{"id":85,"date":"2017-09-07T19:29:36","date_gmt":"2017-09-07T19:29:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/?p=85"},"modified":"2017-09-07T19:41:30","modified_gmt":"2017-09-07T19:41:30","slug":"cronicas-revistas-o-perigo-vem-do-alto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/paulopestana\/cronicas-revistas-o-perigo-vem-do-alto\/","title":{"rendered":"CR\u00d4NICAS REVISTAS: Abaixo o Peixe Vivo"},"content":{"rendered":"<p>O mundo \u00e9 cheio de m\u00fasica chata. Mas, pode procurar, nenhuma bate o tal do <em>Peixe Vivo,\u00a0<\/em>uma toada mineira que s\u00f3 resiste porque algu\u00e9m teve a pachorra de dizer que era a m\u00fasica favorita do fundador, JK. Nem isso era.<\/p>\n<p>Se no princ\u00edpio era o ermo, escreveu Vinicius, entre um e outro pio de siriema havia espa\u00e7o para m\u00fasica nas primeiras madrugadas brasilienses. Melhorou quando a R\u00e1dio Nacional foi inaugurada, trazendo artistas consagrados que, depois de cantar para o \u00e9ter, iam ao Catetinho.<\/p>\n<p>Mas a emissora fez o pr\u00f3prio cast, importando artistas. Aqui surge o nosso personagem: nessa leva, h\u00e1 60 anos, que chegou Fernando Lopes, goiano de Piracanjuba, que estava vivendo em Inhumas \u2013 onde a noite era mais animada, explica.<\/p>\n<p>Cantor de boleros, Lopes conseguiu rapidamente espa\u00e7o na emissora, quando ouviu o maestro Isaac Colman pedir que vestisse uma roupinha melhor no dia seguinte. \u201cVoc\u00ea vai cantar para o meu compadre\u201d, disse.<\/p>\n<p>Mais alinhado que o normal, entrou na Kombi da emissora, onde j\u00e1 estavam o maestro e quatro m\u00fasicos. A poeira n\u00e3o deixava ver para onde estavam indo e ningu\u00e9m ousava perguntar; quando pararam, viram o Catetinho.<\/p>\n<p>Num canto estava o violonista Dilermando Reis; ao lado, o caboclinho Silvio Caldas. Mas o abusado Fernando s\u00f3 tremeu nas pernas quando foi apresentado ao presidente \u2013 o tal compadre do maestro. \u2013 \u201cEle canta aquelas m\u00fasicas que voc\u00ea gosta\u201d, disse Colman a JK.<\/p>\n<p>E diante da seleta plateia, deu seu recado. Um bolero atr\u00e1s do outro \u2013 <em>La Barca, Contigo em la Distancia,<\/em> <em>Perf\u00eddia<\/em>&#8230; Mas Fernando Lopes ainda tinha um \u00e1s na manga. Algu\u00e9m havia lhe dito que o presidente gostava de <em>Granada<\/em>, velha e dram\u00e1tica can\u00e7\u00e3o mexicana que favorece timbres fortes e extensos. E encerrou sua apresenta\u00e7\u00e3o com ela.<\/p>\n<p>O presidente adorou e pediu bis; ali\u00e1s, v\u00e1rios. O cantor virou <em>habitu\u00ea<\/em> e a rela\u00e7\u00e3o entre os dois ficou cada vez mais pr\u00f3xima, para desgosto de dona Sarah, que reclamava: \u201cEsse rapazinho leva Non\u00f4 pra perdi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Seis d\u00e9cadas depois, Fernando Lopes mant\u00e9m a voz firme que encantou o presidente. Aos 85 anos \u00e9 presen\u00e7a constante na roda musical do Bar do Grao, no \u00faltimo com\u00e9rcio da pista do Lago Norte, nas noites dominicais. Vai para conversar, mas acaba cantando. N\u00e3o mais para o presidente, mas para a plebe, que tamb\u00e9m pede bis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo \u00e9 cheio de m\u00fasica chata. Mas, pode procurar, nenhuma bate o tal do Peixe Vivo,\u00a0uma toada mineira que s\u00f3 resiste porque algu\u00e9m teve a pachorra de dizer que era a m\u00fasica favorita do fundador, JK. Nem isso era. 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