{"id":864,"date":"2016-03-20T06:00:44","date_gmt":"2016-03-20T09:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/?p=864"},"modified":"2016-03-18T18:26:35","modified_gmt":"2016-03-18T21:26:35","slug":"amizade-para-vida-toda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/amizade-para-vida-toda\/","title":{"rendered":"Amizade para a vida toda"},"content":{"rendered":"<p>(por Juliana Contaifer, da Revista do Correio)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_865\" aria-describedby=\"caption-attachment-865\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161061.jpg\" rel=\"attachment wp-att-865\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-865\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161061-300x170.jpg\" alt=\"Antes da chegada da cadelinha Mel, Erick, que \u00e9 autista, tinha dificuldades de relacionamento: hoje, est\u00e1 mais carinhoso e tranquilo.Foto Zuleika de Souza\/CB\/DA Press\" width=\"300\" height=\"170\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161061-300x170.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161061-550x311.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161061-230x130.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161061.jpg 709w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-865\" class=\"wp-caption-text\">Antes da chegada da cadelinha Mel, Erick, que \u00e9 autista, tinha dificuldades de relacionamento: hoje, est\u00e1 mais carinhoso e tranquilo.Foto Zuleika de Souza\/CB\/DA Press<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quando o pequeno Erick Rodrigues, de 5 anos, encontra a cadela Mel pequenos milagres acontecem. Para come\u00e7ar, uma descarga de endorfina. A subst\u00e2ncia relaxa, aumenta o bem-estar, controla a press\u00e3o sangu\u00ednea e melhora o sono. A rea\u00e7\u00e3o \u00e9 comum \u00e0s pessoas que t\u00eam um animal de estima\u00e7\u00e3o, segundo uma pesquisa da Universidade de Cambridge. O mesmo estudo mostra que a maioria dos tutores tamb\u00e9m desenvolve mais seguran\u00e7a e autoestima. E n\u00e3o s\u00e3o poucos: o Brasil tem a quarta maior popula\u00e7\u00e3o de pets do mundo \u2014 132,4 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>No caso de Erick, a conviv\u00eancia tem reflexos ainda mais especiais. Ele \u00e9 autista e, apesar de sempre ter feito acompanhamento no Hospital da Crian\u00e7a e na Rede Sarah, al\u00e9m de terapia com psic\u00f3logo, tinha dificuldade em apresentar melhora na parte social e at\u00e9 batia nos colegas de escola. &#8220;Antes, ele n\u00e3o sabia se envolver com outras crian\u00e7as, criar um relacionamento de amizade, mas com a chegada da Mel isso mudou&#8221;, explica Nayara Rodrigues, 19 anos, irm\u00e3 de Erick. A estudante n\u00e3o imaginava que ganho seria t\u00e3o grande. A fam\u00edlia, inclusive estava proibida de ter animais de estima\u00e7\u00e3o, devido a uma alergia de Erick. Mel, por\u00e9m, seria abandonada nas ruas e isso sensibilizou a todos.<\/p>\n<p>A cadelinha tamb\u00e9m chegou com problemas de relacionamento, n\u00e3o brincava e n\u00e3o aceitava que ningu\u00e9m se aproximasse dela, exceto Erick. &#8220;Ela chegou bem traumatizada, acredito que j\u00e1 tinha apanhado muito&#8221;, sup\u00f5e Nayara. Hoje, ambos est\u00e3o mais felizes. &#8220;A Mel o entende muito tamb\u00e9m. Erick est\u00e1 mais tranquilo, se tornou uma crian\u00e7a mais carinhosa, brinca com ela como se tivesse brincando com outra crian\u00e7a&#8221;, comemora.<\/p>\n<p>O v\u00ednculo entre tutores e mascotes \u00e9 t\u00e3o forte que, de acordo com pesquisadores da Georgia Regents University e da Cape Fear Community College, se tivesse de escolher entre salvar o pr\u00f3prio c\u00e3ozinho ou um turista estrangeiro em um \u00f4nibus desgovernado, 40% das pessoas afirmaram que salvariam o cachorro. O percentual \u00e9 ainda maior para mulheres \u2014 45% dariam prefer\u00eancia ao pet. Nesta edi\u00e7\u00e3o, mostramos como, na verdade, humanos e animais salvam a vida uns dos outros, todos os dias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Crian\u00e7as que leem para cachorros<\/strong><\/p>\n<p>Unindo o \u00fatil ao agrad\u00e1vel, o Missouri Humane Society criou o programa Shelter Buddies Reading para incentivar crian\u00e7as que est\u00e3o aprendendo a ler e adolescentes a exercitar a leitura com animais v\u00edtimas de maus-tratos e abandono. As crian\u00e7as, que tem entre 6 e 15 anos, passam algumas horas lendo para os c\u00e3es, enquanto os animais reconquistam a confian\u00e7a nos humanos.<\/p>\n<p>&#8220;Come\u00e7amos isso por duas raz\u00f5es&#8221;, conta JoEllyn Klepacki, diretora-assistente de educa\u00e7\u00e3o no Humane Society, ao jornal americano ABC News. &#8220;C\u00e3es em abrigo exibem v\u00e1rios sinais de ansiedade e estresse e, por isso, quer\u00edamos fazer algo para confort\u00e1-los. E temos diversas crian\u00e7as na regi\u00e3o envolvidas e elas perguntam: \u2018Como posso ajudar? Como posso fazer a diferen\u00e7a?\u2019 Basta fazer um treinamento de 10 horas para aprender a trabalhar com bichos traumatizados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C\u00e3es que farejam c\u00e2ncer<\/strong><\/p>\n<p>Um estudo da Universidade do Arkansas para Ci\u00eancias M\u00e9dicas afirma que, se treinados, cachorros podem detectar c\u00e2ncer de tireoide \u2014 Frankie, o cachorro usado na pesquisa, teve uma taxa de sucesso de 88%. Como os c\u00e3es tem 10 vezes mais receptores olfativos do que os humanos, eles conseguem farejar as subst\u00e2ncias qu\u00edmicas emitidas pelas c\u00e9lulas cancer\u00edgenas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Menina autista e a gatinha<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da menina Iris Grace, 6 anos, foi assunto nas redes sociais esta semana. A brit\u00e2nica tem um quadro grave de autismo e os pais receberam a not\u00edcia de que, provavelmente, ela nunca falaria ou se relacionaria com pessoas. Mas quando Thula, uma gatinha, chegou em casa, Iris come\u00e7ou a dar ordens para a bichinha. Com o tempo, passou a se comunicar com os pais para dizer o que queria. &#8220;Pode ser desafiador, bastante desafiador \u00e0s vezes. Mas sinto que, se voc\u00ea estimular a crian\u00e7a, trabalhar com as coisas que interessam a ela, ver\u00e1 um progresso, ver\u00e1 mudan\u00e7as&#8221;, afirma a m\u00e3e Arabella Carter-Johnson<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Emo\u00e7\u00e3o de m\u00e3e<\/strong><\/p>\n<p>Um estudo de pesquisadores do Hospital Geral de Massachussetts (EUA) descobriu que as rea\u00e7\u00f5es cerebrais de m\u00e3es ao olharem para seus filhos e seus c\u00e3es s\u00e3o semelhantes. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, elas olharam tamb\u00e9m para outras crian\u00e7as e animais desconhecidos. As \u00e1reas estimuladas foram as ligadas as seguintes \u00e1reas: emo\u00e7\u00e3o, recompensa, afilia\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Terapia assistida por animais<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m chamada de zooterapia, \u00e9 uma t\u00e9cnica em que os bichos s\u00e3o o ponto central do tratamento. A presen\u00e7a deles facilita o contato entre paciente e profissional de sa\u00fade e traz in\u00fameros benef\u00edcios para o praticante, como esclarece a professora de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica Andrea Gomes. &#8220;Quem frequenta a equoterapia \u00e9 chamado de praticante e n\u00e3o paciente, porque n\u00e3o \u00e9 uma pessoa passiva, mas responde ativamente aos est\u00edmulos do animal.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_866\" aria-describedby=\"caption-attachment-866\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161060.jpg\" rel=\"attachment wp-att-866\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-866\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161060-240x300.jpg\" alt=\"Antonio escreveu um livro sobre o amor entre humanos e pets.Foto Ed Alves\/CB\/DA Press\" width=\"240\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161060-240x300.jpg 240w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161060-768x959.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161060-550x687.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161060-230x287.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161060.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-866\" class=\"wp-caption-text\">Antonio escreveu um livro sobre o amor entre humanos e pets.Foto Ed Alves\/CB\/DA Press<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Uma vida pela outra<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O escritor e advogado aposentado Ant\u00f4nio Balsalobre Leiva, 74 anos, sempre gostou de cachorros. Teve algumas experi\u00eancias na inf\u00e2ncia e, h\u00e1, 25 anos, ao se mudar para Bras\u00edlia, comprou um c\u00e3o para fazer companhia e, principalmente, proteger a casa. Foram v\u00e1rios ao longo da vida. Lana, uma d\u00e1lmata com manchas bem clarinhas, fez a divers\u00e3o da fam\u00edlia por um bom tempo. Muito animada e serelepe, fazia gra\u00e7a todos os dias. Uma noite, ao sair na varanda para dar boa noite para a cadela, Ant\u00f4nio a viu deitadinha na cama, desanimada. S\u00f3 levantou a cabe\u00e7a ao ouvir seu nome e logo deitou-se.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 seguinte, ao voltar da caminhada di\u00e1ria, o aposentado encontrou a mulher Vilma desesperada na porta de casa. Lana havia se afogado na piscina durante a noite. Ningu\u00e9m da casa escutou, apesar de alguns dos quartos ficarem virados para a piscina, que tinha duas escadas de seguran\u00e7a. Ela sabia nadar. O dogue alem\u00e3o do filho do casal, Atlas, mirava o fundo da piscina com tristeza, mas sem latir. Ningu\u00e9m entendeu a morte prematura da d\u00e1lmata.<\/p>\n<p>Quatro dias depois na caminhada di\u00e1ria de Ant\u00f4nio, o aposentado vinha atravessando a rua quando foi atingido por um carro em alta velocidade. Bateu a clav\u00edcula e a cabe\u00e7a no meio fio. Chegou ao hospital com o ombro em frangalhos, a cabe\u00e7a sangrava muito. &#8220;O pessoal que me atendeu achou que eu fosse morrer pelo tanto de sangue. Dias depois, associei a morte da Lana ao meu acidente. J\u00e1 tinha lido algo sobre isso. Acredito que ela morreu no meu lugar, salvou a minha vida. A partir dela, fui me interessando por estudar os c\u00e3es. Descobri coisas magn\u00edficas&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias fant\u00e1sticas que Ant\u00f4nio encontrou foram sendo escritas, se transformaram em livro e, agora, aguardam edi\u00e7\u00e3o. Entre elas est\u00e1 a de Shaquille, um akita que pertencia a Hamilton, um amigo do aposentado. O ritual dos dois era, depois da caminhada, deitarem-se dentro do carro da fam\u00edlia, na garagem, para ouvir m\u00fasica. Shaquille no banco de tr\u00e1s e o dono, no banco do motorista. Quando Hamilton morreu, antes mesmo de a fam\u00edlia receber a liga\u00e7\u00e3o do hospital, o c\u00e3o uivava sem parar. Passou os dias seguintes deitado debaixo do autom\u00f3vel, no local onde o dono ficava, deprimido. Teve que ser levado para o veterin\u00e1rio pois se recusava a comer e a fam\u00edlia precisou vender o carro para que Shaquille seguisse sua vida.<\/p>\n<p>De hist\u00f3ria em hist\u00f3ria, o escritor relaciona as caracter\u00edsticas dos animais com as dos seres humanos. &#8220;A principal, para mim, \u00e9 o perd\u00e3o. Os cachorros desculpam qualquer coisa que o dono fa\u00e7a, mesmo que seja ruim. Eles ficam chateados, mas logo esquecem. N\u00e3o discriminam ningu\u00e9m, oferecem amor incondicional, s\u00e3o companheiros. Acho que tem at\u00e9 mais sensibilidade do que os seres humanos. Quando o mundo parece falhar com a gente, o c\u00e3o n\u00e3o falha. Ele desperta o amor, a compaix\u00e3o, a dedica\u00e7\u00e3o, o desapego e a compreens\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Depois da morte de Lana, Ant\u00f4nio passou a valorizar ainda mais os cachorros. &#8220;Enquanto eu for vivo, vou adotar mais c\u00e3es!&#8221;, afirma. E nem sempre \u00e9 o aposentado que vai atr\u00e1s dos animais. Rita, a boxer que reina no jardim com o vira-lata Tom, por exemplo, era de um dos filhos de Ant\u00f4nio. O casamento azedou e a cust\u00f3dia de Rita foi para os pais do noivo. Ainda bem. &#8220;Apesar de eu falar que ela tem a cara feia, ela me perdoa sempre. \u00c9 uma super companheira&#8221;, conta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_867\" aria-describedby=\"caption-attachment-867\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161067.jpg\" rel=\"attachment wp-att-867\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-867\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161067-300x199.jpg\" alt=\"C\u00e1ssia mant\u00e9nm oito p\u00e9ts em casa:felicidade plena.Foto Zuleika de Souza\/CB\/DA Press\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161067-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161067-768x510.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161067-550x365.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161067-230x153.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161067.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-867\" class=\"wp-caption-text\"><strong>C<\/strong>\u00e1ssia mant\u00e9nm oito p\u00e9ts em casa:felicidade plena.Foto Zuleika de Souza\/CB\/DA Press<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>&#8220;Eles foram a minha t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>A pedagoga C\u00e1ssia Borba, 51 anos, tem uma hist\u00f3ria emocionante com os animais. H\u00e1 19 anos, passou em um concurso e trocou as praias de Recife pela seca do Planalto Central. Veio morar com a irm\u00e3. &#8220;Eu me sentia muito sozinha. Minha sobrinha ganhou uma gatinha e eu me apeguei muito a ela. Quando fui morar sozinha, fiquei mais solit\u00e1ria ainda, foi muito sofrido deix\u00e1-la para tr\u00e1s e comecei a ter depress\u00e3o. Meu irm\u00e3o, que tamb\u00e9m mora aqui, tinha uma cadelinha e eu passei a cuidar dela&#8221;, conta C\u00e1ssia.<\/p>\n<p>A pedagoga comprou boas ra\u00e7\u00f5es, uma casinha nova, brinquedos \u2014 tudo isso enquanto a cadelinha morava com o irm\u00e3o. &#8220;Todos os dias, eu passava l\u00e1 \u00e0 noite e a trazia para dormir comigo. De manh\u00e3, a deixava l\u00e1 de volta. Com o tempo, eles me deram ela. Os animais me ajudaram a passar por esse momento de solid\u00e3o mesmo quando eu estava rodeada de gente. Foram a minha t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o&#8221;, lembra. Inspirada pelo relacionamento com os bichos, C\u00e1ssia teve a ideia de criar um projeto que envolvesse os animais na \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o profissional dela, a educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as especiais. Foi a\u00ed que nasceu o Bichoterapia.<\/p>\n<p>A iniciativa, aplicada inicialmente em uma escola do Guar\u00e1 e depois no Centro Integrado de Ensino Especial (912 Sul), tinha, al\u00e9m de c\u00e3es, gatos, coelhos e at\u00e9 um galo. A ideia era que as crian\u00e7as interagissem com os animais para n\u00e3o apenas aprender a parte pedag\u00f3gica de texturas e cores, mas o aprendizado emocional. &#8220;Uma das alunas morria de medo de bicho, a fam\u00edlia deixava de sair porque ela surtava quando encontrava algum. Depois de alguns meses no projeto, abra\u00e7ava todos. O trabalho com autistas tamb\u00e9m foi \u00f3timo, muitas vezes eles interagiam mais com os animais do que comigo, faziam mais carinho neles do que nas pr\u00f3prias m\u00e3es. S\u00f3 consegu\u00edamos chegar neles por meio dos bichos&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Os alunos tamb\u00e9m trabalhavam a responsabilidade para cuidar dos pets e, por um tempo, alguns aprendiam a trabalhar com banho e tosa para serem inseridos no mercado de trabalho. Mas a iniciativa dava trabalho \u2014 nas f\u00e9rias, C\u00e1ssia tinha que encontrar algu\u00e9m para ficar com os animais do projeto, tirava dinheiro do pr\u00f3prio bolso para aliment\u00e1-los e, durante o ano letivo, os funcion\u00e1rios da escola se recusavam a limpar a sala e a tarefa sobrava para a pedagoga. &#8220;Era tanto estresse que tive que parar. Todo mundo achava lindo, mas eu acabava carregando tudo sozinha. O projeto foi uma maneira de retribuir tudo o que os animais me ajudaram&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Hoje, C\u00e1ssia se envolveu com resgates e segue ajudando como pode. Tem oito bichos, entre cachorros e gatos. No port\u00e3o da casa dela, uma faixa anuncia um bazar beneficente para ajudar gatinhos que foram abandonados perto da casa da pedagoga. &#8220;Fa\u00e7o o que posso, alguns dos meus bichos ainda s\u00e3o do projeto, outros foram lares tempor\u00e1rios que se tornaram permanentes. Sou muito feliz com eles.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_868\" aria-describedby=\"caption-attachment-868\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161071.jpg\" rel=\"attachment wp-att-868\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-868\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161071-300x199.jpg\" alt=\"Mariana Borges durante aula de equoterapia:mais intera\u00e7\u00e3o social. Foto Zuleika de Souza\/CB\/DA Press\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161071-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161071-768x510.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161071-550x365.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161071-230x153.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT150320161071.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-868\" class=\"wp-caption-text\">Mariana Borges durante aula de equoterapia:mais intera\u00e7\u00e3o social. Foto Zuleika de Souza\/CB\/DA Press<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>A ajuda vem a cavalo<\/strong><\/p>\n<p>A equoterapia n\u00e3o \u00e9 focada na perfei\u00e7\u00e3o dos movimentos esportivos, mas na rela\u00e7\u00e3o entre o cavalo e a pessoa. Para o trabalho terap\u00eautico, o animal deve ser d\u00f3cil e aprender facilmente. &#8220;Um cavalo de equita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 acostumado com brinquedo e m\u00fasica, \u00e9 um bicho que trota, corre e pula. J\u00e1 o cavalo para a equoterapia \u00e9 previamente selecionado pela estrutura f\u00edsica: n\u00e3o pode ser muito alto, para ter acesso terap\u00eautico ao paciente&#8221;, explica a fisioterapeuta Mylena Medeiros. O animal deve ainda ter temperamento d\u00f3cil.<\/p>\n<p>Entre os benef\u00edcios para o praticante est\u00e3o a melhora do desenvolvimento motor \u2013 incluindo equil\u00edbrio, desenvolvimento do sistema cardiorrespirat\u00f3rio, socializa\u00e7\u00e3o, diminui\u00e7\u00e3o de ansiedade e de sintomas depressivos. &#8220;Existem crian\u00e7as que n\u00e3o se enquadram em comprometimento psicol\u00f3gico, mas t\u00eam dificuldade enorme de intera\u00e7\u00e3o, porque vivem num mundo muito virtualizado. O cavalo ajuda a estabelecer contato e resolver a dificuldade de fazer amigos na escola, timidez excessiva, todas essas \u00e1reas&#8221;, conta a equoterapeuta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mariana Borges, 4 anos, aprimorou bastante a parte social com a pr\u00e1tica da modalidade. Ela teve falta de oxigena\u00e7\u00e3o durante o parto, o que gerou uma pequena les\u00e3o no c\u00e9rebro. A menina fez parte do programa de Estimula\u00e7\u00e3o Precoce da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, e, atualmente faz acompanhamento na Rede Sarah e com uma equipe multidisciplinar de m\u00e9dicos, com neurologista e fonoaudiologista. A indica\u00e7\u00e3o para a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Equoterapia (Ande) veio da escola que ela frequentava.<\/p>\n<p>M\u00e3e da menina, a servidora p\u00fablica M\u00f4nica Borges, 30 anos, conta que a filha tem a companhia da \u00e9gua Estrela desde 2014 e um dos maiores ganhos foi a melhora na dificuldade de andar, al\u00e9m do aumento da capacidade social. &#8220;Ela tinha muito medo das coisas: das pessoas, dos bichos. Agora, est\u00e1 mais segura. Sente muita falta quando n\u00e3o vem e, no dia da equoterapia, ela j\u00e1 acorda pedindo para vir&#8221;, conta.<\/p>\n<p>&#8220;As m\u00e3es comentam que, com uma, duas sess\u00f5es, o comportamento \u00e9 outro. At\u00e9 mesmos as professoras da escola ficam impressionadas. Como a maioria deles gosta muito da equoterapia e cria v\u00ednculo com o animal, vira moeda de troca em casa para bom comportamento&#8221;, conta a educadora f\u00edsica Andrea Gomes. A idade dos pacientes atendidos varia de adolescentes at\u00e9 idosos e o avan\u00e7o da idade n\u00e3o faz com que a resposta \u00e0 equoterapia seja mais lenta. Em m\u00e9dia, ap\u00f3s seis meses, os praticantes costumam ter benef\u00edcios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Origem milenar<\/strong><\/p>\n<p>A inser\u00e7\u00e3o de cavalos na medicina humana aconteceu antes de Cristo, por Hip\u00f3crates. Segundo a equoterapeuta Mylena Medeiros, a pr\u00e1tica retornou com for\u00e7a total na Fran\u00e7a em 1965 para ajudar na recupera\u00e7\u00e3o de soldados no p\u00f3s-guerra. Existem ainda centros h\u00edpicos focados na recupera\u00e7\u00e3o de pessoas com problema de v\u00edcio em drogas e outros voltados para a sobrevida de pacientes terminais e crian\u00e7as com doen\u00e7as cr\u00f4nicas, como um do Tenessee (EUA). Essa modalidade \u00e9 chamada de terapia assistida por animais.<\/p>\n<p>No Brasil, a chegada da equoterapia ocorreu em 1989, com a brasiliense Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Equoterapia. A modalidade foi reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina do Brasil como m\u00e9todo terap\u00eautico em 1997 e, hoje, tem o aval dos conselhos de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional, sendo reembols\u00e1vel por planos de sa\u00fade. Devido ao alto custo, por\u00e9m, ainda n\u00e3o \u00e9 oferecida pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS).<\/p>\n<p>Atualmente, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei para regulamentar a pr\u00e1tica. O texto foi proposto em 2012 pelo ent\u00e3o senador Fl\u00e1vio Arns (PT-PR) e exige exames psicol\u00f3gicos e fisioter\u00e1picos dos praticantes e capacita\u00e7\u00e3o de toda a equipe, incluindo fisioterapeuta, educador f\u00edsico, terapeuta ocupacional, pedagogo, psic\u00f3logo e professor de equita\u00e7\u00e3o. O projeto determina ainda que o local tenha atendimento de urg\u00eancia ou seja capaz de fazer remo\u00e7\u00e3o imediata para uma unidade de sa\u00fade, em caso de acidente. Em caso de aprova\u00e7\u00e3o, o texto precisa ser votado em plen\u00e1rio por pelo menos dois ter\u00e7os dos senadores. Em seguida, segue para san\u00e7\u00e3o presidencial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_869\" aria-describedby=\"caption-attachment-869\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT160320160603.jpg\" rel=\"attachment wp-att-869\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-869\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT160320160603-200x300.jpg\" alt=\"16\/03\/2016. Cr\u00e9dito: Marcelo Ferreira\/CB\/D.A. Thiago superou um princ\u00edpio de depress\u00e3o ao lado de Simba. Foto Marcelo Ferreira\/CB\/DA Press\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT160320160603-200x300.jpg 200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT160320160603-768x1155.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT160320160603-681x1024.jpg 681w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT160320160603-550x827.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT160320160603-230x346.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT160320160603.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-869\" class=\"wp-caption-text\">16\/03\/2016. Cr\u00e9dito: Marcelo Ferreira\/CB\/D.A. Thiago superou um princ\u00edpio de depress\u00e3o ao lado de Simba. Foto Marcelo Ferreira\/CB\/DA Press<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Melhor que cursinho<\/strong><\/p>\n<p>Outra pessoa que se beneficiou da companhia de um cachorrinho foi o estudante Thiago Rodrigues, 21 anos. Em junho de 2015, ele estava no in\u00edcio de uma depress\u00e3o depois de v\u00e1rias reprova\u00e7\u00f5es no vestibular para medicina. Foi quando a m\u00e3e dele, Dora, decidiu levar a mascote Simba para casa, na \u00e9poca com 45 dias de vida. &#8220;Como passo muito tempo fora de casa, o nosso cachorro foi uma forma de companhia e amizade&#8221;, conta a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Logo que o c\u00e3ozinho chegou, Thiago conseguiu a aprova\u00e7\u00e3o e os sintomas da depress\u00e3o foram afastados. &#8220;Simba mudou as nossas vidas. Meu filho disse que foi o melhor presente que j\u00e1 ganhou&#8221;, comemora a enfermeira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Tratamento de quatro patas<\/strong><\/p>\n<p>Nem sempre o tratamento entre humanos e animais segue par\u00e2metros cient\u00edficos reconhecidos. Pode bastar a presen\u00e7a do pet para que o efeito terap\u00eautico aconte\u00e7a. A estudante Bianca*, 37 anos, sofre com o diagn\u00f3stico de bipolaridade h\u00e1 mais de 10 anos. Apesar de fazer uso de medica\u00e7\u00e3o, ela n\u00e3o via melhora significativa no quadro e, por conta da condi\u00e7\u00e3o, foi afastada do trabalho. Foi quando decidiu adotar uma gatinha, em fevereiro deste ano. &#8220;Como eu estudei dois anos de psicologia e fiz muita terapia, sabia que \u00e9 cientificamente comprovado que a conviv\u00eancia entre animais e seres humanos \u00e9 ben\u00e9fica, principalmente para pessoas com transtornos mentais&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Na inf\u00e2ncia, Bianca teve outros gatos e tamb\u00e9m c\u00e3es. Ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da psiquiatra, mais duas gatinhas sa\u00edram de uma feira de ado\u00e7\u00e3o e chegaram \u00e0 casa em que a estudante mora, sozinha. Uma delas, como veio das ruas, n\u00e3o passou por abrigos e ainda n\u00e3o est\u00e1 habituada ao contato. Apesar disso, a estudante agradece a companhia e afirma que teve melhora no quadro psiqui\u00e1trico. &#8220;Os animais s\u00e3o melhores do que os seres humanos. N\u00e3o posso contar minha doen\u00e7a pra qualquer pessoa. Eu corro o risco de perder as amizades&#8221;, acredita.<\/p>\n<p>* Nome fict\u00edcio, a pedido da entrevistada<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_870\" aria-describedby=\"caption-attachment-870\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT1503201610821.jpg\" rel=\"attachment wp-att-870\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-870\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT1503201610821-300x199.jpg\" alt=\"Luiza e Tito:ele entrou para fam\u00edlia.Foto Zuleika de Souza\/CB\/DA Press\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT1503201610821-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT1503201610821-768x510.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT1503201610821-550x365.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT1503201610821-230x153.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2016\/03\/CBPFOT1503201610821.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-870\" class=\"wp-caption-text\">Luiza e Tito: ele entrou para fam\u00edlia.Foto Zuleika de Souza\/CB\/DA Press<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>&#8220;Ela quebrou o gelo e o muro de solid\u00e3o que constru\u00ed a minha volta&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>A secret\u00e1ria executiva bil\u00edngue Luiza Callafange, 26 anos, sempre gostou de animais: j\u00e1 teve cachorro, peixe, hamster e at\u00e9 um minicaranguejo. Depois de adulta, passou por muitos problemas relacionados \u00e0 depress\u00e3o e ansiedade, principalmente quando foi morar sozinha. &#8220;Eu precisava amadurecer e aprender uma s\u00e9rie de coisas, mas, ao mesmo tempo que queria, n\u00e3o estava totalmente preparada para lidar com elas, principalmente com a solid\u00e3o&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Por coincid\u00eancia, Luiza passou por uma feira de ado\u00e7\u00e3o e Tito entrou para a fam\u00edlia. &#8220;Foi amor \u00e0 primeira vista: um gatinho ruivo, magro, doentinho, que n\u00e3o abria um olho e tinha feridas no corpo. Eu simplesmente precisava tir\u00e1-lo dali e dar-lhe uma oportunidade de ser feliz&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Com o tempo, a jovem perdeu a vontade de sair de casa e de estar com os amigos. Nem mesmo a atividade f\u00edsica estava ajudando. Foi quando ela decidiu come\u00e7ar a psicoterapia, que logo a fez reagir. Quando melhorou um pouco, decidiu trazer a segunda gatinha para casa. Ela viu a foto em uma p\u00e1gina de ado\u00e7\u00e3o e decidiu buscar o animal, mas ele j\u00e1 havia sido levado por outra pessoa. Pouco tempo depois, por algo que ela chama de &#8220;milagre&#8221;, a adotante desistiu e Lily enfim foi morar com Luiza. &#8220;A Lily veio no momento em que eu mais precisava. \u00c9 carente e carinhosa. Ela me conquistou. Quebrou o gelo e o muro de solid\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Entrevista \/\/ Vinicius Perez dos Santos<\/strong><\/p>\n<p>*M\u00e9dico veterin\u00e1rio, residente do Hospital Veterin\u00e1rio FMVZ-USP e fundador do Projeto Santu\u00e1rio FMVZ-USP<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando foi que se come\u00e7ou a enxergar o animal como um indiv\u00edduo a ser domesticado?<\/strong><\/p>\n<p>A domestica\u00e7\u00e3o dos c\u00e3es e gatos foi, sem d\u00favida, um importante acontecimento na hist\u00f3ria da humanidade. Embora estudos apontem o lobo (canis lupus) como antecessor do c\u00e3o dom\u00e9stico (canis familiaris), alguns geneticistas defendem que, na verdade, as duas esp\u00e9cies s\u00e3o descendentes de um ancestral comum desconhecido. H\u00e1 registros f\u00f3sseis de c\u00e3es de cerca de 12 mil anos encontrados junto a ossadas de humanos e outras evid\u00eancias f\u00f3sseis da exist\u00eancia de c\u00e3es h\u00e1 pelos menos 33 mil anos. O que se tem certeza \u00e9 de que, a partir do momento em que as pessoas passaram a se estabelecer em locais fixos, deixando a vida n\u00f4made e instituindo a agricultura, a rela\u00e7\u00e3o entre seres humanos e c\u00e3es tornou-se atrativa com benef\u00edcios m\u00fatuos. Para os humanos, ajudantes na ca\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o dos acampamentos. Para os c\u00e3es, maior disponibilidade de alimento. J\u00e1 a domestica\u00e7\u00e3o dos gatos data de per\u00edodo mais recente. Enquanto os c\u00e3es est\u00e3o com os humanos h\u00e1 pelo menos 20 mil a 30 mil anos, a domestica\u00e7\u00e3o do gato ocorreu apenas em meados do s\u00e9culo 8 a.C., entre as aldeias que originaram o Egito antigo, onde passaram a exercer importante papel no controle de roedores que apareciam em busca de gr\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por que os c\u00e3es e gatos s\u00e3o os animais dom\u00e9sticos mais comuns?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Inicialmente, estabeleceu-se a aproxima\u00e7\u00e3o com essas esp\u00e9cies pela oportunidade de maior disponibilidade de alimento em troca de parceria para a ca\u00e7a ou prote\u00e7\u00e3o contra a prolifera\u00e7\u00e3o de roedores. Mas, com o tempo, os benef\u00edcios foram al\u00e9m e o v\u00ednculo se tornou cada vez mais forte. Os c\u00e3es desenvolveram habilidades essenciais para se adaptarem \u00e0 conviv\u00eancia com seres humanos, como o olhar fixo nos olhos, que estimula a libera\u00e7\u00e3o de ocitocina tanto nos humanos quanto nos pr\u00f3prios animais. A ocitocina \u00e9 o mesmo horm\u00f4nio liberado em decorr\u00eancia da intera\u00e7\u00e3o entre m\u00e3es e beb\u00eas, conhecido como horm\u00f4nio do amor. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que estudos recentes com uso de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica evidenciam ativa\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es do hipocampo de c\u00e3es relacionadas a emo\u00e7\u00f5es boas como alegria e amor resultante do contato entre seres humanos e animais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a causa mais comum pela qual adotamos um animal de estima\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As motiva\u00e7\u00f5es para a ado\u00e7\u00e3o de um animal podem ser variadas, algumas vezes altru\u00edstas, outras embasadas em posturas antropoc\u00eantricas, visando bem-estar pr\u00f3prio. A presidente da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dico-Veterin\u00e1ria Brasileira de Bem-Estar Animal, Ceres Berger Faraco, m\u00e9dica veterin\u00e1ria e doutora em psicologia, aponta que a crescente associa\u00e7\u00e3o entre seres humanos e animais se d\u00e1 como estrat\u00e9gia para enfrentar os desafios da sobreviv\u00eancia, pois humanos e animais de companhia s\u00e3o seres greg\u00e1rios, al\u00e9m de que os bichos oferecem suporte para a sobreviv\u00eancia das sociedades. Sendo assim, a ado\u00e7\u00e3o muitas vezes representa uma vontade de completar a fam\u00edlia ou enfrentar a solid\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os benef\u00edcios do conv\u00edvio entre humanos e animais?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Atualmente, muitas pessoas conhecem os benef\u00edcios das terapias assistidas por animais, como a equoterapia e as visitas a hospitais, asilos e outras entidades, com apoio dos &#8220;c\u00e3es-terapeutas&#8221;. Por\u00e9m, o conv\u00edvio com animais por si s\u00f3 tamb\u00e9m influencia diretamente a sa\u00fade das pessoas. A doutora Ceres Faraco explica que no mundo atual, onde s\u00e3o incentivados o individualismo, a perda de la\u00e7os familiares e a solid\u00e3o, a presen\u00e7a dos bichos serve como apoio social e fortalece o sentimento de que somos pertencentes, amados e absolutamente necess\u00e1rios para algu\u00e9m. Na pr\u00e1tica da medicina veterin\u00e1ria, diariamente vamos conhecendo diferentes fam\u00edlias e ouvindo diferentes hist\u00f3rias nas quais os animais ocupam sempre um lugar especial no aux\u00edlio para a supera\u00e7\u00e3o de uma dificuldade, com ensinamentos di\u00e1rios. Vamos percebendo que na complexa rede familiar em que cada part\u00edcula interage uma com a outra, os animais ocupam uma importante posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os benef\u00edcios f\u00edsicos de se ter um bichinho?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo estudo realizado pelo Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da USP, os benef\u00edcios dos animais de companhia \u00e0 sa\u00fade das pessoas v\u00e3o desde a melhora na imunidade de crian\u00e7as e de adultos at\u00e9 a redu\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de estresse e da incid\u00eancia de doen\u00e7as comuns, como dor de cabe\u00e7a ou resfriado. Outros estudos identificados pelos pesquisadores da USP tamb\u00e9m avaliaram as taxas de sobreviv\u00eancia no ano posterior a um infarto agudo do mioc\u00e1rdio em donos de c\u00e3es, gatos e outros animais de estima\u00e7\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o com pessoas que n\u00e3o conviviam com bichos. Segundo os pesquisadores, depois de determinado per\u00edodo, verificou-se que a conviv\u00eancia com um c\u00e3o contribuiu significativamente para a sobreviv\u00eancia dos pacientes, pelo menos no ano seguinte ao incidente. Os mesmos estudos tamb\u00e9m apontam benef\u00edcios no controle da press\u00e3o arterial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Existe algum momento em que o conv\u00edvio intenso seja ruim para os animais?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os principais \u00f4nus para os animais de estima\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o com os seres humanos est\u00e3o relacionados ao fen\u00f4meno do antropomorfismo. Consiste no h\u00e1bito de tratar os animais com base em premissas da vis\u00e3o humana, considerando que as necessidades dos animais s\u00e3o semelhantes \u00e0s nossas, ou ainda privilegiando as prefer\u00eancias humanas em detrimento das necessidades naturais do bicho. Trocando em mi\u00fados, toda vez que reproduzimos pr\u00e1ticas como uso de roupas, cal\u00e7ados e perfumes em c\u00e3es e gatos, por exemplo, estamos aplicando uma necessidade essencialmente humana, que n\u00e3o apenas n\u00e3o \u00e9 natural para o animal como tamb\u00e9m pode ser inc\u00f4moda. O c\u00e3o precisa ser c\u00e3o e o gato precisa ser gato. A possibilidade de expressar comportamentos naturais da esp\u00e9cie \u00e9 um pr\u00e9-requisito b\u00e1sico para garantir seu bem-estar. N\u00e3o h\u00e1 nenhum mal em tratar o animal como filho, desde que se compreenda que \u00e9 um filho n\u00e3o humano e se respeite as necessidades dele.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 nenhum mal em tratar o animal como filho, desde que se compreenda que \u00e9 um filho n\u00e3o humano e se respeite as necessidades dele&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em troca de comida e carinho, os animais de estima\u00e7\u00e3o d\u00e3o aos humanos o que muitas vezes nem rem\u00e9dios e terapias conseguem: a melhora e at\u00e9 cura das dores da alma<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":871,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,13,2,25,27,28,11,26,31,29],"tags":[],"class_list":["post-864","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alimentacao-pet","category-animais-perdidos","category-blogueiros","category-comportamento","category-concurso-pet","category-entrevista","category-eventos-pet","category-fotografia-pet","category-maus-tratos","category-saude-pet"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/864","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=864"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/864\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":872,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/864\/revisions\/872"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/871"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=864"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=864"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/maisbichos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=864"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}