Atriz Glória Pires sofre como Elizabeth na novela O outro lado do paraíso
gloria_pires Crédito: Globo/Mauricio Fidalgo. Atriz Glória Pires sofre como Elizabeth na novela O outro lado do paraíso Atriz Glória Pires sofre como Elizabeth na novela O outro lado do paraíso

O outro lado do paraíso não trata alcoolismo com seriedade

Publicado em Novela

O alcoolismo é um tema recorrente na dramaturgia. Em O outro lado do paraíso, autor Walcyr Carrasco erra ao não levar o tema a sério.

A última segunda-feira foi especial para a novela O outro lado do paraíso, o que não é necessariamente positivo. O mesmo capítulo que trouxe o certeiro casamento de Josafá (Lima Duarte) e Mercedes (Fernanda Montenegro) tratou do alcoolismo de Beth (Glória Pires) sem qualquer brilho, beirando a irresponsabilidade.

A personagem de Glória Pires queria salvar Adriana (Julia Dalavia), doando a ela um órgão, mas, com o fígado comprometido pelo alcoolismo, ela não pôde ajudar a filha. Desesperada, Beth quer voltar a beber ー ela estava abstêmia desde quando decidiu fazer o transplante ー a qualquer custo, mas é impedida por Clara (Bianca Bin) e Patrick (Thiago Fragoso). Aí começa a derrocada do autor Walcyr Carrasco.

Como uma menina mimada, Beth chora, esperneia, joga as garrafas de vodca na parede. Enfim, se porta como a doente que é ー alcoolismo precisa ser visto como doença pela sociedade. Mas não é tratada como tal. Clara e Patrick e os outros personagens que estão perto dela fazem no máximo transferir dinheiro para que Beth e Renan (Marcello Novaes) abram uma confecção de vestidos de festas. Nada de clínica de reabilitação ou reuniões do AA.

Crédito: Globo/Raquel Cunha. O outro lado do paraíso peca ao não tratar o alcoolismo com seriedade
Crédito: Globo/Raquel Cunha. O outro lado do paraíso peca ao não tratar o alcoolismo com seriedade

No capítulo seguinte, o calvário de Beth continua ー e o do público também. Em cenas que beiraram o patético, ela vai atrás de álcool de cozinha (em gel mesmo) ou de perfume para saciar o desejo de beber. Não que isso não aconteça na vida real e não é que as pessoas que chegam a esse ponto sejam patéticas. Ruim foi a cena e o frágil texto de Walcyr.

Não é de hoje que os alcoólatras povoam nossas novelas. E foram muitas as vezes que os personagens prestaram um serviço incrível à sociedade, como a professora Santana (Vera Holtz, soberba em Mulheres apaixonadas), o aposentado Orestes (Paulo José, em Por amor) ou clássico dos clássicos a irrepreensível Heleninha Roitman, um dos melhores papéis de Renata Sorrah na tevê, em Vale tudo.

Nos três casos, em medidas e momentos diferentes, o assunto era tratado com a seriedade e com a profundidade merecida. Eram tons, autores, situações distintos. Eles tinham em comum a qualidade, item que falta em O outro lado do paraíso. Já disse e repito: Glória Pires merecia ser mais bem tratada na Globo.

2 thoughts on “O outro lado do paraíso não trata alcoolismo com seriedade

  1. O alcoolismo é uma doença série que afeta milhares de lares em todo o mundo. As novelas, por sempre se espelharem na realidade, acabam trazendo para as telas personagens que mostram os dramas enfrentados por quem sofre do problema. Relembre a seguir atores que interpretaram alcoólatras na televisão:

    Thiago Mendonça:
    O ator interpretou na novela “Em Família” um médico que coloca a própria carreira em risco por se recusar a admitir que tem problemas com álcool.

    Bemvindo Siqueira:
    Na novela “Tieta”, o ator interpretou um alcoólatra caricato que, apesar de estar sempre embriagado, sabia de tudo o que acontecia pela cidade.

    Renata Sorrah:
    A atriz interpretou uma das mais célebres alcoólatras da TV na novela “Vale Tudo”, de 1988. Na trama, a famosa vive Heleninha Roitman, uma mulher que bebia para conseguir enfrentar os problemas que tinha com a mãe, Odete Roitman, vivida por Beatriz Segall.

    Alexandre Borges:
    Na trama de “Celebridades”, o ator deu vida a um jornalista que passa a beber após a morte da mulher e conta com a ajuda do filho pequeno para se livrar do vício.

    Osmar Prado:
    Em “O Clone”, de 2001, o ator foi o porta-voz do problema do alcoolismo na pele do personagem Lobato.

    Vera Holtz:
    A atriz fez sucesso na novela “Mulheres Apaixonadas”, de 2003, ao interpretar uma professora alcoólatra que chegava a dar aulas embriagada. Em momentos de abstinência, a personagem bebia até perfume.

    Eduardo Lago:
    Em 2005, o ator mostrava as dificuldades de se livrar do vício em álcool na pele do personagem Bira da novela “Páginas da Vida”.

    Paulo José:
    Na novela “Por Amor”, que estreou na televisão em 1997, o prestigiado ator interpretou um alcoólatra que era motivo de vergonha da própria filha, Maria Eduarda, vivida pela atriz Gabriela Duarte.

  2. Mas você sabia que aproximadamente 20% das pessoas que ingerem bebida alcoólica em grande quantidade desenvolvem disfunções no fígado?Essas pessoas apresentam alterações importantes como a esteatohepatite alcoólica aguda, que é o acúmulo de gordura no interior das células do fígado,fibrose e cirrose.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe um nível seguro para o consumo de álcool. Se a pessoa bebe, há risco de problemas de saúde. Conforme a OMS, as pessoas saudáveis podem consumir, no máximo, 30 gramas de álcool por dia. Porém, se a pessoa for hipertensa ou tiver diabetes não poderá beber. Ressalta que, para aqueles que não abrem mão de um happy hour ou qualquer outra bebida em determinados momentos, o ideal é saber consumir sem exageros. O ideal é o consumo social, em pequena quantidade, nos fins de semana.

    Apesar de o corpo demorar em média uma hora para degradar 10 ml de bebida alcoólica, algumas características pessoais podem fazer com que demore mais para ser metabolizado. “Fatores como o peso, se é homem ou mulher, idade, obesidade, metabolismo pessoal, quantidade de alimentos ingeridos juntamente com a bebida, o tipo e a dose da bebida alcoólica e se a pessoa está tomando alguma medicação, fazem o tempo de degradação do álcool variar”, comenta.

    Além dos problemas de saúde, tais como a cirrose e a pancreatite aguda, o consumo exagerado de álcool pode ser um perigo para quem faz uso de medicamentos. “As bebidas alcoólicas podem diminuir ou potencializar os efeitos dos medicamentos”, comenta o médico. O mais comum é potencializar os efeitos colaterais causando sintomas como náuseas, tonturas, sonolência e diminuição da habilidade motora”, salienta o especialista.

    Cirrose alcoólica

    A cirrose alcoólica é causada pela ingestão diária e prolongada de álcool. É considerada uma doença de alcoólatras, no entanto todas as condições que levam a uma inflamação crônica do fígado (alcoólicas ou não) podem resultar nessa patologia. É processo crônico de destruição das células hepáticas, que ocorre de maneira difusa, com formação de cicatrizes e nódulos levando à necrose do órgão.

    O único tratamento efetivo da cirrose é o transplante hepático, indicado apenas para alguns casos. Portanto, é importante fazer o diagnóstico precoce para iniciar o mais depressa possível o tratamento que pode adiar ou evitar maiores complicações.

    Pancreatite Aguda

    É uma inflamação repentina do pâncreas que ocorre quando as enzimas digestivas produzidas no órgão são ativadas em seu interior, causando danos. As duas causas mais frequentes são a existência de cálculos na vesícula e/ou vias biliares, conhecidas como pedras na vesícula, e também o consumo de álcool em excesso.

    Os sinais de pancreatite aguda costumam variar, mas o mais comum é a dor progressiva na parte superior do abdômen, que torna-se constante e vai piorando com o tempo. Além disso, pode causar náuseas, vômito, gases, fezes com cor de argila, indigestão e inchaço na região abdominal, entre outras.

    Agora, vamos relembrar os personagens das novelas que sofriam com o alcoolismo:

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