{"id":5350,"date":"2022-05-06T08:00:02","date_gmt":"2022-05-06T11:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/?p=5350"},"modified":"2022-05-05T17:43:11","modified_gmt":"2022-05-05T20:43:11","slug":"5350-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/5350-2\/","title":{"rendered":"M\u00e3e de pet \u00e9 m\u00e3e, sim!"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_5355\" aria-describedby=\"caption-attachment-5355\" style=\"width: 557px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-5355\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2022\/05\/domi-1.jpg\" alt=\"\" width=\"557\" height=\"664\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2022\/05\/domi-1.jpg 720w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2022\/05\/domi-1-252x300.jpg 252w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2022\/05\/domi-1-550x655.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2022\/05\/domi-1-230x274.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 557px) 100vw, 557px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5355\" class=\"wp-caption-text\">Domitila com Fub\u00e1 e Amora: &#8220;Cuido, amo, me dedico&#8221;\u00a0 \u00a0 Cr\u00e9dito: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na natureza, n\u00e3o \u00e9 incomum que animais criem, como seus, filhotes que pertencem a outras esp\u00e9cies. Uma pesquisa da bi\u00f3loga Susan Lingle, especialista em coopera\u00e7\u00e3o animal na Universidade de Winnipeg, no Canad\u00e1, constatou que f\u00eameas respondem rapidamente ao ouvirem o som de choro de esp\u00e9cies diferentes das delas (inclusive de beb\u00eas humanos), e correm para o local de onde ele parece vir. Al\u00e9m disso, Lingle publicou um estudo na revista Naturalist descrevendo como cervos defendem uma subesp\u00e9cie geneticamente diversa sem que, aparentemente, leve alguma vantagem nisso. Tamb\u00e9m j\u00e1 foram relatados v\u00e1rios casos de animais em cativeiro que &#8220;adotaram&#8221; outros. Koko, uma gorila que viveu at\u00e9 os 46 anos no Zool\u00f3gico de San Francisco, nos EUA, ficou famosa por criar um gatinho como filho: carregava no colo, alimentava e at\u00e9 tentava amamentar.<\/p>\n<p>Ainda que muita gente ainda tor\u00e7a o nariz para isso, n\u00e3o \u00e9 apenas no mundo selvagem que animais de outras esp\u00e9cies s\u00e3o adotados. Que o digam as &#8220;m\u00e3es de pets&#8221;, para quem \u00e9 natural criar gatos e cachorros, por exemplo, como se fossem filhos. Mais uma vez, a ci\u00eancia j\u00e1 investigou o assunto. Um estudo publicado na mais importante revista cient\u00edfica do mundo, a <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.1261022\">Science<\/a>, demonstrou que, ao olhar para o animal que cuida, a mulher produz ocitocina, o &#8220;horm\u00f4nio do amor&#8221;, relacionado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos sociais. Os c\u00e3es tamb\u00e9m t\u00eam esse horm\u00f4nio, e a mesma pesquisa, da Universidade Azabu, no Jap\u00e3o, comprovou que eles, igualmente, aumentam a produ\u00e7\u00e3o da subst\u00e2ncia ao trocar olhares com os tutores. Nos Estados Unidos, um<a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0107205\"> estudo<\/a> do Hospital Geral de Massachusetts mostrou que, ao olhar fotografias de seus pets, mulheres tinham as mesmas regi\u00f5es cerebrais ativadas comparado a quando viam fotos de seus filhos humanos. J\u00e1 diante de imagens de crian\u00e7as e animais aleat\u00f3rios, essas \u00e1reas, associadas \u00e0s emo\u00e7\u00f5es, n\u00e3o eram ativadas.<\/p>\n<blockquote><p>M\u00e3e de pet tamb\u00e9m \u00e9 m\u00e3e? &#8220;Sim&#8221;, diz o m\u00e9dico psiquiatra Diego Marques, em entrevista ao blog. A mente humana, segundo ele, n\u00e3o quer saber se \u00e9 um filho biol\u00f3gico ou um animal: o que ela identifica s\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es. &#8220;A certeza da realidade externa n\u00e3o \u00e9 julgada pela psique, apenas as sensa\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, seja um pet, seja um filho biol\u00f3gico, adotivo, um sobrinho de grande afeto&#8230; a psique interpreta como o amor, que \u00e9 onde se liberam as subst\u00e2ncias, sendo que a principal relacionada ao afeto \u00e9 a ocitocina. Ent\u00e3o, quando a gente v\u00ea n\u00edveis elevados de ocitocina serem liberados em mulheres que se encontram com seus pets, a gente correlaciona o mesmo neurotransmissor do afeto, do amor, que as m\u00e3es tamb\u00e9m liberam na maternidade, principalmente no processo de amamenta\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, sim, pai de pet \u00e9 pai e m\u00e3e de pet tamb\u00e9m \u00e9 m\u00e3e&#8221;, afirma.<\/p><\/blockquote>\n<p>A bacharel em direito Domitila Gomes concorda plenamente. Ela enxerga o dachshund Fub\u00e1 e a lhasa apso Amora como filhos e n\u00e3o abre m\u00e3o do t\u00edtulo de &#8220;m\u00e3e de pet&#8221;. &#8220;Me considero m\u00e3e de pet porque eu cuido, amo, me dedico. S\u00e3o mais importantes que tudo para mim&#8221;, afirma. Sobre pessoas que discordam que m\u00e3e de pet \u00e9 m\u00e3e, Domitila \u00e9 taxativa: &#8220;S\u00e3o pessoas que n\u00e3o entendem esse amor, n\u00e3o sei se n\u00e3o tiveram esse v\u00ednculo durante a vida, ou s\u00f3 falta compreens\u00e3o mesmo&#8221;.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica veterin\u00e1ria Joana Barros lembra, por\u00e9m, que, para o bem-estar do pr\u00f3prio animal, os tutores precisam respeitar o fato de que eles n\u00e3o s\u00e3o humanos. &#8220;Quando afastamos os c\u00e3es e gatos de sua natureza e de sua fam\u00edlia e os colocamos simbolicamente em posi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o lhe pertencem (como a posi\u00e7\u00e3o de filhos) podemos causar doen\u00e7as f\u00edsicas e emocionais&#8221;, afirma. &#8220;C\u00e3es e gatos precisam ter contato com a natureza, s\u00e3o carn\u00edvoros e precisam de alimenta\u00e7\u00e3o adequada para a esp\u00e9cie, precisam de est\u00edmulo de ca\u00e7a (nem que seja em brincadeiras). Humanizar e querer que eles sejam como crian\u00e7as n\u00e3o \u00e9 amar, afinal, amor \u00e9 respeito&#8221;, destaca.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Isso n\u00e3o significa que n\u00f3s n\u00e3o possamos chamar nossos pets de filhos, mas que precisamos respeitar o lugar deles na fam\u00edlia e lembrar que eles tamb\u00e9m t\u00eam m\u00e3e e pai. Portanto: ame! Reconhe\u00e7a que seu pet \u00e9 de uma esp\u00e9cie diferente da sua e que tamb\u00e9m tem uma ancestralidade diversa, apesar de estar inserido na sua fam\u00edlia&#8221;, diz a m\u00e9dica veterin\u00e1ria.<\/p><\/blockquote>\n<p>Diego Marques tamb\u00e9m ressalta a responsabilidade de criar um animal. &#8220;Temos que perceber que cuidar de um pet gera responsabilidade, entender que todo b\u00f4nus tamb\u00e9m, muitas vezes, vem de \u00f4nus ou ren\u00fancia sobre alguns aspectos. Se viajar, precisa se pensar, se passa muito tempo fora de casa, pensar com quem esse pet poderia passar o tempo. Todas essa log\u00edstica que um filho tamb\u00e9m necessitaria. Ent\u00e3o, deve-se lembrar da responsabilidade de se cuidar de um pet&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O psiquiata lembra que o b\u00f4nus de ter um filho pet \u00e9 grande. &#8220;Sabemos que os animais t\u00eam se demonstrado positivos para v\u00e1rios adoecimentos emocionais. Um deles \u00e9 a depress\u00e3o&#8221;, diz. Ele lembra que, na pandemia, o contato com o pet ajudou muita gente a enfrentar melhor esse per\u00edodo sombrio. &#8220;Foi uma oportunidade, inclusive, pra muitas pessoas que n\u00e3o se permitiam ao amor, ao cuidado de um pet inicialmente. Aquelas pessoas que se permitiram a esse cuidado vivenciaram um isolamento menos isolado, como eu costumava dizer.&#8221;<\/p>\n<p>A todas as m\u00e3es de pet, um feliz dia das m\u00e3es!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na natureza, n\u00e3o \u00e9 incomum que animais criem, como seus, filhotes que pertencem a outras esp\u00e9cies. 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