{"id":6027,"date":"2017-04-10T10:30:15","date_gmt":"2017-04-10T13:30:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/papodeconcurseiro\/?p=6027"},"modified":"2017-04-09T17:08:20","modified_gmt":"2017-04-09T20:08:20","slug":"casal-servidores-recorre-justica-conseguir-remocao-manter-familia-unida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/papodeconcurseiro\/casal-servidores-recorre-justica-conseguir-remocao-manter-familia-unida\/","title":{"rendered":"Casal de servidores recorre \u00e0 Justi\u00e7a para conseguir remo\u00e7\u00e3o e manter fam\u00edlia unida"},"content":{"rendered":"<p><em>Embate equiparou servidores estatut\u00e1rio e celetista em prol da fam\u00edlia. Segundo a defesa, trata-se da terceira decis\u00e3o desse tipo no pa\u00eds<br \/>\n<\/em><br \/>\nQuem v\u00ea a foto de fam\u00edlia dos servidores Julia Pittelkow e Rafael Montes dificilmente imagina que o casal precisou brigar na Justi\u00e7a para ficar junto. Mas foi o que aconteceu. Ap\u00f3s meses separados, e lidando com graves problemas de sa\u00fade de suas filhas, uma ju\u00edza de Macap\u00e1 proferiu uma decis\u00e3o ainda incomum que equiparou um funcion\u00e1rio p\u00fablico celetista a um estatut\u00e1rio para que os princ\u00edpios e valores da fam\u00edlia prevalecessem sobre os interesses econ\u00f4micos da Administra\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria pode inspirar casais com problemas de remo\u00e7\u00e3o a tamb\u00e9m lutarem por suas causas.<\/p>\n<p>Pois bem. Os dois se casaram em janeiro de 2013, dois anos ap\u00f3s Julia passar nas sele\u00e7\u00f5es do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1\u00b0 Regi\u00e3o e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Naquele mesmo ano, o TRF chamou J\u00falia, mas a lotou em Macap\u00e1. Assim, eles deixaram amigos e familiares e se mudaram para o Norte do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, o casal tinha uma filha de 6 meses, Beatriz, e J\u00falia estava gr\u00e1vida de Isabela. Em Macap\u00e1, Rafael come\u00e7ou a estudar e passou na sele\u00e7\u00e3o para o Banco do Brasil em 2015, mesma \u00e9poca em J\u00falia foi convocada pelo TSE. Os dois agora tinham emprego na capital amapaense, mas o quadro de sa\u00fade das filhas exigia uma nova mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Aos 4 meses, Beatriz sofreu um choque anafil\u00e1tico provocado pela prote\u00edna do leite de vaca, necessitando de uso de adrenalina para a revers\u00e3o do quadro. Ao completar 1 ano, a sensibilidade se expandiu para outros grupos alimentares e se tornou uma alergia alimentar m\u00faltipla. A mais nova, Isabela, apresentou quadro semelhante. &#8220;Nossas filhas sofriam grav\u00edssimos problemas de sa\u00fade e precisavam ser atendidas por uma equipe m\u00e9dica especializada, mas a cidade em que mor\u00e1vamos n\u00e3o oferecia essa assist\u00eancia&#8221;, afirmou J\u00falia.<\/p>\n<p>Foi quando decidiram que voltar para Goi\u00e2nia seria a melhor solu\u00e7\u00e3o. J\u00falia n\u00e3o encontrou barreira no Judici\u00e1rio Federal e fez uma permuta para trabalhar no Tribunal Regional Eleitoral de Goi\u00e2nia, mas Rafael teve seu pedido recusado in\u00fameras vezes pelo Banco do Brasil. A institui\u00e7\u00e3o sustentava que ele n\u00e3o havia comprovado a remo\u00e7\u00e3o de of\u00edcio da esposa, argumentado que partira dela o pedido transfer\u00eancia.<\/p>\n<p>O banco tamb\u00e9m afirmava que Macap\u00e1 possu\u00eda estrutura para tratar doen\u00e7as infantojuvenis e que ele tinha condi\u00e7\u00f5es de arcar com o tratamento, amparado pelo plano de sa\u00fade da institui\u00e7\u00e3o, embora o casal dissesse que s\u00f3 encontrara duas alergistas na cidade, e nenhuma era credenciadas ao plano*.<\/p>\n<p>O resultado foram cerca de seis meses separados, j\u00e1 que o tratamento das meninas n\u00e3o poderia esperar. E, no meio da confus\u00e3o, mais uma surpresa: J\u00falia estava gr\u00e1vida do terceiro filho, F\u00e1bio. &#8220;Eu, sem saber, sa\u00ed de Macap\u00e1 para Goi\u00e2nia j\u00e1 gr\u00e1vida do meu terceiro filho. Realmente, foi um per\u00edodo muito dif\u00edcil. Estava sozinha em Goi\u00e2nia, com duas filhas pequenas e adoentadas, gr\u00e1vida pela terceira vez e longe do meu esposo. Enfrentamos in\u00fameras dificuldades, de sa\u00fade f\u00edsica e psicol\u00f3gica, familiar, matrimonial, financeira e profissional&#8221;, desabafa a servidora. &#8220;Passei toda minha gesta\u00e7\u00e3o longe do Rafael. A frustra\u00e7\u00e3o era tamanha que eu n\u00e3o queria que chegasse o dia do parto, com medo de ele n\u00e3o poder estar perto de mim. Felizmente, ele conseguiu chegar a tempo. Mesmo assim, devido a tanto problema, logo ap\u00f3s o nascimento do F\u00e1bio, fui diagnosticada com depress\u00e3o e precisei ser medicada\u201d.<\/p>\n<p><strong>F\u00f3rumCW\u00a0<\/strong><br \/>\nFrequentadora ass\u00eddua do <a href=\"http:\/\/forum.concursos.correioweb.com.br\/\" target=\"_blank\"><strong>F\u00f3rumCW, do site de Concursos do CorreioWeb<\/strong><\/a>, J\u00falia leu em uma das salas o testemunho de um servidor que entrou na Justi\u00e7a para conseguir sua remo\u00e7\u00e3o e acompanhar a esposa. Inspirados pelo caso que lembrava o deles, os dois procuraram o advogado Jo\u00e3o Prud\u00eancio Neto. Segundo o defensor, a dist\u00e2ncia do casal ficou insustent\u00e1vel. &#8220;Quando eles me procuraram, a J\u00falia tinha sido transferida para Goi\u00e2nia. Para ela foi mais f\u00e1cil, porque pedidos de remo\u00e7\u00e3o, segundo a Lei 8.112, s\u00e3o poss\u00edveis e n\u00e3o precisam de ajuizamento de a\u00e7\u00e3o. J\u00e1 para o Rafael, que \u00e9 empregado p\u00fablico celetista, n\u00e3o h\u00e1 essa possibilidade prevista em lei. Ent\u00e3o, pedimos a equipara\u00e7\u00e3o dele a um servidor estatut\u00e1rio devido \u00e0 separa\u00e7\u00e3o da esposa e \u00e0 sa\u00fade das filhas&#8221;, esclarece.<\/p>\n<p>O caso foi julgado pela ju\u00edza do trabalho Anna Laura C. Pereira. A magistrada reconheceu que a rede de hospitais da regi\u00e3o, mesmo a particular, \u00e9 prec\u00e1ria, e que a perman\u00eancia de Rafael em Macap\u00e1 inviabilizava a conviv\u00eancia do pai com as crian\u00e7as. Em sua decis\u00e3o, Anna Laura afirma que o artigo 226 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal outorga \u00e0 fam\u00edlia especial prote\u00e7\u00e3o do Estado, colocando-a como base da sociedade, sendo inadmiss\u00edvel que se dilacerem os la\u00e7os familiares que unem pais e filhos.<\/p>\n<p>Com apenas 20 dias de judicializa\u00e7\u00e3o do caso, o casal passou a viver em Goi\u00e2nia e hoje trabalha na mesma rua, bem perto de casa. &#8220;Agora, \u00e9 s\u00f3 felicidade. Meu marido foi lotado em uma boa ag\u00eancia e minhas filhas s\u00e3o acompanhadas de perto pelo pediatra, duas alergistas e um gastropediatra. A intoler\u00e2ncia vem regredindo. As professoras at\u00e9 falam que elas est\u00e3o se desenvolvendo melhor com a presen\u00e7a de ambos os pais, tanto na alimenta\u00e7\u00e3o quanto na intera\u00e7\u00e3o social&#8221;, comemora J\u00falia.<\/p>\n<p>De acordo com a defesa do casal, a decis\u00e3o foi a terceira do Brasil a equiparar um celetista a um estatut\u00e1rio para que os princ\u00edpios e valores da fam\u00edlia fossem mais importantes que os interesses econ\u00f4micos de um \u00f3rg\u00e3o do tamanho do banco em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>* argumentos retirados da decis\u00e3o judicial do caso.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embate equiparou servidores estatut\u00e1rio e celetista em prol da fam\u00edlia. Segundo a defesa, trata-se da terceira decis\u00e3o desse tipo no pa\u00eds Quem v\u00ea a foto de fam\u00edlia dos servidores Julia Pittelkow e Rafael Montes dificilmente imagina que o casal precisou brigar na Justi\u00e7a para ficar junto. 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