{"id":766,"date":"2019-11-30T19:32:33","date_gmt":"2019-11-30T22:32:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/?p=766"},"modified":"2019-11-30T19:38:16","modified_gmt":"2019-11-30T22:38:16","slug":"acidente-cosmico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/acidente-cosmico\/","title":{"rendered":"Acidente c\u00f3smico"},"content":{"rendered":"<p>O notici\u00e1rio do espa\u00e7o sideral anda quente. Um asteroide de 55 milh\u00f5es de toneladas e 340 metros de di\u00e2metro passou raspando pela Terra no \u00faltimo m\u00eas de outubro; outro corpo celeste \u2013 desta vez com 620 metros \u2013 passou perto h\u00e1 poucos dias, com uma for\u00e7a de destrui\u00e7\u00e3o de 2.700 megatons, 50 mil vezes mais poderosa que a bomba at\u00f4mica que destruiu Hiroshima. Por enquanto, vamos nos esquivando.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a Nasa desenvolve uma nave para atingir um asteroide e saber se o choque ser\u00e1 capaz de mudar o curso da rocha Didymos B. \u00c9 um teste para o caso de uma amea\u00e7a real ao planeta. Mas pode ser tarde: a mesma Nasa afirma que no dia 6 de maio de 2022 o asteroide JF1 pode carambolar o nosso planeta, com a for\u00e7a de algumas bombas at\u00f4micas.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 hora de dizer adeus e, como n\u00e3o h\u00e1 muito o que fazer daqui de baixo, o neg\u00f3cio \u00e9 relaxar. O fim do mundo \u00e9 tema recorrente especialmente no cinema. Roteiristas e diretores buscam todo tipo de desgra\u00e7a para cumprir a profecia do livro de Jo\u00e3o, quando anjos derramam ta\u00e7as sobre a terra, trazendo a ira de Deus em sete etapas.<\/p>\n<p>Na m\u00fasica, a situa\u00e7\u00e3o encontra imagens diversas; otimistas, como Nelson Cavaquinho em <em>Ju\u00edzo Final<\/em>, de 1973 (\u201cO sol h\u00e1 de brilhar mais uma vez\/ A luz h\u00e1 de chegar aos cora\u00e7\u00f5es\/ Do mal ser\u00e1 queimada a semente\/ O amor ser\u00e1 eterno novamente \u201c) \u00e0s mais pessimistas, como Roberto Carlos em <em>Apocalipse<\/em>, de 1986 (&#8220;Perto do fim do mundo\/\u00a0&#8230; Muitos n\u00e3o querem ver\/\u00a0Mentes em eclipse\/\u00a0Mas tudo est\u00e1 escrito\/\u00a0No Apocalipse&#8221;).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 exclusividade nacional. Os roqueiros ingleses do Muse s\u00e3o fatalistas em <em>Apocalipse Please<\/em>, de 2003: &#8220;Isso \u00e9 o fim\/ O fim\/ Isso \u00e9 o fim do mundo\/ &#8230;Vamos, \u00e9 hora de algo b\u00edblico&#8221;. Skeeter Davis, em <em>The End of the World<\/em>, de 1962, \u00e9 mais rom\u00e2ntica: \u201cPorque o sol continua brilhando\/ Eles n\u00e3o sabem que o mundo acabou?\/ Terminou quando perdi seu amor\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 abordagens que beiram o absurdo, como <em>A Moda do Fim do Mundo<\/em>, de Rolando Boldrin e Tom Z\u00e9 (1993) \u2013 \u201cNesse dia a gente tem que resolver\/ Que n\u00f3s temos que esconder\/<br \/>\nAquele galo bolinha\/ Pra dispois do fim do mundo a gente ter\/ Um macho pras galinhas\u201d. Ou pragm\u00e1ticas: \u201cO que voc\u00ea faria se s\u00f3 te restasse esse dia\/ Andava pelado na chuva\/ Corria no meio da rua\/ Entrava de roupa no mar\/ Trepava sem camisinha\u201d, de Paulinho Mosca em <em>O \u00daltimo Dia<\/em>, de 1995.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Carmen Miranda - E o mundo n\u00e3o se acabou.wmv\" width=\"1333\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/abVNWgeonOY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Mas ningu\u00e9m superou Assis Valente que, em 1934, narrou a frustra\u00e7\u00e3o de ver que a vida continuava igual em <em>E o Mundo N\u00e3o se Acabou<\/em>, gravada por Carmem Miranda: \u201cBeijei a boca de quem n\u00e3o devia\/ Peguei na m\u00e3o de quem n\u00e3o conhecia\/ Dancei um samba em traje de mai\u00f4\/ E o tal do mundo n\u00e3o se acabou\u201d.<\/p>\n<p>O \u00fanico consolo \u00e9 que o Rel\u00f3gio do Apocalipse, criado h\u00e1 72 anos por cientistas at\u00f4micos, est\u00e1 perto da meia-noite, mas ainda n\u00e3o bateu.<\/p>\n<p><strong>Publicado no Correio Braziliense em 29 de novembro de 2019<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O notici\u00e1rio do espa\u00e7o sideral anda quente. 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