{"id":4241,"date":"2018-02-27T10:16:33","date_gmt":"2018-02-27T13:16:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/?p=4241"},"modified":"2018-02-28T17:57:58","modified_gmt":"2018-02-28T20:57:58","slug":"depois-de-2-meses-papagaio-volta-para-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/depois-de-2-meses-papagaio-volta-para-casa\/","title":{"rendered":"Depois de 2 meses, papagaio volta para casa"},"content":{"rendered":"<h3>No fim ano passado, recebemos o email do leitor Mauro Burlamaqui, pedindo ajuda para divulgar o sumi\u00e7o de Benta, papagaio congo que desapareceu do Guar\u00e1 I. Pois Benta voltou para a alegria da fam\u00edlia. A saga da bichinha, que passou dois meses &#8220;avoando&#8221; por Bras\u00edlia, mereceu uma cr\u00f4nica escrita por Mauro, que \u00e9 jornalista. Na hist\u00f3ria, que ele compartilha com o blog, Mauro conta como Benta foi encontrada, depois de confundida com um pombo no bairro do Sol Nascente, em Ceil\u00e2ndia. Divirta-se!<\/h3>\n<figure id=\"attachment_4242\" aria-describedby=\"caption-attachment-4242\" style=\"width: 774px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4242\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2018\/02\/Benta.jpg\" alt=\"Benta e Mauro: final feliz para a fam\u00edlia Cr\u00e9dito: Arquivo pessoal \" width=\"774\" height=\"1032\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2018\/02\/Benta.jpg 774w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2018\/02\/Benta-225x300.jpg 225w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2018\/02\/Benta-768x1024.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2018\/02\/Benta-263x350.jpg 263w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2018\/02\/Benta-550x733.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2018\/02\/Benta-230x307.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 774px) 100vw, 774px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4242\" class=\"wp-caption-text\">Benta e Mauro: final feliz para a fam\u00edlia Cr\u00e9dito: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A volta ao Lar da Benta (a prometida hist\u00f3ria completa)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por Mauro\u00a0Burlamaqui<br \/>\n<\/strong><br \/>\n<em>&#8211; Sr. Mauro?<br \/>\n&#8211; Sim, sou eu&#8230;<br \/>\n&#8211; Boa tarde! Aqui \u00e9 da pol\u00edcia civil&#8230;<\/em><\/p>\n<p>(Gelo \u2013 o que foi que eu aprontei que n\u00e3o consigo nem lembrar?!?)<\/p>\n<p>Foi assim que come\u00e7ou a viagem de volta da papagaia Benta ao seu lar, depois de quase dois meses perdida pela cidade. Era come\u00e7o da tarde de sexta-feira, 16 de fevereiro \u00faltimo, rec\u00e9m tinha chegado ao trabalho. O agente, que falava pausado, perguntou-me se eu tinha perdido algum animal de estima\u00e7\u00e3o recentemente.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<em>Siiim, um papagaio&#8230;,\u00a0<\/em>respondi de pronto.<em><br \/>\n&#8211; Certo. Mas&#8230; que tipo de papagaio?,\u00a0<\/em>perguntou o agente.<em><br \/>\n&#8211; Um papagaio do congo, africano, cinzento.<br \/>\n&#8211; Uhmmm, certo, certo. Pois \u00e9, senhor Mauro. Parece que ele foi encontrado.<br \/>\n<\/em><br \/>\n(Novo gelo, agora de pura emo\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>O policial contou que a ave estava na Ceil\u00e2ndia, ou no Sol Nascente. E que iria, ent\u00e3o, marcar com a pessoa que a achou para nos encontrarmos. E que me retornaria depois.<br \/>\nA torrente de emo\u00e7\u00f5es que me tomou por inteiro \u00e9 indescrit\u00edvel. 50 dias depois de seu desaparecimento, essa not\u00edcia. Assim, de repente!<\/p>\n<p>Assumo que fiquei em estado de choque, mas tamb\u00e9m com muito receito. Seria um trote? Afinal, eu tinha espalhado cartazes pela cidade com a foto da Benta, meu nome e meu telefone. Mas, espera um pouco, o agente me ligou no telefone do trabalho. Ent\u00e3o podia ser fato. Procurei na internet e vi que o telefone anotado no bina era o mesmo que constava da p\u00e1gina da Delegacia do Meio Ambiente. Ent\u00e3o n\u00e3o parecia ser trote. A Benta podia ter sido encontrada. Exatos um m\u00eas e 19 dias depois de se perder, ela podia estar voltando.<\/p>\n<p>O agente retornou a liga\u00e7\u00e3o poucos minutos depois, dizendo que tinha feito contato com a pessoa que encontrou a ave e pediu-me que fosse \u00e0 delegacia na segunda-feira, \u00e0s 13 horas, levando a documenta\u00e7\u00e3o e fotos com a papagaia, se tivesse.<\/p>\n<p>E pronto. Foi o pontap\u00e9 inicial para um fim de semana de ansiedade total. Seria a Benta mesmo? Ser\u00e1 que estava bem? Ou estaria machucada, assustada, traumatizada? A pessoa iria mesmo lev\u00e1-la para a Delegacia? Iria pedir alguma recompensa para devolver o animal? Foram tr\u00eas longos dias de questionamentos rondando a cabe\u00e7a, a mil.<\/p>\n<p>Foi mesmo muita agonizante a espera. Achei melhor n\u00e3o contar para ningu\u00e9m. Podia n\u00e3o acontecer o que esperava, e apenas geraria expectativa em pessoas queridas, que tanto se dispuseram a ajudar.<\/p>\n<p>Na segunda, como combinado, chegamos eu e minha esposa \u00e0 delegacia \u00e0s 13 horas. Ansiedade vazando pelos poros. E logo um banho de \u00e1gua fria: o agente que havia me contatado disse que a pessoa que encontrou a ave n\u00e3o pode comparecer na delegacia. Mas que fic\u00e1ssemos tranquilos que ir\u00edamos juntos at\u00e9 onde ela estava, para busc\u00e1-la. Primeiro, \u00e9 claro, conferiu os documentos da Benta, olhou algumas fotos da papagaia comigo e com a Luciane, que estavam no meu celular, para se certificar de que era a ave que eu procurava.<\/p>\n<p>Tudo confirmado, foi a\u00ed que come\u00e7ou a parte aventureira do retorno de Benta. De acordo com o agente, Benta estava na casa de uma senhora que mora no Sol Nascente &#8211; para quem n\u00e3o \u00e9 de Bras\u00edlia, dizem que se trata de uma das maiores favelas do pa\u00eds, e os jornais contam hist\u00f3rias de que \u00e9 um lugar inseguro a n\u00e3o poder mais, onde nem os carteiros t\u00eam coragem de entregar correspond\u00eancias, tamanha a inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O bairro fica a menos de 30 quil\u00f4metros do centro da cidade. Nem \u00e9 t\u00e3o longe assim mas, realmente, \u00e9 um lugar que aparenta n\u00e3o ter qualquer seguran\u00e7a. Sol Nascente tem a maior parte das suas ruas de terra batida, muito esburacadas, sem ind\u00edcios de exist\u00eancia de sistema de escoamento de esgoto, sem rede de ilumina\u00e7\u00e3o. Durante o trajeto, n\u00e3o vi um \u00fanico policial ou uma viatura. Em suma, sem a menor presen\u00e7a do Estado. Com certeza, andar sozinho por ali, qualquer hora do dia, sem conhecer o lugar, n\u00e3o parece ser uma boa ideia. Foi a sensa\u00e7\u00e3o que tive.<\/p>\n<p>Por sorte, fomos no carro da delegacia, acompanhados de tr\u00eas agentes da pol\u00edcia civil. Durante o trajeto, que durou cerca de uma hora, uma agente come\u00e7ou a nos contar a hist\u00f3ria. A tal senhora era moradora do Sol Nascente desde quando o local n\u00e3o tinha casas &#8211; na \u00e9poca, era uma \u00e1rea de ch\u00e1caras. Funcion\u00e1ria p\u00fablica aposentada, ela viu o bairro crescer, desorganizadamente e, por sua condi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica, passou a ser uma esp\u00e9cie de salvadora da p\u00e1tria do local. Ela \u00e9 conhecida por cuidar de pessoas doentes, levar pessoas a hospitais, ajudar a comprar rem\u00e9dios, cuidar dos filhos de pessoas que precisam sair, cuidar de animais da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Da\u00ed que, pelo que contou a agente, parece que outra pessoa havia encontrado a papagaia, aparado suas asas, e a deixado no muro da casa da senhora, sobre o canil. Disse que n\u00e3o sabia quem, nem quando, nem o que aconteceu at\u00e9 essa data. Esse mist\u00e9rio teremos que carregar para o resto da longa vida da Benta.<\/p>\n<p>Dona Gra\u00e7a, como \u00e9 conhecida, foi quem continuou contando a hist\u00f3ria, assim que chegamos em sua casa. Disse que na ter\u00e7a-feira de carnaval (coincidentemente, dia do meu anivers\u00e1rio), quando acordou e foi olhar o terreno, avistou um pombo estranho no muro. Chegou mais perto para conferir e reparou que a ave n\u00e3o levantou voo para fugir. Ela, ent\u00e3o, se aproximou mais e mais, at\u00e9 estar perto o suficiente para oferecer a m\u00e3o para a ave, que de pronto se apoleirou na querida senhora. Dona Gra\u00e7a, ent\u00e3o, levou a ave para a varanda e a colocou em uma gaiola que tem por ali, oferecendo comida &#8211; a mesma que serve para suas galinhas, que andam soltas pelo terreno.<\/p>\n<p>Passaram-se dois dias at\u00e9 que Dona Gra\u00e7a, ainda curiosa com o pombo, decidiu ligar para uma amiga, exatamente a agente que trabalha na delegacia de prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente &#8211; e que nos acompanhava nessa dilig\u00eancia policial para recupera\u00e7\u00e3o da conguinha perdida. A policial, ent\u00e3o, pediu que dona Gra\u00e7a enviasse, pelo celular, uma foto da tal pomba. Ao ver a imagem, a agente reparou na anilha presente na pata e pediu que a senhora informasse o c\u00f3digo que estava escrito.<\/p>\n<p>Pronto. A partir da\u00ed tudo foi aparentemente tranquilo. Os investigadores da delegacia pesquisaram os bancos de dados, a partir do c\u00f3digo inscrito na anilha, e conseguiram meu contato.<\/p>\n<p><em>&#8211; Sr. Mauro?<br \/>\n&#8211; Sim, sou eu&#8230;<br \/>\n&#8211; Boa tarde! Aqui \u00e9 da pol\u00edcia civil&#8230;<\/em><br \/>\n(Gelo)<\/p>\n<p>Foram exatos 53 dias perdida pela cidade. Uma ave ex\u00f3tica, que n\u00e3o existe na natureza aqui no Brasil, nascida em criadouro legalizado, criada sempre \u00e0 m\u00e3o, com menos de um ano de vida \u2013 um beb\u00ea ainda. As chances de sobreviver todo esse tempo longe de casa, sem comida e \u00e1gua \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o contra predadores, sol e chuva, eram m\u00ednimas.<\/p>\n<p>Mas as pessoas que foram se interligando \u2013 a pessoa que colocou Benta no muro de uma boa senhora que por sua vez conhecia uma agente da delegacia do Meio Ambiente que por sua vez se empenhou, junto com os colegas, para fazer com que ela retornasse a seu lar, fazem-me quase crer que um milagre se operou.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o \u00e0 doce senhora, aos agentes da Delegacia Especial de Prote\u00e7\u00e3o ao Meio Ambiente (DEMA) e aos amigos que compartilharam a hist\u00f3ria pelo Facebook e tanto torceram e oraram para esse final feliz.<\/p>\n<p>Ah, s\u00f3 para conhecimento, Benta est\u00e1 \u00f3tima, cheia de sa\u00fade, carinhosa e gentil como sempre foi. E, aparentemente, super feliz e aliviada por estar de volta ao seu lar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No fim ano passado, recebemos o email do leitor Mauro Burlamaqui, pedindo ajuda para divulgar o sumi\u00e7o de Benta, papagaio congo que desapareceu do Guar\u00e1 I. Pois Benta voltou para a alegria da fam\u00edlia. A saga da bichinha, que passou dois meses &#8220;avoando&#8221; por Bras\u00edlia, mereceu uma cr\u00f4nica escrita por Mauro, que \u00e9 jornalista. 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