{"id":5891,"date":"2016-12-29T09:31:50","date_gmt":"2016-12-29T11:31:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/papodeconcurseiro\/?p=5891"},"modified":"2016-12-29T09:31:50","modified_gmt":"2016-12-29T11:31:50","slug":"regiao-norte-tem-salario-publico-mais-alto-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/papodeconcurseiro\/regiao-norte-tem-salario-publico-mais-alto-do-pais\/","title":{"rendered":"Regi\u00e3o Norte tem sal\u00e1rio p\u00fablico mais alto do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>Por Ag\u00eancia Estado &#8211;<\/p>\n<p>Apesar de ser uma das menos desenvolvidas economicamente, a Regi\u00e3o Norte tem sal\u00e1rios p\u00fablicos superiores a remunera\u00e7\u00f5es de regi\u00f5es mais ricas, como Sul e Sudeste. Na categoria funcionalismo p\u00fablico com carteira assinada (que trabalha normalmente em estatais), por exemplo, um trabalhador de n\u00edvel superior ganha em m\u00e9dia 31% mais do que no Sudeste. Por outro lado, um empregado da iniciativa privada, com mesmo n\u00edvel escolar, tem sal\u00e1rio 41% menor.<\/p>\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o coloca a Regi\u00e3o Norte na lideran\u00e7a do ranking das maiores diferen\u00e7as do Brasil entre sal\u00e1rios p\u00fablicos e privado &#8211; excluindo Bras\u00edlia, cujos sal\u00e1rios s\u00e3o muito superiores \u00e0 media nacional. O resultado faz parte de um levantamento do economista Nelson Marconi, coordenador do F\u00f3rum de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), que faz um raio X dos sal\u00e1rios no Brasil por regi\u00e3o, escolaridade e tipo de trabalho, com ou sem carteira assinada do setor p\u00fablico e privado.<\/p>\n<p>De acordo com o trabalho, baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad), as regi\u00f5es Norte e Nordeste s\u00e3o as que t\u00eam as maiores diferen\u00e7as salariais entre os funcion\u00e1rios p\u00fablicos e privados. Nos Estados do Norte, um funcion\u00e1rio p\u00fablico com ensino m\u00e9dio ganha 108% mais do que o mesmo trabalhador da iniciativa privada. Entre aqueles que t\u00eam ensino superior, a diferen\u00e7a cai para 76,3%.<\/p>\n<p>O Nordeste tem a maior diferen\u00e7a salarial do Pa\u00eds entre os funcion\u00e1rios com menor escolaridade (apenas o fundamental): eles ganham 62,5% mais que os empregados da iniciativa privada. As explica\u00e7\u00f5es para o resultado do levantamento s\u00e3o variadas. No caso da Regi\u00e3o Norte, afirma Marconi, um dos motivos para a diferen\u00e7a salarial \u00e9 o fato dos Estados serem novos. Acre, Rond\u00f4nia, Amap\u00e1 e Roraima foram os \u00faltimos territ\u00f3rios elevados \u00e0 categoria de Estado entre as d\u00e9cadas de 60 e 80.<\/p>\n<p>Pol\u00edtica salarial. Enquanto eram territ\u00f3rio, eles integravam \u00e0 Uni\u00e3o e tinham remunera\u00e7\u00e3o correspondente a funcion\u00e1rios federais. &#8220;Quando viraram Estados, os governos locais seguiram a pol\u00edtica salarial da esfera federal, que \u00e9 mais alta&#8221;, diz Marconi. Al\u00e9m disso, ao contr\u00e1rio do que ocorre com os Estados mais desenvolvidos, esses governos t\u00eam uma conta mais baixa com aposentados e pensionistas e podem se dar ao luxo de gastar mais com funcion\u00e1rios ativos.<\/p>\n<p>Exemplo disso \u00e9 o resultado de um estudo recente dos economistas Jos\u00e9 Roberto Afonso e Vilma da Concei\u00e7\u00e3o Pinto, pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas. O trabalho mostra que os Estados mais novos do Pa\u00eds t\u00eam despesas com funcion\u00e1rios ativos acima da m\u00e9dia nacional.<\/p>\n<p>O economista do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), Cl\u00e1udio Hamilton Matos dos Santos, destaca ainda que, com o aumento da arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria nos \u00faltimos anos, houve uma folga nos cofres p\u00fablicos e os Estados e munic\u00edpios passaram a pagar sal\u00e1rios maiores.<\/p>\n<p>Diferen\u00e7a. De acordo com o levantamento de Marconi, a diferen\u00e7a m\u00e9dia dos sal\u00e1rios p\u00fablicos e privados na Regi\u00e3o Norte subiu de 61,7%, em 2012, para 88,8% neste ano, entre os trabalhadores do ensino m\u00e9dio. No n\u00edvel superior, o aumento foi um pouco menor: saiu de 45,1% para 56,7%. Para o economista, os sal\u00e1rios do setor privado tamb\u00e9m refletem as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas do Pa\u00eds e as caracter\u00edsticas de cada regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ou seja, a disparidade salarial tamb\u00e9m \u00e9 um reflexo das desigualdades econ\u00f4micas regionais. Em regi\u00f5es mais pobres, a iniciativa privada paga menos comparado aos Estados mais desenvolvidos. Jos\u00e9 Roberto Afonso, tamb\u00e9m professor do Instituto Brasiliense de Direito P\u00fablico (IDP), ressalta ainda que, nas regi\u00f5es mais pobres, a informalidade tende a ser generalizada e mais profunda.<\/p>\n<p>&#8220;E ela s\u00f3 alcan\u00e7a o setor privado. Ou seja, o trabalhador recebe por fora, no caixa dois, sem carteira. E a\u00ed o peso relativo do sal\u00e1rio pago pelo governo cresce em termos comparativos.&#8221;<\/p>\n<p>Pessoa jur\u00eddica. Nas regi\u00f5es mais ricas, completa o economista, a raz\u00e3o \u00e9 outra e reflete uma tend\u00eancia mundial, que no Brasil ganha cada vez mais intensidade. &#8220;Entre as rendas mais altas, profissionais mais qualificados ou at\u00e9 especializados (como atletas, artistas, jornalistas) se tornaram pessoa jur\u00eddica e recebem a maior parte ou toda renda como tal, e n\u00e3o com carteira assinada.&#8221;<\/p>\n<p>Um exemplo disso \u00e9 que, de acordo com o levantamento de Nelson Marconi, a Regi\u00e3o Sudeste, por exemplo, teve a diferen\u00e7a entre sal\u00e1rio p\u00fablico e privado reduzido entre os profissionais com ensino superior: saiu de 10,8%, em 2012, para 9,4%, neste ano. O mesmo ocorreu no Centro-Oeste, cuja diferen\u00e7a caiu de 62,4% para 33,3%.<\/p>\n<p>&#8220;No Centro-Sul, o mercado de trabalho privado \u00e9 mais desenvolvido, onde as pessoas t\u00eam mais oportunidades. Nas regi\u00f5es mais pobres, conseguir um emprego p\u00fablico \u00e9 uma maravilha, pois n\u00e3o tem mercado de trabalho&#8221;, diz o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Jo\u00e3o Saboia. Al\u00e9m disso, diz ele, o setor p\u00fablico tem uma l\u00f3gica de remunera\u00e7\u00e3o bem diferente da iniciativa privada. &#8220;No funcionalismo, pode-se encontrar trabalhadores com menos escolaridade e com cargos mais baixos que ganham mais que um funcion\u00e1rio de maior escolaridade no setor privado.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ag\u00eancia Estado &#8211; Apesar de ser uma das menos desenvolvidas economicamente, a Regi\u00e3o Norte tem sal\u00e1rios p\u00fablicos superiores a remunera\u00e7\u00f5es de regi\u00f5es mais ricas, como Sul e Sudeste. Na categoria funcionalismo p\u00fablico com carteira assinada (que trabalha normalmente em estatais), por exemplo, um trabalhador de n\u00edvel superior ganha em m\u00e9dia 31% mais do que no Sudeste. 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