{"id":4286,"date":"2018-03-19T14:37:09","date_gmt":"2018-03-19T17:37:09","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/?p=4286"},"modified":"2018-03-19T14:37:09","modified_gmt":"2018-03-19T17:37:09","slug":"aparencia-natural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/aparencia-natural\/","title":{"rendered":"Apar\u00eancia natural"},"content":{"rendered":"<h2>H\u00e1 dez anos entrava em vigor a resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Federal de Medicina Veterin\u00e1ria que vetou a mutila\u00e7\u00e3o est\u00e9tica de animais<\/h2>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_4288\" aria-describedby=\"caption-attachment-4288\" style=\"width: 545px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4288\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2018\/03\/cocker-1.jpg\" alt=\"Cocker com a cauda longa: no passado, criadores cortava o rabinho do cachorro, sem necessidade Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o\" width=\"545\" height=\"378\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2018\/03\/cocker-1.jpg 545w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2018\/03\/cocker-1-300x208.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2018\/03\/cocker-1-350x243.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2018\/03\/cocker-1-230x160.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4288\" class=\"wp-caption-text\">Cocker com a cauda longa: no passado, criadores cortava o rabinho do cachorro, sem necessidade Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em busca de um padr\u00e3o est\u00e9tico, criadores e propriet\u00e1rios costumavam recorrer a cirurgias para esculpir orelhas ou encurtar as caudas de seus c\u00e3es. A pr\u00e1tica, antes considerada habitual, submetia animais a uma interven\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria e que representa um preju\u00edzo permanente ao seu bem-estar. Considerando a realiza\u00e7\u00e3o indiscriminada de procedimentos cir\u00fargicos mutilantes, h\u00e1 uma d\u00e9cada o Conselho Federal de Medicina Veterin\u00e1ria (CFMV) publicou a\u00a0<a href=\"http:\/\/portal.cfmv.gov.br\/lei\/index\/id\/352\">Resolu\u00e7\u00e3o CFMV n\u00ba 877<\/a>, que vetou esse tipo de medida no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Entre os procedimentos proibidos pela resolu\u00e7\u00e3o, est\u00e3o a conchectomia, a cordectomia e a onicectomia, nomes dados, respectivamente, ao corte das orelhas, \u00e0 retirada das cordas vocais e \u00e0 remo\u00e7\u00e3o cir\u00fargica das unhas dos animais. Posteriormente, com a publica\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"http:\/\/pesquisa.in.gov.br\/imprensa\/jsp\/visualiza\/index.jsp?jornal=1&amp;pagina=99&amp;data=18\/06\/2013\">Resolu\u00e7\u00e3o CFMV n\u00ba 1027 de 2013<\/a>, que complementou o texto original de 2008, ficaria explicitamente proibida na pr\u00e1tica m\u00e9dico-veterin\u00e1ria tamb\u00e9m a caudectomia (corte de cauda).<\/p>\n<p>\u201cEsses eram procedimentos ensinados nos cursos de Medicina Veterin\u00e1ria, mas para v\u00e1rios profissionais j\u00e1 era algo em desuso. Muitos questionavam o benef\u00edcio que isso trazia ao animal. Depois da emiss\u00e3o dessa resolu\u00e7\u00e3o, h\u00e1 dez anos, os m\u00e9dicos veterin\u00e1rios que ainda faziam essas cirurgias se sentiram reprimidos e entenderam que essa \u00e9 uma coisa errada\u201d, avalia o presidente da Comiss\u00e3o Nacional de Bem-estar Animal do CFMV (Cobea\/CFMV), C\u00e1ssio Ricardo Ribeiro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos procedimentos motivados por raz\u00f5es est\u00e9ticas, tamb\u00e9m s\u00e3o consideradas graves as cirurgias que, por conveni\u00eancia, buscam impedir a express\u00e3o do comportamento natural da esp\u00e9cie. Esse \u00e9 o caso dos propriet\u00e1rios que emudecem seus c\u00e3es por meio do corte das cordas vocais ou amputam a terceira falange dos felinos para que, assim, eles n\u00e3o tenham mais unhas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um procedimento cir\u00fargico, anest\u00e9sico, que causa dor, e existe muita complica\u00e7\u00e3o p\u00f3s-cir\u00fargica\u201d, ressalta o presidente da Cobea\/CFMV. \u201cSe o c\u00e3o late muito, \u00e9 uma quest\u00e3o de adestramento, de educa\u00e7\u00e3o. Se o gato arranha o sof\u00e1, \u00e9 porque essa \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o natural do felino. \u00c9 uma quest\u00e3o de esclarecer o tutor e explicar que a mutila\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta C\u00e1ssio.<\/p>\n<p><strong>Aceita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Eventualmente, tutores e criadores passaram a aceitar e at\u00e9 mesmo valorizar a apar\u00eancia de nascimento dos c\u00e3es e os padr\u00f5es de ra\u00e7a ficaram mais flex\u00edveis. \u201cHoje atendemos rottweiler de rabo comprido, doberman de orelha grande, yorkshire com o rabo natural\u201d, enumera a cl\u00ednica e cirurgi\u00e3 veterin\u00e1ria Patr\u00edcia Arrais.<\/p>\n<p>Com 23 anos de profiss\u00e3o, Patr\u00edcia conta que se recusa a realizar procedimentos como a conchectomia desde antes da gradua\u00e7\u00e3o. \u201cEsses procedimentos n\u00f3s n\u00e3o fazemos mesmo. Geralmente fazemos uma orienta\u00e7\u00e3o para a posse respons\u00e1vel, explicando aos tutores como \u00e9 algo totalmente desnecess\u00e1rio, e que \u00e9 uma mutila\u00e7\u00e3o. E realmente conseguimos convenc\u00ea-los\u201d, explica a profissional.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica veterin\u00e1ria apenas recorre a esse tipo de cirurgia quando h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o para o benef\u00edcio do animal, o que \u00e9 permitido pela Resolu\u00e7\u00e3o CFMV n\u00ba 877. Esses s\u00e3o os casos, por exemplo, da ocorr\u00eancia de um tumor, de uma les\u00e3o grave, ou da necessidade de corrigir problemas de forma\u00e7\u00e3o que podem causar complica\u00e7\u00f5es para o c\u00e3o ou gato. Apenas o m\u00e9dico veterin\u00e1rio tem a compet\u00eancia para avaliar a necessidade da realiza\u00e7\u00e3o desses procedimentos.<\/p>\n<p>Os profissionais que realizarem os procedimentos sem justificativa cl\u00ednica, se denunciados ao Conselho Regional de Medicina Veterin\u00e1ria (CRMV) de seu estado, podem sofrer um processo \u00e9tico-profissional. No caso de a interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter sido feita por um m\u00e9dico veterin\u00e1rio, o autor pode responder por crime ambiental e exerc\u00edcio ilegal da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>(Da Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o do CFMV)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 dez anos entrava em vigor a resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Federal de Medicina Veterin\u00e1ria que vetou a mutila\u00e7\u00e3o est\u00e9tica de animais \u00a0 Em busca de um padr\u00e3o est\u00e9tico, criadores e propriet\u00e1rios costumavam recorrer a cirurgias para esculpir orelhas ou encurtar as caudas de seus c\u00e3es. 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