{"id":416,"date":"2018-06-10T13:39:15","date_gmt":"2018-06-10T16:39:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/?p=416"},"modified":"2018-06-10T13:39:15","modified_gmt":"2018-06-10T16:39:15","slug":"o-prazer-de-matar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/o-prazer-de-matar\/","title":{"rendered":"O prazer de matar"},"content":{"rendered":"<p><strong><\/strong>O Z\u00e9 Colmeia que se cuide e d\u00ea um jeito de proteger o Catatau. A Comiss\u00e3o de Ca\u00e7a e Pesca do estado de Wyoming, Estados Unidos, aprovou a ca\u00e7a aos ursos pardos na regi\u00e3o do parque de Yellowstone \u2013 lar dos dois ursos animados \u2013 e, ironicamente, um marco na prote\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza desde a inaugura\u00e7\u00e3o em 1872. A justificativa \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o de ursos saltou de 136 para 700 em 43 anos e a esp\u00e9cie n\u00e3o corre risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-417\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/zecolmeia-300x199.jpg\" alt=\"zecolmeia\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/zecolmeia-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/zecolmeia-550x366.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/zecolmeia-230x153.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2018\/06\/zecolmeia.jpg 570w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>O urso-pardo n\u00e3o \u00e9 considerado perigoso quando h\u00e1 alimento e pode dormir, entocado, at\u00e9 sete meses por ano. Mas quem gosta de cinema desconfia: no filme <em>O Regresso<\/em> (The Revenant) Leonardo di Caprio escapou por pouco do ataque de um urso desses, que pode chegar a tr\u00eas metros de altura. La Fontaine tamb\u00e9m n\u00e3o fez um bom retrato do urso, ao mostr\u00e1-lo como amigo atrapalhado e, no caso, mortal.<\/p>\n<p>Ainda que seja feroz, n\u00e3o parece justific\u00e1vel algu\u00e9m lubrificar um rifle de grosso calibre e sair de casa para matar um bicho apenas para empalhar a cabe\u00e7a e p\u00f4r na parede. \u00c9 comportamento \u2013 assim como a persist\u00eancia do racismo \u2013 que faz duvidar se realmente a teoria evolucion\u00e1ria de Darwin faz sentido.<\/p>\n<p>Ca\u00e7adores acreditam \u2013 ou dizem acreditar \u2013 que esta \u00e9 uma forma de se integrar \u00e0 natureza e aproveitar sua beleza, mas \u00e9 claro que \u00e9 conversa para boi dormir ou urso hibernar. Quando o sujeito ca\u00e7a para comer porque adora carne de paca ou at\u00e9 de capivara, pode-se entender a motiva\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o \u00e9 o caso.<\/p>\n<p>Come-se carne de urso, especialmente na Escandin\u00e1via, mas apenas como experi\u00eancia gastron\u00f4mica, j\u00e1 que \u00e9 muito gordurosa e, segundo quem j\u00e1 comeu, enjoativa. Mas l\u00e1 tamb\u00e9m se come carne de rena \u2013 que ali\u00e1s causou revolta quando vendida em S\u00e3o Paulo, \u00e0s v\u00e9speras de um Natal, talvez por medo do Papai Noel ficar sem condu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos botequins de Curitiba h\u00e1 uma varia\u00e7\u00e3o: carne de urso \u00e9 o nome de um petisco feito com lingui\u00e7a blumenau (de porco, defumada, consist\u00eancia pastosa), maionese, azeite e cebola, tudo misturado como pat\u00ea e servido com torradas. \u00c9 uma alternativa \u00e0 carne de on\u00e7a, outro petisco curitibano, ideal para acompanhar um chopinho.<\/p>\n<p>Mas o homem n\u00e3o precisa mais ca\u00e7ar para comer ou se agasalhar. Sem entrar em discuss\u00f5es politicamente corretas, o fato de matar por prazer \u2013 afinal \u00e9 esse o bus\u00edlis \u2013 mostra que o bicho homem \u00e9 mesmo um animal diferente; o \u00fanico que mata sem motivo.<\/p>\n<p>Ainda est\u00e1 fresco na mem\u00f3ria o caso do dentista norte-americano que emboscou o le\u00e3o Cecil, no Zimb\u00e1bue, tirando-o de uma reserva animal para poder fuzilar o bicho. N\u00e3o \u00e9 o \u00fanico, h\u00e1 at\u00e9 um Safari Club International, que defende o que seriam direitos do ca\u00e7ador. E muitos brit\u00e2nicos ainda acreditam que \u2013 embora proibido atualmente \u2013 botar cachorro para correr atr\u00e1s de raposa \u00e9 esporte ou tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pessoal que tenta entender as motiva\u00e7\u00f5es humanas acredita que \u00e9 uma maneira do homem se impor \u00e0 natureza. Eu, que n\u00e3o sei nada, acho que \u00e9 estupidez mesmo.<\/p>\n<p><strong>Publicado no Correio Braziliense de 10 de junho de 2018<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Z\u00e9 Colmeia que se cuide e d\u00ea um jeito de proteger o Catatau. A Comiss\u00e3o de Ca\u00e7a e Pesca do estado de Wyoming, Estados Unidos, aprovou a ca\u00e7a aos ursos pardos na regi\u00e3o do parque de Yellowstone \u2013 lar dos dois ursos animados \u2013 e, ironicamente, um marco na prote\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza desde a inaugura\u00e7\u00e3o em 1872. 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