{"id":327,"date":"2018-04-19T21:30:12","date_gmt":"2018-04-20T00:30:12","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/?p=327"},"modified":"2018-04-19T21:47:53","modified_gmt":"2018-04-20T00:47:53","slug":"samba-para-brasilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/samba-para-brasilia\/","title":{"rendered":"Samba para Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>Bras\u00edlia d\u00e1 samba. E faz tempo; mais at\u00e9 do que os 58 anos que a cidade est\u00e1 completando. Antes mesmo da inaugura\u00e7\u00e3o j\u00e1 havia can\u00e7\u00f5es saudando a nova capital, a exemplo de <em>Vou pra Goi\u00e1s<\/em>, gravada por Nelson Gon\u00e7alves \u2013 tinha tamb\u00e9m o pessoal do contra, caso de <em>N\u00e3o Vou pra Bras\u00edlia<\/em>, de Billy Blanco. Calcula-se em mais de 70 as m\u00fasicas saudando ou criticando a cidade.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, Bras\u00edlia passou a fazer suas pr\u00f3prias m\u00fasicas em v\u00e1rios ritmos, do rock ao choro, calando algumas pessoas que confundem a cidade com o Campo da Esperan\u00e7a e pedem sil\u00eancioabsoluto. A revis\u00e3o da Lei do Sil\u00eancio dorme nas gavetas da C\u00e2mara Legislativa, impedindo m\u00fasicos de trabalhar e o resto de n\u00f3s de ouvir.<\/p>\n<p>O que pouca gente se lembra \u2013 ou sabe \u2013 \u00e9 que, j\u00e1 consolidada como capital, em 1969, Bras\u00edlia ganhou duas homenagens de artistas que j\u00e1 estavam radicados por aqui e que chegaram a lan\u00e7ar um disquinho hoje rar\u00edssimo. S\u00e3o dois sambas-exalta\u00e7\u00e3o, ambos de Lauro Passos e Altamiro Cruz, gravados por Fernando Lopes.<\/p>\n<p><em>Aquarela de Bras\u00edlia<\/em> \u00e9 o lado A do compacto simples. Gravada no Rio de Janeiro com arranjo pomposo e acompanhamento do maestro Pereira dos Santos e sua orquestra, a can\u00e7\u00e3o narra o sonho de Dom Bosco transformado em realidade, com direito a uma esp\u00e9cie de exposi\u00e7\u00e3o inicial antes do samba propriamente dito, como \u00e9 comum nas exalta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Aquarela de Brasilia\" width=\"1440\" height=\"810\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Nd7PWSmITbU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Metais d\u00e3o o tom esfuziante que o g\u00eaneroexige desde que apareceu em outubro de 1939, quando Ary Barroso lan\u00e7ou sua <em>Aquarela do Brasil<\/em>, gravada por Francisco Alves, com arranjo de Radam\u00e9s Gnattali, inaugurando um estilo mais sofisticado de composi\u00e7\u00e3o, mas que se caracterizaria mesmo pelas letras ufanistas. Antes, Aracy Cortes havia cantado a m\u00fasica no teatro, mas n\u00e3o conta.<\/p>\n<p>Barroso voltaria \u00e0 carga em 1942 com <em>Isso Aqui o Que \u00c9<\/em>, gravada por Moraes Neto. Pouco antes, em 1940, o indefect\u00edvel Francisco Alves havia registrado<em>Onde o C\u00e9u Azul \u00e9 mais Azul <\/em>(de Jo\u00e3o de Barro, Alberto Ribeiro e Alcyr Pires Vermelho), e em 1941, <em>Canta, Brasil<\/em> (de Vermelho e David Nasser). Escolas de samba ainda hoje usam sambas exalta\u00e7\u00e3o para esquentar, antes do desfile.<\/p>\n<p>No samba brasiliense, as imagens s\u00e3o quase b\u00edblicas, citando milagre \u2013 \u201cviu a chuva de prata cair sobre a mata em favos de mel, viu as \u00e1guas cristalinas que banhavam as campinas do nosso Brasil\u201d. O destaque \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o do goiano Fernando Lopes que ainda hoje est\u00e1 na ativa dando canjas domingueiras n\u2019O Grao, bar do Lago Norte. O agudo final \u00e9um espet\u00e1culo de precis\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/youtu.be\/n3MDy17oSyg%20\">https:\/\/youtu.be\/n3MDy17oSyg%20<\/a><\/p>\n<p>O lado B mostra outro samba, <em>O Sonho de Dom Bosco<\/em>, que come\u00e7a com um toque de pistom anunciando os abrasivos metais, novamente a cargo de Pereira dos Santos, com Fernando Lopes caprichando nos vibratos. Na letra, bairrismo puro: \u201cBras\u00edlia tua voz fala mais alto, \u00e9s rainha do planalto, tens beleza sem igual. Bras\u00edlia tens um lindo horizonte, \u00e9s plan\u00edcie n\u00e3o tem montes, o teu c\u00e9u \u00e9 colossal\u201d.<\/p>\n<p>Parab\u00e9ns, Bras\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>Publicado no Correio Braziliense em 20 de abril de 2018<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bras\u00edlia d\u00e1 samba. E faz tempo; mais at\u00e9 do que os 58 anos que a cidade est\u00e1 completando. 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