{"id":57,"date":"2018-09-10T00:42:11","date_gmt":"2018-09-10T00:42:11","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/?p=57"},"modified":"2018-11-03T21:07:03","modified_gmt":"2018-11-03T21:07:03","slug":"falta-de-creches-atrapalha-carreira-das-maes-trabalhadoras-e-o-desenvolvimento-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/2018\/09\/10\/falta-de-creches-atrapalha-carreira-das-maes-trabalhadoras-e-o-desenvolvimento-do-pais\/","title":{"rendered":"Falta de creches atrapalha a carreira das m\u00e3es trabalhadoras e o desenvolvimento do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-content mgt-xlarge\">\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: left\">Sem acesso a rede p\u00fablica universalizada de cuidados para crian\u00e7as de at\u00e9 3 anos, as trabalhadoras com filhos pequenos sofrem uma s\u00e9rie de exclus\u00f5es no mercado corporativo, o que prejudica a inser\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento profissional feminino.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: left\">A oferta de creches gratuitas e de qualidade tem tudo a ver com o desenvolvimento profissional, social e econ\u00f4mico do pa\u00eds. A falta de local para deixar as crian\u00e7as atrapalha, ou at\u00e9 impede, que trabalhadores com filhos pequenos \u2014 majoritariamente mulheres, pois s\u00e3o elas as que mais se responsabilizam pela prole \u2014 se insiram, se mantenham e avancem no mercado. \u201c\u00c9 preciso ter creche p\u00fablica de qualidade para todos. Assim, as crian\u00e7as se desenvolvem melhor e as m\u00e3es continuam suas trajet\u00f3rias profissionais. Todo mundo sai ganhando: com mais mulheres trabalhando, a economia cresce\u201d, calcula Bia N\u00f3brega, psic\u00f3loga pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) com mais de 19 de anos de experi\u00eancia em recursos humanos. \u201cExiste uma rela\u00e7\u00e3o direta entre creche e carreira e, claramente, as m\u00e3es s\u00e3o as que mais sofrem com a falta disso\u201d, afirma Ang\u00e9lica Guidoni, s\u00f3cia da consultoria Trajeto RH. O problema atinge todas as camadas sociais, mas \u00e9 mais cruel com as mais pobres.<\/p>\n<div class=\"entry-content mgt-xlarge\">\n<p>\u201cAs que t\u00eam melhores condi\u00e7\u00f5es financeiras ainda podem pensar e avaliar onde deixar os filhos, com uma bab\u00e1 ou numa creche particular, por exemplo. T\u00eam mais possibilidades de se colocarem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para uma promo\u00e7\u00e3o\u201d, pondera a coach e psic\u00f3loga. \u201cJ\u00e1 as que n\u00e3o podem arcar com os custos desse tipo de servi\u00e7o ficam numa situa\u00e7\u00e3o muito limitada\u201d, compara. As op\u00e7\u00f5es que sobram n\u00e3o s\u00e3o as melhores, mas \u00e9 preciso arranjar caminhos. \u201cNos bairros mais humildes, existem mulheres que cuidam de quatro a cinco crian\u00e7as. Outra possibilidade \u00e9 uma rede de vizinhos: um fica com as crian\u00e7as hoje, outro depois\u201d, exemplifica Bia N\u00f3brega. No entanto, dificilmente, a m\u00e3e conseguir\u00e1 sair para trabalhar totalmente tranquila com o bem-estar da crian\u00e7a nesses casos.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-67\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/2-1.jpg\" alt=\"2\" width=\"750\" height=\"645\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/2-1.jpg 750w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/2-1-300x258.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/2-1-550x473.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/2-1-230x198.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"entry-content mgt-xlarge\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Deficit de vagas<\/strong><br \/>\nEscritora, palestrante e pesquisadora do universo feminino, Alice Schuch afirma que \u201ca oferta de creches \u00e9 um dos maiores ganhos que o governo pode proporcionar \u00e0s mulheres, j\u00e1 que a aus\u00eancia dessa estrutura, agrava muit\u00edssimo o problema do feminino\u201d. A melhor maneira de criar um filho saud\u00e1vel, explica Alice, doutora em educa\u00e7\u00e3o e g\u00eaneros pela Universidad de Desarrollo Sustentable, do Paraguai, \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o da m\u00e3e. \u201cSe ela for frustrada por causa das dificuldades de ter uma carreira, muito provavelmente passar\u00e1 isso para a crian\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E se o pa\u00eds quiser investir nas pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es, precisa fazer isso desde cedo, nas creches, que devem ser desenvolvidas em termos de qualidade e quantidade, algo que ainda est\u00e1 longe de sair do papel. Uma das metas do Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (PNE) \u00e9 colocar, pelo menos, 50% das crian\u00e7as de at\u00e9 3 anos em creches. O primeiro prazo estabelecido para cumprir o objetivo n\u00e3o foi cumprido e, ent\u00e3o, adiado para 2024.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Existem mais de 11,8 milh\u00f5es de crian\u00e7as de 0 a 3 anos no pa\u00eds segundo dados de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). No entanto, h\u00e1 apenas 3,1 milh\u00f5es de matr\u00edculas em creches nessa faixa et\u00e1ria, de acordo com as Sinopses Estat\u00edsticas da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica de 2017, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep). O Inep n\u00e3o coleta dados de deficit de vagas, mas fazendo a correla\u00e7\u00e3o com os n\u00fameros populacionais, apenas 26% das crian\u00e7as frequentam creches nos tr\u00eas primeiros anos de vida. \u201cNo ritmo atual, n\u00e3o alcan\u00e7aremos a meta nem com investimentos. Num momento de conten\u00e7\u00e3o de despesas, isso se agrava ainda mais\u201d, lamenta Heloisa Oliveira, administradora executiva da Funda\u00e7\u00e3o Abrinq.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Fam\u00edlias de tr\u00eas regi\u00f5es do DF comentam o impacto da falta de creches<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy alignnone size-full wp-image-31\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/2.jpg\" alt=\"2\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/2.jpg 750w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/2-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/2-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/2-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><strong><em>Aecione vive com seis filhos, o mais novo com 2 anos. Sem vaga em uma unidade p\u00fablica,\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>ela n\u00e3o consegue trabalhar<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Aecione Pinto de Lira, 45 anos, teve 12 filhos, dos quais seis vivem com ela e o marido, carroceiro, em Planaltina. A fam\u00edlia nunca conseguiu apoio de creches. Sem outros parentes no Distrito Federal, a pernambucana que cresceu em S\u00e3o Paulo n\u00e3o trabalha e fica em casa para cuidar, especialmente, do ca\u00e7ula, de 2 anos, mas tamb\u00e9m dos demais, que t\u00eam 7, 9, 11, 12 e 16 anos e frequentam a escola. O primog\u00eanito, que n\u00e3o mora mais com ela, tem 31 anos. \u201cCom o fato de n\u00e3o ter creche, voc\u00ea n\u00e3o consegue nem correr atr\u00e1s de arrumar servi\u00e7o. \u00c9 muita falta de responsabilidade do governo\u201d, queixa-se. Nas ocasi\u00f5es em que procurou trabalho, sentiu o preconceito dos empregadores. \u201cDizem que crian\u00e7a atrapalha, t\u00eam medo de que a gente fique saindo para ir \u00e0 reuni\u00e3o de escola\u2026\u201d Aecione \u00e9 benefici\u00e1ria do Bolsa Fam\u00edlia e complementa a renda como revendedora de produtos de venda direta. \u201cEu sempre fiz faxina tamb\u00e9m, mas, depois que o menino mais novo nasceu, parei. Ap\u00f3s o parto dele, minha sa\u00fade n\u00e3o ficou bem\u201d, conta ela, que tem n\u00edvel fundamental incompleto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy alignnone size-full wp-image-32\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/4.jpg\" alt=\"4\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/4.jpg 750w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/4-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/4-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/4-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><strong><em>Silvana est\u00e1 satisfeita por ter encontrado algu\u00e9m de confian\u00e7a para cuidar da filha<\/em><\/strong><br \/>\nA enfermeira Silvana Alves dos Santos, 32 anos, terminou o curso na Universidade Cat\u00f3lica de Bras\u00edlia (UCB) em junho e, desde ent\u00e3o, procura emprego. Ela tamb\u00e9m faz p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em urg\u00eancia e emerg\u00eancia. Nunca conseguiu creche p\u00fablica e, h\u00e1 algum tempo, deixa a filha, de 1 ano e seis meses, na casa de uma mulher que \u00e9 paga para cuidar de tr\u00eas crian\u00e7as nos Jardins Mangueiral. \u201cEla j\u00e1 ficava l\u00e1 para eu poder estudar e continuou. S\u00e3o R$ 400 por m\u00eas, e ela fica das 7h \u00e0s 15h\u201d, revela. No come\u00e7o, Silvana e o marido, que \u00e9 mec\u00e2nico numa empresa de ve\u00edculos a diesel, contrataram uma pessoa para ficar na casa deles. \u201cEra uma conhecida, mas ela teve de sair para fazer tratamentos de sa\u00fade\u201d, diz. Foi ent\u00e3o que ela come\u00e7ou a procurar creches. \u201cFoi muito dif\u00edcil, as que eu achava eram muito caras. At\u00e9 que recebi a recomenda\u00e7\u00e3o de uma mais em conta, onde coloquei minha filha.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A experi\u00eancia durou pouco, porque o estabelecimento mudou para S\u00e3o Sebasti\u00e3o, ent\u00e3o, se tornou contram\u00e3o para a fam\u00edlia. \u201cA gente sonha em conseguir uma boa creche p\u00fablica. Isso fica na cabe\u00e7a da m\u00e3e. Quando voc\u00ea n\u00e3o consegue, isso gera preocupa\u00e7\u00e3o e frustra\u00e7\u00e3o. A creche d\u00e1 mais confian\u00e7a do que deixar com uma pessoa estranha seu bem mais precioso\u201d, diz ela, que j\u00e1 trabalhou como operadora de caixa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy alignnone size-full wp-image-33\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/3.jpg\" alt=\"3\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/3.jpg 750w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/3-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/3-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/3-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em><strong>Sirlene tem dois netos, um de 11 meses e um de 2 anos. Sem creche, a filha Sabrina tem dificuldade de encontrar emprego<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A casa de Sirlene Alves de Deus, 39 anos, na Cidade Estrutural, abriga o namorado, os dois filhos e os dois netos dela. \u201cEu sou a \u00fanica que trabalha. Meu namorado faz bico, \u00e9 percussionista e toca aos fins de semana. O grosso das contas sou eu quem pago\u201d, conta a empregada dom\u00e9stica. \u201cMeu expediente \u00e9 de segunda a s\u00e1bado.\u201d Os filhos, Gabriel, 20, e Sabrina Hemily, 17, n\u00e3o estudam nem trabalham. Cada um tem um filho: respectivamente, Miguel, de 11 meses, e Pedro Henrique, de 2 anos. A fam\u00edlia n\u00e3o conta com creche para nenhum deles e, apesar de esse n\u00e3o ser o \u00fanico fator causador, isso dificulta a inser\u00e7\u00e3o profissional e os estudos. \u201cA Sabrina nunca trabalhou, com ou sem carteira assinada, mas est\u00e1 procurando emprego. O Gabriel vendia balinha e jujuba no sinal quando era mais novo. Depois que ficou de maior, nunca procurou servi\u00e7o. Os dois abandonaram os estudos.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sirlene acredita que, com creche, a situa\u00e7\u00e3o seria melhor para as crian\u00e7as e toda a fam\u00edlia. \u201cFica complicado sem isso, porque eu sustento a casa e n\u00e3o tenho como deixar de trabalhar para cuidar dos meninos. Ganho um sal\u00e1rio m\u00ednimo, se for pagar uma particular, n\u00e3o teremos o que comer\u201d, desabafa a baiana, que mora no DF desde 1993. \u201cQuem cria o Pedro Henrique mesmo sou eu. A m\u00e3e mora perto, mas n\u00e3o ajuda. Durante o dia, quem mais cuida dele \u00e9 meu namorado\u201d, diz. \u201cCom certeza. Meu sonho \u00e9 que todos eles trabalhem, at\u00e9 para ajudar a construir a casa. O muro e o banheiro s\u00e3o de tijolos, mas o resto \u00e9 barraco de madeirite.\u201d O local n\u00e3o conta com rede de esgoto nem \u00e1gua encanada, e a rua n\u00e3o \u00e9 asfaltada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sabrina Hemily completa 18 anos em outubro e passa os dias dividida entre cuidar de Miguel e procurar emprego. A creche mudaria muita coisa na minha vida, especialmente para poder procurar servi\u00e7o e voltar a estudar.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A car\u00eancia de creches no pa\u00eds, segundo especialistas<\/strong><\/p>\n<h3>Vagas s\u00f3 para quem pode pagar<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy alignnone size-full wp-image-34\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/6.jpg\" alt=\"6\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/6.jpg 750w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/6-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/6-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/6-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNossa maior preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao acesso \u00e0 creche \u00e9 que v\u00e1rios estudos mostram que as crian\u00e7as que pertencem \u00e0s fam\u00edlias de mais baixa renda s\u00e3o as que est\u00e3o fora delas\u201d, alerta Beatriz Abuchaim (foto), gerente de Conhecimento Aplicado da Funda\u00e7\u00e3o Maria Cecilia Souto Vidigal (FMCSV), que tem como foco a defesa da primeira inf\u00e2ncia. Ou seja, s\u00e3o as m\u00e3es desempregadas e em mais complicada situa\u00e7\u00e3o financeira que n\u00e3o contam com esse apoio. \u201cN\u00e3o falta vaga para quem pode pagar. Falta para quem n\u00e3o pode. No DF, onde tem muito servidor p\u00fablico e pessoas com renda mais alta, a maior parte das matr\u00edculas \u00e9 na rede particular. Pouco mais de 1% \u00e9 de fato da rede p\u00fablica\u201d, completa Heloisa Oliveira, da Abrinq. A colega dela Denise Cesario, gerente executiva da Funda\u00e7\u00e3o Abrinq, observa que a falta de acesso pode gerar muitos riscos. \u201cQuando se deixa a crian\u00e7a com um amigo, um vizinho, at\u00e9 um parente, al\u00e9m de n\u00e3o receber est\u00edmulos adequados, ela pode estar sujeita a outros perigos, como o de n\u00e3o ser bem cuidada, de ser violentada.\u201d O que n\u00e3o quer dizer, necessariamente, que o atendimento seja adequado em todas as creches.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cUm dado preocupante \u00e9 que as crian\u00e7as mais vulner\u00e1veis, que v\u00eam de um lar estressor, com pais menos educados, est\u00e3o fora da creche ou, em algumas regi\u00f5es do pa\u00eds, est\u00e3o em creches muito ruins\u201d, alerta a psic\u00f3loga, mestre e doutora em educa\u00e7\u00e3o Beatriz Abuchaim. A boa qualidade da educa\u00e7\u00e3o infantil (que inclui creche e pr\u00e9-escola) pode trazer um impacto muito positivo, que perdurar\u00e1 por toda a vida. \u201cAo mesmo tempo, em ambientes sem intera\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o sejam estimulantes, a gente n\u00e3o v\u00ea esse avan\u00e7o e, \u00e0s vezes, h\u00e1 at\u00e9 preju\u00edzos\u201d, pondera. \u201cNo caso das m\u00e3es trabalhadoras, esse atendimento \u00e9 uma necessidade, ent\u00e3o a gente tem de lutar para que ele seja bom.\u201d Arranjar um jeito de medir a qualidade das creches, inclusive, \u00e9 algo em que a FMCSV tem trabalhado. Atualmente, os indicadores do governo levam em conta basicamente a estrutura f\u00edsica, como a presen\u00e7a de ber\u00e7\u00e1rio, parquinho, banheiro infantil. Eduardo Marino, diretor de Conhecimento Aplicado da Funda\u00e7\u00e3o, observa que o objetivo \u00e9 tornar poss\u00edvel medir tamb\u00e9m a qualidade das intera\u00e7\u00f5es e dos est\u00edmulos feitos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Peso cai sempre nos ombros da m\u00e3e<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy alignnone size-full wp-image-35\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/5.jpg\" alt=\"5\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/5.jpg 750w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/5-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/5-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/5-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Brasil e na maior parte dos pa\u00edses, fica com as m\u00e3es a responsabilidade principal pela crian\u00e7a. \u201c\u00c9 muito raro o pai faltar ao trabalho para levar o filho ao m\u00e9dico. Isso \u00e9 muito ruim, porque a sobrecarga \u00e9 tremenda. O empregador obviamente sabe disso e entende que a mulher ter\u00e1 mais chance de se ausentar da empresa por causa da crian\u00e7a\u201d, aponta Bia N\u00f3brega.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEm muitos casos, a pr\u00f3pria m\u00e3e n\u00e3o pleiteia uma vaga ou desafio profissional por entender que ficaria dif\u00edcil por causa dos filhos. Dar um jeito significaria colocar o pai na jogada, o que gera desgaste. Ent\u00e3o, ela se barra\u201d, percebe Ang\u00e9lica Guidoni (foto), que tem experi\u00eancia de consultoria de RH em empresas de m\u00e9dio e grande porte, nacionais e multinacionais. Frente \u00e0s dificuldades de conciliar filhos pequenos e carreira sem creches para todos, n\u00e3o s\u00f3 as pr\u00f3prias mulheres se privam de oportunidades, como tamb\u00e9m os chefes t\u00eam o costume de escolher por elas. Eles n\u00e3o chegam nem a ofertar chances (de promo\u00e7\u00e3o ou viagem, por exemplo) \u00e0s profissionais. \u201cOs gestores pensam: \u2018Fulana tem filho pequeno, portanto, n\u00e3o pode\u2019. S\u00f3 que, \u00e0s vezes, esse cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 real, a trabalhadora daria um jeito. Falta dar a chance de ela decidir.\u201d Fen\u00f4meno an\u00e1logo se repete nas sele\u00e7\u00f5es de emprego.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Ang\u00e9lica, a falta de universaliza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de creche, aliada \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o das tarefas dom\u00e9sticas e familiares apenas nas trabalhadoras, est\u00e1 por tr\u00e1s da desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho. \u201cA profissional tem menos tempo para construir networking. Em vez de sair com os colegas para um happy hour, onde poderia encontrar algu\u00e9m da dire\u00e7\u00e3o, volta para casa e para os filhos depois do expediente\u201d, diz. \u201cEsse empobrecimento das rela\u00e7\u00f5es \u00e9 supercr\u00edtico para o desenvolvimento da carreira e faz com que elas sejam menos cotadas para cargos de chefia. Um reflexo da falta de creche e tamb\u00e9m da falta da paternagem ativa\u201d, comenta Ang\u00e9lica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Dividir responsabilidades<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy alignnone size-full wp-image-36\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/7.jpg\" alt=\"7\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/7.jpg 750w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/7-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/7-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/7-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para pleitearem vagas de emprego com serenidade e confian\u00e7a, as mulheres precisam entender que n\u00e3o est\u00e3o s\u00f3s. E num contexto em que h\u00e1 cada vez menos senso de sociedade e paternidade com rela\u00e7\u00e3o ao cuidado com as crian\u00e7as, isso se torna muito dif\u00edcil sem creches. \u201cN\u00e3o foi \u00e0 toa que a humanidade come\u00e7ou em tribo. Os filhos eram da tribo, n\u00e3o s\u00f3 da mulher. \u00c9 complexo ter um filho s\u00f3 para voc\u00ea e ser o \u00fanico respons\u00e1vel num mundo masculinizado, onde a maternidade \u00e9 o auge do feminino\u201d, afirma Ang\u00e9lica Guidoni, especialista em constela\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas pela Faybel. A subsecret\u00e1ria de Promo\u00e7\u00e3o de Pol\u00edticas para Crian\u00e7as e Adolescentes do Distrito Federal, Perla Ribeiro (foto), chama a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia de desvincular a imagem do zelo e da cria\u00e7\u00e3o de filhos como algo exclusivo da m\u00e3e, at\u00e9 porque ela n\u00e3o os gera sozinha. \u201cCuidar das nossas crian\u00e7as n\u00e3o \u00e9 (ou n\u00e3o deve ser) o cuidado de um s\u00f3. \u00c9 preciso de uma rede em que cada pessoa tem o seu papel. O pai \u00e9 muito importante para o desenvolvimento infantil, complementando o trabalho da companheira\u201d, destaca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os comportamentos atuais geram, na maior parte das mulheres, a sensa\u00e7\u00e3o de desamparo, a ideia de que precisam dar conta de tudo sozinhas. Perla salienta o papel social e do Estado para amenizar essas situa\u00e7\u00f5es. \u201cA crian\u00e7a tem de ter o cuidado da fam\u00edlia \u2014 e pensando de modo extenso, de todos os membros. Mas tamb\u00e9m \u00e9 responsabilidade do Estado e da sociedade cuidar da crian\u00e7a, garantindo-lhe direitos b\u00e1sicos e fundamentais, como vida, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, espa\u00e7os l\u00fadicos. Precisamos resgatar princ\u00edpios comunit\u00e1rios de cuidado com o outro\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Primeira inf\u00e2ncia<\/h3>\n<p><strong><em>OEI seleciona tr\u00eas munic\u00edpios para projeto-piloto<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Atenta aos cuidados necess\u00e1rios \u00e0 primeira inf\u00e2ncia, a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Ibero-americanos (OEI) planeja criar projetos de acolhimento para crian\u00e7as de zero a tr\u00eas anos de idade. \u201cDentre as prioridades, est\u00e3o a gest\u00e3o pedag\u00f3gica e administrativa, al\u00e9m da gest\u00e3o de projetos de infraestrutura\u201d, adiantou o diretor da OEI, Raphael Callou. \u201cDiscutir solu\u00e7\u00f5es na primeira inf\u00e2ncia pode transformar o pa\u00eds\u201d, acrescentou o presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o (FNDE), S\u00edlvio Pinheiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Presente na abertura do semin\u00e1rio Di\u00e1logos da Ibero-Am\u00e9rica: Primeira Inf\u00e2ncia, ocorrido na \u00faltima quarta-feira (5), Silvio Pinheiro ressaltou que a iniciativa da OEI de discutir solu\u00e7\u00f5es para a primeira inf\u00e2ncia \u00e9 mais do que necess\u00e1ria. Segundo S\u00edlvio Pinheiro, a gest\u00e3o atual do FNDE encontrou obras inacabadas por conta de dificuldades legais de prorroga\u00e7\u00e3o de prazos. \u201cTrabalhamos por oito meses com o TCU e CGU, buscando uma nova regulamenta\u00e7\u00e3o que permitisse que estados e munic\u00edpios repactuassem com o FNDE, para ganhar prazo e concluir creches em constru\u00e7\u00e3o. Com isso, reduzimos o n\u00famero de obras inacabadas e ampliamos os prazos das que est\u00e3o em andamento.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>16 mil crian\u00e7as de at\u00e9 3 anos est\u00e3o na fila por creche p\u00fablica no DF<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy alignnone size-full wp-image-37\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/8.jpg\" alt=\"8\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/8.jpg 750w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/8-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/8-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2018\/09\/8-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de aumento de cerca de 6 mil vagas desde 2015, no momento, cerca 16 mil crian\u00e7as de at\u00e9 3 anos est\u00e3o na fila por vaga em creche p\u00fablica no DF, segundo a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Distrito Federal (Seedf). Na faixa et\u00e1ria de 4 a 5 anos, n\u00e3o h\u00e1 demanda reprimida por pr\u00e9-escola. Entre as 29 mil crian\u00e7as que frequentam creches no Distrito Federal, a maioria (28.101) o faz na rede particular, com base nas Sinopses Estat\u00edsticas da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica de 2017 do Inep. As 1.004 que usam o servi\u00e7o p\u00fablico est\u00e3o matriculadas em 18 unidades do governo. Em nota enviada por e-mail, a Seedf informou que \u201cconta com 14 creches p\u00fablicas, 50 centros de ensino de primeira Inf\u00e2ncia (Cepis) e 58 institui\u00e7\u00f5es conveniadas, atendendo 15.287 crian\u00e7as de 0 a 3 anos e 47.203 de 4 a 5 anos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 na rede particular, de acordo com a pasta, s\u00e3o 319 unidades, com 15.944 crian\u00e7as de 0 a 3 anos e 19.849 estudantes de 4 a 5 anos. As diverg\u00eancias entre os n\u00fameros da secretaria e os do Inep se devem ao fato de a pasta distrital usar como base o Censo Escolar do DF. H\u00e1 tamb\u00e9m diferen\u00e7as na interpreta\u00e7\u00e3o dos dados. As redes conveniadas citadas pela Secretaria s\u00e3o formadas por institui\u00e7\u00f5es privadas. O n\u00famero de creches p\u00fablicas aparece como 18 nas informa\u00e7\u00f5es do Inep, porque o \u00f3rg\u00e3o considerou unidades do tipo e tamb\u00e9m quatro escolas, em Samambaia e em S\u00e3o Sebasti\u00e3o, que oferecem turmas de creche.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Durante o Semin\u00e1rio Di\u00e1logos da Ib\u00e9ro-Am\u00e9rica: Primeira Inf\u00e2ncia, promovido na \u00faltima quarta-feira pela Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Ibero-americanos (OEI), a primeira-dama do DF, M\u00e1rcia Helena Rollemberg, disse que o o atual governo construiu 27 creches e t\u00eam mais tr\u00eas para serem inauguradas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>A contribui\u00e7\u00e3o das empresas<\/h3>\n<p>Na percep\u00e7\u00e3o de Bia N\u00f3brega, \u00e9 cada vez mais comum que os empregadores se preocupem com as condi\u00e7\u00f5es de qualidade de vida das m\u00e3es, j\u00e1 que isso afeta o trabalho. O benef\u00edcio mais comumente oferecido \u00e9 o aux\u00edlio creche. S\u00e3o poucas as firmas que contam com ber\u00e7\u00e1rio ou creche no ambiente corporativo. \u201cA possibilidade de home office tamb\u00e9m tem sido mais frequente.\u201d A valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade, acredita ela, est\u00e1 em alta \u201cAs empresas est\u00e3o se dando conta de que, ao abrir m\u00e3o de ter m\u00e3es na for\u00e7a de trabalho, abrem m\u00e3o de melhores resultados\u201d, diz. Ang\u00e9lica Guidoni, da Trajeto RH, observa, por\u00e9m, que isso est\u00e1 mais no discurso do que na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA gente ouve falar mais em equidade, mas n\u00e3o h\u00e1 a\u00e7\u00f5es novas\u201d, aponta. Para Alice Schuch, h\u00e1 at\u00e9 retrocessos. \u201cAs empresas valorizam diversidade e se interessam pelo bem-estar dos funcion\u00e1rios, mas, com o atual n\u00edvel de desemprego, poucas est\u00e3o fazendo algo de fato para dar mais apoio \u00e0s m\u00e3es\u201d, avalia. O resultado \u00e9 que as firmas acabam perdendo talentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Falta de op\u00e7\u00f5es leva ao trabalho aut\u00f4nomo<\/h3>\n<p>Pesquisa do site de empregos Catho com 5.120 pessoas revelou que a quantidade de mulheres que chegam a deixar o trabalho (30%) ap\u00f3s a chegada dos filhos \u00e9 cerca de quatro vezes maior que a de homens (7%). Entre as entrevistadas, 8% conseguiram retomar a carreira em at\u00e9 seis meses, enquanto 31% levaram mais de tr\u00eas anos ou n\u00e3o retornaram. Entre os pais com hiato na carreira por causa dos filhos, 33% voltam ao mercado em menos de um semestre. Entre as m\u00e3es que ingressaram em empresas ap\u00f3s essa pausa, 60% avaliam as perspectivas profissionais como ruins ou p\u00e9ssimas. As creches (ou a falta delas) t\u00eam tudo a ver com esses resultados. Em certos casos, o cuidado infantil sai t\u00e3o caro que pagar por uma creche n\u00e3o compensa dependendo do sal\u00e1rio. \u201cTendo em vista o que gastavam para ir e vir e ainda custear creche, n\u00e3o s\u00e3o poucas as que param de trabalhar por perceberem que \u00e9 mais vantajoso, analisando at\u00e9 a qualidade de vida e a seguran\u00e7a do filho\u201d, diz Ang\u00e9lica Guidoni.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA qualidade das creches anda muito ruim tamb\u00e9m, ent\u00e3o, considerando tudo isso, n\u00e3o \u00e9 raro a m\u00e3e ficar insegura e \u2018preferir\u2019 ela mesma cuidar\u201d, observa. \u201cE n\u00e3o \u00e9 que a mulher n\u00e3o possa ser dona de casa. O problema \u00e9 quando ela se sente obrigada a isso por n\u00e3o ter com quem deixar o filho\u201d, completa Alice Schuch, mestre em educa\u00e7\u00e3o pela Universidad del Mar, no Chile. \u201cE se ela fica muito tempo afastada do mercado, fica bastante dif\u00edcil voltar.\u201d Em casa, bicos ou trabalho aut\u00f4nomo s\u00e3o as possibilidades que surgem para n\u00e3o ficar totalmente parada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Planejamento familiar<\/h3>\n<p>A necessidade de creche \u00e9 ainda mais gritante em casos de gravidez na adolesc\u00eancia, em que a m\u00e3e precisa de um estabelecimento do tipo n\u00e3o s\u00f3 para trabalhar, mas tamb\u00e9m para prosseguir os estudos. Quando essa situa\u00e7\u00e3o acontece aliada a problemas financeiros, os desafios se agigantam. A superintendente do Instituto da Inf\u00e2ncia (Ifan), Luzia Laffite, sugere que os governos, especialmente os locais, em n\u00edvel municipal e distrital, adotem postura menos passiva com rela\u00e7\u00e3o a isso. \u201cA rede formal de apoio tem condi\u00e7\u00f5es de fazer o mapeamento de m\u00e3es e fam\u00edlias de risco (n\u00e3o s\u00f3 por gravidez na adolesc\u00eancia, mas tamb\u00e9m outras situa\u00e7\u00f5es)\u201d, afirma. \u201c\u00c9 preciso fazer busca ativa desse grupo. \u00c0s vezes, s\u00e3o pessoas que n\u00e3o querem fazer pr\u00e9-natal nem participar de grupo de m\u00e3es, pois t\u00eam vergonha de sua mis\u00e9ria (n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f4mica)e se excluem \u2014 ou s\u00e3o exclu\u00eddas \u2014 da fam\u00edlia\u201d, observa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga ressalta que os n\u00edveis de gravidez na adolesc\u00eancia s\u00e3o muito altos no pa\u00eds. \u201cE, se elas n\u00e3o contam com apoio de ningu\u00e9m da fam\u00edlia, o Estado precisa prover\u201d, defende. Para a psic\u00f3loga Ang\u00e9lica Guidoni, \u00e9 de suma import\u00e2ncia tamb\u00e9m o trabalho de preven\u00e7\u00e3o, que deve come\u00e7ar nas escolas, de forma sistematizada. Mesmo porque quase metade das gesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 planejada e, a cada cinco beb\u00eas no pa\u00eds, um tem m\u00e3e adolescente. Os dados s\u00e3o do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA). \u201cPlanejamento familiar, educa\u00e7\u00e3o sexual, educa\u00e7\u00e3o financeira deveriam ser mat\u00e9rias de ensino m\u00e9dio \u2014 e tamb\u00e9m do ensino superior\u201d, diz Guidoni.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Tr\u00eas perguntas para<\/h3>\n<div><em><strong>Elen Souza,<\/strong> assessora de Carreira da Catho, psic\u00f3loga, p\u00f3s-graduada em\u00a0<\/em><em>psicopatologia e \u00a0psicossom\u00e1tica\u00a0<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<p><strong>A falta de um sistema universal de creches gratuitas e de qualidade atrapalha muitas mulheres a voltarem ao mercado de trabalho?<\/strong><br \/>\n\u00c9 fundamental que as m\u00e3es tenham com quem deixar seus filhos para que possam retornar ao mercado de trabalho, j\u00e1 que, socialmente, ainda s\u00e3o vistas como \u00fanicas respons\u00e1veis pelo cuidado dos filhos nos primeiros anos de vida, embora essa seja uma vis\u00e3o ultrapassada e que, felizmente, vem mudando pouco a pouco. Essa falta de suporte \u2014 e a quest\u00e3o da disponibilidade de creches \u00e9 uma delas \u2014 desencoraja, dificulta e inviabiliza o retorno da mulher ao mercado de trabalho formal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O estresse de ter de deixar o filho com algum parente, vizinho ou conhecido pode prejudicar o desempenho no trabalho?<\/strong><br \/>\nDeixar o filho para retornar ao trabalho, independentemente de quem cuidar\u00e1 da crian\u00e7a, seja escola, creche, parentes, seja rede de vizinhos, \u00e9 um processo geralmente dif\u00edcil. E, principalmente, no primeiro momento em que acontece essa \u201csepara\u00e7\u00e3o\u201d, \u00e9 normal a m\u00e3e se sentir dividida. Por\u00e9m, com um respaldo adequado e cercado de pessoas de confian\u00e7a, automaticamente, a mulher ter\u00e1 mais tranquilidade no retorno ao trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Empresas e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos que oferecem benef\u00edcios, como creche no local de trabalho e aux\u00edlio-creche cumprem papel importante?<\/strong><br \/>\nSem d\u00favida. Essa iniciativa \u00e9 importante e \u00e9 uma das formas mais eficazes de apoio \u00e0s mulheres no retorno ao trabalho. Torna-se um benef\u00edcio para m\u00e3es, que enxergam uma possibilidade de ficarem pr\u00f3ximas da crian\u00e7a durante o expediente, otimizando o tempo e se antecipando a imprevistos inerentes \u00e0 maternidade.<\/p>\n<\/div>\n<footer class=\"entry-footer\"><span class=\"tags-links\"><i class=\"fa fa-tags\"><\/i> <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/tag\/blog\/\" rel=\"tag\">blog<\/a>, <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/tag\/correio-braziliense\/\" rel=\"tag\">Correio <\/a><\/span><\/footer>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem acesso a rede p\u00fablica universalizada de cuidados para crian\u00e7as de at\u00e9 3 anos, as trabalhadoras com filhos pequenos sofrem uma s\u00e9rie de exclus\u00f5es no mercado corporativo, o que prejudica a inser\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento profissional feminino. A oferta de creches gratuitas e de qualidade tem tudo a ver com o desenvolvimento profissional, social e econ\u00f4mico do pa\u00eds. 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