{"id":1370,"date":"2023-02-09T11:17:18","date_gmt":"2023-02-09T14:17:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/?p=1370"},"modified":"2023-02-09T11:17:18","modified_gmt":"2023-02-09T14:17:18","slug":"terror-na-casa-nova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/terror-na-casa-nova\/","title":{"rendered":"Terror na casa nova"},"content":{"rendered":"<p>Assombra\u00e7\u00e3o, fantasma, apari\u00e7\u00e3o, visagem \u2013 os nomes s\u00e3o muitos para tentar definir o indefin\u00edvel, normalmente ligado a tempos antigos, ambientes em ru\u00ednas ou abandonados e com teias de aranhas. Pelo menos \u00e9 isso que nos apresentam desde que o homem come\u00e7ou a contar hist\u00f3rias, provavelmente em volta de uma fogueira com suas sombras bruxuleantes, e que a literatura e o cinema popularizaram.<\/p>\n<p>Nos primeiros tempos eram hist\u00f3rias para, por meio do medo, catequizar, tirar as pessoas do mau caminho; uma esp\u00e9cie de educa\u00e7\u00e3o social. Foi s\u00f3 em 1764 que o ingl\u00eas Horace Walpole transformou o horror em divertimento, assombrando leitores com o livro <em>O Castelo de Otranto. <\/em><\/p>\n<p>Depois vieram Poe, Lovecraft, Shelley e Stephen King, entre milhares de escritores de maior ou menor talento, todos nos esperando atr\u00e1s da porta que \u00e9 a capa do livro para insuflar medo. Hoje nenhum deles \u00e9 p\u00e1reo para a nossa realidade.<\/p>\n<p>Meu amigo n\u00e3o \u00e9 supersticioso. Ao contr\u00e1rio. \u00c9 um c\u00e9tico de carteirinha, quase um c\u00ednico quando algu\u00e9m vem lhe contar uma hist\u00f3ria que n\u00e3o possa ser cientificamente comprovada. Depois de convencer a fam\u00edlia, decidiu trocar o apartamento por uma casa com quintal, onde pudesse andar descanso na grama, deitar ao sol, essas coisas, sem ter que, antes, entrar no carro.<\/p>\n<p>Encontrou uma casa antiga, mas bem conservada at\u00e9 porque havia sido reformada, num bairro tranquilo da cidade e que n\u00e3o tinha grandes diferen\u00e7as das outras constru\u00e7\u00f5es da rua. \u00c9 preciso ressaltar que no caso de Bras\u00edlia, antiga \u00e9 uma casa de 50 anos, mais ou menos, ou seja, pelo que nos diz a tradi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o haveria tempo de um fantasma se instalar por aqui.<\/p>\n<p>Empolgado, foi dormir na casa antes mesmo da mudan\u00e7a. Levou um colch\u00e3o, roupas de cama e chamou a mulher; uma noite a dois, na casa que seria a definitiva. Traziam vinho, queijos e muita vontade de aproveitar a noite, que come\u00e7ou muito bem; namoraram como n\u00e3o faziam h\u00e1 tempos, celebraram, conversaram e foram dormir.<\/p>\n<p>Um insistente barulho no s\u00f3t\u00e3o chamou a aten\u00e7\u00e3o. Era como se algu\u00e9m estivesse esfregando alguma coisa no forro; n\u00e3o eram passos, mas um ru\u00eddo constante que ia a voltava. Corajoso, o amigo pegou a escada e foi espiar, voltando aliviado e sorridente para a mulher: \u201cNem chegamos e j\u00e1 temos inquilinos \u2013 uma fam\u00edlia de saru\u00eas!\u201d.<\/p>\n<p>Voltaram a deitar e pegaram no sono, at\u00e9 que outro barulho os acordou. Desta vez vinha do quarto ao lado mesmo, quem sabe da sala um pouco mais distante. Era um ru\u00eddo met\u00e1lico, acompanhado de uma estranha e mon\u00f3tona melodia. O bravo levantou-se, acendeu a luz e foi em dire\u00e7\u00e3o ao sil\u00eancio, porque o barulho tinha parado. N\u00e3o viu nada.<\/p>\n<p>Voltou a deitar e o barulho voltou. Tudo se repetiu pelo menos cinco vezes. Abriu a janela para ver se era um vizinho. Nada. Ficou parado no quarto ao lado. Nada. Recostou-se na parede da sala. Nada.<\/p>\n<p>Foi embora depois da noite em claro e decidiu que ficaria com a casa, mas antes encomendaria um descarrego, porque ele pode ser c\u00e9tico mas n\u00e3o \u00e9 burro.<\/p>\n<p><strong>Publicado no Correio Braziliense em 27 de janeiro de 2023<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assombra\u00e7\u00e3o, fantasma, apari\u00e7\u00e3o, visagem \u2013 os nomes s\u00e3o muitos para tentar definir o indefin\u00edvel, normalmente ligado a tempos antigos, ambientes em ru\u00ednas ou abandonados e com teias de aranhas. 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