{"id":110,"date":"2017-09-11T14:00:16","date_gmt":"2017-09-11T14:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/?p=110"},"modified":"2017-09-11T14:00:16","modified_gmt":"2017-09-11T14:00:16","slug":"tribalistas-musica-em-hibernacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/tribalistas-musica-em-hibernacao\/","title":{"rendered":"Tribalistas: M\u00fasica em hiberna\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o cometa Halley s\u00f3 passe pelas cercanias da Terra a cada 79 anos ou que um eclipse total do sol possa ser visto somente a cada 100 anos. H\u00e1 15 anos, o primeiro disco dos chamados Tribalistas, ent\u00e3o anunciado como evento \u00fanico, fez furor; vendeu milh\u00f5es de exemplares, marcou a \u00e9poca com belas can\u00e7\u00f5es e um sopro de novidade na m\u00fasica popular. \u00c9 novo at\u00e9 hoje. Mas nem todo fen\u00f4meno se repete.<\/p>\n<p>Se aquele disco dos Tribalistas era arrebatamento total, a sequela \u00e9 bem mais comportada; vem com a sensa\u00e7\u00e3o de que nada aconteceu nesta d\u00e9cada e meia que separa os lan\u00e7amentos e que \u00e9 apenas uma continua\u00e7\u00e3o menos inspirada. Mesmo com boas can\u00e7\u00f5es, \u00e9 como se o tempo tivesse parado, a tecnologia fosse a mesma e a m\u00fasica do mundo permanecesse intacta.<\/p>\n<p>O ouvinte pode perguntar como \u00e9 que tr\u00eas grandes artistas \u2013 Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes \u2013, que, individualmente, avan\u00e7aram tanto neste per\u00edodo parecem ter hibernado quando voltam a trabalhar juntos. O talento envolvido na produ\u00e7\u00e3o \u00e9 suficiente para garantir qualidade, algumas boas can\u00e7\u00f5es, sacadas inteligentes; mas algum elo foi perdido durante a hiberna\u00e7\u00e3o do trio.<\/p>\n<p>\u00c9 um disco solar, otimista, com can\u00e7\u00f5es quase sempre em tons maiores e acordes naturais e que nasceram durante as \u201cf\u00e9rias\u201d das carreiras solo dos tr\u00eas artistas. \u00c9 assim, mesmo nos temas mais urgentes e politicamente mais engajados \u2013 uma novidade tem\u00e1tica para o grupo. <em>Di\u00e1spora<\/em> \u2013 citando Souz\u00e2ndrade e Castro Alves \u2013 fala das migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, <em>Bai\u00e3o do Mundo<\/em> mostra preocupa\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, <em>Lutar e Vencer<\/em> \u00e9 sobre as recentes ocupa\u00e7\u00f5es nas escolas, <em>Trabalivre<\/em> prop\u00f5e discutir a rela\u00e7\u00e3o entre vida e opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Boa surpresa \u00e9 a presen\u00e7a de Carminho, cantora portuguesa que mais uma vez escapole do fado e \u00e9 transformada quase numa quarta tribalista, j\u00e1 que n\u00e3o apenas canta, mas aparece como compositora em duas can\u00e7\u00f5es \u2013 <em>Peixinhos<\/em> e <em>Trabalivre<\/em>. Mas \u00e9 o samba-rock <em>Feliz e Saud\u00e1vel<\/em> que mostra que o disco poderia ser bem melhor, n\u00e3o fosse t\u00e3o descontra\u00eddo.<\/p>\n<p>A esta nova incurs\u00e3o tribalista talvez tenha faltado a fa\u00edsca que deu origem ao disco original; a vontade de fazer algo novo deu lugar ao simples prazer de fazer m\u00fasica juntos mais uma vez. Desta vez a conjun\u00e7\u00e3o de estrelas produziu um espet\u00e1culo bonito, correto e eficiente, mas sem o fulgor de antes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o cometa Halley s\u00f3 passe pelas cercanias da Terra a cada 79 anos ou que um eclipse total do sol possa ser visto somente a cada 100 anos. 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