{"id":68,"date":"2017-09-05T18:57:42","date_gmt":"2017-09-05T18:57:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/?p=68"},"modified":"2017-09-07T18:56:23","modified_gmt":"2017-09-07T18:56:23","slug":"dylan-tem-o-que-dizer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/dylan-tem-o-que-dizer\/","title":{"rendered":"Dylan tem o que dizer"},"content":{"rendered":"<p>Em 1963, plena guerra fria, Bob Dylan lan\u00e7ou uma can\u00e7\u00e3o que dizia mais ou menos assim: \u201cVenham seus mestres da guerra\/ Voc\u00eas que constroem todas as armas\/ Voc\u00eas que constroem avi\u00f5es mortais\/ Voc\u00eas que constroem grandes bombas\/ &#8230;Eu s\u00f3 quero que saibam\/ Que eu vejo voc\u00eas atrav\u00e9s de suas m\u00e1scaras\u201d.<\/p>\n<p>Tem mais: \u201cVoc\u00eas que nunca fizeram nada, a n\u00e3o ser construir para destruir\/ Voc\u00eas brincam com o meu mundo\/ Como se ele fosse seu brinquedinho\/ Voc\u00eas p\u00f5em uma arma em minha m\u00e3o\/ E se escondem dos meus olhos\/ E se viram e correm para longe\/ Quando as balas r\u00e1pidas voam\u201d.<\/p>\n<p>A can\u00e7\u00e3o \u00e9 <em>Masters of War<\/em> (Mestres da Guerra), continua por mais 48 estrofes e \u00e9 um dos mais inteligentes libelos antibelicistas j\u00e1 produzidos. Neste momento de incerteza para o planeta, com dois malucos se co\u00e7ando para apertar bot\u00f5es nucleares, a can\u00e7\u00e3o ganha o refor\u00e7o da voz de Joan Osborne, que lan\u00e7a disco s\u00f3 com can\u00e7\u00f5es de Dylan.<\/p>\n<p><em>Songs of Bob Dylan<\/em> re\u00fane 13 can\u00e7\u00f5es do imenso cat\u00e1logo do bardo e deixa claro o respeito que Joan Osborne, tamb\u00e9m compositora, tem pela obra do colega, ainda que ofere\u00e7a abordagens originais em can\u00e7\u00f5es tantas vezes gravadas. \u201cFoi uma alegria poder cantar essas letras brilhantes. \u00c9 como um ator que recebe um grande papel. Voc\u00ea fica t\u00e3o entusiasmado em dizer essas estrofes, porque elas s\u00e3o t\u00e3o poderosas, que elevam voc\u00ea acima de si mesmo&#8221;, disse ela.<\/p>\n<p>Osborne n\u00e3o fez escolhas \u00f3bvias para o repert\u00f3rio, mesmo entre os cl\u00e1ssicos dos anos 60 e 70, onde despontam <em>Highway 61 Revisited, Rainy Day Women #12 &amp; 35 e Buckets of Rain<\/em>. Talvez a m\u00fasica mais conhecida seja <em>You Ain\u2019t Goin\u2019 Nowhere<\/em> que, como todas as demais, ganha tratamento b\u00e1sico, pr\u00f3prio para valorizar a voz e a can\u00e7\u00e3o. \u00c9 sempre tempo de ouvir Dylan, ele sempre tem o que dizer; agora, mais que nunca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1963, plena guerra fria, Bob Dylan lan\u00e7ou uma can\u00e7\u00e3o que dizia mais ou menos assim: \u201cVenham seus mestres da guerra\/ Voc\u00eas que constroem todas as armas\/ Voc\u00eas que constroem avi\u00f5es mortais\/ Voc\u00eas que constroem grandes bombas\/ &#8230;Eu s\u00f3 quero que saibam\/ Que eu vejo voc\u00eas atrav\u00e9s de suas m\u00e1scaras\u201d. 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