-12-20T10:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/?p=3997"},"modified":"2017-12-18T22:39:03","modified_gmt":"2017-12-19T00:39:03","slug":"ratinhos-de-pelucia-substituem-cobaias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/ratinhos-de-pelucia-substituem-cobaias\/","title":{"rendered":"Ratinhos de pel\u00facia substituem cobaias"},"content":{"rendered":"<h2>Professora da Universidade de S\u00e3o Paulo inova, ao usar bichinhos de pel\u00facia nas aulas e, assim, evitar o sofrimento e a morte de animais em sala de aula<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3998\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2017\/12\/ratinho.jpg\" alt=\"ratinho\" width=\"1280\" height=\"515\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2017\/12\/ratinho.jpg 1280w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2017\/12\/ratinho-300x121.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2017\/12\/ratinho-768x309.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2017\/12\/ratinho-1024x412.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2017\/12\/ratinho-350x141.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2017\/12\/ratinho-550x221.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2017\/12\/ratinho-230x93.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 cinco anos, uma professora da USP em Ribeir\u00e3o Preto usa animais de pel\u00facia em aulas pr\u00e1ticas sobre\u00a0<i>diabetes mellitus.\u00a0<\/i>A iniciativa vem poupando sofrimento e morte de cerca de 45 ratos por ano, com benef\u00edcios ao aprendizado dos estudantes que perdiam o foco com a dor dos animais.<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel pela aula alternativa, cursada por alunos das faculdades de Odontologia (Forp) e de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas (FCFRP) da USP, a professora Maria Jos\u00e9 Alves da Rocha conta que as aulas de laborat\u00f3rio da disciplina de Fisiologia sobre\u00a0<i>diabetes mellitus<\/i>\u00a0nunca foram confort\u00e1veis. Os alunos sofriam com a coleta de sangue dos animais para dosar a glicemia, pois era necess\u00e1rio um corte no rabo do animal, relata. A professora explica ainda que esses ratos ficavam em estado deplor\u00e1vel e exalavam forte odor causado por diarreia, efeito colateral da droga que induz ao diabete.<\/p>\n<p>Ao buscar uma solu\u00e7\u00e3o para o problema, Maria Jos\u00e9 encontrou alguns artigos cient\u00edficos sobre modelos de aulas de sucesso com animais artificiais e decidiu desenvolver seu pr\u00f3prio material. Aproveitou as gaiolas metab\u00f3licas \u2013 equipamento onde ratos de verdade ficam e t\u00eam suas fezes e urina coletados \u2013 j\u00e1 existentes e adquiriu os ratinhos de pel\u00facia em oferta numa grande loja.<\/p>\n<p>Com a ajuda do t\u00e9cnico de laborat\u00f3rio Mauro Ferreira da Silva, abriu o abd\u00f4men de alguns bichinhos que, a cada aula, s\u00e3o preenchidos com bolas de gude para alcan\u00e7ar pesos diferentes. Para o sangue e urina, que tamb\u00e9m s\u00e3o artificiais, recebeu a colabora\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o aluno de Farm\u00e1cia Paulo Jos\u00e9 Basso. Esses preparados simulam os diferentes n\u00edveis de glicemia, ou seja, a quantidade de a\u00e7\u00facar no sangue.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises, comparando as aulas com animais reais e as que usam m\u00e9todos alternativos, ofereceram \u00e0 professora a certeza do caminho certo.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cModelos de ensino que n\u00e3o envolvem experimentos nocivos ou com morte de animais s\u00e3o ben\u00e9ficos \u00e0 aprendizagem\u201d, garante a professora.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ela Conta que era comum estudantes se distra\u00edrem do objetivo principal, a doen\u00e7a, ao se envolverem em discuss\u00f5es sobre a dor e o desconforto que os animais experimentam. \u201cQuest\u00f5es \u00e9ticas s\u00e3o importantes e devem ser incorporadas em um curso de fisiologia\u201d, defende a professora.<\/p>\n<p>Entre as vantagens das aulas com a substitui\u00e7\u00e3o dos animais, ela aponta a oportunidade do aluno discutir as diferen\u00e7as entre a diabete tipo 1 e tipo 2, oferecida pela simula\u00e7\u00e3o do rato obeso. Ela afirma que a t\u00e9cnica pode ser facilmente adaptada em todos os cursos das \u00e1reas biom\u00e9dicas que ensinam fisiologia end\u00f3crina, mesmo em institui\u00e7\u00f5es com menos recursos, j\u00e1 que n\u00e3o requer grande suporte t\u00e9cnico nem equipamentos ou espa\u00e7os f\u00edsicos espec\u00edficos.<\/p>\n<p>Por esse trabalho de ensino, a professora e sua equipe receberam o Pr\u00eamio do\u00a0Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es (MCTIC) de M\u00e9todos Alternativos \u00e0 Experimenta\u00e7\u00e3o Animal, como o terceiro colocado na categoria Produ\u00e7\u00e3o Acad\u00eamica<\/p>\n<p><strong>CPI\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto isso, na\u00a0Unicamp, os alunos de medicina ainda treinam em porcos e coelhos procedimentos de drenagem de t\u00f3rax, suturas de al\u00e7as intestinais, abordagem de \u00f3rg\u00e3os retroperitoniais para conten\u00e7\u00e3o de sangramentos e janela card\u00edaca para controle de ferimentos graves. Na Faculdade de Medicina do ABC, os mesmos procedimentos j\u00e1 s\u00e3o realizados h\u00e1 dez anos em cad\u00e1veres de animais eticamente adquiridos sem perda da qualidade do ensino, uma vez que a faculdade j\u00e1 atingiu nota m\u00e1xima no Enade. E nos EUA e Canad\u00e1 mais nenhuma escola m\u00e9dica utiliza cobaias no ensino, apenas modernos simuladores em forma de bonecos real\u00edsticos (alguns espec\u00edficos para \u00e1rea de emerg\u00eancia) e simuladores em 3D.<\/p>\n<p>Os deputados da CPI de Maus-Tratos Contra Animais da Assembleia Legislativa de SP ouviram no dia 13 de dezembro o professor Wagner F\u00e1varo, do Instituto de Biologia da Unicamp, convocado para falar sobre o uso de animais naquela institui\u00e7\u00e3o que, junto com a USP e a Unesp, entregaram of\u00edcio ao governador alegando que n\u00e3o existem m\u00e9todos substitutivos para todos os procedimentos usados no ensino. Os of\u00edcios foram entregues por ocasi\u00e3o do Projeto de Lei 706\/2012, do deputado estadual Feliciano Filho (PSC), que restringe o uso de animais no ensino (n\u00e3o na pesquisa).<\/p>\n<p>Feliciano Filho considerou a reuni\u00e3o da CPI bastante produtiva: \u201cO professor respondeu todos os nossos questionamentos e explicou que a Unicamp ainda mant\u00e9m quatro procedimentos feitos com animais no ensino da Medicina. No entanto, disse que visitar\u00e1 a Faculdade do ABC para conhecer o m\u00e9todo com cad\u00e1veres para, quem sabe, implantar na Unicamp&#8221;.<\/p>\n<p>\u201cA professora J\u00falia Matera, da USP, inclusive, aprimorou essa t\u00e9cnica e os cad\u00e1veres podem sangrar e duram at\u00e9 seis meses. Outra vantagem \u00e9 que os alunos podem treinar tamb\u00e9m fora da aula e n\u00e3o sofrem dissensibiliza\u00e7\u00e3o ao assistirem tantos animais sendo arrastados para as aulas pr\u00e1ticas. Os animais sabem que v\u00e3o morrer\u201d, explica a professora Odete Miranda, uma das respons\u00e1veis pela aboli\u00e7a\u00f5 do uso de cobaias na Faculdade de Medicina do ABC.<\/p>\n<p>O professor F\u00e1varo comentou tamb\u00e9m que nenhum outro curso da Unicamp utiliza cobaias e que o biot\u00e9rio da faculdade cria ratos e camundongos destinados apenas para a pesquisa.<\/p>\n<p>Feliciano ressaltou que os deputados da CPI ouvir\u00e3o t\u00e9cnicos e formular\u00e3o relat\u00f3rio a ser encaminhado ao Minist\u00e9rio P\u00fablico:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cHavendo m\u00e9todo substitutivo, segundo o artigo 32 da Lei 9.605, o uso de animais no ensino \u00e9 crime. Por isso, pe\u00e7o humildade as universidades estaduais para que aceitem que podem melhorar seu ensino sem o uso de cobaias e fa\u00e7am a transi\u00e7\u00e3o para um aprendizado muito mais eficiente e sem sofrimento\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m da Unicamp, a CPI de Maus-Tratos Contra Animais j\u00e1 ouviu tamb\u00e9m a USP. A convoca\u00e7\u00e3o da Unesp, no dia 12, n\u00e3o foi proveitosa porque o professor escolhido para representar a institui\u00e7\u00e3o alegou n\u00e3o ter conhecimento t\u00e9cnico para falar de m\u00e9todos substitutivos no ensino. Os deputados pretendem convocar a Unesp para uma pr\u00f3xima reuni\u00e3o ainda sem data marcada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professora da Universidade de S\u00e3o Paulo inova, ao usar bichinhos de pel\u00facia nas aulas e, assim, evitar o sofrimento e a morte de animais em sala de aula &nbsp; &nbsp; H\u00e1 cinco anos, uma professora da USP em Ribeir\u00e3o Preto usa animais de pel\u00facia em aulas pr\u00e1ticas sobre\u00a0diabetes mellitus.\u00a0A iniciativa vem poupando sofrimento e morte de cerca de 45 ratos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":63,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3997","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3997","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/63"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3997"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3997\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3999,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3997\/revisions\/3999"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3997"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3997"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3997"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}