{"id":104,"date":"2017-09-11T13:37:03","date_gmt":"2017-09-11T13:37:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/?p=104"},"modified":"2017-09-11T13:37:03","modified_gmt":"2017-09-11T13:37:03","slug":"requiem-em-forma-de-blues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/requiem-em-forma-de-blues\/","title":{"rendered":"R\u00e9quiem em forma de blues"},"content":{"rendered":"<p>Gregg Allman sabia que n\u00e3o teria muito tempo para fazer seu \u00faltimo \u00e1lbum. Quando come\u00e7ou a trabalhar com o produtor Don Was para criar <em>Southern Blood<\/em>, que est\u00e1 sendo lan\u00e7ado esta semana, ele j\u00e1 tinha se submetido a um transplante de f\u00edgado e sabia que tinha sido em v\u00e3o \u2013 o c\u00e2ncer retornara. Mas ele ainda tinha o que dizer.<\/p>\n<p>O est\u00fadio escolhido foi o Fame, de Muscle Schoals, onde tudo come\u00e7ou para ele, ainda com os Allman Brothers; os m\u00fasicos s\u00e3o companheiros que estiveram com ele na estrada e Don Was soube captar o esp\u00edrito de sua m\u00fasica com uma abordagem ao mesmo tempo sutil e determinante.<\/p>\n<p>A can\u00e7\u00e3o que abre o disco \u00e9 a \u00faltima feita por Gregg Allman, <em>My Only True Friend<\/em>. Ao som de guitarras ele canta: \u201cVoc\u00ea e eu sabemos, esse rio ir\u00e1 certamente fluir para um fim&#8230; Espero que voc\u00ea seja assombrado pela m\u00fasica da minha alma, quando eu for&#8230; Mas voc\u00ea e eu sabemos que a estrada \u00e9 minha \u00fanica amiga de verdade\u201d<\/p>\n<p>As outras nove can\u00e7\u00f5es do disco foram selecionadas com cuidado e refor\u00e7am o esp\u00edrito de despedida. <em>Once I Was<\/em>, de Tim Buckley \u2013 \u201cE \u00e0s vezes me pergunto\/ S\u00f3 por um tempo? Ser\u00e1 que voc\u00ea vai lembrar de mim?\u201d. A melancolia se aprofunda em <em>Going Going Gone<\/em>, de Bob Dylan \u2013 \u201cEstou fechando o livro\/ Nas p\u00e1ginas e no texto\/ E eu realmente n\u00e3o me importo\/O que acontece a seguir\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 um disco de blues; triste, acabrunhado, mas ainda assim cheio de vida. Os arranjos, com muitos metais, valorizam as can\u00e7\u00f5es que recebem a privilegiada voz de Gregg<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gregg Allman | Southern Blood (OFFICIAL TRAILER)\" width=\"1440\" height=\"810\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dP3hBo_tC-A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Allman em plena forma. \u00c9 certamente seu melhor disco, superior at\u00e9 a <em>Laid Back<\/em> (1973). Ele passou os \u00faltimos dias ouvindo as faixas j\u00e1 mixadas; \u00e9 o r\u00e9quiem de um gigante da m\u00fasica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gregg Allman sabia que n\u00e3o teria muito tempo para fazer seu \u00faltimo \u00e1lbum. Quando come\u00e7ou a trabalhar com o produtor Don Was para criar Southern Blood, que est\u00e1 sendo lan\u00e7ado esta semana, ele j\u00e1 tinha se submetido a um transplante de f\u00edgado e sabia que tinha sido em v\u00e3o \u2013 o c\u00e2ncer retornara. Mas ele ainda tinha o que dizer. 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