{"id":442,"date":"2015-11-29T15:43:07","date_gmt":"2015-11-29T17:43:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/?p=442"},"modified":"2015-11-29T15:43:07","modified_gmt":"2015-11-29T17:43:07","slug":"comportamento-desregulado-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/comportamento-desregulado-2\/","title":{"rendered":"Comportamento desregulado"},"content":{"rendered":"<p><strong>(da Revista do Correio) (fotos: Arquivo Pessoal)<\/strong><\/p>\n<p>Em humanos, a tireoide \u00e9 uma velha conhecida de quem tenta emagrecer e n\u00e3o consegue. Nos pets, por\u00e9m, a principal altera\u00e7\u00e3o pode ser no temperamento. Localizada no pesco\u00e7o, a gl\u00e2ndula \u00e9 respons\u00e1vel por produzir e sintetizar horm\u00f4nios que regulam o organismo, como a tiroxina (T4) e a tri-iodotironina (T3). O funcionamento deficiente dela caracteriza o hipotireoidismo \u2014 o nome serve ainda para designar anomalias em outras duas gl\u00e2ndulas relacionadas, a hip\u00f3fise e o hipot\u00e1lamo.<\/p>\n<p>Algumas ra\u00e7as apresentam predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica para o mal, como golden retriever, dobermann, setter, schnauzer, daschund, cocker spaniel, labrador e beagle. Como n\u00e3o h\u00e1 uma preven\u00e7\u00e3o clara, o melhor caminho \u00e9 a observa\u00e7\u00e3o atenta da sa\u00fade do animal, al\u00e9m da an\u00e1lise da \u00e1rvore geneal\u00f3gica. O diagn\u00f3stico geralmente ocorre em bichos de meia-idade, de 4 a 10 anos.<\/p>\n<p>O hipotireoidismo canino \u00e9 dividido em tr\u00eas tipos. No prim\u00e1rio, a gl\u00e2ndula trabalha abaixo do ritmo ideal ou at\u00e9 mesmo cessa suas atividades. Enquanto alguns casos ocorrem por atrofia do tecido, de origem desconhecida, outras s\u00e3o causadas pelo sistema imunol\u00f3gico do animal. &#8220;A tireoidite linfoc\u00edtica \u00e9 uma doen\u00e7a de car\u00e1ter autoimune, em que o pr\u00f3prio organismo do animal combate o horm\u00f4nio que ela produz&#8221;, explica o m\u00e9dico veterin\u00e1rio Rafael Silva.<\/p>\n<p>O tipo secund\u00e1rio consiste na destrui\u00e7\u00e3o da hip\u00f3fise por um tumor. Desse modo, a gl\u00e2ndula para de produzir o TSH, horm\u00f4nio estimulante da tireoide. J\u00e1 o hipotireoidismo terci\u00e1rio \u00e9 aquele comprometedor do hipot\u00e1lamo, interrompendo a produ\u00e7\u00e3o do TRH (horm\u00f4nio liberador de tireotrofina).<\/p>\n<p>&#8220;Existem algumas medica\u00e7\u00f5es que t\u00eam como efeito colateral reduzir a atividade da tireoide. Se o c\u00e3o tem uma doen\u00e7a cr\u00f4nica como, por exemplo, epilepsia, o fenobarbital pode interferir&#8221;, alerta Rafael Silva. Nesse caso espec\u00edfico, uma sa\u00edda seria combinar outros rem\u00e9dios para epilepsia, diminuindo a dose do fenobarbital e, consequentemente, os efeitos colaterais. J\u00e1 a patologista cl\u00ednica Denise Salgado chama a aten\u00e7\u00e3o para o uso de anest\u00e9sicos, capazes de alterar a produ\u00e7\u00e3o de tiroxina (T4).<\/p>\n<p>Como a tireoide influencia na sa\u00fade de v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os, n\u00e3o existe um sintoma espec\u00edfico que indique a doen\u00e7a. Por\u00e9m, quando v\u00e1rios deles aparecem em conjunto, a suspeita \u00e9 levantada. Os sintomas cl\u00ednicos comportamentais s\u00e3o os primeiros a aparecer, formando um padr\u00e3o depressivo. Segundo Rafael Silva, o c\u00e3o passa a apresenta uma express\u00e3o facial triste, com pouco interesse por brincadeiras e intera\u00e7\u00e3o social. &#8220;Ele fica ap\u00e1tico e dorme muito&#8221;, aponta.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2015\/11\/CBNFOT251120150210.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-medium wp-image-427 alignleft\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2015\/11\/CBNFOT251120150210-225x300.jpg\" alt=\"CBNFOT251120150210\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2015\/11\/CBNFOT251120150210-225x300.jpg 225w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2015\/11\/CBNFOT251120150210-150x200.jpg 150w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2015\/11\/CBNFOT251120150210-230x307.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2015\/11\/CBNFOT251120150210.jpg 340w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a>Foi o que aconteceu com a cadelinha da banc\u00e1ria Carol Rocha, 33 anos. A poodle Lisa (foto)\u00a0 foi diagnosticada com a doen\u00e7a por volta dos 10 anos e um dos sinais foi o ganho de peso acompanhado de anemia. &#8220;Ela sempre foi gordinha, parecia um ursinho&#8221;, diverte-se Carol. Por\u00e9m, Lisa sofreu um deslocamento da patela e s\u00f3 poderia realizar a cirurgia ap\u00f3s perder peso. A partir da\u00ed, a mascote come\u00e7ou a fazer fisioterapia e se alimentar de uma ra\u00e7\u00e3o especial. Mesmo com as atividades, ela emagreceu apenas 300g. A suspeita foi levantada e, logo em seguida, o veterin\u00e1rio detectou o hipotireoidismo em um hemograma. Lisa come\u00e7ou a medica\u00e7\u00e3o e atingiu o peso ideal. &#8220;Hoje ela est\u00e1 muito bem&#8221;, comemora a banc\u00e1ria.<\/p>\n<p>Um dos efeitos da doen\u00e7a, por\u00e9m, pode n\u00e3o ser facilmente relacionado \u00e0 letargia e ao comportamento passivo do pet: a agressividade. A hip\u00f3fise produz o ACDH, respons\u00e1vel por estimular o cortisol, conhecido como o horm\u00f4nio do estresse. No hipotireoidismo terci\u00e1rio, com o preju\u00edzo dessa gl\u00e2ndula, o cortisol entra em produ\u00e7\u00e3o descontrolada e o cachorro torna-se mais propenso a reagir desproporcionalmente a irrita\u00e7\u00f5es externas. Por isso, encaminhar o bicho para terapias comportamentais, como o adestramento, n\u00e3o surtir\u00e1 efeito.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o sistema reprodutor de machos e f\u00eameas fica prejudicado com a queda dos horm\u00f4nios luteinizante (LH) e fol\u00edculo-estimulante (FSH). H\u00e1 diminui\u00e7\u00e3o da libido e risco de gravidez psicol\u00f3gica, abortos espont\u00e2neos, irregularidade no ciclo menstrual, atrofia nos test\u00edculos e at\u00e9 infertilidade.<\/p>\n<p>A apar\u00eancia do animal tamb\u00e9m \u00e9 afetada pela doen\u00e7a. O sinal caracter\u00edstico \u00e9 o ganho inexplic\u00e1vel de peso aliado ao aumento do colesterol, pois al\u00e9m do metabolismo trabalhar em ritmo mais lento, o pet n\u00e3o tem vontade de se mover. A pele torna-se mais seca e grossa; os pelos ficam opacos e caem, principalmente no t\u00f3rax, no abd\u00f4men, na cauda e no pesco\u00e7o. Surgem inflama\u00e7\u00f5es semelhantes a espinhas, descama\u00e7\u00e3o, manchas e dificuldade de cicatriza\u00e7\u00e3o. Outros sinais menos comuns s\u00e3o arritmia card\u00edaca, conjuntivite, paralisia facial e intoler\u00e2ncia ao frio.<\/p>\n<p>A demora no diagn\u00f3stico traz sofrimento ao melhor amigo. O primeiro passo \u00e9 o m\u00e9dico veterin\u00e1rio solicitar uma an\u00e1lise do hist\u00f3rico familiar do animal, bem como um hemograma e um panorama dos horm\u00f4nios. &#8220;Estudos revelam que c\u00e3es com hipotiroidismo frequentemente apresentam concentra\u00e7\u00e3o de T3 normal, dificultando o diagn\u00f3stico de hipotiroidismo com sua mensura\u00e7\u00e3o isolada&#8221;, aponta Denise Salgado. Ajudam a fechar o quadro radiografias, ultrassonografias e a bi\u00f3psia das gl\u00e2ndulas.<\/p>\n<p>O tratamento geralmente \u00e9 feito com reposi\u00e7\u00e3o hormonal, por um composto sint\u00e9tico chamado levotiroxina. A medica\u00e7\u00e3o precisar\u00e1 ser ministrada pelo resto da vida do animal. Em pouco tempo, os sintomas s\u00e3o atenuados. \u00c9 importante que cada caso seja avaliado individualmente, pois a dosagem varia de acordo com o peso e com a gravidade da defici\u00eancia hormonal. E, sim, os pets gordinhos precisar\u00e3o de uma dieta com restri\u00e7\u00e3o cal\u00f3rica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Gatos: suscet\u00edveis a hipertireoidismo<\/b><\/p>\n<p>O hipertireoidismo em c\u00e3es \u00e9 raro e causado pela forma\u00e7\u00e3o de tumores tireoidianos por: ingest\u00e3o excessiva de iodo, exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o ou muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas. Em gatos, por\u00e9m, a atividade excessiva da gl\u00e2ndula \u00e9 comum e at\u00e9 mesmo os exames s\u00e3o diferentes. &#8220;N\u00f3s fazemos apalpa\u00e7\u00e3o com a ponta dos dedos na gl\u00e2ndula. Em caso de irregularidade, aumento de volume, \u00e9 pedida uma tomografia da regi\u00e3o cervical ou ultrassonografia cervical. Se for detectado algo, \u00e9 feita uma pun\u00e7\u00e3o aspirativa, com agulha, para definir se \u00e9 c\u00e2ncer ou um cisto&#8221;, explica o veterin\u00e1rio Rafael Silva. Segundo a patologista cl\u00ednica Denise Salgado, a dosagem hormonal tamb\u00e9m \u00e9 feita de modo diferenciado. &#8220;Testes de supress\u00e3o de T3 s\u00e3o importantes para o diagn\u00f3stico do hipertireoidismo felino&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Agradecimentos:<\/strong><br \/>\nCl\u00ednica Veterin\u00e1ria Dom Bosco<br \/>\nCentro Integrado de Diagn\u00f3sticos Veterin\u00e1rio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A agressividade e a pregui\u00e7a dos pets podem estar relacionadas a varia\u00e7\u00f5es hormonais resultantes de problemas na tireoide ou em outras gl\u00e2ndulas.<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":428,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-442","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/442","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=442"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/442\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":443,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/442\/revisions\/443"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/428"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=442"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=442"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=442"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}