{"id":81,"date":"2015-08-16T11:00:00","date_gmt":"2015-08-16T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/2015\/08\/16\/ultima_homenagem\/"},"modified":"2015-08-16T11:00:00","modified_gmt":"2015-08-16T11:00:00","slug":"ultima_homenagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/ultima_homenagem\/","title":{"rendered":"\u00daltima homenagem"},"content":{"rendered":"<p>da Revista do Correio <\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o da idade dos pets, os tutores precisam se preparar para o momento da despedida<\/p>\n<p><\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/mais-bichos\/6a175d4825f42c3a352ca41462c5f2f1.jpg\"> <\/p>\n<\/div>\n<div align=\"center\">M\u00e1rcia sabe que, em breve, ter\u00e1 que se despedir dos seus tr\u00eas c\u00e3es: \u201cN\u00e3o quero descart\u00e1-los como se fossem uma embalagem\u201d <\/p>\n<p>foto Marcelo Ferreira\/CB\/DA Press <\/p>\n<div align=\"left\">\u201cEu preciso chegar em casa e ter algu\u00e9m que abane o rabo para mim.\u201d \u00c9 assim que a servidora p\u00fablica M\u00e1rcia Alves, 52 anos, resume o seu amor pelos animais. Com tr\u00eas c\u00e3es em idade avan\u00e7ada, os bichos recebem tratamento especial. Th\u00e9o, Minie e Chic\u00e3o t\u00eam 14, 12 e 10 anos respectivamente. Os cuidados s\u00e3o tantos, que o trio tem at\u00e9 plano funer\u00e1rio, com direito a transporte, cerim\u00f4nia, caix\u00e3o e l\u00e1pide. <\/p>\n<p> O primeiro contato com a empresa que far\u00e1 a despedida deles se deu pela internet, quando M\u00e1rcia decidiu que os animais deveriam ter um destino digno para descansarem em paz. Em geral, os bichos t\u00eam boa sa\u00fade, somente a mais velha necessita de uma aten\u00e7\u00e3o especial. \u201cMinie sofre de problemas card\u00edacos e pulmonares. Toma rem\u00e9dios todos os dias e tem uma alimenta\u00e7\u00e3o especial\u201d, conta. No auge da crise, a cadela n\u00e3o conseguia respirar direito. \u201cEu passei tr\u00eas noites sem dormir preocupada\u201d, explica. <\/p>\n<p> M\u00e1rcia \u00e9 devota de S\u00e3o Francisco de Assis, protetor dos animais, e acredita que deve ajudar bichinhos abandonados e associa\u00e7\u00f5es protetoras. Segundo ela, o principal motivo para fazer um plano funer\u00e1rio para os pets \u00e9 dar um enterro digno. \u201cN\u00e3o quero descart\u00e1-los como se fossem uma embalagem. Eles merecem essa \u00faltima homenagem\u201d, explica. <\/p>\n<p> Ela se emociona ao falar dos anos que j\u00e1 conviveu com as mascotes. \u201c\u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o de cumplicidade, amor e amizade. Eu sou muito espiritualista. Acredito que todos nascemos, crescemos e morremos. Eles est\u00e3o velhinhos e sei que a hora deles vai chegar, infelizmente\u201d, conta. Apesar da dor, ela garante que \u00e9 muito grata por todos esses anos de conv\u00edvio. <\/p>\n<p> Pessoas passam pela nossa vida e deixam lembran\u00e7as, com os animais n\u00e3o \u00e9 diferente. \u201cTenho uma gratid\u00e3o. Quero dar dignidade mesmo na hora da morte dos meus animais, j\u00e1 que eles tiveram uma vida toda comigo. Uma vida de cumplicidade e amor incondicional. Esses anos foram muito especiais com eles\u201d, finaliza. <\/p>\n<p> N\u00e3o existe como se preparar para a morte. Segundo a psic\u00f3loga Keyla Montenegro, h\u00e1 apenas tentativas. \u201cAt\u00e9 quando se espera a morte \u00e9 uma surpresa\u201d, conclui a psic\u00f3loga, especialista em luto. Segundo a profissional, algumas atitudes podem ajudar nesse momento de dor. \u201cO primeiro passo \u00e9 a express\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es. Quando o animal segue internado \u00e9 importante dar um momento para a fam\u00edlia estar com ele\u201d, afirma. <\/p>\n<p> Outra atitude importante \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o. Veterin\u00e1rios, geralmente, s\u00e3o bombardeados por perguntas sobre o estado de sa\u00fade dos animais e \u00e9 fundamental conversar com os tutores para informar tudo que est\u00e1 acontecendo. \u201cEsse per\u00edodo gera uma grande ansiedade. Quando estamos amea\u00e7ados de perder algo que gostamos muito perdemos a aten\u00e7\u00e3o, mudamos o foco e a mem\u00f3ria fica comprometida\u201d, explica a especialista. <\/p>\n<p> Existe a morte repentina, como atropelamentos, e mortes anunciadas, quando o animal j\u00e1 est\u00e1 velho ou com a sa\u00fade debilitada. Mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel mensurar a dor n\u00e3o se mensura. \u201cAs duas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito dif\u00edceis. Temos o choque da morte repentina e o a frustra\u00e7\u00e3o lenta da morte arrastada. A gente n\u00e3o espera mesmo quando est\u00e1 esperando\u201d, afirma Keyla. <\/p>\n<p> O luto \u00e9 moroso e varia de pessoa para pessoa. \u00c9 comum que, em um primeiro momento, a pessoa se sinta em choque. Tamb\u00e9m podem acontecer altera\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas. O sono \u00e9 prejudicado, produtividade pode cair, falta de aten\u00e7\u00e3o e perda da mem\u00f3ria. <\/p>\n<p> Nenhum animal substitui outro. Os bichos possuem personalidades diferentes e uma hist\u00f3ria \u00fanica. \u201cS\u00e3o como membros da fam\u00edlia. Vai existir uma lacuna emocional muito grande, pois o vazio se instala e \u00e9 bastante doloroso\u201d, afirma a psic\u00f3loga. <\/p>\n<p> Camilla Passos, 26 anos, assistente de eventos, passou por maus bocados quando a cadelinha Lili morreu aos 12 anos, em julho de 2013. A morte do animal j\u00e1 era esperada. Lili sofria de piometra e c\u00e2ncer de mama. \u201cOs veterin\u00e1rios avisaram que ela n\u00e3o ficaria ao meu lado por muito tempo\u201d, conta. <\/p>\n<p> Ela se emociona ao se lembrar dos momentos com Lili. \u201cEra meu xod\u00f3 e minha sombra. Quando estava em casa, me seguia por todos os lados. Isso \u00e9 o que eu mais sinto falta. A saudade da minha companheira me seguindo pela casa\u201d, relembra. <\/p>\n<p> Lili foi enterrada no quintal de uma casa. Atualmente, Camilla tem mais dois animais: uma cadela de 5 anos sem ra\u00e7a definida e um daschund de 1 ano e meio. Para ela, uma casa sem animais \u00e9 uma casa sem alegria. <\/p>\n<p> H\u00e1 duas op\u00e7\u00f5es para quem pretende despedir-se das mascotes: o enterro convencional ou a crema\u00e7\u00e3o. Os dois servi\u00e7os seguem normas para evitar a contamina\u00e7\u00e3o do solo. Luiz Felippe Lopes trabalha como administrador em um cremat\u00f3rio de animais e afirma que os tutores chegam at\u00e9 eles muito abalados. \u201cCada animal tem sua individualidade, sua hist\u00f3ria. A gente escuta muita coisa dos donos dos animais e tentamos confort\u00e1-los nesse momento t\u00e3o dif\u00edcil\u201d, explica. <\/p>\n<p> Lopes faz um alerta para pessoas que jogam os animais em lix\u00f5es ou os enterram em casa. \u201cN\u00e3o podemos descartar nenhum bicho. Al\u00e9m disso, enterrar animais em casa ou em outro local pode contaminar o len\u00e7ol fre\u00e1tico.\u201d Um plano funer\u00e1rio pode garantir o bem-estar do bicho mesmo depois da morte. \u201cN\u00f3s cuidamos do transporte, sala de vel\u00f3rio, embalagem do corpo em caix\u00e3o biodegrad\u00e1vel e uma l\u00e1pide\u201d, afirma Sheila Ribeiro, propriet\u00e1ria de um cemit\u00e9rio especializado. <\/p>\n<p> \u201cNingu\u00e9m est\u00e1 preparado para a morte. Mesmo gastando com interna\u00e7\u00f5es e um plano funer\u00e1rio, esse \u00e9 um momento muito dif\u00edcil. N\u00f3s conversamos, deixamos a pessoa se despedir e respeitamos essa dor. Tudo \u00e9 feito sem pressa\u201d, afirma Sheila. Em 4 anos, foram enterrados mais de mil animais no local. Al\u00e9m de c\u00e3es e gatos, h\u00e1 espa\u00e7o para outros bichos tamb\u00e9m. \u201cCoelhos, hamster, papagaio e outros p\u00e1ssaros tamb\u00e9m j\u00e1 passaram por aqui\u201d, conta. <\/p>\n<p> <b> <\/p>\n<p>Velhice tranquila<\/b> <\/p>\n<p>A expectativa m\u00e9dia de c\u00e3es miniaturas\/pequenos \u00e9 de 14 a 18 anos, os m\u00e9dios entre 12 a 15 e os grandes\/gigantes aproximadamente 8 a 10. Os gatos podem chegar a duas d\u00e9cadas. Naturalmente, ao londo da vida, podem aparecer problemas degenerativos, como fal\u00eancias org\u00e2nicas. Insufici\u00eancias card\u00edaca, hep\u00e1tica, renal, hormonais e processos oncol\u00f3gicos e ortop\u00e9dicos. \u201cOs mais problem\u00e1ticos s\u00e3o a insufici\u00eancia renal e as neoforma\u00e7\u00f5es malignas com alto grau de met\u00e1stase\u201d, afirma o veterin\u00e1rio Rafael Souza. <\/p>\n<p> Existem v\u00e1rias ferramentas que podem ser utilizadas para proporcionar uma velhice tranquila aos pets. Os bichos diagnosticados com problemas ortop\u00e9dicos podem passar por sess\u00f5es de acupuntura, fisioterapia, quiropraxia, ra\u00e7\u00f5es suplementadas com ingredientes para amenizar o desgaste \u00f3sseo. A maioria dos pacientes geri\u00e1tricos necessita receber medica\u00e7\u00e3o at\u00e9 o fim da vida. <\/p>\n<p> Alguns animais em idade muito avan\u00e7ada podem desenvolver a s\u00edndrome da disfun\u00e7\u00e3o cognitiva, semelhante ao Alzheimer humano. \u201cEle troca o dia pela noite, anda sem uma dire\u00e7\u00e3o certa, n\u00e3o interage com as pessoas ou outros animais, n\u00e3o consegue achar a sa\u00edda de alguns locais e, naturalmente, se mover\u00e1 menos por causa das dores articulares\u201d, explica Rafael Souza, veterin\u00e1rio. <\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>da Revista do Correio Com o avan\u00e7o da idade dos pets, os tutores precisam se preparar para o momento da despedida M\u00e1rcia sabe que, em breve, ter\u00e1 que se despedir dos seus tr\u00eas c\u00e3es: \u201cN\u00e3o quero descart\u00e1-los como se fossem uma embalagem\u201d foto Marcelo Ferreira\/CB\/DA Press \u201cEu preciso chegar em casa e ter algu\u00e9m que abane o rabo para mim.\u201d [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-81","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}